Cubanos festejam santa pela primeira vez em 52 anos
Padroeira de Cuba, a imagem da Virgem mulata apareceu pela primeira vez para três pescadores em 1612.
Madruga - Pela primeira vez, em 52 anos de governo comunista, milhares de fiéis puderam participar de romarias em homenagem à Virgem da Caridade do Cobre, a santa padroeira de Cuba. Uma peregrinação autorizada começou em agosto em Santiago de Cuba, 970 km a leste de Havana, e será concluída no dia 30 de dezembro na capital, depois do que a imagem regressará a seu santuário, no povoado de El Cobre.
Domingo, sob um sol intenso, com rezas e cânticos, milhares de pessoas receberam a santa na aldeia de Madruga, 65 km a leste de Havana. Sua única peregrinação ocorreu em 1951-52, durante os festejos do cinquentenário da República, sob a liderança do arcebispo de Santiago de Cuba, Enrique Pérez Serantes - o mesmo que intercedeu para salvar Fidel Castro e outros rebeldes do frustrado ataque ao quartel Moncada (1953), primeira ação armada da revolução.
A imagem da Virgem mulata apareceu, segundo a lenda, pela primeira vez em 1612, para três pescadores, na baía de Nipe, na ilha. Em Cuba, 15% dos 11,2 milhões de habitantes praticam uma religião definida; 15% se dizem ateus e os demais professam um marcado sincretismo religioso, um amálgama do cristianismo com cultos de origem africana. Os cubanos identificam a Virgem da Caridade com Oxum, um orixá feminino do panteão ioruba.
''Chegou o momento de nossa Arquidiocese de Havana preparar-se para receber a Virgem da Caridade. É um momento de alegria'', porque ''nos traz saúde e esperança'', disse o cardeal Jaime Ortega ante os fiéis. Ortega, também arcebispo de Havana, elogiou as ''mudanças'' empreendidas pelo governo Raúl Castro e o clima de diálogo que permitiu a romaria.
Fonte: Folha de Londrina
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