Vivência da Sagrada Escritura: O dilúvio
O dilúvio é narrado nos capítulos 6 e 7 o livro do Gênesis e é uma passagem riquíssima. Longe de dar uma interpretação teológico-exegética, o objetivo desse artigo é dar uma interpretação de vivência para sermos melhores como cristãos frente ao mundo que cada vez mais se seculariza esquecendo-se de Deus.
Mesmo o homem moderno, se soubesse quão grande é o amor divino, se preocuparia mais com a salvação, onde esse amor é plenamente manifestado. Se o homem soubesse o quanto o amor de Deus é grande, despojaria de todas suas riquezas e buscaria o mais precioso tesouro: o Amor de Deus, perto do qual todas as riquezas são misérias e todos os sucessos são ilusões vaidosas. A maior riqueza que o homem pode ter o amor divino e só assim o homem pode conseguir as utopias de um mundo perfeito que ele tanto deseja. Só sabendo o que é o amor de Deus o homem será capaz de se desfazer de riquezas por amor ao próximo, pois assim o homem entenderia que todas as riquezas nada valem perto da riqueza maior que ele já tem: o Amor de Deus. Só através desse amor o mundo pode se tornar mais justo.
Acima temos uma breve explanação do princípio da discussão, baseado no que já disse Santa Tereza D’Ávila: “Nada te perturbe, nada te amedronte, tudo passa, a paciência tudo alcança. Pra quem tem Deus nada falta, só Deus basta.” Essa explanação é de fundamental importância para a vivência da passagem terrível narrada no Dilúvio.
Como naquela época havia homens maus, merecedores dos castigos divinos, nessa época atual nós devemos ver o que temos de bom e de mau. Não se trata de ver os defeitos do próximo, mas sim de enxergar os nossos próprios defeitos, nossas limitações. Não podemos perder tempo apontando o dedo para os ciscos nos olhos do próximo, mas devemos antes retirar as traves de nossos olhos (Mt 7, 3). Precisamos arrancar o joio do meio do trigo de nossos corações e assim abrir espaço para que a bondade cresça.
O dilúvio narrado em Gênesis é, nesse sentido, análogo à passagem de Mt 13, 30. Às vezes a maldade se apossa de nós de tal maneira que se torna impossível emendar de vida sem uma decisão radical. No dilúvio do tempo de Noé havia tanta gente má no mundo que praticamente só a família de Noé era justa e só essa família sobreviveu. De forma idêntica, às vezes há tanto joio no trigo que devemos cortar tudo, aproveitar os frutos do pouco de trigo e enfim emendar de vida.
Quantas vezes não nos entregamos a julgar as pessoas, a nos achar melhores, a falar mal dos semelhantes, murmurar, falar palavrões indevidamente, falar coisas que vão contra a moral e a fé? Tudo isso funciona como pequenas sementes de joio que vão sendo plantadas aos poucos em nossos corações, sufocando o trigo. Chega então o ponto em que devemos afogar todos os males, separar o que há de bom e tomar um sentido exatamente inverso ao que seguíamos antes. A isso chamamos conversão.
Quando se dá nossa conversão, devemos, pois saber que existem certas exigências. A conversão cristã é uma das formas mais eficientes de se pregar o Evangelho. A mudança de vida e a imitação de Cristo podem, junto a um trabalho árduo de evangelização, atrair mais pessoas ao coração de Jesus Cristo.
É importante quando se dá nossa conversão que façamos sacrifícios em oferenda a Deus pelos nossos pecados como indulgência pelas nossas faltas. Se cometemos algum pecado, é importante nos arrependermos amargamente deste ou pensando no mal que fizemos contra Deus ou pensando na pena do Inferno. É sempre mais eficiente o arrependimento por amor a Deus e a isso se chama arrependimento perfeito.
Arrependidos, é bom fazer algum sacrifício em reparação de nosso erro. Deixar de fazer algo de que gostamos, deixar de comer algo que nos agrada como uma auto-pena pelo nosso pecado para a nossa santificação. Fazer breves orações de reparação também ajuda. Finalmente devemos estipular um prazo para nos confessarmos e jamais tomar a Eucaristia em pecado mortal. Só isso já é uma pena terrível que nos faz ver o quanto o pecado nos afasta de Deus.
Nossa vida, entretanto, não deve ser um mar de lágrimas. Devemos nos arrepender de nossos pecados, mas jamais ficar entristecidos eternamente por causa deles. Devemos sim criar em nós um inquebrável ódio pelos nossos erros e assim devemos tentar nunca mais voltar a pecar da mesma forma. Além disso, o mais importante passo a se tomar com o pecado é confessar e após a penitência é dever do cristão sentir-se aliviado de suas culpas. É claro que o alívio é fruto de uma confissão bem feita, com um bom exame de consciência.
Importante também para a santificação pessoal é a Eucaristia e o sacrifício pessoal. Se quisermos ser bons cristãos nos é necessário fazer pequenas penitências em determinada freqüência para a maior glória de Deus e para a nossa Santificação. Sempre que fizermos alguma penitência é importante oferecê-la para um fim e fazer também alguma oração com o mesmo oferecimento. Uma atitude salutar e piedosa é oferecer a Maria as penitências feitas para que suas Mãos Imaculadas as apliquem ao que acharem melhor.
Com nossos exercícios espirituais seremos capazes de merecer o Reino dos Céus e o amor de Deus a cada dia mais. Através da santificação diária somos cada vez mais capazes de fazer de nós perfeitos imitadores da Sabedoria Encarnada, Jesus Cristo, Filho de Deus, fazendo já nesse mundo uma semelhança do Alto.
Fonte: Apostoladosfx

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