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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sermão do Padre René Trincado Domingo da Santíssima Trindade

Sermão do Padre René Trincado Domingo da Santíssima Trindade México, 26 de Maio de 2013 Tradução: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória/ES Observações: capela@nossasenhoradasalegrias.com.br
A GUERRA NÃO É VOSSA MAS SIM DE DEUS

Houve um rei de Judá, chamado Josafat, que governou com temor de Deus. É muito elogiado por muitas obras santas que fez, como, por exemplo, quando se diz na Escritura que “varreu da terra o resto dos efeminados que haviam ficado do tempo de sua pátria Asá” (1 Reis, 22-47).

Em certa ocasião o Reino de Judá se viu gravemente ameaçado por uma aliança poderosa das nações vizinhas, humanamente impossível de vencer. O Rei Josafá, muito angustiado, suplicou o auxílio divino diante de todo o povo. Ao finalizar sua oração, um profeta chamado Jahaziel, se levantou e disse: “Ouvi, toda Judá, e vós moradores de Jerusalém, e tú, rei Josafá. O Senhor os disse: não temais nem se amedronteis diante desta tão grande multidão, porque a guerra não é vossa senão de Deus. Não temais nem desanimeis; marchai contra eles porque o Senhor está convosco” (2 Cron. 20 15,17). Cheio de valor, de confiança em Deus, e desprezando os meios puramente humanos, marchou o rei na cabeça do seu pequeno exército contra os poderosos inimigos, e estes foram esmagados por obra de Deus. A guerra não era sua, era de Deus.

A ORDEM DE BATALHA DE CRISTO

No Evangelho de hoje, festa da Santíssima Trindade, nos diz Nosso Senhor: “Ide e ensinai a todas as gentes batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo: ensinando-as a observar todas as coisas que os hei mandado: e olhai que estou convosco todos os dias até o fim dos tempos”.

Dado que o diabo se opõe sempre a extensão do Reino de Deus, com essas palavras Cristo nos deu uma verdadeira ordem de batalha, pois ir a conquistar para Ele todas as gentes, implica marchar contra todos os demônios e seus exércitos humanos. Por isso a Igreja dos vivos se chama “militante”, é dizer, combatente, e Santo Eusébio, comentando este Evangelho, diz que Nosso Senhor, fazendo-nos exército do Reino dos Céus, nos dispôs para a guerra contra os inimigos.

São João Crisóstomo assinala que Cristo veio dar início a guerra católica e que por isso manifestou desde um começo a classe de combate que havíamos de sustentar, mais terrível que toda guerra civil. E, por sua parte, São Jerônimo diz sobre este Evangelho, que Nosso Senhor, ao prometer estar conosco, seus discípulos, até o fim dos tempos, indica que venceremos sempre.

Se a guerra é de Deus e não nossa, não devemos buscar, para livrar-se dela, socorros humanos, senão que devemos aderir por inteiro a fé. Quanto menos buscarmos os apoios terrenos – diz Santo Ambrósio – mais encontraremos os auxílios divinos.

VATICANO II: A PAZ DO DIABO

Pois bem, depois de quase vinte séculos de guerra, de resistência da Igreja entre duros combates, finalmente veio o demônio com sua obra mestra, o Concílio Vaticano II, a converter em letra morta a ordem de batalha de Cristo: o liberalismo, batizado no concílio, acabou com a guerra: se assinou por fim a paz com o demônio, com o mundo e com a carne.

Se existe direito a não ser católico, a liberdade religiosa e de consciência, como ensinam os maçons e os documentos conciliares: se fora da Igreja há salvação, se não há inferno ou está vazio, como pretendem os modernistas; para que ir batizar e evangelizar? Para que ir combater? Melhor ir dialogar para corrigir os meros maus entendidos que impedem a realização da paz mundial, dessa unidade dos homens não fundada em Cristo, que é o novo fim da Igreja, segundo os liberais e os hereges modernistas. O santo espírito missionário foi destruído pelo concílio, e seu lugar foi usurpado pelo diálogo ecumênico que não é outra coisa que a continuação daquele diálogo catastrófico entre Eva e a serpente.

SE DERRUBA DESDE DENTRO O ÚLTIMO BASTIÃO

Contra este engano diabólico se levantou nosso fundador, Monsenhor Lefebvre, mas 40 anos depois vemos que a congregação que lutava gloriosamente contra o liberalismo, está abandonando gradualmente a trincheira, está deixando paulatinamente de combater e está mendigando migalhas a seita conciliar.

Perdida a esperança na conversão de Roma pelo poder divino – coisa que parece impossível aos que deixaram de confiar inteiramente em Deus – e esquecendo que esta guerra não é dos homens senão de Deus; se busca um auxílio humano, uma aliança adúltera com os liberais moderados, a ajuda de uns supostos “novos amigos em Roma” (Cor Unum 101), se pretende um acordo de paz com o inimigo (esteve a ponto de firmar-se no ano passado), se pensa que estando na estrutura oficial, converteremos os modernistas e restauraremos a Igreja. Mas tudo isto não é mais que uma horrorosa ilusão, e esta ilusão está fazendo baixar os braços aos que combatiam valorosamente por Cristo: “Não se vem já na Fraternidade os sintomas dessa diminuição na confissão da Fé?” diziam os três bispos ao Conselho Geral na carta de 7 de abril do ano passado. O combate diminui, o diálogo aumenta. Mas o conciliador termina conciliar.

NÃO VIM TRAZER PAZ SENÃO ESPADA

Contra esses sonhos pacifistas tão característicos dos liberais, estão as palavras eternas de Cristo: “Não vim trazer paz, senão a espada [ou divisão]” (Mt. 10, 34; Lc 12,51). Uma é a espada da paz do mundo; outra é a paz de Cristo. “Vos deixo a paz, minha paz dou-Vos; não como o mundo no-la dá, Eu dou-Vos. Não se perturbe o vosso coração, nem tenhais medo” (Jo. 14, 27).

Há uma paz boa e há uma paz má. E há uma divisão boa e uma divisão má. A paz segundo o mundo é a união dos homens para o bem ou para o mal, “a paz de Cristo é a união que Ele estabelece entre o Céu e a terra por sua Cruz” (Col. 1), diz São Cirilo citando São Paulo, e agrega que é má a paz quando separa do amor divino. E São João Crisóstomo, falando da boa espada ou divisão, diz que o médico, a fim de conservar o resto do corpo, corta o que tem por incurável. E acrescenta que uma divisão boa terminou com a má paz que havia na torre de Babel e que São Paulo, por sua vez, dividiu a todos os que se haviam unido contra ele (Atos 23), porque nem sempre a concórdia é boa e os ladrões também se unem [para fazer suas delinquências]  

Estimados fiéis: o fumo de Satanás, o liberalismo, entrou na Tradição por uma greta aberta desde dentro. Por isso agora se busca uma paz que não é de Cristo.

DEUS DECLAROU GUERRA

De Deus, e tanto assim que é a única guerra declarada por Deus. Em efeito, ensina São Luis Maria Grignon de Montfort em seu “Tratado da Verdadeira Devoção”, que “Deus não fez nem formou nunca mais que uma só inimizade – e inimizade irreconciliável -, que durará e aumentará até o fim; e é entre Maria e o diabo; entre os filos e servidores da Santíssima Virgem e os filos e sequazes de Lúcifer”.
 
E disse Deus: “Eu porei inimizades entre ti e a mulher e entre tua descendência e a dela (Gen. 3,15). Aí está a declaração de guerra. É Deus quem declarou a guerra. É sua guerra, não é nossa. Nosso dever é combater sem pretender colocar fim a essa guerra. Não temos direito a fazer a paz. Não temos direito a nos render. Temos o dever de guerrear. “Aos soldados cabe combater e a Deus dar a vitória”, dizia Santa Joana d’Arc.

Sendo assim, nenhum homem deve pretender fazer uma trégua com os liberais inimigos de Cristo, nem negociar um acordo de paz com os destruidores da Igreja, nem aceitar uma paz decretada pelos que – em quanto hereges modernistas – são soldados do diabo. Isso tem um nome: traição. E quem o busque ou está disposto a aceitar essa paz também tem um nome: traidor.

Que pela intercessão de nossa Mãe, a Santíssima Virgem Maria, Deus nos conceda seguir as pegadas de todos os mártires e de todos os santos, e receber do Céu a ferrenha resolução de combater até o fim e a graça de morrer antes de trair.

“Ouvi, toda Judá, e vós moradores de Jerusalém, e tú, rei Josafá. O Senhor os disse: não temais nem se amedronteis diante desta tão grande multidão, porque a guerra não é vossa senão de Deus.

Retirado de A Grande Guerra.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"O Concílio Vaticano II, vinculativo para a Igreja hoje"

"O Concílio Vaticano II, vinculativo para a Igreja hoje"

Lectio magistralis do Profº Johannes Grohe na festa de São Tomás de Aquino

ROMA, quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) - "O Concílio Vaticano II é, e deve continuar sendo para a Igreja Católica, uma expressão do magistério solene e supremo do nosso tempo". É o que foi dito na manhã do dia 17 de Janeiro pelo Rev. Profº Johannes Grohe, professor de História da Igreja, em sua palestra sobre o Concílio Vaticano II no contexto de todos os concílios ecumênicos, realizada por ocasião da festa de São Tomás de Aquino, patrono da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Santa Croce).

Ao mesmo tempo, deve ser assumida "a sua correspondente importância no diálogo ecumênico, ou seja, em qualquer união com outras Igrejas e comunidades cristãs separadas da Igreja Católica", continuou o professor. Entende-se, portanto, "que não se pode renunciar à necessidade de um recebimento desses textos fundamentais, como tampouco se pode renunciar a receber os outros concílios ecumênicos da Igreja do passado".

Não há dúvida, prosseguiu o estudioso, de que ao longo de dois milênios de concílios ecumênicos, o Vaticano II representa um evento de "importância epocal", "fundamental para a vida da Igreja de hoje", na qual ele deixou "marcas profundas".

Em seu discurso, Grohe também fez menção aos que "põem em dúvida a própria natureza ecumênica do Vaticano II", oferecendo uma gama de referências teológicas e históricas e apresentando estudos que refutam esses questionamentos, destacando a equivocada abordagem metodológica de certos autores.

Mesmo aqueles que desde o início desafiaram a "autoridade" do Sínodo Vaticano, como, por exemplo, "alguns expoentes da minoria conciliar" (Lefebvre e seus seguidores), e portanto contestaram o "carácter vinculativo dos documentos conciliares", acabam salvaguardando por outro lado "o aspecto ecumênico do concílio", colocando-o "na mesma linha dos 20 concílios anteriores".
Deve ser claramente entendido que o concílio aberto em 11 de outubro de 1962 pelo papa João XXIII "não definiu novos dogmas", mas propôs, "com autoridade suprema para toda a comunidade cristã, a doutrina tradicional de modo novo e com uma atitude pastoral nova". Todos os seus decretos têm, portanto, um "valor universal" e "são vinculativos, devendo ser aceitos também por aqueles que desejam entrar em comunhão com a Igreja Católica".

Grohe é diretor da revista Annuarium Historiae Conciliorum (http://ahc.pusc.it/), fundada em 1968 por Walter Brandmüller e Remigius Baümer. Este seu pronunciamento se encaixa no debate do 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e em preparação para o Ano da Fé proclamado pelo Santo Padre Bento XVI, que vai começar justamente na data do aniversário de abertura do concílio.

A Faculdade de Teologia organizou também para os próximos dias 12 e 13 de março um círculo de estudos sobre o tema Palavra e Testemunho na Comunicação da Fé. A releitura de um binômio crítico à luz do Concílio Vaticano II (http://www.pusc.it/teo/conv2012), a fim de analisar a questão da relação entre o testemunho e a palavra no contexto religioso e social do mundo de hoje.

Este ano marca ainda o vigésimo quinto aniversário da revista internacional da faculdade, Annales Theologici (http://www.annalestheologici.it), um semestral catalogado em mais de 300 bibliotecas de todo o mundo e que teve como autores, entre outros, os cardeais Angelo Amato e Dionigi Tettamanzi, Pierpaolo Donati, Cornelio Fabro, Fernando Ocáriz, Vittorio Possenti, Pedro Rodriguez, Martin Rhonheimer e Anton Ziegenaus.

Fonte: Cleofás