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domingo, 22 de junho de 2014

O consumo de carne, o pecado, as heresias e os rumos do cristianismo

Por:

Eduardo Moreira

Créditos da imagem:

Rafael Vitola Brodbeck

Não é de hoje que critérios totalmente superficiais são adotados como nível máximo de santidade por grupos sectários que estão infiltrados na Igreja. Quando alguns franciscanos se viram sem seu fundador, formaram eles uma seita de fanáticos de certo caráter gnóstico que foram duramente (e com razão) combatidos pela Igreja. Eles alegavam praticamente que era impossível ter posses e ser bom católico, quando nem mesmo Deus negou o direito de propriedade. Isso é bem evidente no decálogo descrito no capítulo XX do livro do Êxodo quando Deus manda que não se roube nada do próximo. Ora, só é possível roubar algo que é propriedade de outro, portanto, Deus impede por esse mandamento que se tome a propriedade privada. Assim fica fácil perceber o caráter herético desse grupo primitivo de franciscanos que, em nome da virtude do desapego, tentaram impostar a todos os cristãos essa virtude como caráter fundamental para se ser bom católico.
            De forma análoga, o apego à saúde faz com que muitos condenem o álcool e o fumo. O uso dessas substâncias não é considerado pecado pela moral católica, o que não significa que é mandatório fumar ou beber para ser bom católico. Significa tampouco que uma pessoa possa discordar desses hábitos. Aos que assim agem, deixo a frase do grande escritor católico, Gilbert K. Chesterton:
            ˗ "Idolatria é cometida, não apenas através da criação de falsos deuses, mas também através da criação de falsos demônios, fazendo os homens terem medo de guerra ou álcool, ou das leis econômicas, quando deveriam ter medo da corrupção espiritual e da covardia."
            Com o advento do politicamente correto vêm nascendo uma enxurrada de heresias brancas pautadas no respeito humano, o que pode ser pecado mortal. Palavrões, cigarros, bebidas e até o consumo de carne vêm sendo alvos de crítica dos puritanos. Que é belo e moral querer se afastar de tudo isso, sem se afastar da verdade, não se pode negar. Aquele que deseja ser perfeito e que deseja unir-se inteiramente a Deus pode optar por desapegar de todas essas coisas e de mais tantas outras por amor ao Criador. Entretanto, não é lícito, nem belo, nem moral condenar quem faça uso de tudo o que já foi citado aqui. Tivemos santos na Igreja que eram doces e suaves, como Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, assim como tivemos verdadeiros doutores da Igreja que não economizaram palavras duras no trato com os traidores. São Gregório Nazianzeno, por exemplo, em pleno Concílio de Constantinopla dirigiu-se a bispos traidores chamando-os de vagabundos, porcos, despudorados, falsos e oportunistas sem escrúpulos. São Jerônimo chamava seus adversários, dentre outras coisas, de asnos bípedes. São Josémaria Escrivá, fundador do Opus Dei, convidava as pessoas a aprenderem o apostolado dos palavrões. Quer dizer, a Santa Ira é Dom de Deus e pode ser usada sem moderação contra os hereges que buscam desvirtuar as almas.
            A bola da vez parece ser a corrente dos cristãos veganos. Como não era pra ser diferente, sempre que há uma modinha mundana superficial ela busca refúgio no cristianismo para crescer, para apropriar-se das virtudes de Cristo e não raro para dizer que “o cristianismo primitivo era assim”. Assim sendo, o problema não é deixar de comer carne e continuar sendo cristão. O problema é fazer isso e condenar todos os que não fazem o mesmo.
            Primeiramente, não há argumentação científica suficiente para sustentar o vegetarianismo. As pessoas que escolhem viver comendo apenas vegetais têm que seguir uma dieta muito mais rígida e diversificada para suprir a deficiência de carne. Em termos de evolução (e a Igreja não nega que essa teoria possa estar correta), o ser humano evoluiu consumindo carne e sofreu mutações ao longo do processo evolutivo para se adaptar a isso. As presas e o apêndice são evidências de que o ser humano se adaptou ao consumo de carne. Apenas animais carnívoros ou de histórico carnívoro recente (como o Panda) possuem presas, que servem para perfurar a carne. O apêndice é encarado pela ciência como uma adaptação do intestino ao consumo de carne, pois, tendo abandonado hábitos exclusivamente herbívoros, o ser humano teve uma diminuição do intestino que antes era mais longo para digerir apenas vegetais.
            Alguns argumentam que nenhum ser humano nasce carnívoro. Isso é verdadeiro, mas é impossível afirmar que o ser humano nasce herbívoro partindo do fato do ser humano, nos primeiros meses de vida, alimentar-se apenas de leite. Aliás, o leite e a carne têm algo em comum: ambos são de origem animal, muito embora sejam totalmente distintos. Esse argumento é um tiro no pé de quem o usa, porque segundo os veganos, o ser humano não pode consumir leite também. Ora, o ser humano nasce exclusivamente mamífero!
            Ainda há aqueles de coração mole que dizem que os maus tratos com os animais impedem a pessoa com consciência cristã de consumir carne. A esses deixo apenas uma coisa: nenhum animal, por mais fofinho que seja, está acima do ser humano, por pior que seja, nos planos de Deus. O homem é o “animal” mais querido por Deus e não foram poucos os doutores da Igreja que trataram das diferenças dos animais e dos seres humanos.
            Evocam eles São Francisco de Assis sem ao menos terem lido uma vírgula do que deixou esse glorioso santo. Ora, São Francisco, embora tratasse toda a criação como irmã do homem, fez questão de dizer que o restante da criação era uma irmã desengonçada do ser humano. São Francisco de Assis não partiu do princípio de que a natureza é igual ao homem, pois se assim tivesse feito, teria caído no mesmo erro dos pagãos panteístas. São Francisco, tal qual a Igreja, convidou o homem, como um ser ímpar, a olhar a natureza e a ser capaz de perceber um grau crescente de complexidade que leva a chegarmos à conclusão inevitável oriunda da filosofia de Platão: Deus, o criador está acima de todas as coisas.
            Portanto, não é pecado de forma alguma consumir carne de animais confinados desde que esse processo seja necessário para manter a dignidade do homem, saciando a fome e as necessidades dele. Também não é pecado consumir carne alegando que, por não ser um alimento saudável, é pecaminoso. Não é pecado porque o consumo de carne dentro de limites seguros é saudável e mesmo que não fosse saudável, isso por si não seria motivo para haver pecado.

            A verdade é que esses “cristãos” não conseguem conviver bem em um mundo real e, por isso, tentam usar o cristianismo para justificar seu proceder e para proibir aquilo que em sua mentalidade é pecaminoso. Felizmente o cristianismo é a religião da verdade, não dos achismos. Vale sempre lembrar nessa ocasião que Jesus Cristo multiplicou peixes, e não brócolis, bem como sua primeira refeição após a ressurreição foi... peixe. E qual foi a refeição que Deus pediu que os judeus tivessem na páscoa? Cordeiro!

Retirado de Apostolado SCR.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cristo morreu pelos nossos pecados

Cristo morreu pelos nossos pecados

Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: John Nascimento
Transmissão: Rogério Hirota (SacroSancttus)

“Transmiti-vos em primeiro lugar, o que eu mesmo havia recebido : Que Cristo morreu pelos nossos pecados”.(1 Cor.15,3).

Tanto quanto nós sabemos, Paulo nunca se enconntrou com Jesus, durante a Sua vida na Terra.

Paulo foi um Apóstolo que também não conviveu com os outros Apóstolos, senão depois do Pentecostes.

Jesus chamou-o de maneira especial :

- “E, em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto”.(1 Cor.15,8).

Foi um encontro místico com Cristo ressuscitado e glorificado.

Embora Paulo diga de si mesmo que foi “o último dos Apóstolos”, ele nunca duvidou que fosse chamado pelo mesmo Senhor e fosse encarregado da mesma mensagem.

E como ponto central desta mensagem foi que Paulo entendeu que a morte e a ressurreição de Jesus foi o cumprimento das Escrituras :

- “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”.(1 Cor.15,3-4).

No discuro de Paulo em Antioquia, entre outras coisas, ele disse :

- “E nós estamos aqui para vos anunciar a Boa Nova de que a promessa feita a nossos pais, Deus a cumpriu em nosso benefício, para nós, seus filhos, resssuscitando Jesus, como está escrito no salmo segundo : Tu és Meu Filho, Eu gerei-te hoje”.(Act.13,32-33).

Enquanto Paulo dá relevância ao facto de ter recebido aquilo mesmo que pregava, de harmonia com o Evangelho, ao mesmo tempo ele proclama a sua unidade com os outros Apóstolos :

- “Tanto eu, portanto, como eles, assim é que pregamos e assim é que vós acreditastes”.(1 Cor.15,11).

E na sua pregação sempre Paulo recomendou que não desprezassem o ensinamneto do Evangelho :

- “Mas ainda que alguém – nós mesmos ou um anjo do céu – vos anuncie outro evangelho, além do que vos tenho anunciado, esse seja anátema”.(Gal.1,8).

Nós reconhecemos nas palavras de Paulo a importância da nossa unidade com o ensinamento dos Apóstolos.

A nossa confiança de que Jesus verdadeiramente ressuscitou dentre os mortos, permanece no testemunho, que chegou até nós através dos séculos, daqueles que O viram face-a-face.

Mesmo para nós, cristãos de hoje, onde é que se fundamenta a nossa fé na ressurreição do Senhor ?

Como é que nós acreditamos que Jesus deu a vida por nós, vencendo a morte e nos deixou um novo caminho de vida ?

Certamente que é no testemunho daqueles que conviveram com Jesus e nos deixaram a sua palavra escrita como prova irrefutável.
Fonte: Exsurge Domini

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O pecado, mal que degrada a alma

O pecado, mal que degrada a alma

O pecado representa sempre uma falta de confiança em Deus. O tentador, pai da mentira, induz ao pecado através de um grande engano, de uma grande falsidade: a desconfiança em relação a Deus. Com incrível maldade, levanta a suspeita sobre a bondade de Deus e sobre a sua palavra.
«Tentado pelo diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança em seu Criador. Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem. Dali em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade» (Catecismo da Igreja Católica, n.º 397).
O pecado é também uma falta contra a razão e contra a verdade, causando danos e prejuízos para nós mesmos; os desequilíbrios, as feridas e as desordens provocadas pelos nossos pecados podem comparar-se aos efeitos devastadores de uma doença degenerativa. Porém, a última palavra nesta guerra entre o bem e o mal não a tem o pecado mas a graça de Deus: «Onde abundou o pecado, superabundou a graça». Em Cristo alcançamos a libertação do poder e do predomínio do pecado”.
A Igreja professa e proclama incessantemente a necessidade e a possibilidade da conversão a Deus. Esta consiste sempre na descoberta da misericórdia divina, isto é, do seu amor que é «paciente e benigno» (1 Cor 13,4); a conversão a Deus é sempre fruto do retorno para junto do Pai, «rico em misericórdia».
Importa muito recuperar a plena confiança filial em Deus. O Senhor não é um déspota nem uma ameaça para o homem, mas um pai. Quem nos criou por amor conhece melhor que ninguém o que nos faz felizes. Importa restabelecer a verdade sobre Deus e sua paterna misericórdia em relação ao homem. Deus nos ama! Esta é a verdade central do cristianismo. Os seus mandamentos não são um capricho nem uma arbitrariedade. Ao Senhor não é indiferente que o homem cause a si mesmo uma lesão e – pense-se na droga, na violência, no alcoolismo e na corrupção sexual – se degrade.
A misericórdia de Deus é infinita.
Infinita é a prontidão do Pai em acolher os filhos pródigos que voltam a casa.
São infinitas também a prontidão e a força do perdão que brotam continuamente do admirável valor do Sacrifício de seu Filho Jesus Cristo. Nenhum pecado humano prevalece sobre esta força e nem sequer a limita. Da parte do homem pode limitá-la a falta de boa vontade, a falta de prontidão na conversão e na penitência (Cfr. Dives in Misericórdia, n.º 13).
Purifiquemos os nossos corações, com frequência, no Sacramento da Reconciliação ou da Misericórdia de Deus. A Confissão Sacramental é uma verdadeira libertação: apaga o pecado, dissolve o mal cometido, limpa a nossa alma, dá-nos a graça do perdão. Os cristãos, pela sinceridade da sua vontade de conversão, devem «revoltar-se» diante do aviltamento do homem e proclamar, na sua vida, a alegria da verdadeira libertação do pecado, graças ao perdão de Cristo. É preciso transmitir ao mundo o fogo da misericórdia de Deus e alegria do seu perdão.
«Na misericórdia de Deus o mundo encontrará a paz e o homem a felicidade» (Bem aventurado João Paulo II).
Fonte: Encontro com o Bispo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Evangelho do Dia:: Cria em mim, ó Deus, um coração puro

Evangelho do Dia:: Cria em mim, ó Deus, um coração puro
8 02 2012
Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus chamou de novo para junto de Si a multidão e disse-lhes: Ouvi-me todos e procurai entender. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. Quando, ao deixar a multidão, regressou a casa, os discípulos interrogaram-no acerca da parábola. Ele respondeu: Também vós não compreendeis? Não percebeis que nada do que, de fora, entra no homem o pode tornar impuro, porque não penetra no coração mas sim no ventre, e depois é expelido em lugar próprio? Assim, declarava puros todos os alimentos. E disse: O que sai do homem, isso é que torna o homem impuro. Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos, as prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições, perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios. Todas estas maldades saem de dentro e tornam o homem impuro. (Mc 7,14-23)

Comentário feito por São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge e bispo

Felizes os puros de coração, porque verão a Deus (Mt 5,8). Com facilidade acreditamos que um coração purificado nos fará conhecer a alegria suprema. Mas tal purificação de coração parece tão ilusória como a subida aos céus. Que escada de Jacó (Gn 28,12), que carro de fogo semelhante ao que transportou o profeta Elias para o céu (2Rs 2,11) encontraremos nós que nos leve o coração até à beleza celeste e que no-lo liberte de todo o seu peso terreno? [...]

Não é sem dificuldade que alcançamos a virtude: quanto suor, quantas provações! Quanto esforço e sofrimento! As Escrituras lembram-nos muitas vezes: como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que leva ao Reino, ao passo que larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, pelo pecado (Mt 7,13-14). E, no entanto, as mesmas Escrituras asseguram-nos de que podemos alcançar essa existência superior. [...] Como nos tornarmos puros? O Sermão da montanha ensina-no-lo em quase todos os passos. Lede os mandamentos nele expressos uns após outros, e descobrireis a verdadeira arte da purificação do coração. [...]

Ao mesmo tempo que Cristo nos promete a bem-aventurança, instrui-nos e forma-nos para o bom êxito desta promessa. Não é certamente sem dificuldades que se atinge a bem-aventurança. Mas compara bem tais dificuldades com a existência de que elas te afastam, e verás quão mais penoso é o pecado, se não no imediato, pelo menos na vida futura. [...] Infelizes aqueles cujo espírito se mantém, com obstinação, na impureza! Apenas verão a face do Adversário. Contrariamente, a existência de um justo ficará marcada pela efígie de Deus. [...]. Sabemos que traços reveste, por um lado, uma vida de pecado e, por outro, uma vida de justiça. Face à alternativa, temos a liberdade de escolher. Fujamos portanto do rosto do demónio, arranquemos a sua máscara odiosa e, revestidos da imagem divina, purifiquemos o coração. Possuiremos assim a alegria e a imagem divina brilhará em nós, graças à nossa pureza em Cristo Jesus, Nosso Senhor.

Fonte: Dominus Vobiscum

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O pecado da impureza (luxúria)

O pecado da impureza (luxúria)

Fornicação é sexo fora do casamento

A gravidade do pecado da impureza, também chamado de luxúria, é que “mancha um membro de Cristo”. “Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um de sua parte, é um dos seus membros” (1Cor 12,27).
"Assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um dos outros" (Rom 12,5).

Deus quis salvar a humanidade em corpo, formando o Corpo de Cristo, de modo a “restaurar todas as coisas em Cristo” (Ef 1,10).

Quando eu cometo um pecado de impureza, não sujo apenas a mim mesmo, mas também o Corpo de Cristo, do qual sou membro. É neste sentido que São Paulo alertava os fiéis de Corinto sobre a gravidade desse pecado: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (1Cor 6,15). Note que o apóstolo enfatiza os “corpos”, isto é, a realidade do corpo místico de Cristo não é apenas espiritual, mas também corporal. Sem os nossos corpos não haveria a impureza.

"Tomarei, então, os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostituta se torna um só corpo com ela?" (1Cor 6,16). Está escrito: "Os dois serão uma só carne" (Gen 2,24).

Vemos que para o apóstolo entregar-se à prostituição é o mesmo que prostituir o corpo de Cristo. Esta é uma realidade religiosa da qual ainda não tomamos ciência plena, ou seja, toda vez que eu peco o meu pecado atinge todo o corpo de Cristo. Esta é uma das razões pela qual nos confessamos com o ministro da Igreja, para nos reconciliarmos com ela [Igreja], que foi manchada pela nossa falta.
O que levava São Paulo a pedir aos coríntios entre os quais havia este problema: "Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo" (1Cor 6,18).

Fornicação é sexo fora do casamento para não casados.

É preciso entender que nós não apenas “temos” um corpo, mas “somos” um corpo. Nossa identidade está ligada ao nosso corpo; ela é fixada pela nossa foto, impressão digital ou código genético (DNA). Portanto, o pecado da impureza agrava-se à medida que, mais do que nos outros casos, envolve toda a nossa pessoa, corpo e alma. E o apóstolo nos mostra que o Espírito Santo não habita apenas a nossa alma, mas também o nosso corpo; daí a gravidade da sua profanação.

“Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que habita em vós, o qual recebestes de Deus, e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço” (1Cor 6,19).

Como disse São Pedro: "não fomos resgatados a preço de bens perecíveis, prata e ouro, mas 'pelo precioso sangue de Cristo'" (1Pe 1,18), para pertencermos a Deus, no corpo de Cristo.
É importante notar que São Paulo ensina que devemos dar glória a Deus com o nosso corpo. Ele diz: “O corpo, porém, não é para a impureza, mas para o Senhor e o Senhor para o Corpo: Deus que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder”. (1Cor 6,13).

“Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1Cor 6,20).

Nosso corpo está destinado a ressuscitar no último dia, glorioso como o corpo de Cristo ressuscitado. São Paulo diz aos filipenses sobre isto:
“Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso...” (Fil 3,20)
Nosso corpo glorificado dará glória a Deus para sempre, assim como os corpos de Jesus e Maria já estão no céu.
Isto explica a importância do nosso corpo, que levava Paulo a dizer aos coríntios: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá, porque o Seu templo é sagrado - e isto sois vós” (1Cor 3,16-17).

Quantas pessoas destruíram a si mesmas, porque destruíram os seus próprios corpos! O desrespeito ao corpo, seja pela impureza, pelos vícios ou imprudências compromete a integridade e a dignidade da pessoa toda que é templo de Deus.
Jesus foi intransigente com o pecado da impureza. No Sermão da Montanha, marco dos seus ensinamentos, Ele disse: “Todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração” (Mt 5,27-28). Jesus quer assim destruir a impureza na sua raiz, isto é, no coração dos nossos pensamentos. “Porque é do coração que provém os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt 15,19).

Para viver a pureza há, então, que estarmos em alerta o tempo todo, como recomendou o Senhor: “vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41).

Todos nós já pudemos comprovar como é fraca a nossa carne, a nossa natureza humana, enfraquecida pelo pecado original. Portanto, não nos resta outra alternativa para prevenir a queda, senão, vigiar e orar.
Nunca, como em nossos dias, foi tão grande o pecado de impureza. De forma acintosa, ele aparece nas músicas, nas TVs, nas revistas, jornais, filmes, cinemas, teatros etc. Estamos sendo invadidos por um verdadeiro mar de lama que traz a imoralidade para dentro dos nossos lares, sem respeitar nem mesmo crianças e velhos.
A exploração comercial do sexo atingiu níveis assustadores, colocando o ser humano, especialmente a mulher, no mais baixo nível de dignidade.
Será que Deus pode ficar indiferente a uma situação desta? Será que a própria natureza humana pode deixar de reagir contra tanta bestialidade que hoje se pratica sob as câmeras de TVs? É difícil dizer não.

O ato sexual é a “liturgia” do amor conjugal, sua maior manifestação. No ápice da sua celebração, o filho é gerado como a verdadeira encarnação do amor dos pais; e por isso, a Igreja não aceita que o filho seja gerado sem a participação dos próprios pais, num ato sexual. Sem amor e compromisso, o sexo torna-se vazio, perigoso e banal. São Paulo ensinava aos coríntios: “A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao seu marido. E também o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa” (1Cor 7,4).

Note que o apóstolo fala em “mulher e marido”, não em namorados, noivos ou amigados. O Catecismo diz que: “Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação, eles verão uma descoberta do respeito mútuo, uma aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus”. (§ 2350).

A união dos corpos só tem sentido quando existe a união prévia dos corações e das almas, de maneira sólida e permanente, como se dá no casamento. O Catecismo da Igreja nos ensina que a vida sexual é legítima e adequada aos esposos: “Os atos com os quais os cônjuges se unem, íntima e castamente, são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido” (CIC,2362; GS,49).

São terríveis as consequências da vida sexual antes ou fora do casamento: adolescentes grávidas, sem o mínimo preparo para serem mães; pais solteiros, filhos abandonados e “órfãos de pais vivos”, abortos, adultérios, destruição familiar, doenças venéreas, AIDS etc.
O sexo é belo, mas fora do plano de Deus é um desastre, explode como uma bomba atômica.

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Fonte: Canção Nova