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quarta-feira, 18 de junho de 2014
Para que servem as denominações Protestantes ?
Reconheço que é direito de todo e qualquer cidadão professar sua crença livremente, sem embaraços.
Repudio toda e qualquer forma ou mesmo tentativa de cerceamento religioso.
Não concordo também com ataques dirigidos a honra das pessoas e que por vezes materializam situações caluniosas, difamatórias e injuriosas.
As críticas e divergências devem ser limitadas às questões de fé e doutrina, excluindo ataques dirigidos a dignidade e honra das pessoas.
Não admito deboches ou zombarias de qualquer tipo.
Introdução:
Para que servem as denominações protestantes ?
Os protestantes dizem que já estão salvos.
Eles dizem que Igreja não salva ninguém. Dizem também que placa de Igreja não salva ninguém.
Dizem ainda que religião não serve para nada.
Então para que servem os templos protestantes ?
Se o crente já está salvo, o protestante teoricamente corre o risco de perder sua salvação freqüentando a denominação errada.
Escutando outras pessoas, o crente que já estava “salvo” pode até mesmo comprometer sua salvação.
Outros mais ousados afirmam inclusive que salvação não pode ser perdida.
Ora, se salvação nem mesmo pode ser perdida, aí mesmo é que a pergunta inicial encontra eco:
“Para que servem as denominações protestantes se o crente já está salvo e se a salvação não pode ser perdida ?”
A maior parte diz que basta crer para ser salvo. Fácil assim. Levantou o dedo indicador e “aceitou” Jesus em qualquer templo protestante que pregue qualquer doutrina, já está salvo.
Será ?
Não é bem assim. A teoria é uma e a prática é outra.
Basta crer, desde que não seja católico.
Nós católicos também cremos. E nem por isto eles dizem que estamos salvos.
É preciso ter fé e ao mesmo tempo não ser católico.
Ou seja, ao contrário do que dizem de que placa de igreja não salva ninguém, o fator decisivo é ser evangélico ou protestante.
O curioso é que recebendo o rótulo evangélico tanto faz a denominação ou o “cristianismo” que se prega ou que se aprende.
Todos são irmãos em cristo, independentemente da doutrina que um ou outro professa.
O crente da denominação que apóia o aborto ou que tem pregadores favoráveis ao aborto é “irmão em cristo” do crente que abomina o aborto.
O crente que crê na Trindade é “irmão em cristo” do crente que não crê na Trindade.
Os crentes que assumem a Teologia da Prosperidade criticam os seus opositores e vice-versa.
Tem gente chamada e tem gente chamando outros de hereges.
Outros com menos educação chamam seus opositores de trouxas, idiotas ou filhos do diabo. E para fins estatísticos, acusados e acusadores são “irmãos em Cristo.”
O pregador que nega a perfeição da obra de Jesus Cristo é recebido como celebridade na denominação que diz que a obra de Jesus Cristo foi perfeita.
O pregador que diz Jesus é criação de DEUS é aplaudido e ouvido pelos crentes de outras denominações que abominaram tal afirmação.
Se entre eles não há unidade, certo mesmo é que todos são contra o catolicismo.
Mas afinal para que servem os templos protestantes se o importante é apenas crer ?
Eles utilizam o Sola Scriputra de Lutero. “Só a Bíblia”. Cada crente pode ler e interpretar a Bíblia livremente.
Eles dizem que o Espírito Santo auxilia cada crente na sua interpretação.
Se cada crente pode interpretar livremente a Bíblia, por que são necessários pastores ?
E se pastores são dispensáveis, por que ouvi-los se cada qual pode entender e compreender individualmente ?
Os próprios pastores dizem: “Só a palavra. Vai na palavra. Não é o que o pastor fala é o que a Bíblia ensina”
Eles mesmo dizem que não há infalíveis.
E se pastores são descartáveis, para que servem os cultos protestantes ?
E se os cultos protestantes são desnecessários, para que servem templos protestantes ?
Alguns dirão que vão às denominações para louvar o Senhor.
Mas e se o crente não louvar o Senhor, perde a salvação ?
Se o crente não louvar ou não bater palmas o que acontece ?
Crer não é suficiente ?
Para que louvar se o crente já está salvo ?
E por que o louvor tem ser feito na denominação junto com outros crentes ?
Se todos podem interpretar a Bíblia individualmente com a “assistência” infalível do Espírito Santo, por que cada denominação tem doutrina própria ?
Por que uma denominação não é igual a outra ?
Seria possível o Espírito Santo propor doutrinas diferentes para este ou aquele crente ou pastor ou denominação ?
Por que alguns batizam e outros não ?
Por que alguns casam pessoas do mesmo sexo e outros condenam esse tipo de enlace ?
Por que algumas denominações apóiam o aborto e grande parte critica ?
Por que alguns acreditam na Trindade e outros a renegam ?
A freqüência na Igreja somente se justifica para o um católico, pois não nos consideramos salvos antes que o Grande e Unico Senhor e Juíz assim decida.
Consideramos que devemos perseverar até o fim, tal como nos ensina a Bíblia Católica. “Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo”. Mateus 24:13
Neste sentido, a Santa Missa é uma oportunidade de recebermos graças e indulgências pelos pecados que cometemos.
Se temos que perseverar até o fim é sinal que ainda não estamos salvos.
Acreditamos que haverá um julgamento e este excepcional evento é primazia de Deus. Não nos compete definir de véspera quem está ou não salvo.
Já o protestante não precisa de ensino porque ele mesmo pode interpretar a Bíblia.
O protestante não precisa de indulgências e nem de boas obras porque ele já está salvo.
Ele não precisa se confessar a um sacerdote porque acredita que tem uma linha direta com Deus.
Em algumas denominações nem mesmo há necessidade de pedir alguma graça, já que basta determinar em nome de Jesus.
Em outras denominações DEUS está obrigado a atender a todos os caprichos do crente. As expressões mais usadas por estes são:
“Eu profetizo.” “Eu amarro.” “Eu exijo.” “Eu não aceito derrota.” “Eu decreto minha vitória.” “Eu tomo posse da minha benção.”
Na Igreja Católica seguimos o ensino de Jesus: Mateus 26:39: “Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”. Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O protestante não precisa perseverar até o fim, pois ele entende que está salvo tão e somente porque creu.
O que é a Santa Missa para nós católicos ?
É a renovação incurenta(sem derramamento de sangue) do Sacrifício do Calvário. É o mesmo e único sacrifício de Jesus Cristo na cruz.
Nessa cerimônia, Cristo é ao mesmo tempo sacerdote e vítima, oferecendo-se a DEUS para pagar as nossas dívidas.
Seus méritos infinitos são aplicados a cada fiel.
A Missa é Santa porque o autor de toda a santidade se oferece como vítima em um sacrifício perfeito, agradável, eficaz, perpétuo a Deus.
Apenas para os católicos faz sentido freqüentar Igreja.
Nós precisamos desta Santa Eucaristia. E precisamos de confissão, indulgências, homilias, obras, penitência, comunhão com os demais, sacramentos, etc…
No caso do protestante, não faz sentido algum freqüentar denominação. Ele já está “salvo.”
E ele mesmo pode interpretar a Bíblia. Ele não precisa do magistério da Igreja ou de pregador.
Nós precisamos da Igreja, porque a consideramos coluna e sustentáculo da verdade (1 Tm 3,15),
O protestante não precisaria de pastor se de fato acredita que pode contar com a assistência infalível do Espírito Santo.
O pastor poderia acabar atrapalhando.
Não é o nosso caso.
A Bíblia católica proíbe a interpretação privada. “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.” 2 Pedro 1:20
Estamos sujeitos a interpretação de Pedro e seus sucessores.
Lucas 10:16: “Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.”
O protestante crê na interpretação individual.
E se cada crente pode interpretar a Bíblia individualmente, se cada crente só precisa crer, se não há base bíblica para obrigar ao crente frequentar denominação, se não há base bíblica que recomenda perda de salvação por deixar de louvar ou pagar dízimos em denominação, retornamos a pergunta:
Para que servem as denominações e templos protestantes ?
O protestante já estando “salvo” em tese correria o sério risco de perder sua salvação freqüentando a denominação errada ou escutando o pregador que prega errado.
E como o protestante pode saber qual a denominação ou pregador são os mais adequados ?
Quem determina ?
É pela Bíblia que ele sabe qual é a denominação séria ou pregador comprometido ?
E quando o protestante passa a ter direito de sair de uma denominação e ir para outra ?
Quem decide isto ?
Quem está salvo ? O que ficou na denominação, quem dela saiu ou ainda quem fundou uma nova ?
Todos estão salvos ?
Estando salvo de véspera e podendo ser intérprete da Bíblia, pouco importa que denominação se freqüenta.
Para que serve uma denominação protestante se não faz qualquer diferença pertencer a esta ou àquela outra ?
São Paulo, nos ensina que o coração humano faz juízos duvidosos.
Assim sendo, para nós católicos é impossível acreditarmos que Jesus conhecendo nossas inegáveis fraquezas nos deixaria por nossa própria conta após tão eloqüente sacrifício e sofrimento e humilhação atrozes dos quais padeceu.
É incompreensível para nós depois de tudo que Jesus fez, ouvir por exemplo:
“Se vira. Leia e interprete a Bíblia. Julgue o que pregador está falando a partir de tua leitura particular. Escolha por si só a igreja adequada. E se esta igreja não tiver pregando corretamente vá para outra. E vá mudando até encontrar a igreja certa. E se não encontrar funde uma nova denominação.”
Jesus Cristo que nos amou incondicionalmente não nos deixaria sós.
Por isto ele fundou a Igreja. Coluna e sustentáculo da verdade. Não temos que estabelecer por conta própria as questões de fé e doutrina, pois a Igreja é assistida permanentemente pelo Espírito Santo.
E é o próprio Jesus Cristo que lhe dá assistência permanente: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” Mateus 28:20
Ele mesmo nos garante que as portas do inferno nunca prevalecerão contra sua igreja. Mateus 16,18
Ele pediu somente a Pedro e não a Lutero ou Calvino: “Confirma Teus Irmãos na fé” (LC 22,32) .
E o protestante que não se dá por vencido pergunta: “E se a Igreja tiver escândalos e pecadores ? Quem irá reformar a Igreja ? Lutero ? Calvino ? Malafaia ? Macedo ?”
E nós respondemos com toda certeza que é o próprio Jesus quem irá purifica-la.
Lucas 17, 1-2: “…mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos.”
Glória a vós Senhor por tão grande amor dispensado. Quem não creu nas tuas promessas escolheu reformadores mundo afora e assumiu para si tão e somente doutrinas de homens.
Mas alguns dirão que freqüentam a denominação porque o tão alegado “basta crer em Jesus “ é apenas força de expressão.
Dirão que na verdade o crer em Jesus significa não apenas crer que ele morreu na cruz por nossos pecados, mas é preciso fazer tudo que ele diz.
Sem dúvida. E nesse caso, nossos irmãos protestantes terão que concordar com Maria Santíssima nas Bodas de Caná: Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo quanto ele vos disser.” João 2:5
E com esta afirmação muda tudo.
Ora, se o crente tem que freqüentar denominação, se tem que ter pastor, se apenas quem desfila com os rótulos evangélico ou protestante está salvo, se tem que bater palmas, se tem que pagar o dízimo, e não pode ser católico, então não basta ter fé.
Conclusão:
Temos então dois ensinos protestantes contraditórios.
O primeiro ensino, meramente teórico, diz que basta ter fé para ser salvo. É o Sola Fide de Lutero, bastando “aceitar” Jesus em um templo evangélico ou protestante. Qualquer um. Só não pode é “aceitar” Jesus sendo e permanecer com o rótulo católico.
E o segundo ensino, a prática que nada mais é do que tradição e que revela que para ser salvo muitas outras coisas são indispensáveis além da fé.
Conforme foi dito acima o crente tem que freqüentar denominação, tem que ter pastor, tem que desfilar com os rótulos evangélico ou protestante, tem que bater palmas, tem que pagar o dízimo e não pode ser católico.
Problema com este conflito ?
Problema com uma tradição própria assumida ?
De modo algum. Um protestante não precisa concordar com outro protestante. Eles podem ter doutrinas diferentes usando a mesma Bíblia que ambos estariam salvos, ambos pertencem ao povo de Deus e todos são bênçãos, ungidos, sacerdotes, profetas, reis, etc…”
Dizer que basta ter fé significa que fé é suficiente. Nada mais é necessário.
Portanto, templos protestantes, pastores, música Gospel, DVDs, CDs, programas nas rádios e TVs e dízimos não servem para nada.
Nem Lutero. Nem Calvino. Nem qualquer denominação. Nem dízimos.
Então dirão: “Temos que pregar a palavra.”
Não precisa pregar. Basta entregar uma Bíblia para cada pessoa.
Segundo os crentes, cada pessoa pode ler e interpretar por conta própria.
Ainda conforme ensino protestante, quem se torna crente “aceitando” Jesus conta com a “assistência” do Espírito Santo” e assim não precisa de pregador.
Lembramos a máxima protestante: “Não é o que o pregador diz, mas a palavra.”
E se todos que freqüentam as denominações já estão salvos, ainda que fosse indispensável pregar, essa pregação teria que ser feita fora do templo.
Afinal por que se pretende dar remédio a quem não está doente ???
Não são os doentes que precisam de médico e de remédio ???
Por que pregar para quem já está salvo e para quem pode ser intérprete ?
E alguns outros ainda dirão que o pastor é necessário para orientação espiritual. O crente precisa crescer na fé. Precisa crescer espiritualmente.
E o que importa o crescimento espiritual se o crente já está salvo ?
Faz diferença crescer ou não crescer espiritualmente ?
Não basta ter fé ?
Se para o protestante o importante é ter fé e igreja não salva ninguém, que diferença faz freqüentar ou não denominação protestante ?
Alguém fica mais ou menos salvo ?
E se não pagar o dízimo o que acontece ?
Perde a salvação ?
E o pior de tudo que além de se dizer salvo, tem gente dizendo que uma vez salvo sempre salvo.
Aí mesmo que nada faz sentido.
Se a salvação obtida a partir do “aceita Jesus”, é “imperdível”, para que servem templos, pastores, leitura bíblica, escola dominical, DVDs, CDs e palestras para os “eleitos” ?
E o interessante é saber que a Igreja Católica não despreza as comunidades protestantes tal como o protestante o faz em relação as suas próprias denominações e a seus pares.
A Igreja católica vê com respeito os cristãos que estão fora dos seus limites, se não vejamos:
“Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas e estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser arguidos de pecado de separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e amor… Justificados pela fé recebida no Batismo, estão incorporados em Cristo, e por isso com razão são chamados com o nome de cristãos, e merecidamente reconhecidos pelos filhos da igreja católica como irmãos no Senhor” (UR,3), (CIC nº 818).
“Muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja Católica”: a palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons do Espírito Santo” (UR, 3).
“O Espírito Santo de Cristo serve-se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos esses bens provêm de Cristo e levam a Ele e impelem à “unidade católica”(LG, 8).
Grande parte dos batismos e matrimônios celebrados nestas comunidades são aceitos na Igreja Católica como válidos.
O oposto não ocorre.
A Bíblia diz que ninguém pode dizer que Jesus Cristo é o Senhor se não pelo Espírito Santo, mas o protestante descartando a Bíblia impõe a um católico um novo batismo quando este adere a uma denominação protestante.
São os próprios protestantes que a partir dos seus milhares de conceitos conflitantes entre si que acabam por condenar templos, pregadores, práticas, costumes e o próprio protestantismo em si.
Afinal de contas são eles que dizem:
“Igreja não salva ninguém”
“Não é o que pregador fala, mas a palavra”
“Quem crê já está salvo”
“Uma vez salvo, sempre salvo”
Quem puder que chegue a Roma o quanto antes, pois nesse caminho mais longo e incompreensível do protestantismo alguns podem se perder definitivamente.
Autor: A.Silva com a colaboração de V.De Carvalho. Livre divulgação mencionando-se o autor
Retirado de A Fé Explicada.
quinta-feira, 15 de março de 2012
YEHOSHUA OU JESUS?
YEHOSHUA OU JESUS?
Em síntese: Tem sido espalhado um panfleto que acusa o Catolicismo (o Papa) de haver mudado o nome do Salvador YEHOSHUA para JESUS. Este último seria um deus pagão ou o Deus CAVALO. - A alegação é totalmente falsa, pois após o exílio babilônico (587-538 a.C.) os judeus mesmos preferiram usar a forma breve JESHUA para designar os heróis do Antigo Testamento chamados YEHOSHUA: assim o sucessor de Moisés, que em português é dito Josué; assim também o Sumo Sacerdote que acompanhou Zorobabel na volta do exílio... Ora da forma hebraica JESHUA fez-se a grega IESOUS e a latina IESUS. Em tal procedimento não tomou parte a Igreja Católica.
Tem-se propagado um panfleto intitulado “O NOME SAGRADO”, que alega ter sido ilicitamente trocado o nome de YEHOSHUA por JESUS, nome de uma divindade pagã.
A seguir, exporemos a tese do panfleto e procuraremos mostrar como é falsa.
1. O conteúdo do panfleto
Logo na primeira página lê-se:
"O vocábulo Jesus não se deriva de Yehoshua.
Fica portanto provado que a sacrílega mudança do nome sagrado de Yehoshua para Jesus é a maior fraude teológica desde que o mundo foi criado até hoje".
Na página 3 volta a acusação:
"Prezado amigo, há quase 1600 anos estávamos sendo enganados a respeito do Sagrado e Eterno Nome do nosso Salvador. Quase toda a humanidade crê que Jesus Cristo é o seu verdadeiro nome. Isto é a maior mentira que Satanás conseguiu introduzir na mente das pessoas. Veja você, este nome não é de origem hebraica, mas sim grega (IESOUS), latinizado para Jesus e posteriormente transformado em Jesus".
O panfleto propõe a seguinte etimologia:
"O nome de Jesus é de origem pagã e significa DEUS-CAVALO (hebraico Ye = Deus e Sus = cavalo). E cavalo é igual a Besta.
O mundo inteiro adora a "Besta" pensando estar adorando o Cordeiro de Deus. Vejam a assustadora matemática:
IESVS CRISTVS ([1]) FILII DEI
1 + 5 + 100 + 1 + 5 + 1 + 50 + 2 + 500 + 1 = 666
Não está você também, sem saber, adorando a BESTA?"
Dito isto, o autor do panfleto procura a causa do alegado fato:
"Quem adulterou e continua adulterando a verdade criminosamente? Porventura somos nós, uma minoria perseguida e odiada por todos por seu verdadeiro NOME? Poucos sabem que os exemplares da Bíblia que dispomos são traduções feitas a partir da Vulgata Latina e que no ano de 383 de nossa era um monge de nome Jerônimo, fiel cumpridor das ordens do Papa Dâmaso, da Igreja Católica romana, foi obrigado a fazer acréscimos, mudanças e correções - veja introdução à Bíblia - ed. Vozes".
"O nome de Jesus foi dado por Roma".
Refutação:
2. Que dizer?
Proporemos três observações.
2.1. O nome
O debate versa sobre um nome que ocorre não raro no Antigo Testamento sob duas formas: Yehoshua, modalidade anterior ao exílio (587-538 a.C.) e Yeshua, após o exílio. Por exemplo, o sumo sacerdote Jesus, filho de Josedec e companheiro de Zorobabel na restauração de Jerusalém, é mencionado como Yehoshua pelos profetas Ageu e Malaquias, e como Yeshua nos livros de Esdras e Neemias. Ainda: o nome de Josué, filho de Nun, é mencionado como Yehoshua nos livros do Êxodo, dos Números, do Deuteronômio, de Josué e dos Juízes, e como Yeshua em Neemias 8, 17.
A tradução grega do Antigo Testamento dita "dos LXX" usou a forma grega lesous proveniente de Yeshua. Isto explica que os autores do Novo Testamento, escrevendo em grego, tenham usado a forma lesous para designar o Salvador da humanidade.
Os manuscritos do Novo Testamento, desde os mais antigos, têm todos, e tão somente, a forma lesous, não há indício algum de mudança de nome do Salvador no século IV.
Vê-se assim quão infundadas são as alegações do panfleto, publicado pela Congregação das Testemunhas de Yehoshua. Além do mais, contêm incoerências e erros, que passamos a apontar.
2.2. Incoerências e Erros
O autor do panfleto afirma que o nome JESUS tem origem grega e pagã, mas vai buscar sua etimologia na língua hebraica, concluindo que significa "Deus Cavalo".
Essa etimologia é questionável, pois YE pode ser a abreviatura de JAVÉ, não, porém, a de ELOHIM (= DEUS).
A equação JESUS CRISTUS FILII DEI = 666 não tem sentido, pois quer dizer JESUS CRISTO DO FILHO DE DEUS - o que nada significa; deveria ser JESUS CHRISTUS FILIUS DEI (JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS) - o que não dá o total 666. Na verdade ninguém adora a Besta quando adora Jesus Cristo.
2.3. São Jerônimo e a Bíblia
O autor insinua que foi São Jerônimo, por ordem do Papa São Dâmaso, quem alterou o nome do Salvador. - Ora é de notar que São Jerônimo é responsável apenas pelo texto latino da Bíblia, não pelo texto grego. Se, ao traduzir o texto sagrado para o latim, usou de certa liberdade (liberdade que compete ao tradutor se ele a julga necessária para dar maior clareza ao texto), nunca o fez de modo a descaracterizar o texto sagrado, alterando o seu sentido.
É absolutamente falso dizer que o texto bíblico vernáculo é tradução da Vulgata Latina; temos várias traduções diretas dos originais gregos e hebraico, munidas de notas de rodapé que explicam os versículos mais difíceis.
3. Conclusão
O nome JESUS vem do hebraico YESHUA; não é devido a alguma modificação do texto bíblico. Significa JAVÉ SALVA, e não DEUS CAVALO. Mais uma vez se evidencia como são superficiais ou mesmo tendenciosas as críticas protestantes aos irmãos católicos; dir-se-ia que lhes interessa mais denegrir e combater a Santa Mãe Igreja do que procurar a Verdade. Com panfletos de linguagem mal redigida e erros de português investem contra a Igreja. Será por amor a Cristo?
As observações filológicas deste artigo foram extraídas do verbete lesous da autoria de Willhelm Foerster publicado no Grande Lessico dei Nuovo Testamento organizado por G. Kittel e G. Friedrich, vol. IV, pp. 909-934.
MAIS UMA...
A Igreja Betei Remanescente tem propagado um panfleto que também tenta explanar o nome de JESUS. Eis os seus principais dizeres (sem retoques de grafia):
"EXPULSE O PAGANISMO DE SUA VIDA
A origem do nome do pai e do filho, é Emanuel Isaias 7,14 e 8,8 Mt 1,23.
Antigamente o nome não era Jesus Cristo e sim ZESVS CRISTVS, tendo ligação com Zeus, ou Júpiter para os romanos.
Os gregos escreveram o nome IESOUS, que também foi formado por duas divindades pagãs: IO mais ZEUS = IO a amada de ZEUS. Porque tanto paganismo? Os bispos "romanos" fizeram isso para agradar os pagãos atraí-los para a "igreja de Roma". Sem falar que o famoso nome de Jesus em hebraico tem um significado blasfemo: Je = (Ye) = Deus e a palavra SUS = "cavalo", assim forma a palavra: Deus é cavalo. Lembre; Está escrito: "Foi-lhe dada boca que proferia arrogâncias e blasfêmias... E abriu a boca... para lhe difamar o NOME..." (Apo. 13:5-6). ... Perguntamos: Qual é o "nome" adorado por todos, tanto católicos romanos, evangélicos, espíritas, pentecostais, saravás, etc...? Todos a uma voz invocam o falso nome, o nome Jesus que teve origem em deuses pagãos, agora se você for uma alma sincera leia na sua Bíblia Êxodo 23:13 e decida. Qual deles? O NOME SAGRADO EMANUEL, ou o "nome de outros deuses" contidos no nome de Jesus?"
Que dizer?
Para tais alegações vale a resposta já atrás explanada. O argumento decisivo é o dos manuscritos bíblicos e não bíblicos da antigüidade; nenhum dá margem às etimologias dos irmãos separados. O nome JESUS é a autêntica fórmula portuguesa correspondente ao nome hebraico do Salvador.
Os polemistas lançam muita areia nos olhos dos leitores desprevenidos, embora falem sem provar o que dizem, ou em total ignorância da matéria abordada.
Dom Estêvão Bettencourt
[1] Faltou o H de CHRISTVS (Nota da Redação).
Fonte: Cai a Farsa
Em síntese: Tem sido espalhado um panfleto que acusa o Catolicismo (o Papa) de haver mudado o nome do Salvador YEHOSHUA para JESUS. Este último seria um deus pagão ou o Deus CAVALO. - A alegação é totalmente falsa, pois após o exílio babilônico (587-538 a.C.) os judeus mesmos preferiram usar a forma breve JESHUA para designar os heróis do Antigo Testamento chamados YEHOSHUA: assim o sucessor de Moisés, que em português é dito Josué; assim também o Sumo Sacerdote que acompanhou Zorobabel na volta do exílio... Ora da forma hebraica JESHUA fez-se a grega IESOUS e a latina IESUS. Em tal procedimento não tomou parte a Igreja Católica.
Tem-se propagado um panfleto intitulado “O NOME SAGRADO”, que alega ter sido ilicitamente trocado o nome de YEHOSHUA por JESUS, nome de uma divindade pagã.
A seguir, exporemos a tese do panfleto e procuraremos mostrar como é falsa.
1. O conteúdo do panfleto
Logo na primeira página lê-se:
"O vocábulo Jesus não se deriva de Yehoshua.
Fica portanto provado que a sacrílega mudança do nome sagrado de Yehoshua para Jesus é a maior fraude teológica desde que o mundo foi criado até hoje".
Na página 3 volta a acusação:
"Prezado amigo, há quase 1600 anos estávamos sendo enganados a respeito do Sagrado e Eterno Nome do nosso Salvador. Quase toda a humanidade crê que Jesus Cristo é o seu verdadeiro nome. Isto é a maior mentira que Satanás conseguiu introduzir na mente das pessoas. Veja você, este nome não é de origem hebraica, mas sim grega (IESOUS), latinizado para Jesus e posteriormente transformado em Jesus".
O panfleto propõe a seguinte etimologia:
"O nome de Jesus é de origem pagã e significa DEUS-CAVALO (hebraico Ye = Deus e Sus = cavalo). E cavalo é igual a Besta.
O mundo inteiro adora a "Besta" pensando estar adorando o Cordeiro de Deus. Vejam a assustadora matemática:
IESVS CRISTVS ([1]) FILII DEI
1 + 5 + 100 + 1 + 5 + 1 + 50 + 2 + 500 + 1 = 666
Não está você também, sem saber, adorando a BESTA?"
Dito isto, o autor do panfleto procura a causa do alegado fato:
"Quem adulterou e continua adulterando a verdade criminosamente? Porventura somos nós, uma minoria perseguida e odiada por todos por seu verdadeiro NOME? Poucos sabem que os exemplares da Bíblia que dispomos são traduções feitas a partir da Vulgata Latina e que no ano de 383 de nossa era um monge de nome Jerônimo, fiel cumpridor das ordens do Papa Dâmaso, da Igreja Católica romana, foi obrigado a fazer acréscimos, mudanças e correções - veja introdução à Bíblia - ed. Vozes".
"O nome de Jesus foi dado por Roma".
Refutação:
2. Que dizer?
Proporemos três observações.
2.1. O nome
O debate versa sobre um nome que ocorre não raro no Antigo Testamento sob duas formas: Yehoshua, modalidade anterior ao exílio (587-538 a.C.) e Yeshua, após o exílio. Por exemplo, o sumo sacerdote Jesus, filho de Josedec e companheiro de Zorobabel na restauração de Jerusalém, é mencionado como Yehoshua pelos profetas Ageu e Malaquias, e como Yeshua nos livros de Esdras e Neemias. Ainda: o nome de Josué, filho de Nun, é mencionado como Yehoshua nos livros do Êxodo, dos Números, do Deuteronômio, de Josué e dos Juízes, e como Yeshua em Neemias 8, 17.
A tradução grega do Antigo Testamento dita "dos LXX" usou a forma grega lesous proveniente de Yeshua. Isto explica que os autores do Novo Testamento, escrevendo em grego, tenham usado a forma lesous para designar o Salvador da humanidade.
Os manuscritos do Novo Testamento, desde os mais antigos, têm todos, e tão somente, a forma lesous, não há indício algum de mudança de nome do Salvador no século IV.
Vê-se assim quão infundadas são as alegações do panfleto, publicado pela Congregação das Testemunhas de Yehoshua. Além do mais, contêm incoerências e erros, que passamos a apontar.
2.2. Incoerências e Erros
O autor do panfleto afirma que o nome JESUS tem origem grega e pagã, mas vai buscar sua etimologia na língua hebraica, concluindo que significa "Deus Cavalo".
Essa etimologia é questionável, pois YE pode ser a abreviatura de JAVÉ, não, porém, a de ELOHIM (= DEUS).
A equação JESUS CRISTUS FILII DEI = 666 não tem sentido, pois quer dizer JESUS CRISTO DO FILHO DE DEUS - o que nada significa; deveria ser JESUS CHRISTUS FILIUS DEI (JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS) - o que não dá o total 666. Na verdade ninguém adora a Besta quando adora Jesus Cristo.
2.3. São Jerônimo e a Bíblia
O autor insinua que foi São Jerônimo, por ordem do Papa São Dâmaso, quem alterou o nome do Salvador. - Ora é de notar que São Jerônimo é responsável apenas pelo texto latino da Bíblia, não pelo texto grego. Se, ao traduzir o texto sagrado para o latim, usou de certa liberdade (liberdade que compete ao tradutor se ele a julga necessária para dar maior clareza ao texto), nunca o fez de modo a descaracterizar o texto sagrado, alterando o seu sentido.
É absolutamente falso dizer que o texto bíblico vernáculo é tradução da Vulgata Latina; temos várias traduções diretas dos originais gregos e hebraico, munidas de notas de rodapé que explicam os versículos mais difíceis.
3. Conclusão
O nome JESUS vem do hebraico YESHUA; não é devido a alguma modificação do texto bíblico. Significa JAVÉ SALVA, e não DEUS CAVALO. Mais uma vez se evidencia como são superficiais ou mesmo tendenciosas as críticas protestantes aos irmãos católicos; dir-se-ia que lhes interessa mais denegrir e combater a Santa Mãe Igreja do que procurar a Verdade. Com panfletos de linguagem mal redigida e erros de português investem contra a Igreja. Será por amor a Cristo?
As observações filológicas deste artigo foram extraídas do verbete lesous da autoria de Willhelm Foerster publicado no Grande Lessico dei Nuovo Testamento organizado por G. Kittel e G. Friedrich, vol. IV, pp. 909-934.
MAIS UMA...
A Igreja Betei Remanescente tem propagado um panfleto que também tenta explanar o nome de JESUS. Eis os seus principais dizeres (sem retoques de grafia):
"EXPULSE O PAGANISMO DE SUA VIDA
A origem do nome do pai e do filho, é Emanuel Isaias 7,14 e 8,8 Mt 1,23.
Antigamente o nome não era Jesus Cristo e sim ZESVS CRISTVS, tendo ligação com Zeus, ou Júpiter para os romanos.
Os gregos escreveram o nome IESOUS, que também foi formado por duas divindades pagãs: IO mais ZEUS = IO a amada de ZEUS. Porque tanto paganismo? Os bispos "romanos" fizeram isso para agradar os pagãos atraí-los para a "igreja de Roma". Sem falar que o famoso nome de Jesus em hebraico tem um significado blasfemo: Je = (Ye) = Deus e a palavra SUS = "cavalo", assim forma a palavra: Deus é cavalo. Lembre; Está escrito: "Foi-lhe dada boca que proferia arrogâncias e blasfêmias... E abriu a boca... para lhe difamar o NOME..." (Apo. 13:5-6). ... Perguntamos: Qual é o "nome" adorado por todos, tanto católicos romanos, evangélicos, espíritas, pentecostais, saravás, etc...? Todos a uma voz invocam o falso nome, o nome Jesus que teve origem em deuses pagãos, agora se você for uma alma sincera leia na sua Bíblia Êxodo 23:13 e decida. Qual deles? O NOME SAGRADO EMANUEL, ou o "nome de outros deuses" contidos no nome de Jesus?"
Que dizer?
Para tais alegações vale a resposta já atrás explanada. O argumento decisivo é o dos manuscritos bíblicos e não bíblicos da antigüidade; nenhum dá margem às etimologias dos irmãos separados. O nome JESUS é a autêntica fórmula portuguesa correspondente ao nome hebraico do Salvador.
Os polemistas lançam muita areia nos olhos dos leitores desprevenidos, embora falem sem provar o que dizem, ou em total ignorância da matéria abordada.
Dom Estêvão Bettencourt
[1] Faltou o H de CHRISTVS (Nota da Redação).
Fonte: Cai a Farsa
São Jerônimo adulterou a Bíblia?
São Jerônimo adulterou a Bíblia?
A Mentira:
Jerônimo Confessa que Adulterou a Bíblia
A Confissão de Jerônimo!
"Obrigas-me fazer de uma Obra antiga uma nova... da parte de quem deve por todos ser julgado, julgar ele mesmo os outros, querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido. Qual, de fato, o douto e mesmo o indouto que, desde que tiver nas mãos um exemplar, depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego, um falsário, porque terei tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros? (Meclamitans esse sacrilegum qui audeam aliquid in verteribus libris addere, mutare, corrigere). Um duplo motivo me consola desta acusação. O primeiro é que vós, que sois o soberano pontífice, me ordenais que o faça; o segundo é que a verdade não poderia existir em coisas que divergem, mesmo quando tivessem elas por si a aprovação dos maus". (Obras de São Jerônimo, edição dos Beneditinos, 1693, t. It. Col. 1425).
Onde se encontra a mentira:
http://www.testemunhasdeyehoshua.org.br/gpage3.html
A Verdade:
São Jerônimo não adulterou coisa nenhuma. Copias dos escritos originais, anteriores a tradução de São Jerônimo, estão preservados e até foram encontrados no Mar Morto para calar os embusteiros.
Por exemplo, encontra-se exposto no Vaticano, o Codex Climaci Rescriptus, uma das Bíblias mais antigas do mundo, na língua materna de Jesus, o aramaico da Palestina, para decepcionar os caluniadores.
Os inimigos da Igreja estão sempre pescando frases de seu contexto para tentar atacar a Igreja, mas são sempre desmascarados quando mostramos o contexto dos textos bíblicos ou documentais que eles em vão tentam fraudar.
A improcedente acusação acima, parte do pressuposto errado de que o fazer "uma nova obra" é "corromper" uma existente. São Jerônimo, tal como ele garante parágrafos adiante, apenas se refere à dificuldade de traduzir para latim os textos ao ter que manter, simultaneamente, o seu sentido original mediante uma tradução literal dos mesmos.
No texto acima citado pelos embusteiros, como quem humildemente profetizava, São Jerônimo está apenas prevendo as críticas ignorantes que viriam de gente que tinha uma má tradução como correta, diante da que ele traduziria direto dos originais em sua literalidade.
Contexto em que falava São Jerônimo
A grande confusão dos textos latinos levou o papa Dâmaso I (366-384 d.C.) a propor um texto único para toda a Igreja. Aquele encarregou São Jerônimo, famoso por seus conhecimentos bíblicos e linguísticos, de rever a Vetus Latina que tinha base no texto grego.
O novo texto latino, traduzido diretamente dos originais hebraico, aramaico e grego para o latim, recebeu o nome de VULGATA e as divergências de tradução do grego da antiga versão Vetus Latina foram sanadas. A Vulgata foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras.
O nome vem da expressão vulgata versio, isto é "versão de divulgação para o povo", e foi escrita em um latim cotidiano, usado na distinção consciente ao latim elegante de Cícero, do qual Jerônimo era um mestre.
São Jerônimo estudou hebraico e dedicou 20 anos da sua vida para a tradução dos textos sagrados da língua original para o latim, examinando cuidadosamente todos os manuscritos que conseguiu localizar juntamente com os mais conceituados rabinos judeus.
A Vulgata foi o primeiro exemplar que reuniu todos os manuscritos em um único livro, e até hoje é uma referencia para as traduções atuais e o cristianismo ocidental.
A descoberta dos rolos do Mar Morto, em 1947 serviu para enriquecer a autenticidade das Escrituras Sagradas, e confirmar a exatidão da Vulgata.
O Professor Libby foi encarregado de realizar a pesquisa com o pedaço do tecido linho em que estava envolvido o rolo do livro de Isaías, concluiu que o tecido era do tempo de Cristo, e que os documentos escritos eram mais antigos, comprovando que Isaías encontrado na caverna de Qumrãn foi escrito por volta do ano de 100 a.C., comprovando o texto da bíblia hebraica antigo, a tradução grega dos Septuaginta e a Vulgata Latina. Onde o texto hebraico escrito a cerca de mil anos mais antigo, estava em concordância textualmente com a relação atual, porém tal pergaminho pressupõe que seja a mesma que Jesus utilizou na sinagoga de Nazaré (Lc 4,16-17).
Já as bíblias protestantes divergem dos escritos do Mar Morto e faltam sete livros.
E assim tudo se esclarece para vergonha dos caluniadores que usam bíblias adulteradas de fato.
Cai a farsa.
Por Fernando Nascimento
Fontes:
http://www.franciscanos.org.br/carisma/especiais/mesdabiblia_05/a_biblia.php
http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=285428
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B3nimo_de_Str%C3%ADdon
http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia
http://www.vivereparvo.com/estudos/os_rolos_manuscritos.htm
Sociedade Bíblica do Brasil
Fonte: Cai a Farsa
A Mentira:
Jerônimo Confessa que Adulterou a Bíblia
A Confissão de Jerônimo!
"Obrigas-me fazer de uma Obra antiga uma nova... da parte de quem deve por todos ser julgado, julgar ele mesmo os outros, querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido. Qual, de fato, o douto e mesmo o indouto que, desde que tiver nas mãos um exemplar, depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego, um falsário, porque terei tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros? (Meclamitans esse sacrilegum qui audeam aliquid in verteribus libris addere, mutare, corrigere). Um duplo motivo me consola desta acusação. O primeiro é que vós, que sois o soberano pontífice, me ordenais que o faça; o segundo é que a verdade não poderia existir em coisas que divergem, mesmo quando tivessem elas por si a aprovação dos maus". (Obras de São Jerônimo, edição dos Beneditinos, 1693, t. It. Col. 1425).
Onde se encontra a mentira:
http://www.testemunhasdeyehoshua.org.br/gpage3.html
A Verdade:
São Jerônimo não adulterou coisa nenhuma. Copias dos escritos originais, anteriores a tradução de São Jerônimo, estão preservados e até foram encontrados no Mar Morto para calar os embusteiros.
Por exemplo, encontra-se exposto no Vaticano, o Codex Climaci Rescriptus, uma das Bíblias mais antigas do mundo, na língua materna de Jesus, o aramaico da Palestina, para decepcionar os caluniadores.
Os inimigos da Igreja estão sempre pescando frases de seu contexto para tentar atacar a Igreja, mas são sempre desmascarados quando mostramos o contexto dos textos bíblicos ou documentais que eles em vão tentam fraudar.
A improcedente acusação acima, parte do pressuposto errado de que o fazer "uma nova obra" é "corromper" uma existente. São Jerônimo, tal como ele garante parágrafos adiante, apenas se refere à dificuldade de traduzir para latim os textos ao ter que manter, simultaneamente, o seu sentido original mediante uma tradução literal dos mesmos.
No texto acima citado pelos embusteiros, como quem humildemente profetizava, São Jerônimo está apenas prevendo as críticas ignorantes que viriam de gente que tinha uma má tradução como correta, diante da que ele traduziria direto dos originais em sua literalidade.
Contexto em que falava São Jerônimo
A grande confusão dos textos latinos levou o papa Dâmaso I (366-384 d.C.) a propor um texto único para toda a Igreja. Aquele encarregou São Jerônimo, famoso por seus conhecimentos bíblicos e linguísticos, de rever a Vetus Latina que tinha base no texto grego.
O novo texto latino, traduzido diretamente dos originais hebraico, aramaico e grego para o latim, recebeu o nome de VULGATA e as divergências de tradução do grego da antiga versão Vetus Latina foram sanadas. A Vulgata foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras.
O nome vem da expressão vulgata versio, isto é "versão de divulgação para o povo", e foi escrita em um latim cotidiano, usado na distinção consciente ao latim elegante de Cícero, do qual Jerônimo era um mestre.
São Jerônimo estudou hebraico e dedicou 20 anos da sua vida para a tradução dos textos sagrados da língua original para o latim, examinando cuidadosamente todos os manuscritos que conseguiu localizar juntamente com os mais conceituados rabinos judeus.
A Vulgata foi o primeiro exemplar que reuniu todos os manuscritos em um único livro, e até hoje é uma referencia para as traduções atuais e o cristianismo ocidental.
A descoberta dos rolos do Mar Morto, em 1947 serviu para enriquecer a autenticidade das Escrituras Sagradas, e confirmar a exatidão da Vulgata.
O Professor Libby foi encarregado de realizar a pesquisa com o pedaço do tecido linho em que estava envolvido o rolo do livro de Isaías, concluiu que o tecido era do tempo de Cristo, e que os documentos escritos eram mais antigos, comprovando que Isaías encontrado na caverna de Qumrãn foi escrito por volta do ano de 100 a.C., comprovando o texto da bíblia hebraica antigo, a tradução grega dos Septuaginta e a Vulgata Latina. Onde o texto hebraico escrito a cerca de mil anos mais antigo, estava em concordância textualmente com a relação atual, porém tal pergaminho pressupõe que seja a mesma que Jesus utilizou na sinagoga de Nazaré (Lc 4,16-17).
Já as bíblias protestantes divergem dos escritos do Mar Morto e faltam sete livros.
E assim tudo se esclarece para vergonha dos caluniadores que usam bíblias adulteradas de fato.
Cai a farsa.
Por Fernando Nascimento
Fontes:
http://www.franciscanos.org.br/carisma/especiais/mesdabiblia_05/a_biblia.php
http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=285428
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B3nimo_de_Str%C3%ADdon
http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia
http://www.vivereparvo.com/estudos/os_rolos_manuscritos.htm
Sociedade Bíblica do Brasil
Fonte: Cai a Farsa
Refutação a “O Estado do Vaticano”
Refutação a “O Estado do Vaticano”
O embuste intitulado “O ESTADO DO VATICANO” de autoria do Pr. Lauro de Barros Campos, que reúne toda sorte de calúnias, ódio e distorções contra a Igreja Católica, e que é altamente distribuído na forma de apostila de norte a sul do Brasil, pregado em aulas dominicais, dado como “curso de teologia” evangélico e propalado na internet desde a igreja metodista até a assembléia de Deus, foi linha a linha refutado, e desde a quarta-feira de cinzas de fevereiro de 2009, já encontra-se disponível, nos endereços:
Cai a farsa:
http://caiafarsa.wordpress.com/o-%E2%80%9Cdocumentario-estado-do-vaticano%E2%80%9D-ajudara-o-leitor-nessa-questao-que-e-a-interrogacao-de-milhoes-de-brasileiros/
E em Calúnias contra a Igreja:
http://oswaldo-superhancpetram.blogspot.com/2009/02/o-estado-do-vaticano.html
O “Resposta ao Falso Documentário”, é fruto de dois anos de pesquisas de Fernando Nascimento e tem a publicação de Antonio Carlos e Oswaldo Garcia.
Tal refutação simplesmente destroça mais este “catecismo” de calúnias protestantes.
Boa leitura!
Fonte: Cai a Farsa
O embuste intitulado “O ESTADO DO VATICANO” de autoria do Pr. Lauro de Barros Campos, que reúne toda sorte de calúnias, ódio e distorções contra a Igreja Católica, e que é altamente distribuído na forma de apostila de norte a sul do Brasil, pregado em aulas dominicais, dado como “curso de teologia” evangélico e propalado na internet desde a igreja metodista até a assembléia de Deus, foi linha a linha refutado, e desde a quarta-feira de cinzas de fevereiro de 2009, já encontra-se disponível, nos endereços:
Cai a farsa:
http://caiafarsa.wordpress.com/o-%E2%80%9Cdocumentario-estado-do-vaticano%E2%80%9D-ajudara-o-leitor-nessa-questao-que-e-a-interrogacao-de-milhoes-de-brasileiros/
E em Calúnias contra a Igreja:
http://oswaldo-superhancpetram.blogspot.com/2009/02/o-estado-do-vaticano.html
O “Resposta ao Falso Documentário”, é fruto de dois anos de pesquisas de Fernando Nascimento e tem a publicação de Antonio Carlos e Oswaldo Garcia.
Tal refutação simplesmente destroça mais este “catecismo” de calúnias protestantes.
Boa leitura!
Fonte: Cai a Farsa
Manual do Professor - Refutado
Manual do Professor - Refutado
Autor: Fernando Nascimento
Em visita a um amigo conhecedor de nosso combate às descaradas mentiras históricas protestantes, aquele me apresentou um livro da sexta série denominado “Manual do professor, História Conceitos e Procedimentos”, que tem como autores Ricardo Dreguer e Eliete Toledo, com publicação pela Atual Editora, divulgado pela Editora Saraiva e utilizado por sua irmã professora da rede pública.
Capa do citado "Manual do Professor"
No capítulo 7 deste livro, que trata de “reformas religiosas”, está ali explicito para todo mundo ver, um escancarado proselitismo protestante valendo-se de todos os embustes anti-históricos forjados pelos próprios protestantes contra a Igreja Católica.
Os autores Ricardo Dreguer e Eliete Toledo, em conluio com a Atual editora, Editora Saraiva e esse marginalizado Ministério da Educação dos vazados Enens da vida, estão a transformar faz tempo, os professores deste país em verdadeiros prosélitos do protestantismo em sala de aula, atribuindo vergonhosamente à Igreja Católica o que é próprio da fé fundada por Lutero.
O próprio Lutero nos legou o relato dessa prática, anos antes de lançar-se em revolta aberta, dizia: “(...) os hereges não são bem acolhidos se não pintam a Igreja como má, falsa e mentirosa. Só eles querem passar por bons: a Igreja há de figurar como ruim em tudo.” (Franca, Leonel, S.J. A Igreja, a reforma e a civilização, Ed. Agir, 1952, 6ª ed. Pág. 200).
Uma vez protestante, ensinava Lutero: "Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da Igreja (luterana)." (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960- pág 522).
Refutarei documentalmente, parágrafo a parágrafo, as mentiras estratégicas protestantes vendidas na primeira página do capítulo sete deste criminoso “Manual do Professor” desprovido de qualquer compromisso com a verdade.
Em vermelho, segue o constante no Manual, em seguida minha refutação.
“Das críticas à ruptura
A reforma luterana
No Brasil a lei garante a liberdade religiosa. Isso significa que as pessoas têm direito de escolher livremente suas crenças, sem ser discriminadas por isso. Os cidadãos têm também o direito de não seguir crença alguma e ser ateus, isso é, não acreditar na existência de Deus. "
Isso porque o Papa Paulo III assim determinou desde que o Brasil começou a ser colonizado:
Papa Paulo III (1534-1549),
“Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios a todas as mais gentes que aqui em diante vierem a noticia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos a servidão”. (...) determinamos e declaramos que os ditos índios, e as demais gentes hão de ser atraídas, e convidadas à dita Fé de Cristo, com a pregação da palavra divina, e com o exemplo de boa vida. E tudo o que em contrário desta determinação se fizer, seja em si de nenhum valor, nem firmeza; não obstante quaisquer cousas em contrário, nem as sobreditas, nem outras, em qualquer maneira. Dada em Roma, ano de 1537 aos 9 de junho, no ano terceiro do nosso Pontificado.” (Bula Veritas Ipsa” (1537)
Já os protestantes, que dizimaram os índios “pagãos” de seus países, ao chegarem no Brasil esbanjavam intolerância e ceifavam a vida de todo católico que não se convertesse ao protestantismo.
Em 1570, foram enviados ao Brasil para evangelizar os índios o Padre Inácio de Azevedo e mais 40 jesuítas. Vinham a bordo da nau São Tiago quando em alto mar os interceptou o calvinista Jacques Sourie. Como prova de seu "evangélico" zelo mandou degolar friamente todos os padres e irmãos e jogar os corpos aos tubarões. (Luigi Giovannini e M. Sgarbossa in Il santo del giorno, 4ª ed. E.P, pág. 224, 1978).
Na Bahia, em 1624, por intolerância dos invasores protestantes, as igrejas católicas foram depredadas e transformadas em depósitos, celeiros, adegas ou paióis e a Sé foi destinada ao culto anglicano. http://www.achetudoeregiao.com.br/ba/Bahia_sua_historia.htm
Em Olinda, no ano 1631, os invasores protestantes destruíram e queimaram as igrejas católicas. A única igreja que ficou intacta foi a de São João Batista dos Militares, que servia de quartel general às tropas invasoras. http://www.oocities.org/br/cantinhobacalhau02/71pag07.htm
Em 16 de julho de 1645, o Padre André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis participavam da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú, no município de Canguaretama, localizado na Zona Agreste do Rio Grande do Norte. Por seguirem a religião católica, pagaram com a própria vida o preço pela crença, por causa da intolerância calvinista dos invasores.
http://www.dnonline.com.br/app/noticia/cotidiano/2009/09/28/interna_cotidiano,19853/index.shtml
O livro que contém todas estas barbaridades e muito mais, foi o 1º. Prêmio de Erudição da Academia Brasileira de Letras e editado na Biblioteca Pedagógica Nacional, volume 180, pela Companhia Editora Nacional e chama-se algo que nunca existiu, “Civilização Holandesa no Brasil”, José Honório Rodrigues e Joaquim Ribeiro, 1940.
Ainda hoje, a coisa mais comum é encontrar nos jornais do Brasil, a notícia de que mais um evangélico invadiu uma Igreja Católica e a depredou. Longe desta conduta estão os católicos.
Ficará provado aqui, que o protestantismo defendido pelos autores deste Manual faz vasto uso da máxima lenista que diz:
“Xingue-os do que você é. Acuse-os do que você faz” (Lenin).
“Mas essa liberdade religiosa nem sempre foi permitida. Na Europa ocidental do século XIII, por exemplo, as regras estabelecidas pela Igreja Católica eram tidas como inquestionáveis. Quem não as aceitasse tornava-se vítima de perseguições. "
Acabamos de conhecer qual era a verdadeira religião intolerante perseguidora.
Essa estória de perseguição católica na Europa, é mais uma mentira estratégica forjada pelo protestante Casiodoro de Reina, que escreveu as mais diabólicas calúnias contra a Igreja sob pseudônimo de “Montanus”. Esse articulista foi quem mudou o termo inquisição, simples ato de inquirir, indagar, em “queimar pessoas”. Ele é o responsável pelas falsas mortes da inquisição, que apenas ao inquirir ou absolvia, ou excomungava católicos hereges e somente católicos; foi ele quem fantasiou em seus escritos sobre instrumentos de torturas que nunca existiram; mas foi sóbrio o bastante para omitir as 20 mil mortes de bruxas na fogueira ordenadas pelo luterano Benedict Carpzov; os milhares de camponeses mortos por Lutero e a queima do Médico Miguel Servet por Calvino. (Museum Plantin – Moretus, Antwerp), (Royal Library, The Hagur), (University Salamanca), (The Prado Museum), (Benedict Carpzov, Practica Nova Rerum Criminalium Imperialis Saxonica in Três Partes Divisão, Wittenberg, 1635.), (("Tischredden", Ed. Erlangen, Vol. 59, p. 284)
A Igreja nunca perseguiu ninguém por ter credo diferente. Os ortodoxos se separaram da Igreja no século XI, muito antes do século XIII e jamais foram perseguidos. No século XIII na Europa não existiam protestantes, mas Judeus, ortodoxos e muçulmanos.
Reproduzo, sobre este tema, a opinião de dois importantes judeus sobre a suposta perseguição da Inquisição. Quanto aos judeus, a Inquisição da Igreja não existia nem para os judeus, nem para os muçulmanos. Ela só julgava quem fosse católico e tivesse traído a Fé. Há textos de historiadores judeus que confirmam isso. George Sokolsky, editor judeu de Nova York, em artigo intitulado "Nós Judeus", escreveu: "A tarefa da Inquisição não era perseguir judeus, mas limpar a Igreja de todo traço de heresia ou qualquer coisa não ortodoxa. A Inquisição não estava preocupada com os infiéis fora da Santa Igreja, mas com aqueles heréticos que estavam dentro dela.” (Nova YorK, 1935, pg. 53)
O Dr. Cecil Roth, especialista inglês em "História do Judaísmo", declarou num Forum sionista em Bufalo, (USA, 25 de Fev de 1927): "Apenas em Roma existe uma colônia de judeus que continuou a sua existência desde bem antes da era cristã, isto porque, de todas as dinastias da Europa, o Papado não apenas recusou-se a perseguir os judeus de Roma e da Itália, mas também durante todos os períodos, os Papas sempre foram protetores dos judeus. (...) A verdade é que os Papas e a Igreja Católica, desde os primeiros tempos da Santa Igreja, nunca foram responsáveis por perseguições físicas aos judeus, e entre todas as capitais do mundo, Roma é o único lugar isento de ter sido cenário para a tragédia judaica. E, por isso, nós judeus, deveríamos ter gratidão."
Até aqui as citações, que estão disponívels no artigo http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=historia&artigo=20040324003107&lang=bra
Se há na Europa uma religião terrivelmente intolerante e sanguinária, que perseguiu e ceifou a vida de milhões porque tinham credo oposto ao dela, esta foi o protestantismo.
Lutero escreveu um diabólico panfleto intitulado: “CONTRA OS JUDEUS E SUAS MENTIRAS”, obra esta, reproduzida na ’História do Anti-semitismo’, de Leon Poliakov onde brada:
"(...) Finalmente, no meu tempo, foram expulsos de Ratisbona, Magdeburgo e de muitos outros lugares... Um judeu, um coração judaico, são tão duros como a madeira, a pedra, o ferro, como o próprio diabo. Em suma, são filhos do demônio, condenados às chamas do Inferno. Os judeus são pequenos demônios destinados ao inferno.” ('Luther's Works,' Pelikan, Vol. XX, pp. 2230).
"Queime suas sinagogas. Negue a eles o que disse anteriormente. Force-os a trabalhar e trate-os com toda sorte de severidade ... são inúteis, devemos tratá-los como cachorros loucos, para não sermos parceiros em suas blasfêmias e vícios, e para que não recebamos a ira de Deus sobre nós. Eu estou fazendo a minha parte.” ('About the Jews and Their Lies,' citado em O'Hare, in 'The Facts About Luther, TAN Books, 1987, p. 290).
Os escritores Dennis Prager e Joseph Telushkin registram: "Ao executarem seu primeiro massacre em larga escala, em 9 de novembro de 1938, no qual destruíram quase todas as sinagogas da Alemanha e assassinaram trinta e cinco judeus, os nazistas anunciaram que a perseguição era uma homenagem ao aniversário de Martim Lutero.” (...) “... De fato, Julius Streicher (nazista), argumentou durante sua defesa no julgamento de Nuremberg, que nunca havia dito nada sobre os judeus que Martim Lutero não tivesse dito 400 anos antes”. (Why the Jews? The reason for anti-Semitism [Por que os Judeus: A causa do anti-semitismo] (Nova York: Simon & Shuster, 1983), p. 107.)
Graças à intolerância plantada por Lutero na Alemanha, nove milhões de judeus foram exterminados. Não era diferente o plano protestante para aos católicos, célebre é a frase do pastor protestante Friedrich Wieneke: “A paz só virá quando o último judeu se enforcar no último intestino do último vigário". (Fonte: Report from Wieneke, “attacks on Pastors”, dated 9,1941 – (BA Koblens R 43 11/478ª, fiche 1, document 19)).
No tempo de Lutero, relata o historiador Maurice Andrieux, que em 6 de maio de 1527, no terrível saque à Roma, uma horda de invasores protestantes, penetra o hospital do Espírito Santo e ali, aos berros, degola os enfermos. À semelhança de uma torrente bravia, os bárbaros se lançam sobre Roma gritando: -“Viva Lutero, nosso Papa!!!”- todos cumprem a palavra de ordem: quem for encontrado nas ruas deve morrer, seja moço ou velho, mulher ou homem, padre ou freira. Ávidos, incansáveis na busca das riquezas, dos despojos, os Reformadores e outros invasores assaltam, saqueiam, incendeiam, trucidam, arrebentam as suas vítimas, jogam crianças pelas janelas ou as esmagam contra as paredes. Conforme Maurice Andrieaux, esse ataque a Roma “superou em atrocidade todas as tragédias da história, até mesmo a destruição de Jerusalém e a tomada de Constantinopla.” (Rome, Maurice Andrieux,1968)
No dia em que a Inglaterra, arrastada pela paixão do rei Henrique VIII se separou da Igreja para abraçar os princípios da Reforma, começou o longo calvário da nação mártir. Tribunais religiosos foram instaurados e os católicos foram obrigados à assistir cultos protestantes, muitos importantes católicos opositores foram mortos, tais como Thomas More, o Bispo John Fischer muitos sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuchos. (Macaulay. A História da Inglaterra. Leipzig, pag.:54.)
Na Irlanda, o primeiro suplício foi a expropriação e confiscação de bens. ISABEL, JAIME I, CARLOS I, CROMWELL despojaram os proprietário irlandeses de suas terras para reduzi-los à miséria e à escravidão. "Nos fins do século XVII os católicos irlandeses e anglo-irlandeses não possuíam mais que a sétima parte de sua ilha" (BANCROFT, Op. cit., t. IV, p. 47; LINGARD, History of England (4), Londron, 1838, t. IX, c. 2, p. 149; c. 5, p. 342).
Sob CROMWELL mais de cem mil cidadãos foram desterrados, vinte mil vendidos como escravos para a América, seis mil crianças de ambos os sexos lançadas fora da ilha e vendidas (C. CANTUI, Storia Universale (3), Torino, 1846, t. XVII, p. 395. (Cfr. BERNH. LESKER, Irland's Leiden und Kämpfen, Maiz 1881, p. 36 ss.).
Mas a fidelidade do povo à fé dos seus maiores não cedia à violência dos perseguidores. Novos suplícios: o extermínio feroz, a matança em massa. Quando os exércitos de CROMWELL entraram triunfantes na ilha oprimida, o sangue dos seus filhos correu em torrentes. Conta-se que o tirano-profeta baixara ordem de trucidar todos os católicos de 16 aos 60 anos, de arrancar os olhos aos de 6 a 16 e de transpassar o seio das mulheres. A soldadesca infrene atirou-se à carnificina. "Impossível determinar o número das vítimas que em 11 anos (1841-1852) sacrificou a Inglaterra para protestantizar a Irlanda". C. CANTU, Storia Universale(3), EPOCA XII, c. VI, Torino, 1843, t. XII, p. 204.)
Depois desses horrores, as execuções da justiça. Como se não bastara o sangue já derramado, para exterminar de todo os católicos ainda restantes, erigiu o gerente um tribunal, conhecido sob o nome de açougue (Cromwell's slaughter house). As sentenças de morte e de exílio por ele pronunciadas acabaram de semear a desolação e o terror na desventurada ilha. (Cfr. BEAMONT, l'Irlande (7), t. I, p. 74; P. F. MORAN, Historial sketch of the persecution suffered by the catholics of Ireland under the rele of Cromwell, Dublin, 1862, LINGARD, History of England(4), t. X, c. 5, 296 sgs.: B. LESKER, Irland's Leiden, p. 25 sgs.).
Excogitou-se então novo expediente: a excomunhão social, o ilotismo. Todos os católicos, como bestas-feras que se aferrolham em jaulas, foram expulsos das outras regiões da ilha, logo dividida entre os invasores, e encurralados na província de Connaught. Quem lhe ultrapassasse os limites poderia ser morto por qualquer cidadão (LINGARD, History of England(4), t. X, c. 6, p.369.
O catolicismo nunca perseguiu os protestantes e nunca se apoderou de seus templos ou bens. Mas a prova cabal das perseguições seculares protestantes aos católicos aí está para quem quiser ver. Até hoje na Europa inteira, as grandes igrejas protestantes permanecem sendo as que foram violentamente roubadas dos católicos sob sangue derramado. Por falta de protestantes, muitíssimas estão fechando ou à venda, como podemos ver neste link: http://www.property.org.uk/unique/ch.html
Estranho é os autores desse criminoso “Manual do Professor” se comprometer a falar de “Reforma Luterana” e omitir tudo isso, preferindo fazer eco às vergonhosas mentiras estratégicas protestantes, em explícito proselitismo.
“Nos séculos XIV e XV, no contexto das mudanças na mentalidade dos europeus, o número de pessoas que questionavam os valores e práticas da Igreja Católica aumentou. Nesse período, alguns pensadores começaram a descartar a necessidade de intermediários - padres ou santos no contato entre o ser humano e Deus. Criticavam também o luxo em que viviam alguns membros da Igreja, o excesso de rituais e o culto às imagens.”
Em todas as épocas, levantaram-se hereges com as mais estapafúrdias desculpas para querer colocar-se no lugar da Igreja, todos foram varridos pelo tempo, a Igreja persiste triunfante, pois Jesus disse que "as portas do inferno não prevalescem contra ela" (Mt 16, 18). Os hereges tentam em vão descartar os padres e santos legitimamente ordenados por Cristo e seus sucessores os apóstolos, que ouviram de viva voz do Salvador: "Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou." (Lc 10,16)
Os salteadores, sem qualquer ordenação da sucessão apostólica ou voto de pobreza, gananciosamente desejam esses postos apenas para ficarem ricos como muitíssimos que conhecemos e estiveram atrás das grades por escândalos financeiros. O recado foi dado por Jesus: “Em verdade, em verdade, vos digo: quem não entra pela porta no redil onde estão as ovelhas, mas sobe por outro lugar, esse é ladrão e assaltante.” (São João 10,1)
Eles não queriam tirar intermediários entre Deus e o povo coisa nenhuma, mas colocar-se entre o povo e o dinheiro do povo. Só no Brasil, o número de “pastores”, “pastoras”, “bispos”, “bispas”, “apóstolos”, “profetas”, “ministros”, “reverendos”, “diáconos” e "obreiros" entre Deus e os vangélicos superam os padres da Igreja Católica no mundo inteiro. Já em 2006, o número de pastores evangélicos por fiel era dezoito vezes maior que a proporção de padres por católico. Revista Veja, Edição 1964 . 12 de julho de 2006)
Se a intenção deles, contrariando Jesus que disse: “quem vos ouve a mim ouve...” fosse de fato tirar os intermediários entre Deus e o povo, eles não abririam tantas igrejolas e contas bancárias para os protestantes juntarem-se diante deles e entregar-lhes o obrigatório e concorrido dízimo, que na Igreja Católica não é obrigatório.
Os luxuosos pastores que hoje voam de jatinhos, helicópteros particulares e vivem à sombra de suas suntuosas mansões, criticam o relicário da Igreja porque desconhecem que os pertences da Igreja são doações históricas e voluntárias dos católicos e milenar patrimônio tombado da humanidade. Eles nunca verão essas coisas nos testamentos dos Papas que fazem votos de pobreza e sentam na mesma e única cadeira de madeira revestida de bronze após o anterior falecer. Os sofás dos pastores certamente são mais confortáveis.
Como o protestantismo é um samba do crioulo doido, Calvino criticava os apostólicos rituais católicos, mas Lutero não, nem as imagens. No link abaixo vemos a maioria das Igrejas históricas protestantes e pentecostais repletas de imagens sendo veneradas, o que prova que os argumentos protestantes não devem ser levados a sério, pois Deus nunca proibiu imagens, mas os ídolos pagãos. O bíblico e sagrado Templo Salomão era repleto de imagens. http://caiafarsa.wordpress.com/imagens-em-templos-prostestantes/
“No século XlV, o professor inglês John Wyclif (1320-1384) propôs mudanças profundas na Igreja. Entre elas incluía-se a transferência dos bens da Igreja Católica para o controle da sociedade e a realização das missas nas línguas locais, e não mais em latim. "
O protestantismo fundado em 1517, desesperadamente tenta criar sua falsa história desde John Wyclif (1320-1384), ignorando que esse cidadão era católico e morreu de causas naturais após passar mal numa missa. Wyclif foi sepultado em campo santo da Igreja. Os restos de Wyclif foram retirados de campo santo dez anos após ser descoberto herege por meio de um de seus escritos que negava a presença de Cristo na Eucaristia, além da eficácia dos sacramentos e rejeitava os ritos. Só isso prova que Wyclif era herege tanto para os católicos como para os protestantes e ortodoxos, que crêem na Eucaristia e nos sacramentos que estão na Bíblia. http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/JohnWycl.html
As palavras do arrependido Lutero vendo a desgraça que causou a “reforma” confirmam isso: "Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças" ( Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 6l ).
Se Wyclif supostamente queria “a transferência dos bens da Igreja Católica para o controle da sociedade”, esquecia os bens de sua própria rica família? Certamente ele não sabia que a Igreja Católica há muito tempo transfere seus bens não só para a sociedade, mas para países inteiros, basta confirmar isso no site do próprio Vaticano:
Para conhecer as Doações do Papa aos países pobres, acesse: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/profilo_po/doni_po.html
Para conhecer as Missões de caridades da Igreja pelo mundo, acesse: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/attivita_po/missioni_po.html
Para conhecer a Assistência e Beneficiência da Igreja aos infermos e desvalidos, acesse: http://www.fides.org/ita/statistiche/2000_7.html
Ao contrário do que fala os que colocam palavras na boca do Wyclif, A Missa sempre foi rezada com palavras latinas, hebraicas (Amén, Hosanah, Aleluiah) e gregas (o Kyrie), porque a sentença de Pilatos condenando Cristo à morte foi escrita nessas três línguas. Pois quem reza a missa é o sacerdote, e não o povo.
Citar a Missa em latim, como uma das desculpas para a “reforma protestante”, não cola, visto que protestante nenhum vai à missa na Igreja Católica quando a missa é rezada também na língua vernácula. Aliás, nem tem missa em mais de 99% das igrejas protestantes. Na grande maioria nem mesmo o “Pai Nosso” é rezado ali, apesar de ensinado por Jesus.
Aproveito para acabar com um recente mito protestante que calunia que a Igreja não tinha bíblia vernácula antes de Lutero, pois os desmentindo, o próprio Lutero ainda católico dizia: "foi um efeito do poder de Deus que o papado preservou, em primeiro lugar, o santo batismo; em segundo, o texto dos Santos Evangelhos, que era costume ler no púlpito na língua vernácula de cada nação..." (De Missa privata, ed by Jensen, VI, Pg 92).
“As idéias de Wyclif foram condenadas como heréticas, mas se espalharam por varias regiões européias. Entre os seus seguidores destacou-se o sacerdote tcheco John Huss (c.1371-1415), que foi queimado vivo na fogueira por ter criticado a hierarquia católica e seus abusos. “
As idéias de Wyclif foram condenadas como heréticas porque de fato vimos que ele era um herege com “H” maiúsculo, invalidando a Eucaristia e os sacramentos estabelecidos por Cristo. Se John Huss o seguiu, era herege igualmente. Jonh Huss não criticava os “abusos” da Igreja, mas do igualmente herege e antipapa João XXIII, que foi levado a Roma pelas armas do rei Ladislau de Nápoles e obrigado a abdicar do falso cargo. Este foi quem condenou Huss a morte. O herege João XXIII, se opunha a Gregório XII, papa legítimo de Roma na época. (Enciclopédia Microsoft Encarta 99).
“Apesar das perseguições as novas idéias religiosas continuaram ganhando adeptos. No século XVI, elas levaram às reformas religiosas e a criação de novas Igrejas cristãs.”
Jesus disse: uma só fé, um só batismo e um só Senhor. (Ef 4,5-6), só isto basta.
Não houve “perseguições” as “novas idéias religiosas”, as “novas idéias religiosas” é que passaram a perseguir violentamente a Igreja Católica em todo o mundo, com suas intolerâncias, matanças, vilipêndios e toda sorte de calúnia, inclusive as como estas que refuto. E se um dia ganharam adeptos com suas mentiras, hoje perdem mais do ganham justamente para a Igreja Católica, confira:
1- Em apenas um dia, 400 mil protestantes anglicanos converterem-se ao catolicismo. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11760
2- O catolicismo nos Estados Unidos, país protestante, tornou-se a maior denominação cristã atualmente. http://pt.wikipedia.org/wiki/Catolicismo_nos_Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica
3- O catolicismo continuar liderando na Alemanha, berço do protestantismo. http://www.suapesquisa.com/paises/alemanha/
4- O bispo líder de 85% dos finlandeses luteranos disse que eles querem voltar à Igreja Católica. http://www.pime.org.br/noticias2005/noticiasfinlandia1.htm
5- O número de católicos continua crescendo no mundo.
http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/3174-cresce-o-numero-de-catolicos-no-mundo-revela-anuario-estatistico-da-igreja-
Houve uma "reforma protestante" porque o protestantismo estava precisando ser reformado, e essa "reforma" que nada tem a ver com a Igreja Católica continua em mais de 50 mil seitas protestantes rivais entre si.
Como bem diz o apologista Oswaldo Garcia: “É preciso saber que os "reformadores" não reformaram a Igreja de Cristo (que é irreformável em sua fé). Não se reforma uma casa criando em volta dela uma multidão de barracos.”
Se a "reforma" fosse para o catolicismo chamarse-ia "reforma católica".
A Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo, continua a mesma ontem, hoje e sempre, desde que o Salvador a fundou no ano 30 na Palestina. Lembre-se disso toda vez que um protestante citar a "reforma protestante". Muita gente não nota que quando eles citam isso, estão simplesmente confessando que na verdade a "reforma" foi para o protestantismo, visto que a Igreja fez até uma Contra Reforma, ignorando a Babel protestante.
As mentiras estratégicas protestantes da primeira página do capítulo sete do criminoso “Manual do Professor” encerram com uma fantasiosa gravura usada nos antigos panfletos difamatórios protestantes, seguida da legenda: “venda de indulgências em representação de Jong Breu, 1530.”
Gravura utilizada no Manual
Contra essa outra quimera, registra a Enciclopédia Católica New Advent: ["Os baús indulgência de Tetzel exibido na Jüterbog e outras cidades alemãs, são falsificações, de acordo com o escritor protestante Körner (Leben Tetzel, 73)"].
Fonte: http://www.newadvent.org/cathen/14539a.htm
Com essa falsidade, os autores do Manual pretendem inculcar que a Igreja de fato vendia indulgência, quando isso é completamente falso.
Logo abaixo, Lutero, pai dos protestantes e testemunha ocular dos fatos na Alemanha, documenta em suas 95 teses o contrário do que pregam os embusteiros bacharéis da mentira:
"50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.
53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.
71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas." (Fonte: http://www.ibnshekinah.com.br/Estudos-B%C3%ADblicos/as-95-teses-de-lutero.html )
Não se deve incriminar a Igreja por atos desobedientes e isolados de um monge chamado Tetzel numa pequena cidade da Alemanha. Tal monge foi advertido por um enviado do Papa e envergonhado morreu de desgosto inclusive sendo perdoado por Lutero que assegura em suas teses:
"91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido."
Sobre a desonestidade das editoras evangélicas, alerta o insuspeito presbiteriano Prof. Juan Pablo, mestrado em História pela UFES:
“Bem, a respeito do estudo sobre o cristianismo antigo, a primeira coisa que devemos aceitar, é que os protestantes de modo geral, em especial os brasileiros, conhecem muito pouca coisa de História cristã. Infelizmente, a grande maioria dos livros de história do cristianismo publicados por editoras evangélicas aqui no Brasil não são fontes confiáveis para o estudo da história cristã antiga e medieval, e isso por dois motivos:
1 - são escritos por teólogos com péssima formação histórica;
2 - seu objetivo real não é realmente informar o leitor, e sim combater o catolicismo, para dar a falsa impressão de que tudo o que a ICAR alega seria mentira e portanto fazer apologética da teologia protestante. Ou seja: pecam por desonestidade intelectual. Faz-se necessário estudar a história do cristianismo a partir da historiografia acadêmica.” (Depoimento do Prof. Juan Pablo constante em: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=511275&tid=5556312832534205906&na=3&nst=43&nid=511275-5556312832534205906-5556569177379161061 )
Eis a mais pura verdade, e alerto a sociedade em geral, que desde a ditadura militar, durante a passagem do protestante Ernesto Geisel pelo governo brasileiro, as mentiras estratégicas protestantes vêm sendo sorrateiramente publicadas como “verdades históricas” nos livros didáticos escolares, com mero propósito de promover o protestantismo de forma desonesta e criminosa nas salas de aulas.
Muitas queixas temos recebido de alunos em todo o país, que já percebem essa maquinação em curso, maquinação esta que acaba por gerar "bacharéis" como os autores deste "Manual do professor". Conclamamos aos pais a folhearem os livros de história de seus filhos e ao detectarem tal conduta, denunciem a editora ao Ministério Público Federal e os professores prosélitos ao NRE - Núcleo Regional da Educação local, muito fácil hoje é gravar o que se está ensinando em sala de aula.
Vergonhosa é a atitude dos autores Ricardo Dreguer e Eliete Toledo. Se eles omitem o desfecho da "reforma luterana", o Melanchton, parceiro de Lutero foi mais honesto ao dizer:
“Nem toda a água do rio Elba daria lágrimas bastante para chorar a desgraça da Reforma.” (citação de Melanchton, amigo de Lutero - Lúcio Navarro, Legítima Interpretação da Bíblia).
Cai a farsa.
Fonte: Cai a Farsa
Autor: Fernando Nascimento
Em visita a um amigo conhecedor de nosso combate às descaradas mentiras históricas protestantes, aquele me apresentou um livro da sexta série denominado “Manual do professor, História Conceitos e Procedimentos”, que tem como autores Ricardo Dreguer e Eliete Toledo, com publicação pela Atual Editora, divulgado pela Editora Saraiva e utilizado por sua irmã professora da rede pública.
Capa do citado "Manual do Professor"
No capítulo 7 deste livro, que trata de “reformas religiosas”, está ali explicito para todo mundo ver, um escancarado proselitismo protestante valendo-se de todos os embustes anti-históricos forjados pelos próprios protestantes contra a Igreja Católica.
Os autores Ricardo Dreguer e Eliete Toledo, em conluio com a Atual editora, Editora Saraiva e esse marginalizado Ministério da Educação dos vazados Enens da vida, estão a transformar faz tempo, os professores deste país em verdadeiros prosélitos do protestantismo em sala de aula, atribuindo vergonhosamente à Igreja Católica o que é próprio da fé fundada por Lutero.
O próprio Lutero nos legou o relato dessa prática, anos antes de lançar-se em revolta aberta, dizia: “(...) os hereges não são bem acolhidos se não pintam a Igreja como má, falsa e mentirosa. Só eles querem passar por bons: a Igreja há de figurar como ruim em tudo.” (Franca, Leonel, S.J. A Igreja, a reforma e a civilização, Ed. Agir, 1952, 6ª ed. Pág. 200).
Uma vez protestante, ensinava Lutero: "Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da Igreja (luterana)." (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960- pág 522).
Refutarei documentalmente, parágrafo a parágrafo, as mentiras estratégicas protestantes vendidas na primeira página do capítulo sete deste criminoso “Manual do Professor” desprovido de qualquer compromisso com a verdade.
Em vermelho, segue o constante no Manual, em seguida minha refutação.
“Das críticas à ruptura
A reforma luterana
No Brasil a lei garante a liberdade religiosa. Isso significa que as pessoas têm direito de escolher livremente suas crenças, sem ser discriminadas por isso. Os cidadãos têm também o direito de não seguir crença alguma e ser ateus, isso é, não acreditar na existência de Deus. "
Isso porque o Papa Paulo III assim determinou desde que o Brasil começou a ser colonizado:
Papa Paulo III (1534-1549),
“Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios a todas as mais gentes que aqui em diante vierem a noticia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos a servidão”. (...) determinamos e declaramos que os ditos índios, e as demais gentes hão de ser atraídas, e convidadas à dita Fé de Cristo, com a pregação da palavra divina, e com o exemplo de boa vida. E tudo o que em contrário desta determinação se fizer, seja em si de nenhum valor, nem firmeza; não obstante quaisquer cousas em contrário, nem as sobreditas, nem outras, em qualquer maneira. Dada em Roma, ano de 1537 aos 9 de junho, no ano terceiro do nosso Pontificado.” (Bula Veritas Ipsa” (1537)
Já os protestantes, que dizimaram os índios “pagãos” de seus países, ao chegarem no Brasil esbanjavam intolerância e ceifavam a vida de todo católico que não se convertesse ao protestantismo.
Em 1570, foram enviados ao Brasil para evangelizar os índios o Padre Inácio de Azevedo e mais 40 jesuítas. Vinham a bordo da nau São Tiago quando em alto mar os interceptou o calvinista Jacques Sourie. Como prova de seu "evangélico" zelo mandou degolar friamente todos os padres e irmãos e jogar os corpos aos tubarões. (Luigi Giovannini e M. Sgarbossa in Il santo del giorno, 4ª ed. E.P, pág. 224, 1978).
Na Bahia, em 1624, por intolerância dos invasores protestantes, as igrejas católicas foram depredadas e transformadas em depósitos, celeiros, adegas ou paióis e a Sé foi destinada ao culto anglicano. http://www.achetudoeregiao.com.br/ba/Bahia_sua_historia.htm
Em Olinda, no ano 1631, os invasores protestantes destruíram e queimaram as igrejas católicas. A única igreja que ficou intacta foi a de São João Batista dos Militares, que servia de quartel general às tropas invasoras. http://www.oocities.org/br/cantinhobacalhau02/71pag07.htm
Em 16 de julho de 1645, o Padre André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis participavam da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú, no município de Canguaretama, localizado na Zona Agreste do Rio Grande do Norte. Por seguirem a religião católica, pagaram com a própria vida o preço pela crença, por causa da intolerância calvinista dos invasores.
http://www.dnonline.com.br/app/noticia/cotidiano/2009/09/28/interna_cotidiano,19853/index.shtml
O livro que contém todas estas barbaridades e muito mais, foi o 1º. Prêmio de Erudição da Academia Brasileira de Letras e editado na Biblioteca Pedagógica Nacional, volume 180, pela Companhia Editora Nacional e chama-se algo que nunca existiu, “Civilização Holandesa no Brasil”, José Honório Rodrigues e Joaquim Ribeiro, 1940.
Ainda hoje, a coisa mais comum é encontrar nos jornais do Brasil, a notícia de que mais um evangélico invadiu uma Igreja Católica e a depredou. Longe desta conduta estão os católicos.
Ficará provado aqui, que o protestantismo defendido pelos autores deste Manual faz vasto uso da máxima lenista que diz:
“Xingue-os do que você é. Acuse-os do que você faz” (Lenin).
“Mas essa liberdade religiosa nem sempre foi permitida. Na Europa ocidental do século XIII, por exemplo, as regras estabelecidas pela Igreja Católica eram tidas como inquestionáveis. Quem não as aceitasse tornava-se vítima de perseguições. "
Acabamos de conhecer qual era a verdadeira religião intolerante perseguidora.
Essa estória de perseguição católica na Europa, é mais uma mentira estratégica forjada pelo protestante Casiodoro de Reina, que escreveu as mais diabólicas calúnias contra a Igreja sob pseudônimo de “Montanus”. Esse articulista foi quem mudou o termo inquisição, simples ato de inquirir, indagar, em “queimar pessoas”. Ele é o responsável pelas falsas mortes da inquisição, que apenas ao inquirir ou absolvia, ou excomungava católicos hereges e somente católicos; foi ele quem fantasiou em seus escritos sobre instrumentos de torturas que nunca existiram; mas foi sóbrio o bastante para omitir as 20 mil mortes de bruxas na fogueira ordenadas pelo luterano Benedict Carpzov; os milhares de camponeses mortos por Lutero e a queima do Médico Miguel Servet por Calvino. (Museum Plantin – Moretus, Antwerp), (Royal Library, The Hagur), (University Salamanca), (The Prado Museum), (Benedict Carpzov, Practica Nova Rerum Criminalium Imperialis Saxonica in Três Partes Divisão, Wittenberg, 1635.), (("Tischredden", Ed. Erlangen, Vol. 59, p. 284)
A Igreja nunca perseguiu ninguém por ter credo diferente. Os ortodoxos se separaram da Igreja no século XI, muito antes do século XIII e jamais foram perseguidos. No século XIII na Europa não existiam protestantes, mas Judeus, ortodoxos e muçulmanos.
Reproduzo, sobre este tema, a opinião de dois importantes judeus sobre a suposta perseguição da Inquisição. Quanto aos judeus, a Inquisição da Igreja não existia nem para os judeus, nem para os muçulmanos. Ela só julgava quem fosse católico e tivesse traído a Fé. Há textos de historiadores judeus que confirmam isso. George Sokolsky, editor judeu de Nova York, em artigo intitulado "Nós Judeus", escreveu: "A tarefa da Inquisição não era perseguir judeus, mas limpar a Igreja de todo traço de heresia ou qualquer coisa não ortodoxa. A Inquisição não estava preocupada com os infiéis fora da Santa Igreja, mas com aqueles heréticos que estavam dentro dela.” (Nova YorK, 1935, pg. 53)
O Dr. Cecil Roth, especialista inglês em "História do Judaísmo", declarou num Forum sionista em Bufalo, (USA, 25 de Fev de 1927): "Apenas em Roma existe uma colônia de judeus que continuou a sua existência desde bem antes da era cristã, isto porque, de todas as dinastias da Europa, o Papado não apenas recusou-se a perseguir os judeus de Roma e da Itália, mas também durante todos os períodos, os Papas sempre foram protetores dos judeus. (...) A verdade é que os Papas e a Igreja Católica, desde os primeiros tempos da Santa Igreja, nunca foram responsáveis por perseguições físicas aos judeus, e entre todas as capitais do mundo, Roma é o único lugar isento de ter sido cenário para a tragédia judaica. E, por isso, nós judeus, deveríamos ter gratidão."
Até aqui as citações, que estão disponívels no artigo http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=historia&artigo=20040324003107&lang=bra
Se há na Europa uma religião terrivelmente intolerante e sanguinária, que perseguiu e ceifou a vida de milhões porque tinham credo oposto ao dela, esta foi o protestantismo.
Lutero escreveu um diabólico panfleto intitulado: “CONTRA OS JUDEUS E SUAS MENTIRAS”, obra esta, reproduzida na ’História do Anti-semitismo’, de Leon Poliakov onde brada:
"(...) Finalmente, no meu tempo, foram expulsos de Ratisbona, Magdeburgo e de muitos outros lugares... Um judeu, um coração judaico, são tão duros como a madeira, a pedra, o ferro, como o próprio diabo. Em suma, são filhos do demônio, condenados às chamas do Inferno. Os judeus são pequenos demônios destinados ao inferno.” ('Luther's Works,' Pelikan, Vol. XX, pp. 2230).
"Queime suas sinagogas. Negue a eles o que disse anteriormente. Force-os a trabalhar e trate-os com toda sorte de severidade ... são inúteis, devemos tratá-los como cachorros loucos, para não sermos parceiros em suas blasfêmias e vícios, e para que não recebamos a ira de Deus sobre nós. Eu estou fazendo a minha parte.” ('About the Jews and Their Lies,' citado em O'Hare, in 'The Facts About Luther, TAN Books, 1987, p. 290).
Os escritores Dennis Prager e Joseph Telushkin registram: "Ao executarem seu primeiro massacre em larga escala, em 9 de novembro de 1938, no qual destruíram quase todas as sinagogas da Alemanha e assassinaram trinta e cinco judeus, os nazistas anunciaram que a perseguição era uma homenagem ao aniversário de Martim Lutero.” (...) “... De fato, Julius Streicher (nazista), argumentou durante sua defesa no julgamento de Nuremberg, que nunca havia dito nada sobre os judeus que Martim Lutero não tivesse dito 400 anos antes”. (Why the Jews? The reason for anti-Semitism [Por que os Judeus: A causa do anti-semitismo] (Nova York: Simon & Shuster, 1983), p. 107.)
Graças à intolerância plantada por Lutero na Alemanha, nove milhões de judeus foram exterminados. Não era diferente o plano protestante para aos católicos, célebre é a frase do pastor protestante Friedrich Wieneke: “A paz só virá quando o último judeu se enforcar no último intestino do último vigário". (Fonte: Report from Wieneke, “attacks on Pastors”, dated 9,1941 – (BA Koblens R 43 11/478ª, fiche 1, document 19)).
No tempo de Lutero, relata o historiador Maurice Andrieux, que em 6 de maio de 1527, no terrível saque à Roma, uma horda de invasores protestantes, penetra o hospital do Espírito Santo e ali, aos berros, degola os enfermos. À semelhança de uma torrente bravia, os bárbaros se lançam sobre Roma gritando: -“Viva Lutero, nosso Papa!!!”- todos cumprem a palavra de ordem: quem for encontrado nas ruas deve morrer, seja moço ou velho, mulher ou homem, padre ou freira. Ávidos, incansáveis na busca das riquezas, dos despojos, os Reformadores e outros invasores assaltam, saqueiam, incendeiam, trucidam, arrebentam as suas vítimas, jogam crianças pelas janelas ou as esmagam contra as paredes. Conforme Maurice Andrieaux, esse ataque a Roma “superou em atrocidade todas as tragédias da história, até mesmo a destruição de Jerusalém e a tomada de Constantinopla.” (Rome, Maurice Andrieux,1968)
No dia em que a Inglaterra, arrastada pela paixão do rei Henrique VIII se separou da Igreja para abraçar os princípios da Reforma, começou o longo calvário da nação mártir. Tribunais religiosos foram instaurados e os católicos foram obrigados à assistir cultos protestantes, muitos importantes católicos opositores foram mortos, tais como Thomas More, o Bispo John Fischer muitos sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuchos. (Macaulay. A História da Inglaterra. Leipzig, pag.:54.)
Na Irlanda, o primeiro suplício foi a expropriação e confiscação de bens. ISABEL, JAIME I, CARLOS I, CROMWELL despojaram os proprietário irlandeses de suas terras para reduzi-los à miséria e à escravidão. "Nos fins do século XVII os católicos irlandeses e anglo-irlandeses não possuíam mais que a sétima parte de sua ilha" (BANCROFT, Op. cit., t. IV, p. 47; LINGARD, History of England (4), Londron, 1838, t. IX, c. 2, p. 149; c. 5, p. 342).
Sob CROMWELL mais de cem mil cidadãos foram desterrados, vinte mil vendidos como escravos para a América, seis mil crianças de ambos os sexos lançadas fora da ilha e vendidas (C. CANTUI, Storia Universale (3), Torino, 1846, t. XVII, p. 395. (Cfr. BERNH. LESKER, Irland's Leiden und Kämpfen, Maiz 1881, p. 36 ss.).
Mas a fidelidade do povo à fé dos seus maiores não cedia à violência dos perseguidores. Novos suplícios: o extermínio feroz, a matança em massa. Quando os exércitos de CROMWELL entraram triunfantes na ilha oprimida, o sangue dos seus filhos correu em torrentes. Conta-se que o tirano-profeta baixara ordem de trucidar todos os católicos de 16 aos 60 anos, de arrancar os olhos aos de 6 a 16 e de transpassar o seio das mulheres. A soldadesca infrene atirou-se à carnificina. "Impossível determinar o número das vítimas que em 11 anos (1841-1852) sacrificou a Inglaterra para protestantizar a Irlanda". C. CANTU, Storia Universale(3), EPOCA XII, c. VI, Torino, 1843, t. XII, p. 204.)
Depois desses horrores, as execuções da justiça. Como se não bastara o sangue já derramado, para exterminar de todo os católicos ainda restantes, erigiu o gerente um tribunal, conhecido sob o nome de açougue (Cromwell's slaughter house). As sentenças de morte e de exílio por ele pronunciadas acabaram de semear a desolação e o terror na desventurada ilha. (Cfr. BEAMONT, l'Irlande (7), t. I, p. 74; P. F. MORAN, Historial sketch of the persecution suffered by the catholics of Ireland under the rele of Cromwell, Dublin, 1862, LINGARD, History of England(4), t. X, c. 5, 296 sgs.: B. LESKER, Irland's Leiden, p. 25 sgs.).
Excogitou-se então novo expediente: a excomunhão social, o ilotismo. Todos os católicos, como bestas-feras que se aferrolham em jaulas, foram expulsos das outras regiões da ilha, logo dividida entre os invasores, e encurralados na província de Connaught. Quem lhe ultrapassasse os limites poderia ser morto por qualquer cidadão (LINGARD, History of England(4), t. X, c. 6, p.369.
O catolicismo nunca perseguiu os protestantes e nunca se apoderou de seus templos ou bens. Mas a prova cabal das perseguições seculares protestantes aos católicos aí está para quem quiser ver. Até hoje na Europa inteira, as grandes igrejas protestantes permanecem sendo as que foram violentamente roubadas dos católicos sob sangue derramado. Por falta de protestantes, muitíssimas estão fechando ou à venda, como podemos ver neste link: http://www.property.org.uk/unique/ch.html
Estranho é os autores desse criminoso “Manual do Professor” se comprometer a falar de “Reforma Luterana” e omitir tudo isso, preferindo fazer eco às vergonhosas mentiras estratégicas protestantes, em explícito proselitismo.
“Nos séculos XIV e XV, no contexto das mudanças na mentalidade dos europeus, o número de pessoas que questionavam os valores e práticas da Igreja Católica aumentou. Nesse período, alguns pensadores começaram a descartar a necessidade de intermediários - padres ou santos no contato entre o ser humano e Deus. Criticavam também o luxo em que viviam alguns membros da Igreja, o excesso de rituais e o culto às imagens.”
Em todas as épocas, levantaram-se hereges com as mais estapafúrdias desculpas para querer colocar-se no lugar da Igreja, todos foram varridos pelo tempo, a Igreja persiste triunfante, pois Jesus disse que "as portas do inferno não prevalescem contra ela" (Mt 16, 18). Os hereges tentam em vão descartar os padres e santos legitimamente ordenados por Cristo e seus sucessores os apóstolos, que ouviram de viva voz do Salvador: "Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou." (Lc 10,16)
Os salteadores, sem qualquer ordenação da sucessão apostólica ou voto de pobreza, gananciosamente desejam esses postos apenas para ficarem ricos como muitíssimos que conhecemos e estiveram atrás das grades por escândalos financeiros. O recado foi dado por Jesus: “Em verdade, em verdade, vos digo: quem não entra pela porta no redil onde estão as ovelhas, mas sobe por outro lugar, esse é ladrão e assaltante.” (São João 10,1)
Eles não queriam tirar intermediários entre Deus e o povo coisa nenhuma, mas colocar-se entre o povo e o dinheiro do povo. Só no Brasil, o número de “pastores”, “pastoras”, “bispos”, “bispas”, “apóstolos”, “profetas”, “ministros”, “reverendos”, “diáconos” e "obreiros" entre Deus e os vangélicos superam os padres da Igreja Católica no mundo inteiro. Já em 2006, o número de pastores evangélicos por fiel era dezoito vezes maior que a proporção de padres por católico. Revista Veja, Edição 1964 . 12 de julho de 2006)
Se a intenção deles, contrariando Jesus que disse: “quem vos ouve a mim ouve...” fosse de fato tirar os intermediários entre Deus e o povo, eles não abririam tantas igrejolas e contas bancárias para os protestantes juntarem-se diante deles e entregar-lhes o obrigatório e concorrido dízimo, que na Igreja Católica não é obrigatório.
Os luxuosos pastores que hoje voam de jatinhos, helicópteros particulares e vivem à sombra de suas suntuosas mansões, criticam o relicário da Igreja porque desconhecem que os pertences da Igreja são doações históricas e voluntárias dos católicos e milenar patrimônio tombado da humanidade. Eles nunca verão essas coisas nos testamentos dos Papas que fazem votos de pobreza e sentam na mesma e única cadeira de madeira revestida de bronze após o anterior falecer. Os sofás dos pastores certamente são mais confortáveis.
Como o protestantismo é um samba do crioulo doido, Calvino criticava os apostólicos rituais católicos, mas Lutero não, nem as imagens. No link abaixo vemos a maioria das Igrejas históricas protestantes e pentecostais repletas de imagens sendo veneradas, o que prova que os argumentos protestantes não devem ser levados a sério, pois Deus nunca proibiu imagens, mas os ídolos pagãos. O bíblico e sagrado Templo Salomão era repleto de imagens. http://caiafarsa.wordpress.com/imagens-em-templos-prostestantes/
“No século XlV, o professor inglês John Wyclif (1320-1384) propôs mudanças profundas na Igreja. Entre elas incluía-se a transferência dos bens da Igreja Católica para o controle da sociedade e a realização das missas nas línguas locais, e não mais em latim. "
O protestantismo fundado em 1517, desesperadamente tenta criar sua falsa história desde John Wyclif (1320-1384), ignorando que esse cidadão era católico e morreu de causas naturais após passar mal numa missa. Wyclif foi sepultado em campo santo da Igreja. Os restos de Wyclif foram retirados de campo santo dez anos após ser descoberto herege por meio de um de seus escritos que negava a presença de Cristo na Eucaristia, além da eficácia dos sacramentos e rejeitava os ritos. Só isso prova que Wyclif era herege tanto para os católicos como para os protestantes e ortodoxos, que crêem na Eucaristia e nos sacramentos que estão na Bíblia. http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/JohnWycl.html
As palavras do arrependido Lutero vendo a desgraça que causou a “reforma” confirmam isso: "Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças" ( Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 6l ).
Se Wyclif supostamente queria “a transferência dos bens da Igreja Católica para o controle da sociedade”, esquecia os bens de sua própria rica família? Certamente ele não sabia que a Igreja Católica há muito tempo transfere seus bens não só para a sociedade, mas para países inteiros, basta confirmar isso no site do próprio Vaticano:
Para conhecer as Doações do Papa aos países pobres, acesse: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/profilo_po/doni_po.html
Para conhecer as Missões de caridades da Igreja pelo mundo, acesse: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/attivita_po/missioni_po.html
Para conhecer a Assistência e Beneficiência da Igreja aos infermos e desvalidos, acesse: http://www.fides.org/ita/statistiche/2000_7.html
Ao contrário do que fala os que colocam palavras na boca do Wyclif, A Missa sempre foi rezada com palavras latinas, hebraicas (Amén, Hosanah, Aleluiah) e gregas (o Kyrie), porque a sentença de Pilatos condenando Cristo à morte foi escrita nessas três línguas. Pois quem reza a missa é o sacerdote, e não o povo.
Citar a Missa em latim, como uma das desculpas para a “reforma protestante”, não cola, visto que protestante nenhum vai à missa na Igreja Católica quando a missa é rezada também na língua vernácula. Aliás, nem tem missa em mais de 99% das igrejas protestantes. Na grande maioria nem mesmo o “Pai Nosso” é rezado ali, apesar de ensinado por Jesus.
Aproveito para acabar com um recente mito protestante que calunia que a Igreja não tinha bíblia vernácula antes de Lutero, pois os desmentindo, o próprio Lutero ainda católico dizia: "foi um efeito do poder de Deus que o papado preservou, em primeiro lugar, o santo batismo; em segundo, o texto dos Santos Evangelhos, que era costume ler no púlpito na língua vernácula de cada nação..." (De Missa privata, ed by Jensen, VI, Pg 92).
“As idéias de Wyclif foram condenadas como heréticas, mas se espalharam por varias regiões européias. Entre os seus seguidores destacou-se o sacerdote tcheco John Huss (c.1371-1415), que foi queimado vivo na fogueira por ter criticado a hierarquia católica e seus abusos. “
As idéias de Wyclif foram condenadas como heréticas porque de fato vimos que ele era um herege com “H” maiúsculo, invalidando a Eucaristia e os sacramentos estabelecidos por Cristo. Se John Huss o seguiu, era herege igualmente. Jonh Huss não criticava os “abusos” da Igreja, mas do igualmente herege e antipapa João XXIII, que foi levado a Roma pelas armas do rei Ladislau de Nápoles e obrigado a abdicar do falso cargo. Este foi quem condenou Huss a morte. O herege João XXIII, se opunha a Gregório XII, papa legítimo de Roma na época. (Enciclopédia Microsoft Encarta 99).
“Apesar das perseguições as novas idéias religiosas continuaram ganhando adeptos. No século XVI, elas levaram às reformas religiosas e a criação de novas Igrejas cristãs.”
Jesus disse: uma só fé, um só batismo e um só Senhor. (Ef 4,5-6), só isto basta.
Não houve “perseguições” as “novas idéias religiosas”, as “novas idéias religiosas” é que passaram a perseguir violentamente a Igreja Católica em todo o mundo, com suas intolerâncias, matanças, vilipêndios e toda sorte de calúnia, inclusive as como estas que refuto. E se um dia ganharam adeptos com suas mentiras, hoje perdem mais do ganham justamente para a Igreja Católica, confira:
1- Em apenas um dia, 400 mil protestantes anglicanos converterem-se ao catolicismo. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11760
2- O catolicismo nos Estados Unidos, país protestante, tornou-se a maior denominação cristã atualmente. http://pt.wikipedia.org/wiki/Catolicismo_nos_Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica
3- O catolicismo continuar liderando na Alemanha, berço do protestantismo. http://www.suapesquisa.com/paises/alemanha/
4- O bispo líder de 85% dos finlandeses luteranos disse que eles querem voltar à Igreja Católica. http://www.pime.org.br/noticias2005/noticiasfinlandia1.htm
5- O número de católicos continua crescendo no mundo.
http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/3174-cresce-o-numero-de-catolicos-no-mundo-revela-anuario-estatistico-da-igreja-
Houve uma "reforma protestante" porque o protestantismo estava precisando ser reformado, e essa "reforma" que nada tem a ver com a Igreja Católica continua em mais de 50 mil seitas protestantes rivais entre si.
Como bem diz o apologista Oswaldo Garcia: “É preciso saber que os "reformadores" não reformaram a Igreja de Cristo (que é irreformável em sua fé). Não se reforma uma casa criando em volta dela uma multidão de barracos.”
Se a "reforma" fosse para o catolicismo chamarse-ia "reforma católica".
A Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo, continua a mesma ontem, hoje e sempre, desde que o Salvador a fundou no ano 30 na Palestina. Lembre-se disso toda vez que um protestante citar a "reforma protestante". Muita gente não nota que quando eles citam isso, estão simplesmente confessando que na verdade a "reforma" foi para o protestantismo, visto que a Igreja fez até uma Contra Reforma, ignorando a Babel protestante.
As mentiras estratégicas protestantes da primeira página do capítulo sete do criminoso “Manual do Professor” encerram com uma fantasiosa gravura usada nos antigos panfletos difamatórios protestantes, seguida da legenda: “venda de indulgências em representação de Jong Breu, 1530.”
Gravura utilizada no Manual
Contra essa outra quimera, registra a Enciclopédia Católica New Advent: ["Os baús indulgência de Tetzel exibido na Jüterbog e outras cidades alemãs, são falsificações, de acordo com o escritor protestante Körner (Leben Tetzel, 73)"].
Fonte: http://www.newadvent.org/cathen/14539a.htm
Com essa falsidade, os autores do Manual pretendem inculcar que a Igreja de fato vendia indulgência, quando isso é completamente falso.
Logo abaixo, Lutero, pai dos protestantes e testemunha ocular dos fatos na Alemanha, documenta em suas 95 teses o contrário do que pregam os embusteiros bacharéis da mentira:
"50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.
53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.
71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas." (Fonte: http://www.ibnshekinah.com.br/Estudos-B%C3%ADblicos/as-95-teses-de-lutero.html )
Não se deve incriminar a Igreja por atos desobedientes e isolados de um monge chamado Tetzel numa pequena cidade da Alemanha. Tal monge foi advertido por um enviado do Papa e envergonhado morreu de desgosto inclusive sendo perdoado por Lutero que assegura em suas teses:
"91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido."
Sobre a desonestidade das editoras evangélicas, alerta o insuspeito presbiteriano Prof. Juan Pablo, mestrado em História pela UFES:
“Bem, a respeito do estudo sobre o cristianismo antigo, a primeira coisa que devemos aceitar, é que os protestantes de modo geral, em especial os brasileiros, conhecem muito pouca coisa de História cristã. Infelizmente, a grande maioria dos livros de história do cristianismo publicados por editoras evangélicas aqui no Brasil não são fontes confiáveis para o estudo da história cristã antiga e medieval, e isso por dois motivos:
1 - são escritos por teólogos com péssima formação histórica;
2 - seu objetivo real não é realmente informar o leitor, e sim combater o catolicismo, para dar a falsa impressão de que tudo o que a ICAR alega seria mentira e portanto fazer apologética da teologia protestante. Ou seja: pecam por desonestidade intelectual. Faz-se necessário estudar a história do cristianismo a partir da historiografia acadêmica.” (Depoimento do Prof. Juan Pablo constante em: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=511275&tid=5556312832534205906&na=3&nst=43&nid=511275-5556312832534205906-5556569177379161061 )
Eis a mais pura verdade, e alerto a sociedade em geral, que desde a ditadura militar, durante a passagem do protestante Ernesto Geisel pelo governo brasileiro, as mentiras estratégicas protestantes vêm sendo sorrateiramente publicadas como “verdades históricas” nos livros didáticos escolares, com mero propósito de promover o protestantismo de forma desonesta e criminosa nas salas de aulas.
Muitas queixas temos recebido de alunos em todo o país, que já percebem essa maquinação em curso, maquinação esta que acaba por gerar "bacharéis" como os autores deste "Manual do professor". Conclamamos aos pais a folhearem os livros de história de seus filhos e ao detectarem tal conduta, denunciem a editora ao Ministério Público Federal e os professores prosélitos ao NRE - Núcleo Regional da Educação local, muito fácil hoje é gravar o que se está ensinando em sala de aula.
Vergonhosa é a atitude dos autores Ricardo Dreguer e Eliete Toledo. Se eles omitem o desfecho da "reforma luterana", o Melanchton, parceiro de Lutero foi mais honesto ao dizer:
“Nem toda a água do rio Elba daria lágrimas bastante para chorar a desgraça da Reforma.” (citação de Melanchton, amigo de Lutero - Lúcio Navarro, Legítima Interpretação da Bíblia).
Cai a farsa.
Fonte: Cai a Farsa
domingo, 4 de março de 2012
Igreja Luterana abre ministério de pastor para gays e lésbicas
Igreja Luterana abre ministério de pastor para gays e lésbicas
Autor: ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação
Fonte: http://cenag.terra.com.br/noticias_ler.php?id=NjY0
A Assembléia Geral da Igreja Evangélica Luterana na América (ELCA na sigla em inglês) aprovou abertura do ministério ordenado a pastores gays e pastoras lésbicas que tenham relação estável.
A aprovação foi alcançada em uma votação com 559 votos a favor e 451 contra na instância mais elevada do corpo eclesiástico de mais de 4.6 milhões de membros. Anteriormente a Assembléia também havia aprovado uma resolução em que a igreja se compromete a encontrar um caminho para as congregações que optam por “reconhecer, apoiar e defender relações de mesmo gênero que são publicamente assumidas e monogâmicas”, apesar de nesta resolução não utilizarem a palavra ‘matrimônio’.
Essas ações mudam a política da igreja, que até então permitia que as pessoas de orientação sexual gay ou lésbica fossem incorporadas ao ministério quando exercessem o celibato.
Ao longo da Assembléia, que começou no dia 17 de agosto, a maioria dos 1000 delegados com direito de voto tiveram um debate sobre sexualidade humana. Na quarta (19) adotaram a declaração social sobre o tema como uma ferramenta educativa e um guia da política da igreja sobre sexualidade humana.
Antes da espinhosa discussão sobre a união entre pessoas do mesmo gênero no ministério, a assembléia aprovou por 771 votos favoráveis a 230 contrários uma resolução comprometendo a igreja a respeitar as diferenças de opiniões sobre o tema.
Durante as horas de discussão, conduzidas pelo bispo presidente da ELCA, reverendo Mark S. Hanson, os delegados tiveram vários momentos de reflexão para orar, algumas vezes em pequenos grupos em volta das mesas nas quais os membros com direito a voto debatiam e expressavam seu parecer.
As discussões demonstraram que o tema da sexualidade deve ser debatido em profundidade. O pastor Richard Mahan, do Sínodo da Virgínia do Oeste e de Maryland, manifestou-se contra a abertura do ministério sacerdotal a gays e lésbicas porque a considera contrária aos ensinamentos bíblicos. “Não posso compreender como a igreja que conheci por 40 anos pode apoiar aquilo que Deus condenou", defendeu. "Isso significa que a partir de agora se diz que nas Escrituras a homossexualidade e o casal de pessoas do mesmo sexo são aceitáveis por Deus", agregou.
Outros expressaram que a ampla aceitação de pessoas de orientação gay na igreja era consistente com a Bíblia. O bispo Gary Wollersheim, do Sínodo da ELCA do Norte de Illinois, disse que este era um tema de justiça e de hospitalidade, representando aquilo que Jesus espera das pessoas. Wollersheim anunciou que foi fortemente influenciado pelo diálogo nos encontros de jovens realizados em seu Sínodo.
Alguns oradores argumentaram que a aprovação de tal medida afastaria membros da ELCA e provocariam uma diminuição no número de fiéis. Allison Gutte, do Sínodo Metropolitano de Nova Iorque, frisou que viu congregações florescerem porque se comprometeram com esse tema ao reconhecerem os dons de pastores gays e pastoras lésbicas.
Fonte: ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação
Retirado de Exsurge Domini
Autor: ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação
Fonte: http://cenag.terra.com.br/noticias_ler.php?id=NjY0
A Assembléia Geral da Igreja Evangélica Luterana na América (ELCA na sigla em inglês) aprovou abertura do ministério ordenado a pastores gays e pastoras lésbicas que tenham relação estável.
A aprovação foi alcançada em uma votação com 559 votos a favor e 451 contra na instância mais elevada do corpo eclesiástico de mais de 4.6 milhões de membros. Anteriormente a Assembléia também havia aprovado uma resolução em que a igreja se compromete a encontrar um caminho para as congregações que optam por “reconhecer, apoiar e defender relações de mesmo gênero que são publicamente assumidas e monogâmicas”, apesar de nesta resolução não utilizarem a palavra ‘matrimônio’.
Essas ações mudam a política da igreja, que até então permitia que as pessoas de orientação sexual gay ou lésbica fossem incorporadas ao ministério quando exercessem o celibato.
Ao longo da Assembléia, que começou no dia 17 de agosto, a maioria dos 1000 delegados com direito de voto tiveram um debate sobre sexualidade humana. Na quarta (19) adotaram a declaração social sobre o tema como uma ferramenta educativa e um guia da política da igreja sobre sexualidade humana.
Antes da espinhosa discussão sobre a união entre pessoas do mesmo gênero no ministério, a assembléia aprovou por 771 votos favoráveis a 230 contrários uma resolução comprometendo a igreja a respeitar as diferenças de opiniões sobre o tema.
Durante as horas de discussão, conduzidas pelo bispo presidente da ELCA, reverendo Mark S. Hanson, os delegados tiveram vários momentos de reflexão para orar, algumas vezes em pequenos grupos em volta das mesas nas quais os membros com direito a voto debatiam e expressavam seu parecer.
As discussões demonstraram que o tema da sexualidade deve ser debatido em profundidade. O pastor Richard Mahan, do Sínodo da Virgínia do Oeste e de Maryland, manifestou-se contra a abertura do ministério sacerdotal a gays e lésbicas porque a considera contrária aos ensinamentos bíblicos. “Não posso compreender como a igreja que conheci por 40 anos pode apoiar aquilo que Deus condenou", defendeu. "Isso significa que a partir de agora se diz que nas Escrituras a homossexualidade e o casal de pessoas do mesmo sexo são aceitáveis por Deus", agregou.
Outros expressaram que a ampla aceitação de pessoas de orientação gay na igreja era consistente com a Bíblia. O bispo Gary Wollersheim, do Sínodo da ELCA do Norte de Illinois, disse que este era um tema de justiça e de hospitalidade, representando aquilo que Jesus espera das pessoas. Wollersheim anunciou que foi fortemente influenciado pelo diálogo nos encontros de jovens realizados em seu Sínodo.
Alguns oradores argumentaram que a aprovação de tal medida afastaria membros da ELCA e provocariam uma diminuição no número de fiéis. Allison Gutte, do Sínodo Metropolitano de Nova Iorque, frisou que viu congregações florescerem porque se comprometeram com esse tema ao reconhecerem os dons de pastores gays e pastoras lésbicas.
Fonte: ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação
Retirado de Exsurge Domini
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O Luteranismo
O Luteranismo
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: Editora Quadrante
Transmissão: Jordan Perdigão em 18/Ago/2009
Lutero foi profundamente religioso, mas também angustiado; era dotado de firme confiança em Deus, mas desconfiava da própria salvação. Esse homem de contrastes, pai direto do protestantismo, foi o responsável por uma das maiores rupturas na história da humanidade.
Martinho Lutero nasceu em 10.11.1483, em Eisleben, Alemanha. Teve uma infância dura, sujeito em casa e na escola a uma disciplina severa. A partir de 1501, na Universidade de Erfurt, estudou a filosofia nominalista de Ockham (as palavras designam apenas coisas individuais; não atingem os “universais”, as realidades presentes em todos os indivíduos, como por exemplo a natureza humana; em conseqüência, nada pode ser conhecido com certeza pela razão natural, exceto as realidades concretas: esta pessoa, aquela coisa). Esse sistema dissolvia a harmonia multissecular entre a ciência e a fé, pois tinha as verdades da fé como “não-racionais”, impenetráveis para a razão; todo o conhecimento da Revelação se fundaria na fé, e a moral se fundaria unicamente na vontade de Deus.
Quando ainda era estudante, a caminho da universidade Lutero foi quase fulminado por um raio; naquele momento, fez o voto de entrar no convento. Essa decisão precipitada era fruto do seu temperamento escrupuloso e pessimista, que receava sobretudo o juízo de Deus sobre os seus pecados. Em julho de 1505, entrou para o convento dos agostinianos de Erfurt. Em 1507, foi ordenado presbítero. Em 1510 ou 1511, passou algumas semanas em Roma, onde conheceu a vida da Cúria e a exuberância das devoções populares; na época, não chegou a impressionar-se muito com o que viu ali, nem isso abalou a sua fidelidade à Igreja, mas mais tarde a corrupção romana viria a tornar-se alvo preferencial dos seus ataques. Foi nomeado professor de Sagrada Escritura em Wittenberg. No entanto, vivia sempre angustiado e inquieto, dominado pelo temor ao pensar na sua fragilidade moral e nos insondáveis juízos de Deus; jejuava, praticava vigílias de oração, mas não conseguia a paz.
Foi nas Epístolas de São Paulo (especialmente aos Romanos e aos Gálatas) que encontrou a solução: pouco importava o que fizesse ou deixasse de fazer, o essencial era agarrar-se firmemente à fé confiante em Cristo Salvador. Baseava-se especialmente em Rom 1,17 e Gál 3,12.22, interpretados à luz dos escritos de Santo Agostinho, que sublinhara o a força do pecado sobre a natureza humana nos seus escritos contra o herege Pelágio. O pecado seria inextinguível, mas a fé sozinha bastaria para salvar o crente.
Em 31.10.1517, afixou à porta da igreja de Wittenberg, conforme o costume das disputas acadêmicas do tempo, uma lista de 95 teses (em latim) que tratavam do primado do Papa (defendido por ele, na ocasião), das indulgências (cuja doutrina e cuja praxe atacava) e de temas conexos. Excomungado pela bula Exsurge, Domine, lançada contra ele pelo papa Leão X, o reformador queimou a bula em praça pública em 1520, rompendo definitivamente com a Igreja. Se as 95 teses tinham sido apenas um brado de revolta contra uns desvios muito reais na praxe administrativa eclesiástica do seu tempo, agora se tratava de uma revolução contra a Igreja católica e tudo o que ela representava.
A revolta espalhou-se rapidamente pela Alemanha e pelo estrangeiro, trazendo à tona todos os desvios doutrinais e ódios políticos que fermentavam havia tempo contra a Igreja e o imperador alemão, oficialmente católico. Encontrou ressonância fácil entre os príncipes da Alemanha - especialmente o príncipe-eleitor da Saxônia, Frederico o Sábio - que tinham antigos ressentimentos contra a Santa Sé por questões políticas. Também a pequena nobreza logo apoiou Lutero, porque da revolução religiosa esperava uma revolução social que satisfizesse os seus anseios. Em pouco tempo, o problema religioso pessoal de Lutero tinha-se tornado o problema da nação alemã.
Em 1521, houve uma reunião da Dieta em Worms, na qual Lutero não aceitou retratar-se das suas teses revolucionárias. Foi condenado à morte pela assembléia, mas autorizado a sair livremente das dependências do palácio em que se realizava a Dieta. Frederico o Sábio escondeu-o por dez meses no Castelo da Wartburg (maio 1521 a março de 1522), onde o reformador começou a tradução da Bíblia para o alemão, obra de linguagem magistral, que só completaria em 1534. No castelo, Lutero sofreu crises nervosas muito violentas, que considerava assaltos diabólicos.
Enquanto Lutero se conservava na Wartburg, a agitação crescia na Alemanha. Apareceu a corrente dos anabatistas, chefiados por Thomas Münzer, que interpretava ousadamente o pensamento de Lutero, negando o batismo às crianças (segundo diziam, o sacramento só seria eficaz em quem tivesse fé) e rebatizando os adultos, revivendo a velha idéia donatista de uma “Igreja de perfeitos”. Posto a par da confusão, Lutero deixou seu esconderijo e voltou a Wittenberg. Conseguiu, com o apoio do “braço secular”, restabelecer a ordem em Wittenberg, mas teve que enfrentar a revolta dos camponeses (1524-1525) que, esmagados por tributos, valiam-se da doutrina anabatista para proclamar a sua liberdade frente a todos os senhores civis e eclesiásticos. Lutero hesitou diante dessa insurreição, mas acabou optando por esmagar violentamente os revoltosos; Münzer foi decapitado. Essa atitude fez com que Lutero perdesse parte de sua popularidade; a sua nova “Igreja” não seria já a do povo, mas a dos príncipes e senhores feudais, enquanto os anabatistas, refugiados na Holanda e em outros países, ganhariam a adesão das classes mais humildes.
Os últimos anos de vida do reformador, casado com a ex-freira Catarina de Bora, foram angustiosos por diversos motivos: aos aborrecimentos e às decepções somavam-se os achaques corporais; via que a indisciplina e a busca de interesses particulares se alastravam nos territórios reformados. Passou a depositar as suas esperanças num próximo fim do mundo; em 1543, escreveu ansioso: “Vem, Senhor Jesus, vem... Os males ultrapassaram a medida. É preciso que tudo estoure. Amém”. Finalmente, morreu em 18.02.1546 na sua cidade natal, Eisleben.
Lutero foi certamente um homem de religiosidade profunda, dotado de firme confiança em Deus, diligente no trabalho e desinteressado de si. A esses dons, porém, associava-se um temperamento apaixonado, que podia chegar às raias do doentio; uma convicção cega de que tinha recebido uma missão profética; uma propensão à discussão violenta, ao exagero trágico e até ao cinismo.
Com o correr do tempo e das dissensões entre os partidários da reforma luterana, a doutrina da fé sem as obras se tornou o “evangelho” de Lutero e dos demais reformadores, que logo lhe associaram os outros princípios básicos do protestantismo: o de que somente a Bíblia é fonte de fé, e o de que não há sacerdócio ministerial transmitido através do sacramento da Ordem. Em conseqüência, Lutero também não reconhecia o caráter de sacrifício da Missa, que ficava reduzida a um memorial, à representação meramente simbólica do Santo Sacrífício do Calvário; não admitia a transubstanciação, mas apenas uma “certa presença” de Cristo na Eucaristia, para a qual cunhou o termo “empanação”; aboliu os conventos e a vida religiosa; negou o culto aos santos, sobretudo a Nossa Senhora, e os sufrágios pelas almas do purgatório. Quanto à remissão dos pecados cometidos depois do batismo, poderia obter-se pela confissão feita diretamente a Deus.
A Igreja luterana foi organizada sobretudo pelo seu discípulo Philip Melanchton (1497-1560). Em matéria doutrinal, segue os princípios que acabamos de expor. No começo, todas as funções de catequese, sustento do clero e das escolas de teologia etc., foram assumidas pelos príncipes seculares da Alemanha e, logo depois, também os da Dinamarca e da Suécia; a Igreja luterana foi, até a unificação alemã em 1870, uma Igreja de Estados nacionais. Neste século, as diversas igrejas particulares luteranas organizaram-se em cerca de uma dezena de Confederações e Ligas mundiais, que atuam de maneira independente e costumam ser governadas por sínodos de pastores. Não têm sacerdócio nem sacramentos válidos - com exceção do Batismo -, porque perderam a sucessão apostólica e consideram os sacramentos meros símbolos; o culto segue, no entanto, em grandes linhas, a missa católica, embora com mais ênfase na pregação e nos hinos litúrgicos. O luteranismo foi corroído em grande medida pelo modernismo, uma vez que essa corrente nasceu no seu seio. Há um bom diálogo ecumênico católico-luterano, e um sínodo de pastores reconheceu recentemente que a veneração prestada à Santíssima Virgem é uma forma válida de piedade cristã.
Fontes principais:
Estêvão Bettencourt, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997
Manuel Guerra Gomez, Los nuevos movimientos religiosos, EUNSA, Pamplona, 1993.
Quadrante
Fonte: Apêndice do Livro “Jornadas Espirituais”, Quadrante, São Paulo, 1998.
Retirado de Exsurge Domini
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: Editora Quadrante
Transmissão: Jordan Perdigão em 18/Ago/2009
Lutero foi profundamente religioso, mas também angustiado; era dotado de firme confiança em Deus, mas desconfiava da própria salvação. Esse homem de contrastes, pai direto do protestantismo, foi o responsável por uma das maiores rupturas na história da humanidade.
Martinho Lutero nasceu em 10.11.1483, em Eisleben, Alemanha. Teve uma infância dura, sujeito em casa e na escola a uma disciplina severa. A partir de 1501, na Universidade de Erfurt, estudou a filosofia nominalista de Ockham (as palavras designam apenas coisas individuais; não atingem os “universais”, as realidades presentes em todos os indivíduos, como por exemplo a natureza humana; em conseqüência, nada pode ser conhecido com certeza pela razão natural, exceto as realidades concretas: esta pessoa, aquela coisa). Esse sistema dissolvia a harmonia multissecular entre a ciência e a fé, pois tinha as verdades da fé como “não-racionais”, impenetráveis para a razão; todo o conhecimento da Revelação se fundaria na fé, e a moral se fundaria unicamente na vontade de Deus.
Quando ainda era estudante, a caminho da universidade Lutero foi quase fulminado por um raio; naquele momento, fez o voto de entrar no convento. Essa decisão precipitada era fruto do seu temperamento escrupuloso e pessimista, que receava sobretudo o juízo de Deus sobre os seus pecados. Em julho de 1505, entrou para o convento dos agostinianos de Erfurt. Em 1507, foi ordenado presbítero. Em 1510 ou 1511, passou algumas semanas em Roma, onde conheceu a vida da Cúria e a exuberância das devoções populares; na época, não chegou a impressionar-se muito com o que viu ali, nem isso abalou a sua fidelidade à Igreja, mas mais tarde a corrupção romana viria a tornar-se alvo preferencial dos seus ataques. Foi nomeado professor de Sagrada Escritura em Wittenberg. No entanto, vivia sempre angustiado e inquieto, dominado pelo temor ao pensar na sua fragilidade moral e nos insondáveis juízos de Deus; jejuava, praticava vigílias de oração, mas não conseguia a paz.
Foi nas Epístolas de São Paulo (especialmente aos Romanos e aos Gálatas) que encontrou a solução: pouco importava o que fizesse ou deixasse de fazer, o essencial era agarrar-se firmemente à fé confiante em Cristo Salvador. Baseava-se especialmente em Rom 1,17 e Gál 3,12.22, interpretados à luz dos escritos de Santo Agostinho, que sublinhara o a força do pecado sobre a natureza humana nos seus escritos contra o herege Pelágio. O pecado seria inextinguível, mas a fé sozinha bastaria para salvar o crente.
Em 31.10.1517, afixou à porta da igreja de Wittenberg, conforme o costume das disputas acadêmicas do tempo, uma lista de 95 teses (em latim) que tratavam do primado do Papa (defendido por ele, na ocasião), das indulgências (cuja doutrina e cuja praxe atacava) e de temas conexos. Excomungado pela bula Exsurge, Domine, lançada contra ele pelo papa Leão X, o reformador queimou a bula em praça pública em 1520, rompendo definitivamente com a Igreja. Se as 95 teses tinham sido apenas um brado de revolta contra uns desvios muito reais na praxe administrativa eclesiástica do seu tempo, agora se tratava de uma revolução contra a Igreja católica e tudo o que ela representava.
A revolta espalhou-se rapidamente pela Alemanha e pelo estrangeiro, trazendo à tona todos os desvios doutrinais e ódios políticos que fermentavam havia tempo contra a Igreja e o imperador alemão, oficialmente católico. Encontrou ressonância fácil entre os príncipes da Alemanha - especialmente o príncipe-eleitor da Saxônia, Frederico o Sábio - que tinham antigos ressentimentos contra a Santa Sé por questões políticas. Também a pequena nobreza logo apoiou Lutero, porque da revolução religiosa esperava uma revolução social que satisfizesse os seus anseios. Em pouco tempo, o problema religioso pessoal de Lutero tinha-se tornado o problema da nação alemã.
Em 1521, houve uma reunião da Dieta em Worms, na qual Lutero não aceitou retratar-se das suas teses revolucionárias. Foi condenado à morte pela assembléia, mas autorizado a sair livremente das dependências do palácio em que se realizava a Dieta. Frederico o Sábio escondeu-o por dez meses no Castelo da Wartburg (maio 1521 a março de 1522), onde o reformador começou a tradução da Bíblia para o alemão, obra de linguagem magistral, que só completaria em 1534. No castelo, Lutero sofreu crises nervosas muito violentas, que considerava assaltos diabólicos.
Enquanto Lutero se conservava na Wartburg, a agitação crescia na Alemanha. Apareceu a corrente dos anabatistas, chefiados por Thomas Münzer, que interpretava ousadamente o pensamento de Lutero, negando o batismo às crianças (segundo diziam, o sacramento só seria eficaz em quem tivesse fé) e rebatizando os adultos, revivendo a velha idéia donatista de uma “Igreja de perfeitos”. Posto a par da confusão, Lutero deixou seu esconderijo e voltou a Wittenberg. Conseguiu, com o apoio do “braço secular”, restabelecer a ordem em Wittenberg, mas teve que enfrentar a revolta dos camponeses (1524-1525) que, esmagados por tributos, valiam-se da doutrina anabatista para proclamar a sua liberdade frente a todos os senhores civis e eclesiásticos. Lutero hesitou diante dessa insurreição, mas acabou optando por esmagar violentamente os revoltosos; Münzer foi decapitado. Essa atitude fez com que Lutero perdesse parte de sua popularidade; a sua nova “Igreja” não seria já a do povo, mas a dos príncipes e senhores feudais, enquanto os anabatistas, refugiados na Holanda e em outros países, ganhariam a adesão das classes mais humildes.
Os últimos anos de vida do reformador, casado com a ex-freira Catarina de Bora, foram angustiosos por diversos motivos: aos aborrecimentos e às decepções somavam-se os achaques corporais; via que a indisciplina e a busca de interesses particulares se alastravam nos territórios reformados. Passou a depositar as suas esperanças num próximo fim do mundo; em 1543, escreveu ansioso: “Vem, Senhor Jesus, vem... Os males ultrapassaram a medida. É preciso que tudo estoure. Amém”. Finalmente, morreu em 18.02.1546 na sua cidade natal, Eisleben.
Lutero foi certamente um homem de religiosidade profunda, dotado de firme confiança em Deus, diligente no trabalho e desinteressado de si. A esses dons, porém, associava-se um temperamento apaixonado, que podia chegar às raias do doentio; uma convicção cega de que tinha recebido uma missão profética; uma propensão à discussão violenta, ao exagero trágico e até ao cinismo.
Com o correr do tempo e das dissensões entre os partidários da reforma luterana, a doutrina da fé sem as obras se tornou o “evangelho” de Lutero e dos demais reformadores, que logo lhe associaram os outros princípios básicos do protestantismo: o de que somente a Bíblia é fonte de fé, e o de que não há sacerdócio ministerial transmitido através do sacramento da Ordem. Em conseqüência, Lutero também não reconhecia o caráter de sacrifício da Missa, que ficava reduzida a um memorial, à representação meramente simbólica do Santo Sacrífício do Calvário; não admitia a transubstanciação, mas apenas uma “certa presença” de Cristo na Eucaristia, para a qual cunhou o termo “empanação”; aboliu os conventos e a vida religiosa; negou o culto aos santos, sobretudo a Nossa Senhora, e os sufrágios pelas almas do purgatório. Quanto à remissão dos pecados cometidos depois do batismo, poderia obter-se pela confissão feita diretamente a Deus.
A Igreja luterana foi organizada sobretudo pelo seu discípulo Philip Melanchton (1497-1560). Em matéria doutrinal, segue os princípios que acabamos de expor. No começo, todas as funções de catequese, sustento do clero e das escolas de teologia etc., foram assumidas pelos príncipes seculares da Alemanha e, logo depois, também os da Dinamarca e da Suécia; a Igreja luterana foi, até a unificação alemã em 1870, uma Igreja de Estados nacionais. Neste século, as diversas igrejas particulares luteranas organizaram-se em cerca de uma dezena de Confederações e Ligas mundiais, que atuam de maneira independente e costumam ser governadas por sínodos de pastores. Não têm sacerdócio nem sacramentos válidos - com exceção do Batismo -, porque perderam a sucessão apostólica e consideram os sacramentos meros símbolos; o culto segue, no entanto, em grandes linhas, a missa católica, embora com mais ênfase na pregação e nos hinos litúrgicos. O luteranismo foi corroído em grande medida pelo modernismo, uma vez que essa corrente nasceu no seu seio. Há um bom diálogo ecumênico católico-luterano, e um sínodo de pastores reconheceu recentemente que a veneração prestada à Santíssima Virgem é uma forma válida de piedade cristã.
Fontes principais:
Estêvão Bettencourt, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997
Manuel Guerra Gomez, Los nuevos movimientos religiosos, EUNSA, Pamplona, 1993.
Quadrante
Fonte: Apêndice do Livro “Jornadas Espirituais”, Quadrante, São Paulo, 1998.
Retirado de Exsurge Domini
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O Adventismo
O Adventismo
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: Editora Quadrante
Transmissão: Rogério Hirota em 11/Nov/2009
O adventismo surgiu no século XIX, fundado pelo norte-americano William Miller que, baseado em interpretações errôneas de algumas passagens bíblicas, julgava-se capaz de determinar a data da segunda vinda de Cristo. Os principais pontos doutrinais, entretanto, foram definidos por Ellen Gould White, logo após da morte de Miller. Uma das suas principais características é a ênfase dada a algumas proposições do Antigo Testamento (como a observância do sábado) que já foram ultrapassadas pela vinda de Cristo.
O fundador da denominação adventista é William Miller (1782-1849), camponês nascido de piedosos pais batistas. Em 1816, comparando os textos sagrados entre si, chegou à conclusão de que a segunda vinda de Cristo se daria em 1843. Com efeito, os 2300 “dias” mencionados em Dan 8, 5-11 deveriam ser tidos como anos, que ele começava a contar a partir do retorno de Esdras a Jerusalém, ou seja, a partir de 457 a.C. Donde: 2300 - 457 = 1843. O fim do mundo, portanto, haveria de dar-se precisamente entre 21.03.1843 e 21.03.1844; nesse período de tempo, Cristo reapareceria sobre a terra e reinaria com os santos pelo espaço de mil anos, durante os quais se daria a exaltação dos bons e a condenação dos maus, como parecia sugerir o Apocalipse (20, 6-7). Em 1842-1843, Miller realizou cento e vinte assembléias ao ar livre, com a participação global de mil e quinhentos ouvintes. A comunidade batista o excomungou. Em 22.10.1843, Miller tinha chegado a reunir cerca de cinco mil discípulos.
O prazo previsto, porém, passou sem novidades. S.S. Snow, discípulo de Miller, refez os cálculos, alegando que o ano hebreu não correspondia ao ano cristão; por conseguinte, o termo exato da segunda vinda do Senhor seria o dia 22.10.1844. Foi por esta ocasião que os seguidores de Miller tomaram o nome de adventistas. Mas também esta nova data decorreu sem maiores percalços, e o entusiasmo de muitos arrefeceu.
Surgiu então a figura ardorosa da sra. Ellen Gould White, que era metodista quando aderiu à pregação de Miller. Dizia ter revelações, e explicava-as assim: em 1844 realmente se teria dado algo de novo, não na terra, mas no céu. O santuário de que falava Dan 8, 14 seria o santuário celeste; Cristo, naquele ano, teria entrado no “Santo dos santos” do céu. A sra. White dizia tê-lo visto com seus próprios olhos: podia atestar que, a partir de 22.10.1844, Jesus Cristo passara a examinar os defuntos, aprovando ou reprovando cada um deles. Quando essa obra gigantesca acabasse, os vivos passariam por um julgamento semelhante e o fim do mundo estaria próximo.
A tese da “vidente” convenceu muita gente. Depois que Miller morreu (1848), Ellen White tornou-se a grande mestra do adventismo. Entre 1840 e 1844, alguns grupos batistas passaram a observar o sábado em lugar do domingo, e os seguidores da sra. White também adotaram essa praxe. Os adventistas do sétimo dia exigem a fé, não somente nas Escrituras, mas também no espírito de profecia de Ellen Gould White. A todo candidato faz-se a pergunta: “Aceita o espírito de profecia tal como se manifestou no seio da Igreja escatológica pelo ministério e os escritos de E. G. White?” Também se impõe aos novos adeptos a abstinência de fumo e álcool, sob pena de excomunhão da Vida Eterna. Este rigorismo contribuiu para que os adventistas do sétimo dia se tornassem uma comunidade de elite, exigente e fanática, à semelhança das seitas.
À medida que os adventistas foram-se organizando, as cisões se multiplicaram: adventistas evangélicos, cristãos adventistas, a Igreja de Deus, a União da Vida e do Advento, os adventistas da era vindoura...
Em matéria doutrinal, os adventistas crêem em Deus uno e trino. Aceitam Cristo como Deus e homem. O homem seria mortal, mas a morte física não passaria de um “sono” das almas (heresia defendida por um certo Vigilâncio já no século IV; Santo Agostinho comentou que, quem defendia semelhante tese, não deveria chamar-se Vigilâncio, mas “Dormitâncio”...). Os mortos, inconscientes, ignorariam por completo o que ocorre na terra. Todos os defuntos, bons e maus, permaneceriam nos seus túmulos até a ressurreição dos mortos. Os santos receberiam o dom da imortalidade quando Cristo voltasse, ao passo que os ímpios seriam aniquilados. O batismo é conferido, por imersão, somente aos adultos; é, como nos batistas, mero símbolo da conversão realizada anteriormente.
Os adventistas do sétimo dia promovem campanhas em favor da higiene e da saúde do corpo. Chegam a distribuir livros de dietética e revistas de arte culinária ou de higiene. Tais impressos, às vezes, precedem os livros religiosos que oferecem. A carne de porco, o álcool, o café, o chá, os produtos excitantes, os narcóticos estão banidos e o regime vegetariano é fortemente recomendado. Quem não se conforma com essas normas é excluído da comunidade, uma vez que não poderia obter a Vida Eterna.
O adventismo pretende apoiar as suas doutrinas na Sagrada Escritura, dando certa ênfase a proposições do Antigo Testamento que o cristianismo elucidou e reformulou. Assim, a tese de que as almas adormecem pela morte e se tornam inconscientes na outra vida, equivale à crença judia no sheol, região subterrânea onde se encontrariam inconscientes os bons e os maus. O Novo Testamento, ao contrário, ensina que o homem entra no seu destino definitivo logo após a morte; os bons verão a Deus face a face (cf. Fil 1,21-23; 2 Cor 5, 6-10).
O cálculo adventista da data do fim do mundo (1844), por sua vez, apóia-se em interpretações fantasiosas do livro de Daniel... Cristo não precisa de 160 anos para fazer o discernimento dos bons e dos maus (estamos em 2004). O mundo ainda pode durar muitos séculos; o Senhor recusou-se expressamente a revelar aos Apóstolos a data do Juízo Final, mas quis incutir nos homens a vigilância, a fim de que possam, a qualquer momento, receber o Juiz de toda a humanidade (cf. Mt 25, 2; 24, 42.44; Mc 13, 32). Por conseguinte, não é de se crer que a data do Juízo Final possa ser deduzida das Escrituras.
Quanto à observância do sábado, é preciso observar que os cristãos deslocaram já desde os primeiros séculos o repouso do sábado para o domingo, porque foi no dia posterior ao sábado que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. Os próprios Apóstolos o atestam (cfr. 1 Cor 16, 2; At 20, 7 e Apoc 1, 10).
Por fim, a proibição de certos alimentos também é vestígio do Antigo Testamento, ultrapassado pelo Novo, que recomenda sobriedade e mortificação, mas já não proíbe os alimentos que a Lei de Moisés interdizia por motivos de higiene e de pureza ritual. Assim, por exemplo, o Senhor diz: Não percebeis que tudo quanto vem de fora não pode contaminar o homem, porque não penetra no coração? (Mc 7, 18-19). E São Paulo escreve: Alguns impostores proíbem o uso de alimentos que o Senhor criou para que, com ação de graças, participem deles os fiéis e aqueles que conhecem a verdade. Porque tudo o que Deus criou é bom e não é para desprezar, contanto que se tome com ação de graças, pois é santificado pela Palavra de Deus e pela oração (1 Tim 4, 2-5).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Estêvão Bettencourt, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997.
Manuel Guerra Gómez, Los nuevos movimientos religiosos, EUNSA, Pamplona, 1993.
Retirado de Exsurge Domini
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: Editora Quadrante
Transmissão: Rogério Hirota em 11/Nov/2009
O adventismo surgiu no século XIX, fundado pelo norte-americano William Miller que, baseado em interpretações errôneas de algumas passagens bíblicas, julgava-se capaz de determinar a data da segunda vinda de Cristo. Os principais pontos doutrinais, entretanto, foram definidos por Ellen Gould White, logo após da morte de Miller. Uma das suas principais características é a ênfase dada a algumas proposições do Antigo Testamento (como a observância do sábado) que já foram ultrapassadas pela vinda de Cristo.
O fundador da denominação adventista é William Miller (1782-1849), camponês nascido de piedosos pais batistas. Em 1816, comparando os textos sagrados entre si, chegou à conclusão de que a segunda vinda de Cristo se daria em 1843. Com efeito, os 2300 “dias” mencionados em Dan 8, 5-11 deveriam ser tidos como anos, que ele começava a contar a partir do retorno de Esdras a Jerusalém, ou seja, a partir de 457 a.C. Donde: 2300 - 457 = 1843. O fim do mundo, portanto, haveria de dar-se precisamente entre 21.03.1843 e 21.03.1844; nesse período de tempo, Cristo reapareceria sobre a terra e reinaria com os santos pelo espaço de mil anos, durante os quais se daria a exaltação dos bons e a condenação dos maus, como parecia sugerir o Apocalipse (20, 6-7). Em 1842-1843, Miller realizou cento e vinte assembléias ao ar livre, com a participação global de mil e quinhentos ouvintes. A comunidade batista o excomungou. Em 22.10.1843, Miller tinha chegado a reunir cerca de cinco mil discípulos.
O prazo previsto, porém, passou sem novidades. S.S. Snow, discípulo de Miller, refez os cálculos, alegando que o ano hebreu não correspondia ao ano cristão; por conseguinte, o termo exato da segunda vinda do Senhor seria o dia 22.10.1844. Foi por esta ocasião que os seguidores de Miller tomaram o nome de adventistas. Mas também esta nova data decorreu sem maiores percalços, e o entusiasmo de muitos arrefeceu.
Surgiu então a figura ardorosa da sra. Ellen Gould White, que era metodista quando aderiu à pregação de Miller. Dizia ter revelações, e explicava-as assim: em 1844 realmente se teria dado algo de novo, não na terra, mas no céu. O santuário de que falava Dan 8, 14 seria o santuário celeste; Cristo, naquele ano, teria entrado no “Santo dos santos” do céu. A sra. White dizia tê-lo visto com seus próprios olhos: podia atestar que, a partir de 22.10.1844, Jesus Cristo passara a examinar os defuntos, aprovando ou reprovando cada um deles. Quando essa obra gigantesca acabasse, os vivos passariam por um julgamento semelhante e o fim do mundo estaria próximo.
A tese da “vidente” convenceu muita gente. Depois que Miller morreu (1848), Ellen White tornou-se a grande mestra do adventismo. Entre 1840 e 1844, alguns grupos batistas passaram a observar o sábado em lugar do domingo, e os seguidores da sra. White também adotaram essa praxe. Os adventistas do sétimo dia exigem a fé, não somente nas Escrituras, mas também no espírito de profecia de Ellen Gould White. A todo candidato faz-se a pergunta: “Aceita o espírito de profecia tal como se manifestou no seio da Igreja escatológica pelo ministério e os escritos de E. G. White?” Também se impõe aos novos adeptos a abstinência de fumo e álcool, sob pena de excomunhão da Vida Eterna. Este rigorismo contribuiu para que os adventistas do sétimo dia se tornassem uma comunidade de elite, exigente e fanática, à semelhança das seitas.
À medida que os adventistas foram-se organizando, as cisões se multiplicaram: adventistas evangélicos, cristãos adventistas, a Igreja de Deus, a União da Vida e do Advento, os adventistas da era vindoura...
Em matéria doutrinal, os adventistas crêem em Deus uno e trino. Aceitam Cristo como Deus e homem. O homem seria mortal, mas a morte física não passaria de um “sono” das almas (heresia defendida por um certo Vigilâncio já no século IV; Santo Agostinho comentou que, quem defendia semelhante tese, não deveria chamar-se Vigilâncio, mas “Dormitâncio”...). Os mortos, inconscientes, ignorariam por completo o que ocorre na terra. Todos os defuntos, bons e maus, permaneceriam nos seus túmulos até a ressurreição dos mortos. Os santos receberiam o dom da imortalidade quando Cristo voltasse, ao passo que os ímpios seriam aniquilados. O batismo é conferido, por imersão, somente aos adultos; é, como nos batistas, mero símbolo da conversão realizada anteriormente.
Os adventistas do sétimo dia promovem campanhas em favor da higiene e da saúde do corpo. Chegam a distribuir livros de dietética e revistas de arte culinária ou de higiene. Tais impressos, às vezes, precedem os livros religiosos que oferecem. A carne de porco, o álcool, o café, o chá, os produtos excitantes, os narcóticos estão banidos e o regime vegetariano é fortemente recomendado. Quem não se conforma com essas normas é excluído da comunidade, uma vez que não poderia obter a Vida Eterna.
O adventismo pretende apoiar as suas doutrinas na Sagrada Escritura, dando certa ênfase a proposições do Antigo Testamento que o cristianismo elucidou e reformulou. Assim, a tese de que as almas adormecem pela morte e se tornam inconscientes na outra vida, equivale à crença judia no sheol, região subterrânea onde se encontrariam inconscientes os bons e os maus. O Novo Testamento, ao contrário, ensina que o homem entra no seu destino definitivo logo após a morte; os bons verão a Deus face a face (cf. Fil 1,21-23; 2 Cor 5, 6-10).
O cálculo adventista da data do fim do mundo (1844), por sua vez, apóia-se em interpretações fantasiosas do livro de Daniel... Cristo não precisa de 160 anos para fazer o discernimento dos bons e dos maus (estamos em 2004). O mundo ainda pode durar muitos séculos; o Senhor recusou-se expressamente a revelar aos Apóstolos a data do Juízo Final, mas quis incutir nos homens a vigilância, a fim de que possam, a qualquer momento, receber o Juiz de toda a humanidade (cf. Mt 25, 2; 24, 42.44; Mc 13, 32). Por conseguinte, não é de se crer que a data do Juízo Final possa ser deduzida das Escrituras.
Quanto à observância do sábado, é preciso observar que os cristãos deslocaram já desde os primeiros séculos o repouso do sábado para o domingo, porque foi no dia posterior ao sábado que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. Os próprios Apóstolos o atestam (cfr. 1 Cor 16, 2; At 20, 7 e Apoc 1, 10).
Por fim, a proibição de certos alimentos também é vestígio do Antigo Testamento, ultrapassado pelo Novo, que recomenda sobriedade e mortificação, mas já não proíbe os alimentos que a Lei de Moisés interdizia por motivos de higiene e de pureza ritual. Assim, por exemplo, o Senhor diz: Não percebeis que tudo quanto vem de fora não pode contaminar o homem, porque não penetra no coração? (Mc 7, 18-19). E São Paulo escreve: Alguns impostores proíbem o uso de alimentos que o Senhor criou para que, com ação de graças, participem deles os fiéis e aqueles que conhecem a verdade. Porque tudo o que Deus criou é bom e não é para desprezar, contanto que se tome com ação de graças, pois é santificado pela Palavra de Deus e pela oração (1 Tim 4, 2-5).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Estêvão Bettencourt, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997.
Manuel Guerra Gómez, Los nuevos movimientos religiosos, EUNSA, Pamplona, 1993.
Retirado de Exsurge Domini
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Calvino era a favor do batismo das crianças
Calvino era a favor do batismo das crianças
Fonte: Institutas da Religião Cristã, Vol. IV, Cap. 16
Autor: João Calvino
Transmissão: Rogerio Hirota (SacroSancttus) - em 11/Nov/2009
Livro IV
Capítulo 16
O BATISMO INFANTIL SE HARMONIZA MUITO BEM
COM A INSTITUIÇÃO DE CRISTO E A NATUREZA DO SINAL
1. OPOSIÇÃO AO BATISMO INFANTIL COMO SENDO ANTIBÍBLICO. NECESSIDADE DE EXAMINAR-SE A MATÉRIA DE FORMA PROFUNDA
Mas, uma vez que certos espíritos frenéticos excitaram graves perturbações na Igreja em nosso tempo por causa do pedobatismo, mesmo agora não deixam de produzir tumultos, nada posso fazer senão adicionar aqui um apêndice com o fim de coibir-lhes as fúrias, o qual, se porventura parecer a alguém demasiadamente prolixo, peço que o mesmo pondere que, em matéria da máxima importância, tanto em relação à paz quanto à pureza da doutrina, que nada haja de fastidiosamente excetuar-se que conduza à produção de ambas. Acrescento que diligenciarei de tal modo por esta discussão, que a comporei para explicar mais claramente o mistério do batismo, quanto está em mim poder fazê-lo.
Investem contra o pedobatismo com um argumento que aparenta plausibilidade absoluta, categorizando que em nenhuma instituição de Deus existe tal fundamentado, antes, que foi introduzido meramente pela ousadia e depravada curiosidade dos homens, e então temerariamente recebido em uso por estulta condescendência. Ora, a menos que um sacramento se apóie no seguro fundamento da Palavra de Deus, ele fica pendente por um fio.
Mas, o que dizer se a matéria for cuidadosamente considerada, e se tornar manifesto que se faz falsa e iníqua calúnia à santa ordenança do Senhor? Antes de tudo investiguemos sua origem. Porque, se isso foi invenção humana, confesso ser preciso abandoná-lo e seguir a verdadeira regra que o Senhor ordenou; pois os sacramentos estariam pendentes por um fio caso não se fundamentam na pura Palavra de Deus. Mas se, pelo contrário, ficar comprovado que de modo algum foi destituído de sua segura autoridade, guardemo-nos em não desconsiderar as sacras instituições de Deus, e assim nos acharmos insultando seu Autor.
2. A REAL NATUREZA E SENTIDO DO BATISMO POSTOS NÃO NA CERIMÔNIA EXTERIOR, MAS NA PROMESSA REPRESENTADA; DAÍ SIGNIFICAR A PURIFICAÇÃO DOS PECADOS, A MORTIFICAÇÃO DA CARNE, A UNIÃO COM CRISTO, O TESTEMUNHO DE NOSSA FÉ DIANTE DOS HOMENS
Primeiramente, é dogma bastante conhecido e entre todos os piedosos confessado que a correta consideração dos sinais está posta não só nas cerimônias externas, mas sobretudo depende da promessa e dos mistérios espirituais em cuja figura o Senhor ordena as próprias cerimônias. Assim sendo, aquele que quiser aprender bem o valor do batismo, qual seu propósito, enfim, o que significa de modo geral, que não ponha sua atenção no elemento e na expressão material; antes, que a fixe nas promessas de Deus que aí nos são oferecidas, e nos mistérios interiores que aí se representam. Aquele que apreende essas coisas alcançou a sólida verdade do batismo e, por assim dizer, toda sua substância; e daí será também ensinado qual seja o sentido e qual o uso da aspersão externa. Por outro lado, aquele que descarta essas coisas com desprezo, mantendo sua mente totalmente fixa e jungida à cerimônia visível, não entenderá nem a eficácia, nem o caráter do batismo, aliás, nem mesmo o que significa a água ou qual o uso dela. Esta maneira de ver foi comprovada por testemunhos da Escritura muitíssimos numerosos e muitíssimos luminosos para que seja necessário persegui-la agora por mais tempo.
Resta, pois, agora buscarmos nas promessas dadas no batismo qual seja sua eficácia e natureza. A Escritura informa, em primeiro lugar, que aqui se mostra a purificação dos pecados, a qual obtemos pelo sangue de Cristo; então a mortificação da carne, que consta da participação de sua morte, pela qual os fiéis são regenerados para novidade de vida; e mais ainda, para a comunhão de Cristo. A esta síntese pode-se incluir tudo quanto foi ensinado nas Escrituras acerca do batismo, exceto que ele é também, além disso, um símbolo que atesta a religião diante dos homens.
3. ASPECTOS EM QUE SE CONFIGURA A CORRELAÇÃO DO BATISMO COM A CIRCUNCISÃO
Mas, uma vez que antes que o batismo fosse instituído o povo de Deus tinha em seu lugar a circuncisão, examinemos em que estes sinais diferem entre si e quais são suas semelhanças, do quê se faz patente qual é a analogia entre si. Quando o Senhor manda Abraão observar a circuncisão, ele prefacia que será o Deus dele e de sua semente, acrescentando que nele estavam a afluência e a suficiência de todas as coisas, para que Abraão tivesse consciência de que sua mão haveria de ser-lhe a fonte de todo bem [Gn 17.1-10]; palavras nas quais se contém a promessa da vida eterna, como as interpreta Cristo, daí formulando argumento para se comprovar a imortalidade e ressurreição dos fiéis. Ora, Cristo diz: “Ele não é Deus de mortos, mas de vivos” [Mt 22.32; Mc 12.27; Lc 20.38]. Por isso também Paulo, demonstrando aos efésios de que gênero de condenação o Senhor os libertara, daqui se conclui que não tinham a circuncisão; que não haviam sido admitidos ao pacto da circuncisão; conclui que estiveram sem Deus, sem esperança; que eram estranhos aos testamentos da promessa [Ef 2.12], todas as coisas que o próprio pacto compreendia. Mas que o primeiro acesso a Deus, o primeiro ingresso à vida imortal é a remissão dos pecados. Do quê se conclui que esta promessa da circuncisão corresponde à promessa do batismo quanto à nossa purificação.
Depois o Senhor ordena a Abraão que andasse diante dele em sinceridade e inocência de coração [Gn 17.1], o que diz respeito à mortificação, ou regeneração. E para que ninguém nutre dúvida de que a circuncisão seja o sinal de mortificação, Moisés o expõe mais claramente em outro lugar [Dt 10.15, 16], quando exorta o povo de Israel a circuncidar ao Senhor o prepúcio do coração, uma vez que ele fora escolhido dentre todas as nações da terra para que fosse o povo de Deus. Visto que Deus, quando adota para si a posteridade de Abraão para seu povo, preceitua que ela fosse circuncidada, assim Moisés pronuncia ser necessário que seu coração fosse circuncidado, explicando assim qual é o verdadeiro sentido desta circuncisão carnal [Dt 30.6]. Então, para que ninguém porfiasse de suas próprias forças, Moisés ensina que essa é obra da graça de Deus. Todas estas coisas são tantas vezes inculcadas pelos profetas que não é necessário aqui acumular muitos testemunhos, os quais são por toda parte profusos.
Portanto, temos na circuncisão uma promessa espiritual outorgada aos patriarcas, como se dá em nosso batismo, uma vez que ela significa a remissão dos pecados e a mortificação da carne. Além disso, como já ensinamos ser Cristo, em quem reside uma e outra destas duas coisas, o fundamento do batismo, assim se faz evidente que ele o é também da circuncisão. Pois ele próprio é prometido a Abraão e nele a bênção de todas as nações [Gn 12.2, 3]. O sinal da circuncisão é adicionado para selar-se esta graça.
4. BATISMO E CIRCUNCISÃO COINCIDEM NO QUE DIZ RESPEITO À PROMESSA BÁSICA. À COISA REPRESENTADA (REGENERAÇÃO) E AO FUNDAMENTO EM QUE SE ASSENTAM, DIFERINDO SÓ NO RITO EXTERNO
Já se pode ver, sem nenhuma dificuldade, nestes dois sinais, o batismo e a circuncisão, o que é semelhante ou o que é diverso. A promessa em que afirmamos consistir a virtude dos sinais é uma e a mesma em ambos, isto é, a promessa do favor paterno de Deus, da remissão dos pecados, da vida eterna. Então, a coisa figurada é também uma e a mesma, a saber, a regeneração. O fundamento em que se apóia o cumprimento destas coisas é um e o mesmo em ambos: Cristo. Por isso, não existe nenhuma diferença no mistério interior, no que consiste toda a força e propriedade dos sacramentos. A diferença que resta, essa consiste na cerimônia externa, que é porção mínima, quando a parte mais importante depende da promessa e da coisa significada.
Desse modo é lícito concluir que tudo quanto convém à circuncisão, excetuada a diferença da cerimônia visível, pertence igualmente ao batismo. A regra do Apóstolo nos conduz pela mão a esta dedução e comparação, mercê da qual se deve medir e pesar toda a interpretação da Escritura segundo a analogia da fé [Rm 12.3,6]. E neste aspecto, seguramente, a verdade nos é oferecida quase que tangivelmente. Ora, exatamente como a circuncisão, visto que era para os judeus uma como que senha pela qual se se assegurava ainda mais que foram adotados por povo e família de Deus, e também eles próprios, por sua vez, professavam alistar-se com Deus, era-lhes o ingresso inicial na lgreja, agora também, mediante o batismo, somos iniciados em relação a Deus para sermos contados em seu povo e nós, pessoal e reciprocamente, juremos a seu nome. Portanto, parece fora de dúvida que o batismo foi introduzido no lugar da circuncisão e tem em vista as mesmas funções.
5. O BATISMO, COMO OUTRORA A CIRCUNCISÃO, SENDO SELO DA ALIANÇA DE DEUS COM SEU POVO, DEVE SER ADMINISTRADO ÀS CRIANÇAS
E se agora alguém pergunta se o batismo deve ser comunicado às crianças, como se lhes pertencesse por disposição divina, quem será tão desatinado e louco que, para resolvê-lo, se detenha a considerar somente a água visível e não tenha presente o mistério espiritual? Pois se o temos presente, não caberá dúvida alguma de que o batismo, com toda razão, deve ser administrado às crianças. O Senhor antigamente não lhes outorgou a circuncisão sem fazê-los participantes de todas as coisas significadas pela circuncisão. De outra sorte, ele teria imposto a seu povo meras imposturas, se os embalasse com símbolos falazes, coisa que só de ouvir causa horror. De fato ele declara expressamente que a circuncisão de uma criancinha será como que um selo para autenticar-se a promessa do pacto. Porque, se o pacto permanece firme e fixo, aos filhos dos cristãos ele vale não menos hoje que sob o Antigo Testamento valia às crianças dos judeus. Com efeito, se são participantes da coisa significada, por que serão privados do sinal? Se tomam posse da verdade, por que serão alijados da representação?
Entretanto, o sinal exterior permanece de tal modo associado à palavra no sacramento, que não se pode separar dela; no entanto, se é distinguido, qual dos dois, pergunto, consideraremos de mais importância? Obviamente, quando vemos o sinal sendo subserviente à palavra, diremos que lhe é subordinado e o relegaremos a lugar inferior. Portanto, uma vez que a palavra do batismo seja destinada às crianças, por que lhes haverá de ser proibido o sinal, isto é, o apêndice da palavra? Esta única razão, se nenhuma outra ocorresse, seria sobejamente suficiente para refutar todos os que nutrem uma opinião contrária. A objeção de que havia um dia determinado para a circuncisão é claramente evasiva. Admitimos que já não estamos, à semelhança dos judeus, obrigados a determinados dias. Quando, porém, o Senhor, ainda que não prescreva nenhum dia, no entanto declara ser-lhe do agrado que as crianças sejam recebidas solenemente em sua aliança, que mais buscaremos?
6. O BATISMO É, NA PRESENTE DISPENSAÇÃO, O SINAL DO PACTO COM ABRAÃO, COMO A CIRCUNCISÃO O FOI NA ANTIGA DISPENSAÇÃO
A Escritura, contudo, nos leva a um conhecimento ainda mais seguro da verdade, porque de fato é bem evidente que o pacto que o Senhor uma vez firmou com Abraão [Gn 17.9-14] vigora não menos para os cristãos hoje do que outrota para o povo judeu; e além disso esta palavra visa não menos aos cristãos do que aos judeus visava outrora. Salvo se, talvez, julgarmos que Cristo, com sua vinda, tenha diminuído ou tenha truncado a graça do Pai, o que não está isento de execrável blasfêmia. Por isso, os filhos dos judeus, sendo também feitos herdeiros desse pacto, uma vez que se distinguiam dos filhos dos ímpios, eram chamados semente santa [Es 9.2; Is 6.13]; pela mesma razão, ainda agora, os filhos dos cristãos são considerados santos, ainda que nascidos só de um genitor fiel; e, segundo o testemunho do Apóstolo [1Co 1.14], eles diferem da semente imunda dos idólatras. Ora, quando o Senhor, imediatamente após ser firmado o pacto com Abraão, preceituou que nas crianças fosse assinalado um sacramento exterior [Gn 17.12], que justificativa, pois, podem os cristãos alegar para não atestarem e selarem hoje também em seus filhos? Tampouco alguém me conteste dizendo que nenhum outro sacramento foi instituído para testificar este pacto senão a circuncisão, o qual há muito já foi abolido. Ora, não é difícil responder que durante o tempo do Antigo Testamento ele instituiu a circuncisão para que seu pacto fosse confirmado; mas uma vez que esta é anulada, no entanto permanece sempre a mesma razão de confirmá-lo, o que temos em comum com os judeus.
Conseqüentemente, convém considerar sempre com diligência o que é comum a ambos, e o que aqueles são diferentes de nós. O pacto é comum; comum é a razão de confirmá-lo. Só o modo de confirmar é diverso, porque àqueles era a circuncisão, a qual foi substituída pelo batismo. De outra sorte, a vinda de Cristo haveria sido a causa de que a misericórdia de Deus não se manifestasse tanto a nós quanto aos judeus, se o testemunho que eles tinham para com seus filhos não foi suprimido de nós. Se isto não se pode dizer sem extrema ofensa a Cristo, através de quem foi derramada sobre as terras e declarada aos homens que a infinita bondade do Pai é mais luminosa e mais benignamente do que nunca, necessário se faz confessar que essa graça divina não deve permanecer oculta mais do que estava sob a lei, nem deve ser para nós menos certa do que o era para eles.
7. O ATO DE CRISTO ABENÇOAR AS CRIANCINHAS OFERECE PRESSUPOSTO LÓGICO E NATURAL EM FAVOR DO BATISMO INFANTIL
E por isso o Senhor Jesus, no afã de dar um exemplo pelo qual o mundo entenda que ele veio mais para dilatar do que para limitar a misericórdia do Pai, ele abraça ternamente as criancinhas que lhe eram trazidas, repreendendo os discípulos que tentavam impedi-las de acesso, quando de si, por meio de quem unicamente se patenteia a entrada no céu, estariam afastando aquelas de quem seria o reino dos céus [Mt 19.13-15; Mc 10.13-16; Lc 18.15-17]. Que semelhança, pois, alguém diria haver entre o batismo e este amplexo de Cristo? Pois não lemos que ele as tenha batizado; antes, que ele as recebeu, que as abraçou e as abençoou. Portanto, se queremos seguir o exemplo do Senhor, será melhor orar pelas crianças, mas não batizá-las, porquanto ele não o fez.
Nós, porém, examinemos mais detidamente os atos de Cristo antes que a tal gênero de homens. Pois não se deve passar adiante inconsideradamente o fato de Cristo ordenar que lhe fossem apresentadas as crianças com a razão anexa de que “dos tais é o reino dos céus” [Mt 19.14]. E a seguir atesta sua vontade com um ato, quando as abraça e as recomenda ao Pai com sua oração e bênção. Se é próprio levar as crianças a Cristo, por que também não sejam recebidas ao batismo, símbolo de nossa própria comunhão e associação com Cristo? Se delas é o reino dos céus, por que lhes neguemos o sinal por meio do qual é como se lhes fosse aberto o acesso à Igreja, de sorte que, nela adotadas, sejam arroladas por herdeiras do reino celeste? Quão iníquos seríamos se enxortássemos aquelas a quem Cristo convida a si; se espoliássemos aquelas a quem ele adorna com seus dons; se discriminássemos aquelas a quem ele próprio recebe graciosamente? Ora, pois, se insistirmos em discutir a diferença entre o ato de nosso Senhor e o batismo, em quanto mais elevado apreço teremos de ter o batismo, por meio do qual se nos atesta que as crianças estão incluídas no pacto divino, que a ação de recebê-las, o abraço, a imposição de mãos, a oração, com o quê o próprio Cristo presente declara não só que as crianças são suas, mas também que elas são por ele santificidas?
Por meio de outras cavilações, com as quais porfiam por baldar esta passagem, nada mais fazem senão pôr à mostra sua ignorância; pois tergiversam que, quando Cristo diz: “Deixai vir a mim os pequeninos”, estes eram bem crescidos, pois eram aptos a ir sozinhos. Mas são chamados pelos evangelistas bre,fh kai. paidi,a/ [br$ph@ kaì paidí& – nenês e criancinhas: Mt 19.14; Mc 10.13; Lc 18.15], termos com os quais os gregos significam criancinhas de peito. Vir, pois, foi expresso simplesmente como ter acesso.212 Eis como os que se endurecem contra a verdade buscam em cada palavra ocasião de tergiversar os fatos! Mais ainda, em nada é mais sólida a objeção de que o reino dos céus não foi designado às crianças, mas àqueles que se assemelham a elas; visto que a expressão “das tais”, não “delas propriamente ditas”. Pois, se isto for admitido, qual seria a razão de nosso Salvador querer mostrar que elas não lhe são estranhas em razão de sua idade? Quando Cristo manda que se permita que as crianças lhe tenham acesso, nada é mais claro do que estar se referindo à infância real, o que adiciona para que não parecesse absurdo: “Das tais é o reino dos céus.” Ora, se é necessário que as crianças sejam abrangidas, se vê claramente que pela expressão das tais são designadas as próprias crianças e os que se assemelham a elas.
8. O BATISMO INFANTIL É NÃO SÓ APROVADO PELA ESCRITURA, MAS TAMBÉM PRATICADO NA IGREJA PRIMITIVA DESDE OS DIAS DOS APÓSTOLOS
Portanto, é evidente que o batismo infantil não foi inventado temerariamente pelos homens, porquanto é confirmado de modo irrefutável pela Escritura. Tampouco tem valor algum a objeção que alguns apresentam de que em parte alguma se acha sequer uma criança sendo batizada pelas mãos dos apóstolos. Pois embora isto não seja expressamente narrado pelos evangelistas, todavia, visto que elas não são, por outro lado, excluídas sempre se faz menção de alguma família batizada, quem, a não ser que seja demente, daí não concluiria que tais crianças foram de fato batizadas?
Caso argumentos desse gênero tivessem alguma força, as mulheres deveriam igualmente ser vedadas da Ceia do Senhor, das quais não lemos que fossem admitidas no tempo dos apóstolos. Mas também aqui nos contentamos com a regra da fé, pois quando ponderamos qual seja o propósito da instituição da Ceia, disso também é fácil concluir que o uso deve ser-lhe comunicado, o que também observamos no batismo. Com efeito, quando atentamos para o propósito de sua instituição, vemos claramente que o batismo também compete às crianças, não menos que aos mais avançados em idade. Conseqüentemente, as crianças não podem ser privadas dele sem que se faça manifesta perfídia ao desígnio de Deus, seu Autor. A afirmação que se divulga entre o povo comum, de que uma longa série de anos passou depois da ressurreição de Cristo, durante a qual o pedobatismo era desconhecido, é uma despudorada falsidade, visto que não há escritor, por mais antigo que seja, que não trace sua origem aos dias dos apóstolos.
9. BENEFÍCIOS ADVINDOS DO BATISMO INFANTIL, NÃO SÓ ÀS CRIANÇAS, MAS TAMBÉM AOS PRÓPRIOS CRENTES
Resta indicarmos sucintamente que fruto provenha desta observância, tanto aos fiéis que apresentam seus filhos à Igreja para serem batizados, quanto às próprias crianças que são batizadas com a água sagrada, para que alguém não a despreze como inútil e supérflua. Todavia, se a alguém vem à mente fazer, com este pretexto, pouco caso do batismo infantil, tem em motejo o preceito da circuncisão imposto pelo Senhor. Pois que trarão a lume para impugná-lo que não se volte contra si próprio? De tal forma o Senhor castiga a arrogância daqueles que sem detença condenam o que não compreendem com o senso de sua carne. Deus, porém, nos equipa com outras armas com as quais repreendamos sua estupidez. Ora, sua santa instituição, da qual sentimos que nossa fé deriva admirável conforto, não merece ser chamada supérflua, porque o sinal de Deus, comunicado à criança como um selo impresso, confirma a promessa dada ao pai piedoso e declara ter sido ratificado que o Senhor há de ser por Deus não só a ele, mas também à sua semente; nem quer que sua bondade e graça sejam acompanhadas não só por ele, mas ainda por sua posteridade até a milésima geração [Ex 20.6; Dt 5.19]. No qual primeiramente brilha a bondade de Deus para glorificar e enaltecer seu nome; e, segundo, para consolar ao homem fiel e dar-lhe maior ânimo para entregar-se totalmente a Deus, ao ver que não só se preocupa com ele, mas também com seus filhos e sua posteridade.
Tampouco faço caso se alguém objetar que a promessa bastará para assegurar a salvação de nossos filhos, quando diferentemente pareceu a Deus que, como tem bem presente nossa fraqueza, tanto quis ser-lhe indulgente nesta matéria. Logo, aqueles que abraçam a promessa de que a misericórdia de Deus se propagará a seus filhos, devem apresentá-los para que sejam marcados pelo símbolo da misericórdia; e com isso sua fé seja consolada e corroborada, ao ver com seus próprios olhos a aliança do Senhor selada no corpo de seus filhos.
Por outro lado, as crianças recebem algum tipo de benefício de seu próprio batismo, porquanto, enxertadas no corpo da Igreja, são tidas em maior estima pelos outros membros. Então, quando crescem, são por isso não pouco estimuladas ao sério zelo de cultuar a Deus, por quem foram recebidas por filhos pelo solene símbolo da adoção, antes que o pudessem reconhecer como Pai pela idade. Finalmente, deve aterrar-nos sobremaneira aquela sentença de que Deus haverá de ser vingador, caso alguém negligencie marcar o filho com o símbolo do pacto; porquanto, menosprezado este, a graça oferecida é rejeitada e como que retratada.
10. REFUTAÇÃO DO PRIMEIRO DA SÉRIE DE ARGUMENTOS QUE OS ANABATISTAS EVOCAM CONTRA O BATISMO INFANTIL, ISTO É, QUE CIRCUNCISÃO E BATISMO SÃO COISAS COMPLETAMENTE DISTINTAS
Abordemos agora os argumentos com que certas bestas furiosas não cessam de atacar a esta santa instituição de Deus. Para começar, visto que se sentem molestados e constringidos além da medida pela similaridade de batismo e circuncisão, porfiam por diferenciar com longa distinção estes dois sinais, de sorte que pareça não haver nada em comum entre um e outro. Ora, dizem que neles são não só representadas coisas diferentes, mas também um pacto absolutamente diverso, e que as pessoas inclusas sob o título crianças são distintas.
Com efeito, enquanto empreendem provar esse primeiro ponto, alegam que a circuncisão foi uma figura da mortificação, não do batismo; o que, certamente, de muito bom grado admito, pois nos respalda excelentemente. Nem fazemos uso de outra comprovação de nossa tese, senão que o batismo e a circuncisão são sinais de mortificação. Daqui concluímos que no lugar desta foi posto aquele, para que isso mesmo nos represente que aquela significava outrora os judeus.
Ao asseverarem a diferença do pacto, de quão bárbara audácia desmantelam e corrompem a Escritura, e isso não só em um lugar, mas de tal modo que nada deixam incólume ou intacto! Pois eles nos pintam os judeus de tal forma carnais, que se assemelham mais a animais do que a seres humanos, com os quais, evidentemente, firmou um pacto que não vai além da vida temporária; aos quais as promessas dadas se acomodam aos bens presentes e materiais, doutrina que, se prevalecer, que mais
resta senão que o povo judaico foi por um tempo saciado pela benevolência de Deus, exatamente como se ceva a uma vara de porcos numa pocilga, para que, afinal, perecesse em eterna ruína? Ora, tão logo lhes citamos a circuncisão e as promessas a ela anexadas, respondem que a circuncisão foi um sinal literal, e que suas promessas foram carnais.
11. REFUTAÇÃO DO SEGUNDO DA SÉRIE DE ARGUMENTOS QUE OS ANABATISTAS EVOCAM CONTRA O BATISMO INFANTIL, ISTO É, QUE AO CONTRÁRIO DO BATISMO INFANTIL A CIRCUNCISÃO FOI MERAMENTE LITERAL E CARNAL, NÃO ESPIRITUAL
Obviamente, se a circuncisão era um sinal literal, nada menos se deve dizer quanto ao batismo, porque o Apóstolo, no segundo capítulo da Epístola aos Colossenses, nada mais espiritual faz a um que ao outro, porquanto diz que nós fomos circuncidados em Cristo com uma circuncisão não feita por mão, despojando o corpo de pecado que habitava em nossa carne, à qual chama “a circuncisão de Cristo” [Cl 2.11]. Depois, à guisa de explicação dessa afirmação, acrescenta que fomos sepultados juntamente com Cristo mediante o batismo [Cl 2.12]. Que quer dizer com estas palavras, senão que o cumprimento e a veracidade do batismo são, ao mesmo tempo, a veracidade e o cumprimento da circuncisão, visto que representam uma única coisa? Ora, ele aqui está porfiando por demonstrar que o batismo é para os cristãos aquilo que a circuncisão fora para os judeus. No entanto, uma vez que já expusemos além de toda dúvida que as promessas de ambos esses sinais, e os mistérios que são por eles representados, estão de pleno acordo entre si, não nos demoraremos por mais tempo neste assunto. Apenas advertirei os fiéis a que, ao calar-me, reflitam consigo mesmos se porventura se haja de ter por terreno e literal um sinal ao qual nada subjaz senão o espiritual e celeste. Contudo, para que suas fumaças não obscureçam aos símplices, uma só objeção, com a qual acobertam esta mentira tão impudente, diluiremos de passagem.
É mais do que certo que as promessas primárias, nas quais se continha o pacto que Deus estabeleceu com os israelitas sob o Antigo Testamento, foram espirituais e visavam à vida eterna; então, por sua vez, foram pelos pais recebidas espiritualmente, como era próprio, para que daí concebessem a confiança da vida futura, à qual aspirassem com todas as veras da alma. Entrementes, porém, de modo algum negamos que ele lhes haja atestado sua benevolência mercê de benefícios terrenos e carnais, com os quais também dizemos que foi confirmada aquela esperança das promessas espirituais, como, quando prometeu eterna bem-aventurança a seu servo Abraão, para que diante dos olhos exibisse manifesta evidência de seu favor, adiciona outra promessa acerca da posse da terra de Canaã [Gn 15.1-18]. Nesta maneira convém se entendam todas e quaisquer promessas terrenas que foram dadas ao povo judaico, de sorte que a promessa espiritual, como a cabeça à qual haverão de referir-se, tenha sempre a primazia. E visto que discuti estas coisas mais amplamente na parte referente à distinção de Novo e Velho Testamentos, agora as abordo mais brevemente.
12. REFUTAÇÃO DO TERCEIRO DA SÉRIE DE ARGUMENTOS QUE OS ANABATISTAS EVOCAM CONTRA O BATISMO INFANTIL, ISTO É, QUE À LINHAGEM DE ABRAÃO, NO ANTIGO TESTAMENTO, FORAM OUTORGADAS PROMESSAS MATERIAIS, NÃO AS ESPIRITUAIS DA NOVA DISPENSAÇÃO
Na acepção do termo crianças extraem esta diferença: lemos que são filhos de Abrão, sob o Antigo Testamento, aqueles que trazem na carne a origem de sua semente; com este título são agora chamados os que lhe imitam a fé. Por isso, aquela infância carnal, que era inserida na sociedade do pacto mediante a circuncisão, prefigurou as crianças espirituais do Novo Testamento, que à vida imortal foram regeneradas pela Palavra de Deus. Por certo que nessas palavras divisamos exígua centelha de verdade; mas estes espíritos levianos pecam gravemente, porque, enquanto agarram o que vier primeiro à mão, onde se faz necessário que se avance além e se comparem muitas coisas entre si, insistem pertinazmente apenas numa palavra. Do quê de outro modo não pode acontecer sem que cedam freqüentemente ao erro, porque não se aplicam ao sólido conhecimento de coisa alguma.
Admitimos, com efeito, que a semente carnal de Abraão manteve por certo tempo o lugar da semente espiritual, que é nele enxertada mediante a fé; pois nos chamamos seus filhos, por mais que não nos medeie com ele nenhum parentesco natural [Rm 4.12; Gl 4.28]. Se, porém, entendem, o que demonstram não obscuramente, que à semente carnal de Abraão nunca foi prometida a bênção espiritual de Deus, aqui realmente se enganam muitíssimo. Conseqüentemente, é melhor que apontem para outra direção à qual somos conduzidos pela infalível direção da Escritura. Portanto, o Senhor promete a Abraão que ele haveria de ter semente, na qual fossem abençoados todos os povos da terra [Gn 12.3] e, ao mesmo tempo, lhe garante que lhe será por Deus, a ele e a sua semente [Gn 17.7]. Todos aqueles que em fé recebem a Cristo, o Autor da bênção, são herdeiros desta promessa, e por isso são chamados filhos de Abraão.
13. O REINO DE DEUS ABRANGE, IGUALMENTE, AOS JUDEUS NO PACTO ANTIGO, E AOS GENTIOS NA NOVA DISPENSAÇÃO: O SELO DAQUELE, SENDO A CIRCUNCISÃO; DESTA, O BATISMO, IDÊNTICOS EM FUNÇÃO E SENTIDO, DONDE SEREM TODOS FILHOS DE ABRAÃO
Mas ainda que, após a ressurreição de Cristo, as fronteiras do reino de Deus começassem a estender-se, ampla e dilatadamente, a toda e qualquer nação, sem qualquer distinção, para que, segundo a afirmação de Cristo, de toda e qualquer
parte os fiéis fossem congregados, os quais se reclinassem com Abraão, Isaque e Jacó na glória celeste [Mt 8.11], contudo, por muitos séculos antes, ele havia com tão grande misericórdia abraçado aos judeus. E uma vez que todos os outros foram preteridos, escolhendo somente este povo, o manteve, por algum tempo e por sua graça, como sua possessão [Ex 19.5] e povo adquirido [Ex 15.16]. Para que benevolência desta natureza fosse atestada, foi dada a circuncisão, mercê de cujo símbolo
os judeus fossem instruídos que Deus era Aquele que presidia sua salvação, de cujo conhecimento seu ânimo fosse alçado à esperança da vida eterna. Ora, que haverá de faltar àquele a quem Deus recebeu à fé de uma vez por todas? Por isso o Apóstolo, a fim de provar que os gentios, juntamente com os judeus, são filhos de Abraão, fala desta forma: “Abraão”, diz ele, “foi justificado pela fé, quando ainda era incircunciso. Mais tarde recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, para que fosse pai de todos os fiéis, tanto da incircuncisão quanto da circuncisão; não só daqueles que se gloriam na circuncisão, mas dos que seguem a fé que nosso pai Abraão teve quando ainda incircunciso” [Rm 4.10-12].
Porventura não vemos que ambos se igualam em dignidade? Ora, pelo tempo constituído no decreto de Deus, Abraão foi o pai da circuncisão. Quando, segundo o Apóstolo escreve em outro lugar [Ef 2.14], o muro foi demolido pelo qual os gentios eram separados dos judeus, também a eles foi escancarado o ingresso no reino de Deus, Abraão veio a ser seu pai, e isso sem levar em conta o sinal da circuncisão, porque eles têm o batismo no lugar da circuncisão. Mas o fato de o Apóstolo negar expressamente ser Abraão o pai só daqueles que são da circuncisão, isso foi dito a fim de repelir-se a soberba de alguns que, deixado de parte o zelo pela piedade, cortejavam somente cerimônias. Da mesma forma também hoje se pode refutar a vaidade daqueles que buscam no batismo nada mais além da água.
14. TAMPOUCO É PROCEDENTE O ARGUMENTO CALCADO EM ROMANOS 9.7,8, DE QUE A FILIAÇÃO ABRAÂMICA É DESTITUÍDA DE RELEVÂNCIA, NÃO ASSISTINDO AO PACTO ANTIGO NENHUMA VALIDADE
Mas, evoca-se em contrário outra passagem do Apóstolo onde ele ensina que os verdadeiros filhos de Abraão não são aqueles que procedem da carne, mas somente são contados na descendência aqueles que são filhos da promessa [Rm 9.7, 8]. Com efeito, a passagem parece acenar que o parentesco carnal de Abraão é destituído de valor, ao qual atribuímos certa relevância. Mas cabe-nos atentarmos mais diligentemente ao que o Apóstolo aí trata. Ora, a fim de mostrar aos judeus que a bondade de Deus não continuaria ligada à semente de Abraão, aliás, que ela de si mesma nada confere, à guisa de prova deste fato cita a Ismael e Esaú [9.6-13], os quais são rejeitados exatamente como se fossem estranhos; ainda que, segundo a carne, constituíam legítima progênie de Abraão, a bênção reside em Isaque e Jacó. Do quê se segue aquilo que depois afirma: que a salvação depende da misericórdia de Deus; que ele a estende a quem bem lhe apraz; mas que não existe motivo para que os judeus se gloriem no nome do pacto, salvo se observarem a lei do pacto, isto é, se obedecerem à Palavra.
Ademais, quando os demoveu da vã confiança de sua linhagem, porque, por outro lado, percebia que o pacto que fora uma vez firmado com a posteridade de Abraão de modo algum poderia ser por Deus feito inútil, Paulo argúi, no capítulo onze da Epístola, dizendo que sua dignidade não deve despojar a consangüinidade carnal de Abraão, por cujo benefício ensina que os judeus são os primeiros e herdeiros natos do evangelho, a não ser até onde, por sua ingratidão, são rejeitados como indignos; contudo, de forma tal que a bênção celestial não se haja afastado de sua descendência. Razão por que, por mais contumazes e violadores de pacto sejam, não obstante os chama santos [Rm 11.16], tanto de honra concede à geração santa a que Deus dignara de sua santa aliança! A nós, porém, se somos com eles comparados, nos chama de filhos póstumos de Abraão, ou até mesmo abortivos, e isto por adoção, não por inerência; ao modo como se um ramo quebrado de seu tronco fosse enxertado em um renovo estranho [Rm 11.17]. Portanto, para que não fossem defraudados de sua prerrogativa, foi necessário que o evangelho lhes fosse anunciado em primeiro lugar, porque são como que os primogênitos na família de Deus. Por isso, foi necessário conceder-lhes esta honra até que rejeitassem o que era oferecido e, por sua ingratidão, fizeram com que ela fosse transferida aos gentios. Contudo, por maior que seja a contumácia com que persistam em mover guerra contra o evangelho, nem por isso devamos tê-los em desprezo, se considerarmos que, em função da graça da promessa, entre eles ainda agora reside a bênção de Deus, como de fato atesta o Apóstolo que ela daí jamais se apartará inteiramente, porquanto “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” [Rm 11.29].
15. A PROMESSA DIVINA FEITA AO POVO DO ANTIGO TESTAMENTO, DE QUE A CIRCUNCISÃO É O SELO, NÃO MERAMENTE FIGURATIVA, MAS FACTUAL, PLENA E EFICAZ EM SUA APLICAÇÃO E EFEITO
Tal é o valor da promessa dada à posteridade de Abraão – tal é a balança na qual deve ser pesada.213 Por isso, ainda que, distinguindo-se os herdeiros do reino dos espúrios e estranhos, nenhuma dúvida temos de que somente a eleição domina de livre direito, no entanto percebemos, ao mesmo tempo, que lhe foi do agrado conceder sua misericórdia peculiarmente à semente de Abraão; e, para que a tivesse mais atestada, a sela com a circuncisão. Com efeito, a situação da Igreja Cristã é exatamente a mesma. Ora, assim como ali Paulo argúi que os judeus são santificados por seus pais, assim também em outro lugar [1Co 7.14] ensina que os filhos dos cristãos recebem dos pais a mesma santificação. Do quê se conclui com razão que são separados dos demais, os quais, ao contrário, são condenados por sua impureza [1Co 7.15].
Daí se pode facilmente julgar que é completamente falso o que esses pretendem concluir, a saber: as crianças que outrora eram circuncidadas apenas representavam a infância espiritual que emerge da regeneração da Palavra de Deus. Ora, o Apóstolo não filosofa com tanta sutileza, quando escreve ser Cristo ministro da circuncisão para o cumprimento das promessas que foram outorgadas aos pais [Rm 15.8], como se falasse desta maneira: Uma vez que o pacto firmado com Abraão visa à semente, Cristo, para que levasse a bom termo e saldasse o compromisso uma vez assumido pelo Pai, veio para a salvação do povo judeu. Porventura notas como, após a ressurreição de Cristo, ele também pensa que a semente carnal de Abraão deve cumprir a promessa do pacto, não apenas alegoricamente, mas segundo soam as palavras?
O que Pedro declara aos judeus tem o mesmo sentido: lhes anuncia que a promessa lhes pertencia, a eles e a seus descendentes [At 2.39]. E logo em seguida, no capítulo seguinte, os chama filhos do testamento, isto é, herdeiros [At 3.25]. E assim o confirma o Apóstolo, de acordo com o que já citamos, onde considera e declara a circuncisão impressa nas crianças como testemunho desta comunhão que elas têm. Disto não difere muito a outra passagem do Apóstolo supracitada [Ef 2.11-13], onde considera e declara a circuncisão impressa às crianças como testemunho desta comunhão que têm com Cristo. E deveras, se as coisas fossem como esses dizem, que se fará com aquela promessa mercê da qual o Senhor, no segundo mandamento de sua lei, com seus servos se compromete de ser propício à sua semente até a milésima geração? [Ex 20.6; Dt 5.10]. Aqui, porventura, nos refugiaremos em alegorias? Mas se recorrem à alegoria, a resposta não passa de evasiva. Porventura diremos que isso foi abolido? Assim, pois, a lei seria destruída, a qual, antes, foi confirmada por Cristo que veio [Mt 5.17], até onde nos resulta para o bem da vida. Permaneçamos, pois, firmes em que o Senhor é tão bom e munificente para com os seus, que não só os tem por seu povo, mas também a seus descendentes por causa deles.
16. REFUTAÇÃO DA QUARTA OBJEÇÃO (DIFERENÇA DE DATA DO RITO) E DA QUINTA (AS MULHERES NÃO DEVERIAM SER BATIZADAS), QUE OS ANABATISTAS SUSCITAM CONTRA O BATISMO INFANTIL, EM SUA CORRELAÇÃO COM A CIRCUNCISÃO
As diferenças que, depois disto, se empenham por introduzir entre o batismo e a circuncisão são não apenas ridículas, e vazias de toda aparência de razão, mas até mesmo conflitantes entre si. Ora, pois, quando afirmam que o batismo visa ao primeiro dia do embate espiritual; mas que a circuncisão visa ao oitavo, depois que a mortificação já estiver efetuada; imediatamente, esquecidos disso, invertem a cantilena e afirmam que a circuncisão de fato é figura da carne a ser mortificada; o batismo, porém, seu sepultamento, ao qual ninguém deve ser trazido, senão os que já são mortos. Certamente um louco não cairia em contradição tão flagrante. Ora, na primeira proposição, o batismo deveria preceder no tempo à circuncisão; e na segunda, o contrário, a saber, que deveria ser-lhe posterior. Contudo, não se deve estranhar tais contradições; pois o espírito do homem, quando se põe a inventar fábulas e imaginações semelhantes aos sonhos, necessariamente há de cair em tais desvarios.
Nós, portanto, dizemos que aquela primeira diferença por eles apontada é mero sonho. Caso queiram ao oitavo dia avllhgorei/n [all@gore'n – alegorizar], entretanto não convinha agir deste modo. Muito mais satisfatório foi, seguindo aos antigos, atribuir o número otonário à ressurreição operada no oitavo dia, do quê sabemos depender a novidade de vida, ou a todo o curso da presente vida,215 no qual deve sempre proceder a mortificação, até que, findado ele, também ela própria foi consumada. Ainda que pareça haver alguma razão para crer que o Senhor, ao prorrogar a circuncisão até o oitavo dia, tenha levado em conta a tenra idade dos meninos; porquanto a ferida da circuncisão seria mais perigosa aos recém-nascidos. Quanto mais vigoroso é isto: nós, já antes mortos, somos sepultados pelo batismo, quando a Escritura protesta eloqüentemente que somos sepultados para a morte com esta condição: que morremos, e a partir daí exercitamos esta mortificação? [Rm 6.4].
Finalmente, da mesma perícia é o que cavilam: se o batismo deve conformar-se à circuncisão, as meninas não devem ser batizadas. Ora, se porventura se tiver em mente que pelo sinal da circuncisão foi atestada a santificação da semente israelita, se verá sem sombra de dúvida que ela foi dada para que homens e mulheres fossem igualmente santificados. Mas somente os corpos dos homens recebiam o sinal, sendo neles também compreendido o sexo oposto que, não podendo receber a circuncisão em seu próprio corpo, participava, de certo modo, da circuncisão dos homens. Portanto, sendo tais absurdos afastados para bem longe, apeguemo-nos à similaridade de batismo e circuncisão, que vemos quadrar-se mui amplamente no que tange ao mistério interior, às promessas; ao uso, à eficácia.
17. REFUTAÇÃO DA SEXTA OBJEÇÃO (AS CRIANÇAS NÃO APREENDEM O MISTÉRIO DO RITO) E DA SÉTIMA (AS CRIANÇAS, JÁ QUE NÃO PODEM ARREPENDER-SE, NÃO PODEM SER REGENERADAS) QUE OS ANABATISTAS SUSCITAM CONTRA O BATISMO INFANTIL
Acreditam também que têm sobeja razão para que as crianças devam ser barradas do batismo, enquanto argúem que, em função da idade, não são ainda capazes de apreender o mistério aí representado, isto é, realmente a regeneração espiritual que não se pode ocorrer na primeira infância. E assim concluem que elas não devem ser tidas em outra posição senão a de filhos de Adão, até que hajam amadurecido a uma idade congruente com o segundo nascimento.
Mas tudo isso se opõe frontalmente à verdade de Deus. Pois se devem ser considerados filhos de Adão, então são abandonados à morte, em Adão, e por isso nada podemos fazer senão morrer [Rm 5.12-21]. Cristo, porém, em contrário, manda que elas sejam trazidas a si [Mt 19.14; Mc 10.14; Lc 18.16]. Por quê? Porque ele é a vida. Portanto, para que lhes dê vida, ele as faz participantes de sua pessoa; enquanto, entrementes, esses tais as condenam a que sejam afastadas para longe, trementes, permaneçam na morte. Porque, se tergiversam que as crianças não perecem por serem reputadas filhas de Adão, seu erro é mais do que suficientemente refutado pelo testemunho da Escritura. Ora, uma vez que a Escritura sentencia que em Adão todos morreram, segue-se não restar nenhuma esperança de vida, a não ser em Cristo [1Co 15.22]. Portanto, para que nos tornemos herdeiros da vida, é imprescindível que tenhamos participação nele.
Por outro lado, quando foi escrito em outro lugar que todos nós somos por natureza passíveis da ira de Deus [Ef 2.3], e concebidos em pecado [Sl 51.5], ao que se apega condenação perpétua, é necessário que nos despojemos de nossa natureza antes que tenhamos acesso ao reino de Deus. E é possível dizer algo mais claramente, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus [1Co 15.50]? É necessário, pois, que tudo quanto haja em nós seja aniquilado, o que não se fará sem a regene-
ração, e então veremos claramente esta posse do reino. Finalmente, se Cristo fala verazmente quando proclama ser a vida [Jo 11.25; 14.6], é imprescindível que sejamos enxertados nele para que também sejamos libertados da servidão da morte.
Mas, de que maneira, argumentam eles, as crianças são regeneradas, se não conhecem o mal e o bem? Respondemos, porém, que a obra de Deus, ainda que não esteja ao alcance de nossa apreensão, entretanto não deixa de existir. Com efeito, não é de forma alguma obscuro que as crainças são antes regeneradas pelo Senhor a fim de serem salvas, uma vez que, certamente, algumas estão plenamente salvas desde essa idade. Ora, se levam consigo a corrupção que lhe é inerente desde o ventre materno, importa que sejam purificadas da mesma antes que possam ser admitidas ao reino de Deus, no qual nada entra poluído ou manchado [Ap 21.27]. Se nascem pecadoras, como Davi [Sl 51.5] e Paulo [Ef 2.3], respectivamente, afirmam, ou permanecem rejeitadas e odiosas a Deus, ou necessariamente são justificadas. E o que buscamos além, quando o próprio Juiz afirma abertamente que ninguém tem ingresso à vida celeste senão os renascidos [Jo 3.3, 5]? E para fechar a boca a todos os amigos de contradizentes, João Batista ofereceu prova, a quem santificou no ventre da mãe [Lc 1.15], o que poderia fazer nos demais.
Nem proveito algum desfrutam com a tergiversação com que aqui gracejam: que isto se deu apenas uma vez, do quê não se segue, imediatamente, que o Senhor assim costuma agir indiscriminadamente com as crianças. Nós, porém, não estamos arrazoando dessa maneira. Nosso intento é apenas mostrar que o poder de Deus é por esses iníqua e perversamente limitado dentro dessas estreitas fronteiras nas quais ele não permite deixar-se confinar. O outro subterfúgio a que se acolhem não é mais sólido: alegam que, segundo o costume usual da Escritura, a expressão desde o ventre vale precisamente como se estivesse dizendo desde a infância. Mas é possível ver mui claramente que o anjo, quando anunciara isso a Zacarias, ele quis dizer outra coisa, isto é, que João Batista, mesmo antes de nascer já era cheio do Espírito Santo. Portanto, não tentemos impor lei a Deus, a ponto de não santificar aqueles a quem ele queira fazê-lo, como santificou a João, quando nada lhe foi subtraído de seu poder.
18. CRISTO FOI SANTIFICADO DESDE A MAIS TENRA IDADE PARA IGUALMENTE NOS SANTIFICAR, EM CUJA SANTIFICAÇÃO TAMBÉM SE INCLUEM AS CRIANÇAS
E foi por isso que Cristo se santificou desde a primeira infância, para que a seus eleitos, de qualquer idade e sem distinção, também os santificasse em si mesmo.
Ora, visto que, para destruir a culpa da desobediência que fora perpetrada em nossa carne, a si mesmo revestiu-se dessa mesma carne, na qual, por nossa causa e de sua parte, prestasse perfeita obediência, assim foi concebido do Espírito Santo para que, embebido plenamente de sua santidade na carne que assumira, no-la transmitisse. Se temos em Cristo o mais perfeito exemplo de todas as graças com que Deus cumula a seus filhos, também nesta parte, evidentemente, ele nos será por prova de que a idade da infância não é até esse ponto incompatível com a santificação. Entretanto, seja como for, tenhamos por certo que o Senhor não leva desta vida a nenhum de seus eleitos sem que primeiro seja santificado e regenerado por seu Espírito.
À objeção de que a Escritura não conhece nenhuma outra regeneração senão a que ocorre da semente incorruptível pela Palavra de Deus [1Pe 1.23], respondemos que entendem muito mal o que Pedro aí diz; pois ele se dirige unicamente aos fiéis que haviam sido instruídos pela pregação do evangelho. A esses afirmamos que a Palavra do Senhor certamente é a única semente da regeneração espiritual, porém negamos que se deva concluir desse fato que as crianças não possam ser regeneradas pelo poder de Deus, a qual lhe é tão fácil e pronta quanto a nós incompreensível e admirável. Ademais, seria um tanto inseguro subtrair ao Senhor que ele não pode revelar-se de modo algum para que o conheçam.
19. REFUTAÇÃO DA OITAVA OBJEÇÃO QUE OS ANABATISTAS SUSCITAM CONTRA O BATISMO INFANTIL: AS CRIANÇAS, QUE NÃO PODEM APREENDER A MENSAGEM DO EVANGELHO, NÃO TÊM A FÉ E O CONHECIMENTO REQUERIDOS PARA A REGENERAÇÃO
Mas, dizem eles, a fé vem do ouvir [Rm 10.17], cujo exercício as crianças ainda não adquiriram, nem podem estar em condições de conhecer a Deus aqueles a quem Moisés ensina que são destituídos do discernimento igualmente do bem e do mal [Dt 1.39]. Não atentam, porém, para o fato de que o Apóstolo, quando faz do ouvir o princípio da fé, ele está apenas descrevendo a economia e dispensação ordinárias de Deus, que costuma empregar em chamar seu povo, não, porém, a preceituar-lhe uma regra perpétua, de sorte que não possa usar de outro método, como de fato tem usado na vocação de muitos, aos quais dotou de verdadeiro conhecimento de sua pessoa, de modo interior, pela iluminação do Espírito, sem a intervenção de nenhuma pregação.
Mas, visto que acreditam ser um grande absurdo atribuir às crianças qualquer conhecimento de Deus, às quais Moisés priva de discernimento do bem e do mal, peço que me respondam que perigo há se agora lemos que recebem alguma parte de sua graça, da qual haverão de usufruir pouco depois em plena abundância? Ora, se a plenitude da vida consiste no perfeito conhecimento de Deus, quando alguns daqueles a quem a morte daqui arrebata logo na primeira infância se trasladam para a vida eterna, a contemplar a mui presente face de Deus certamente são recebidos. Portanto, se assim lhe foi do agrado, por que de diminuta centelha não irradiaria também, no presente, àqueles a quem o Senhor haverá de iluminar do pleno fulgor de sua luz, principalmente se não os desvestiu do desconhecimento antes de arrancá-los do habitáculo da carne? Não que eu queira temerariamente afirmar que são dotados da mesma fé que experimentamos em nós, ou que têm conhecimento de fé absolutamente semelhante ao nosso, o que prefiro deixar em suspenso; mas, ao contrário, coibir um pouco a estúpida arrogância dos que, como se sua boca fosse inchada, ou negam ou afirmam confiadamente o que bem entendem.
20. REFUTAÇÃO DA NONA OBJEÇÃO QUE OS ANABATISTAS SUSCITAVAM CONTRA O BATISMO INFANTIL: AS CRIANÇAS NÃO PODEM SENTIR O ARREPENDIMENTO E FÉ EM QUE SE ASSENTA A REGENERAÇÃO (ARGUMENTO QUE VALERIA CONTRA A CIRCUNCISÃO)
Mas, querendo insistir ainda mais vigorosamente nesta parte, acrescentam que o batismo é o sacramento do arrependimento e da fé; por isso, como nenhum dos dois ocorre na infância mais tenra, é preciso tomar cuidado para que, se a criança for admitida à comunhão do batismo, seu significado não se torne vão e ridículo. Mas o fato é que estes dardos são dirigidos contra Deus mais do que contra nós. Ora, pois, haver sido também a circuncisão sinal de arrependimento conhecidíssimo provém de muitos testemunhos da Escritura. Ao depois, é ela chamada por Paulo “selo da justiça da fé” [Rm 4.11]. Logo, que se exija razão do próprio Deus por que a tenha ordenado imprimir-se nos corpos das crianças. Pois, uma vez que no mesmo caso estão o batismo e a circuncisão, a esta nada podem outorgar que, ao mesmo tempo, ao outro não concedam. Se voltam os olhos ao costumeiro subterfúgio: que pela idade da infância foram então prefiguradas as crianças espirituais, então o caminho já lhes foi obstruído.
Dizemos, pois, que, uma vez que Deus conferiu às crianças a circuncisão como sacramento de arrependimento e fé, não parece absurdo se elas se fazem agora participantes do batismo; a não ser que queiram invistir-se, com prazer e abertamente, contra a instituição divina. Mas a verdade, sabedoria e justiça de Deus brilham em todas as suas obras para confundir a loucura, mentira e maldade. Ora, ainda que as crianças não compreendessem com inteligência, no momento em que eram circuncidadas, qual o significado daquele sinal, no entanto eram verdadeiramente circuncidadas para mortificação de sua natureza corrupta e contaminada, a qual, depois de adultas, exercitariam. Em suma, esta objeção pode ser solucionada sem qualquer dificuldade: as crianças são batizadas para futuro arrependimento e fé, os quais, embora ainda não formados nelas, no entanto, pela secreta operação do Espírito, a semente de um e de outra está nelas latente.
Com esta resposta, se reverte de uma vez tudo quanto torcem contra nós tirado do significado do batismo. Dessa natureza é o título com que o batismo é exaltado por Paulo, onde o chama “a lavagem da regeneração e da renovação” [Tt 3.5], do quê arrazoam que a ninguém é ele conferido, senão àquele que é apto para essas coisas. Mas, a nós cabe argüir em contrário que nem a circuncisão, que denotava a regeneração, deveria ter sido conferida a outros senão aos regenerados. E assim a ordenança divina seria por nós condenada. Conseqüentemente, todas as razões que adicionam contra a circuncisão em nada prejudica o batismo.
E não podem escapar-se dizendo que se deve considerar como fato o que o Senhor ordenou, e que se deve ter por firme, bom e santo sem investigar mais sobre isso; mas que esta reverência não se deve ao pedobatismo, nem a outras coisas semelhantes que não nos são recomendáveis pela expressa palavra de Deus, uma vez que estão sempre presos neste dilema: o preceito de Deus de circuncidar as crianças ou foi legítimo e não está sujeito a nenhuma cavilação, ou foi digno de censura. Se não existe nada de incongruente, nem de absurdo no preceito, tampouco há na observância do batismo infantil qualquer absurdo.
21. O BATISMO INFANTIL, EM SUA CORRELAÇÃO COM A CIRCUNCISÃO, AO CONTRÁRIO DO QUE SUSTENTAM OS ANABATISTAS, É FUTURISTA EM PERSPECTIVA, COMO SE EVIDENCIA À LUZ DE TEXTOS DE PAULO E DE PEDRO
E assim removemos o estigma de absurdo que tentam imprimir neste lugar: aqueles a quem o Senhor dignou de sua eleição, se receberem o sinal da regeneração e partirem da presente vida antes que cresçam, a esses ele renova pelo poder de seu Espírito, oculto e incompreensível a nós, como somente ele antevê ser conveniente. Se ocorrer que cresçam até a idade em que possam ser instruídos na verdade do batismo, disso mais se inflamarão ao zelo de renovação, de cujo penhor aprenderão que foram dotados já desde a primeira infância, para que a exercitassem em todo o decurso da vida.
A isso mesmo remonta o que Paulo ensina em duas passagens: que somos sepultados juntamente com Cristo mercê do batismo [Rm 6.4; Cl 2.12]. Ora, com isso ele não entende que importa já ter sido antes sepultado com Cristo aquele que haja de ser iniciado no batismo; ao contrário, está simplesmente declarando qual doutrina subjaz ao batismo, e isso aos já batizados, de modo que nem os ignorantes desta passagem poderão de fato discordar que o sepultamento precede ao batismo. É assim que Moisés e os profetas traziam à lembrança ao povo qual o significado da circuncisão, ainda que fossem circuncidados na pessoa de suas crianças. Outro tanto vale o que tambem escreve aos gálatas: que Cristo os revestira quando foram batizados [Gl 3.27]. Com que propósito? Indubitavelmente, a fim de que vivessem para Cristo para o futuro, já que não haviam vivido para ele anteriormente. E ainda que os mais avançados em idade não devam receber o sinal sem que compreendam o mistério, contudo o mesmo não se dá com os pequeninos, em cujo número exporemos mais adiante.
Na mesma direção está a passagem de Pedro na qual buscam para si grande apoio, quando ele diz que o batismo não é a ablução para a limpeza das imundícias do corpo, mas o testemunho de uma boa consciência diante de Deus, através da ressurreição de Cristo [1Pe 3.21]. Se a verdade do batismo, dizem eles, é o testemunho da consciência diante de Deus, quando nele isso não ocorre, que será senão uma coisa vã e destituída de importância? Com esta noção errônea, porém, pecam repetidamente, porquanto pretendem que a coisa significada preceda sempre, na ordem do tempo, ao sinal. Ora, a verdade da circuncisão também constava do mesmo testemunho de uma boa consciência. Porque, se ela devesse preceder necessariamente, as crianças nunca teriam sido circuncidadas por mandado de Deus. Mas quando o mesmo Senhor nos ensina que esta é a substância da circuncisão, e contudo ordena que as crianças sejam circuncidadas, nos demonstra claramente com isso que ela era conferida com vistas a tempo futuro. Por isso, a verdade presente que queremos considerar no batismo das crianças é que ele é o testemunho de sua salvação, que sela e confirma o pacto que Deus estabeleceu com elas. Os demais significados deste sacramento elas o compreenderão mais tarde, quando for do agrado do Senhor.
22. REFUTAÇÃO DA DÉCIMA OBJEÇÃO QUE OS ANABATISTAS SUSCITAVAM CONTRA O BATISMO INFANTIL: O BATISMO FOI DADO PARA O PERDÃO DOS PECADOS
Creio que hoje já não existe ninguém que não veja claramente que todos os arrazoados deste gênero são puras inversões da Escritura. Outras considerações afins a estas, que sobejam, as abordaremos de forma breve. Objetam que o batismo é dado para remissão dos pecados. Quando isso é concedido, nosso ponto de vista é fortemente corroborado. Pois uma vez que nascemos pecadores, temos a necessidade de remissão e perdão já desde o ventre materno. Ora, como o Senhor afirma que quer ser misericordioso para com esta idade, por que vamos privá-los do sinal da mesma, que é muito menos importante que a realidade que significa? Por isso, o que se empenham em arremessar contra nós, precisamente isso fazemos voltar contra eles mesmos: os pequeninos são agraciados com a remissão dos pecados; por isso não devem ser privados do sinal.
Alegam, ao mesmo tempo, o que consta da Epístola aos Efésios: que a Igreja foi purificada pelo Senhor com a lavagem da água pela palavra da vida [Ef 5.26], o que é uma prova contra eles; porque do que diz o Apóstolo deduzimos o seguinte argumento: se o Senhor quer que a purificação que ele opera em sua Igreja seja testificada e confirmada com o sinal do batismo, e as crianças pertencem à Igreja, uma vez que são contados no povo de Deus, e pertencem ao reino dos céus, segue-se que devem receber o testemunho de sua purificação como os demais membros da Igreja [Mt 19.14], porque Paulo abraça a Igreja toda como que purificada pela lavagem da água. O mesmo podemos concluir do que alegam que, pelo batismo, somos incorporados a Cristo [1Co 12.12, 13]. Pois se as crianças fazem parte do corpo de Cristo, como é evidente à luz do que já dissemos, segue-se ser razoável que sejam batizadas, para que não vivam separadas de seu corpo. Eis como com tanto ímpeto e com tantas máquinas de guerra fazem carga contra os baluartes de nossa fé!
23. REFUTAÇÃO DA DÉCIMA PRIMEIRA OBJEÇÃO QUE OS ANABATISTAS SUSCITAVAM CONTRA O BATISMO INFANTIL: QUE O BATISMO REQUER ARREPENDIMENTO E FÉ, SÓ POSSÍVEIS AOS ADULTOS
Agora recorrem à prática e costume da era apostólica, na qual não há nenhum registro de admissão ao batismo, a menos que se professasse antes sua fé e arrependimento. Pois quando Pedro é interrogado por aqueles que tinham a disposição de arrepender-se, o que era indispensável fazer-se, pondera que primeiro se arrependam; então, que sejam batizados para remissão dos pecados [At 2.37, 38]. De modo semelhante, Filipe, quando o eunuco solicitou ser batizado, responde ser isso possível, desde que cresse de todo coração [At 8.37]. Se esta razão é válida, se vê pelo primeiro texto evocado que só bastaria o arrependimento, pois não se faz menção alguma da fé; e, por sua vez, pelo segundo só bastaria a fé, pois não se exige o arrependimento. Ora, pois, se damos lugar a este raciocínio, a primeira passagem, onde não se ouve nenhuma menção de fé, convencerá ser suficiente só o arrependimento; a segunda, em que mui longe está de requerer-se o arrependimento. Imagino que replicarão: uma passagem corrobora a outra, e por isso devem ser mutuamente correlacionadas. Eu também, por minha vez, digo que se devem cotejar outras passagens que valem para a solução desta questão, visto que se têm na Escritura muitas passagens cuja interpretação depende da circunstância do lugar.
Exemplo desta natureza ocorre presentemente, pois aqueles a quem são ditas estas coisas por Pedro e Filipe estão em idade idônea para exercer-se o arrependimento e conceber-se a fé. Destes dizemos que não devem ser batizados sem que primeiramente dêem testemunho de sua fé e arrependimento, pelo menos até onde o juízo humano pode averiguar. Mas é perfeitamente claro que as crianças devem ser contadas numa outra classe. Pois quando alguém se unia à comunhão religiosa de
Israel, impunha-se não só fosse informado quanto ao pacto do Senhor, mas também fosse instruído na lei, antes de ser marcado com a circuncisão, porquanto em nacionalidade era allofuloj [all(phyl(s], isto é, estrangeiro ao povo de Israel, com quem havia sido firmado o pacto que a circuncisão ratificava.
24. O BATISMO, À MANEIRA DA CIRCUNCISÃO EXEMPLIFICADA EM ABRAÃO E ISAQUE, É APLICÁVEL AO ADULTO APÓS A CONFISSÃO DE FÉ; À CRIANÇA, ANTES OU SEM ELA
Assim como tampouco o Senhor, quando adota para si a Abraão, começa dizendo que se circuncidasse sem saber por que teria que fazê-lo, porém lhe explica antes o pacto que pretende celebrar com ele, então a seguir, depois que ele creu na promessa, o faz participante do sacramento [Gn 15.1; 17.11]. Por que em Abraão o sacramento segue à fé, em seu filho Isaque ele vem antes de qualquer compreensão? Porque é justo que aquele que à comunhão do pacto fora até então estranho, por fim é recebido na idade adulta, antes disso aprenda bem suas condições; o filho dele gerado, porém, recebendo um procedimento diferenciado, o qual, por direito hereditário, segundo a fórmula da promessa, está inserido no pacto já desde o ventre materno.
Ou, para expressá-lo mais clara e sucintamente, como o filho do crente participa do pacto divino sem entendê-lo, não se deve negar-lhe o sinal, pois é capaz de recebê-lo sem necessidade de compreendê-lo. Esta é a razão pela qual Deus diz que os filhos dos israelitas são seus filhos, como se ele mesmo os gerasse [Ez 16.20; 23.37], pois sem dúvida alguma ele se considera Pai de todos aqueles a quem prometeu ser o Deus dos mesmos e de sua descendência. Em troca, o que nasce de pais infiéis não são contados no pacto até que, pela fé, se una com Deus. Portanto, não se deve estranhar que não compartilhe do sinal, cujo significado seria nele falaz e sem proveito! Nesta linha, Paulo também escreve que as pessoas, sempre que estiveram imersas em sua idolatria, estavam do lado de fora do testamento [Ef 2.12].
Parece-me que toda esta matéria ficará bem elucidada com esta síntese: Aqueles que abraçam a fé em Cristo em idade adulta, não devem ser aceitas para receber o batismo antes de ter fé e mostrar-se arrependidas, pois estes dois elementos são os únicos que podem abrir a porta para ingresso no pacto. As crianças, porém, se são filhas de cristãos, aos quais pertence o pacto por herança em virtude da promessa, por esta razão são aptas para a admissão ao batismo. A isso se deve inserir o que narra o evangelista: que os que confessavam seus pecados foram batizados por João [Mt 3.6], exemplo que julgamos deva ser observado também hoje. Ora, se um turco se apresenta para o batismo, o mesmo não deve ser batizado por nós inconsideradamente, senão por meio de confissão explicitamente proferida, através da qual satisfaça a Igreja.
25. REFUTAÇÃO DA DÉCIMA SEGUNDA OBJEÇÃO SUSCITADA PELOS ANABATISTAS CONTRA O BATISMO INFANTIL CALCADA EM JOÃO 3.5 (REGENERAÇÃO PELA ÁGUA E PELO ESPÍRITO)
Ademais, trazem a lume as palavras de Cristo mencionadas no terceiro capítulo de João, pelas quais julgam requerer-se no batismo regeneração acompanhante: “Aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” [Jo 3.5]. Dizem que o batismo é pela boca do Senhor chamado regeneração. Portanto, com que pretexto iniciamos pelo batismo, que sem a regeneração não pode subsistir, aqueles que é mais do que notório estarem longe de ser aptos para ela?
Primeiro, enganam-se pelo fato de que, por lerem a palavra água, pensam que nesta passagem se faz menção do batismo. Ora, depois que Cristo expôs a Nicodemos a corrupção de nossa natureza, e ensinou que se requer um novo nascimento, uma vez que ele sonhava com um novo nascimento corporal, aqui indica o modo pelo qual Deus nos regenera, isto é, pela água e pelo Espírito, como se estivesse dizendo: pelo Espírito que, purgando e irrigando as almas fiéis, desempenha a função da água. Tomo, pois, água e Espírito simplesmente como Espírito que é água. Tampouco é esta uma expressão nova, pois está inteiramente de acordo com aquela afirmação que se lê no terceiro capítulo de Mateus: “Aquele que vem após mim, ele é o que batiza no Espírito Santo e em fogo” [Mt 3.11]. Logo, como batizar pelo Espírito Santo e pelo fogo equivale a conferir o Espírito Santo, o qual na regeneração tem a propriedade e a natureza do fogo, assim ser nascido de novo pela água e pelo Espírito outra coisa não é senão receber aquela virtude do Espírito que faz na alma aquilo que a água faz no corpo.
Sei que outros interpretam este texto de modo diferente, mas não tenho dúvida de ser este o legítimo sentido, porque outro não é o desígnio de Cristo senão ensinar que todos os que aspiram ao reino celeste devem despir-se da própria natureza. Ainda que, caso queira cavilar sutilmente à maneira desses, pronto seria responder-lhes, quando tivermos concedido o que querem, que o batismo é anterior à fé e ao arrependimento, porque nas palavras de Cristo água precede a Espírito. O certo é entender isto em referência aos dons espirituais; e se estes seguem ao batismo, então terei alcançado o que tenho em mira. Mas, deixadas de parte as sutilezas, é preciso sustentar a interpretação singela que apresentei, a saber, ninguém pode entrar no reino de Deus até que seja renovado pela água viva, isto é, pelo Espírito.
26. AS CRIANÇAS QUE FALECEM SEM TER SIDO BATIZADAS, NEM POR ISSO INCORREM NA CONDENAÇÃO, COMO SE NÃO FOSSEM REGENERADAS
Com isso também se convence de erro aos que condenam à morte eterna todos quantos não são batizados. Suponhamos, pois, que, segundo o postulado desses, que somente aos adultos se deva ministrar o batismo: que dirão suceder à criança que é correta e adequadamente imbuída dos rudimentos da piedade, se, enquanto chega o dia do batismo, contra a expectativa de todos, se vê arrebatada por morte súbita? Clara é a promessa do Senhor: “quem ouve minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna; e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” [Jo 5.24]. Em lugar algum se achará haver ele condenado o ainda não-batizado. Não gostaria que isso fosse entendido de minha parte como se eu concordasse que o batismo possa ser impunemente desprezado, desprezo que equivale violar o pacto do Senhor, o que para mim longe é de se tolerar. Só quero demonstrar que ele não é de tal maneira necessário que não seja justificável quem não o pôde receber, se tinha um impedimento legítimo.
Em contrapartida, segundo a opinião destes, todos eles sem exceção alguma seriam condenados, ainda que tivessem fé, com a qual possuímos Cristo. E além do mais pronunciam culpadas de morte eterna a todas as crianças, às quais negam o batismo, o qual, por sua própria confissão, é necessário para a salvação. Vejam agora quão maravilhosamente se harmonizam com as palavras de Cristo, mediante as quais destina o reino dos céus a essa idade [Mt 19.14; Mc 10.14; Lc 18.16]. E ainda que nada haja que não lhes concedamos quanto respeita ao entendimento desta passagem, no entanto nada daí conseguirá.
Fonte: Exsurge Domini
Fonte: Institutas da Religião Cristã, Vol. IV, Cap. 16
Autor: João Calvino
Transmissão: Rogerio Hirota (SacroSancttus) - em 11/Nov/2009
Livro IV
Capítulo 16
O BATISMO INFANTIL SE HARMONIZA MUITO BEM
COM A INSTITUIÇÃO DE CRISTO E A NATUREZA DO SINAL
1. OPOSIÇÃO AO BATISMO INFANTIL COMO SENDO ANTIBÍBLICO. NECESSIDADE DE EXAMINAR-SE A MATÉRIA DE FORMA PROFUNDA
Mas, uma vez que certos espíritos frenéticos excitaram graves perturbações na Igreja em nosso tempo por causa do pedobatismo, mesmo agora não deixam de produzir tumultos, nada posso fazer senão adicionar aqui um apêndice com o fim de coibir-lhes as fúrias, o qual, se porventura parecer a alguém demasiadamente prolixo, peço que o mesmo pondere que, em matéria da máxima importância, tanto em relação à paz quanto à pureza da doutrina, que nada haja de fastidiosamente excetuar-se que conduza à produção de ambas. Acrescento que diligenciarei de tal modo por esta discussão, que a comporei para explicar mais claramente o mistério do batismo, quanto está em mim poder fazê-lo.
Investem contra o pedobatismo com um argumento que aparenta plausibilidade absoluta, categorizando que em nenhuma instituição de Deus existe tal fundamentado, antes, que foi introduzido meramente pela ousadia e depravada curiosidade dos homens, e então temerariamente recebido em uso por estulta condescendência. Ora, a menos que um sacramento se apóie no seguro fundamento da Palavra de Deus, ele fica pendente por um fio.
Mas, o que dizer se a matéria for cuidadosamente considerada, e se tornar manifesto que se faz falsa e iníqua calúnia à santa ordenança do Senhor? Antes de tudo investiguemos sua origem. Porque, se isso foi invenção humana, confesso ser preciso abandoná-lo e seguir a verdadeira regra que o Senhor ordenou; pois os sacramentos estariam pendentes por um fio caso não se fundamentam na pura Palavra de Deus. Mas se, pelo contrário, ficar comprovado que de modo algum foi destituído de sua segura autoridade, guardemo-nos em não desconsiderar as sacras instituições de Deus, e assim nos acharmos insultando seu Autor.
2. A REAL NATUREZA E SENTIDO DO BATISMO POSTOS NÃO NA CERIMÔNIA EXTERIOR, MAS NA PROMESSA REPRESENTADA; DAÍ SIGNIFICAR A PURIFICAÇÃO DOS PECADOS, A MORTIFICAÇÃO DA CARNE, A UNIÃO COM CRISTO, O TESTEMUNHO DE NOSSA FÉ DIANTE DOS HOMENS
Primeiramente, é dogma bastante conhecido e entre todos os piedosos confessado que a correta consideração dos sinais está posta não só nas cerimônias externas, mas sobretudo depende da promessa e dos mistérios espirituais em cuja figura o Senhor ordena as próprias cerimônias. Assim sendo, aquele que quiser aprender bem o valor do batismo, qual seu propósito, enfim, o que significa de modo geral, que não ponha sua atenção no elemento e na expressão material; antes, que a fixe nas promessas de Deus que aí nos são oferecidas, e nos mistérios interiores que aí se representam. Aquele que apreende essas coisas alcançou a sólida verdade do batismo e, por assim dizer, toda sua substância; e daí será também ensinado qual seja o sentido e qual o uso da aspersão externa. Por outro lado, aquele que descarta essas coisas com desprezo, mantendo sua mente totalmente fixa e jungida à cerimônia visível, não entenderá nem a eficácia, nem o caráter do batismo, aliás, nem mesmo o que significa a água ou qual o uso dela. Esta maneira de ver foi comprovada por testemunhos da Escritura muitíssimos numerosos e muitíssimos luminosos para que seja necessário persegui-la agora por mais tempo.
Resta, pois, agora buscarmos nas promessas dadas no batismo qual seja sua eficácia e natureza. A Escritura informa, em primeiro lugar, que aqui se mostra a purificação dos pecados, a qual obtemos pelo sangue de Cristo; então a mortificação da carne, que consta da participação de sua morte, pela qual os fiéis são regenerados para novidade de vida; e mais ainda, para a comunhão de Cristo. A esta síntese pode-se incluir tudo quanto foi ensinado nas Escrituras acerca do batismo, exceto que ele é também, além disso, um símbolo que atesta a religião diante dos homens.
3. ASPECTOS EM QUE SE CONFIGURA A CORRELAÇÃO DO BATISMO COM A CIRCUNCISÃO
Mas, uma vez que antes que o batismo fosse instituído o povo de Deus tinha em seu lugar a circuncisão, examinemos em que estes sinais diferem entre si e quais são suas semelhanças, do quê se faz patente qual é a analogia entre si. Quando o Senhor manda Abraão observar a circuncisão, ele prefacia que será o Deus dele e de sua semente, acrescentando que nele estavam a afluência e a suficiência de todas as coisas, para que Abraão tivesse consciência de que sua mão haveria de ser-lhe a fonte de todo bem [Gn 17.1-10]; palavras nas quais se contém a promessa da vida eterna, como as interpreta Cristo, daí formulando argumento para se comprovar a imortalidade e ressurreição dos fiéis. Ora, Cristo diz: “Ele não é Deus de mortos, mas de vivos” [Mt 22.32; Mc 12.27; Lc 20.38]. Por isso também Paulo, demonstrando aos efésios de que gênero de condenação o Senhor os libertara, daqui se conclui que não tinham a circuncisão; que não haviam sido admitidos ao pacto da circuncisão; conclui que estiveram sem Deus, sem esperança; que eram estranhos aos testamentos da promessa [Ef 2.12], todas as coisas que o próprio pacto compreendia. Mas que o primeiro acesso a Deus, o primeiro ingresso à vida imortal é a remissão dos pecados. Do quê se conclui que esta promessa da circuncisão corresponde à promessa do batismo quanto à nossa purificação.
Depois o Senhor ordena a Abraão que andasse diante dele em sinceridade e inocência de coração [Gn 17.1], o que diz respeito à mortificação, ou regeneração. E para que ninguém nutre dúvida de que a circuncisão seja o sinal de mortificação, Moisés o expõe mais claramente em outro lugar [Dt 10.15, 16], quando exorta o povo de Israel a circuncidar ao Senhor o prepúcio do coração, uma vez que ele fora escolhido dentre todas as nações da terra para que fosse o povo de Deus. Visto que Deus, quando adota para si a posteridade de Abraão para seu povo, preceitua que ela fosse circuncidada, assim Moisés pronuncia ser necessário que seu coração fosse circuncidado, explicando assim qual é o verdadeiro sentido desta circuncisão carnal [Dt 30.6]. Então, para que ninguém porfiasse de suas próprias forças, Moisés ensina que essa é obra da graça de Deus. Todas estas coisas são tantas vezes inculcadas pelos profetas que não é necessário aqui acumular muitos testemunhos, os quais são por toda parte profusos.
Portanto, temos na circuncisão uma promessa espiritual outorgada aos patriarcas, como se dá em nosso batismo, uma vez que ela significa a remissão dos pecados e a mortificação da carne. Além disso, como já ensinamos ser Cristo, em quem reside uma e outra destas duas coisas, o fundamento do batismo, assim se faz evidente que ele o é também da circuncisão. Pois ele próprio é prometido a Abraão e nele a bênção de todas as nações [Gn 12.2, 3]. O sinal da circuncisão é adicionado para selar-se esta graça.
4. BATISMO E CIRCUNCISÃO COINCIDEM NO QUE DIZ RESPEITO À PROMESSA BÁSICA. À COISA REPRESENTADA (REGENERAÇÃO) E AO FUNDAMENTO EM QUE SE ASSENTAM, DIFERINDO SÓ NO RITO EXTERNO
Já se pode ver, sem nenhuma dificuldade, nestes dois sinais, o batismo e a circuncisão, o que é semelhante ou o que é diverso. A promessa em que afirmamos consistir a virtude dos sinais é uma e a mesma em ambos, isto é, a promessa do favor paterno de Deus, da remissão dos pecados, da vida eterna. Então, a coisa figurada é também uma e a mesma, a saber, a regeneração. O fundamento em que se apóia o cumprimento destas coisas é um e o mesmo em ambos: Cristo. Por isso, não existe nenhuma diferença no mistério interior, no que consiste toda a força e propriedade dos sacramentos. A diferença que resta, essa consiste na cerimônia externa, que é porção mínima, quando a parte mais importante depende da promessa e da coisa significada.
Desse modo é lícito concluir que tudo quanto convém à circuncisão, excetuada a diferença da cerimônia visível, pertence igualmente ao batismo. A regra do Apóstolo nos conduz pela mão a esta dedução e comparação, mercê da qual se deve medir e pesar toda a interpretação da Escritura segundo a analogia da fé [Rm 12.3,6]. E neste aspecto, seguramente, a verdade nos é oferecida quase que tangivelmente. Ora, exatamente como a circuncisão, visto que era para os judeus uma como que senha pela qual se se assegurava ainda mais que foram adotados por povo e família de Deus, e também eles próprios, por sua vez, professavam alistar-se com Deus, era-lhes o ingresso inicial na lgreja, agora também, mediante o batismo, somos iniciados em relação a Deus para sermos contados em seu povo e nós, pessoal e reciprocamente, juremos a seu nome. Portanto, parece fora de dúvida que o batismo foi introduzido no lugar da circuncisão e tem em vista as mesmas funções.
5. O BATISMO, COMO OUTRORA A CIRCUNCISÃO, SENDO SELO DA ALIANÇA DE DEUS COM SEU POVO, DEVE SER ADMINISTRADO ÀS CRIANÇAS
E se agora alguém pergunta se o batismo deve ser comunicado às crianças, como se lhes pertencesse por disposição divina, quem será tão desatinado e louco que, para resolvê-lo, se detenha a considerar somente a água visível e não tenha presente o mistério espiritual? Pois se o temos presente, não caberá dúvida alguma de que o batismo, com toda razão, deve ser administrado às crianças. O Senhor antigamente não lhes outorgou a circuncisão sem fazê-los participantes de todas as coisas significadas pela circuncisão. De outra sorte, ele teria imposto a seu povo meras imposturas, se os embalasse com símbolos falazes, coisa que só de ouvir causa horror. De fato ele declara expressamente que a circuncisão de uma criancinha será como que um selo para autenticar-se a promessa do pacto. Porque, se o pacto permanece firme e fixo, aos filhos dos cristãos ele vale não menos hoje que sob o Antigo Testamento valia às crianças dos judeus. Com efeito, se são participantes da coisa significada, por que serão privados do sinal? Se tomam posse da verdade, por que serão alijados da representação?
Entretanto, o sinal exterior permanece de tal modo associado à palavra no sacramento, que não se pode separar dela; no entanto, se é distinguido, qual dos dois, pergunto, consideraremos de mais importância? Obviamente, quando vemos o sinal sendo subserviente à palavra, diremos que lhe é subordinado e o relegaremos a lugar inferior. Portanto, uma vez que a palavra do batismo seja destinada às crianças, por que lhes haverá de ser proibido o sinal, isto é, o apêndice da palavra? Esta única razão, se nenhuma outra ocorresse, seria sobejamente suficiente para refutar todos os que nutrem uma opinião contrária. A objeção de que havia um dia determinado para a circuncisão é claramente evasiva. Admitimos que já não estamos, à semelhança dos judeus, obrigados a determinados dias. Quando, porém, o Senhor, ainda que não prescreva nenhum dia, no entanto declara ser-lhe do agrado que as crianças sejam recebidas solenemente em sua aliança, que mais buscaremos?
6. O BATISMO É, NA PRESENTE DISPENSAÇÃO, O SINAL DO PACTO COM ABRAÃO, COMO A CIRCUNCISÃO O FOI NA ANTIGA DISPENSAÇÃO
A Escritura, contudo, nos leva a um conhecimento ainda mais seguro da verdade, porque de fato é bem evidente que o pacto que o Senhor uma vez firmou com Abraão [Gn 17.9-14] vigora não menos para os cristãos hoje do que outrota para o povo judeu; e além disso esta palavra visa não menos aos cristãos do que aos judeus visava outrora. Salvo se, talvez, julgarmos que Cristo, com sua vinda, tenha diminuído ou tenha truncado a graça do Pai, o que não está isento de execrável blasfêmia. Por isso, os filhos dos judeus, sendo também feitos herdeiros desse pacto, uma vez que se distinguiam dos filhos dos ímpios, eram chamados semente santa [Es 9.2; Is 6.13]; pela mesma razão, ainda agora, os filhos dos cristãos são considerados santos, ainda que nascidos só de um genitor fiel; e, segundo o testemunho do Apóstolo [1Co 1.14], eles diferem da semente imunda dos idólatras. Ora, quando o Senhor, imediatamente após ser firmado o pacto com Abraão, preceituou que nas crianças fosse assinalado um sacramento exterior [Gn 17.12], que justificativa, pois, podem os cristãos alegar para não atestarem e selarem hoje também em seus filhos? Tampouco alguém me conteste dizendo que nenhum outro sacramento foi instituído para testificar este pacto senão a circuncisão, o qual há muito já foi abolido. Ora, não é difícil responder que durante o tempo do Antigo Testamento ele instituiu a circuncisão para que seu pacto fosse confirmado; mas uma vez que esta é anulada, no entanto permanece sempre a mesma razão de confirmá-lo, o que temos em comum com os judeus.
Conseqüentemente, convém considerar sempre com diligência o que é comum a ambos, e o que aqueles são diferentes de nós. O pacto é comum; comum é a razão de confirmá-lo. Só o modo de confirmar é diverso, porque àqueles era a circuncisão, a qual foi substituída pelo batismo. De outra sorte, a vinda de Cristo haveria sido a causa de que a misericórdia de Deus não se manifestasse tanto a nós quanto aos judeus, se o testemunho que eles tinham para com seus filhos não foi suprimido de nós. Se isto não se pode dizer sem extrema ofensa a Cristo, através de quem foi derramada sobre as terras e declarada aos homens que a infinita bondade do Pai é mais luminosa e mais benignamente do que nunca, necessário se faz confessar que essa graça divina não deve permanecer oculta mais do que estava sob a lei, nem deve ser para nós menos certa do que o era para eles.
7. O ATO DE CRISTO ABENÇOAR AS CRIANCINHAS OFERECE PRESSUPOSTO LÓGICO E NATURAL EM FAVOR DO BATISMO INFANTIL
E por isso o Senhor Jesus, no afã de dar um exemplo pelo qual o mundo entenda que ele veio mais para dilatar do que para limitar a misericórdia do Pai, ele abraça ternamente as criancinhas que lhe eram trazidas, repreendendo os discípulos que tentavam impedi-las de acesso, quando de si, por meio de quem unicamente se patenteia a entrada no céu, estariam afastando aquelas de quem seria o reino dos céus [Mt 19.13-15; Mc 10.13-16; Lc 18.15-17]. Que semelhança, pois, alguém diria haver entre o batismo e este amplexo de Cristo? Pois não lemos que ele as tenha batizado; antes, que ele as recebeu, que as abraçou e as abençoou. Portanto, se queremos seguir o exemplo do Senhor, será melhor orar pelas crianças, mas não batizá-las, porquanto ele não o fez.
Nós, porém, examinemos mais detidamente os atos de Cristo antes que a tal gênero de homens. Pois não se deve passar adiante inconsideradamente o fato de Cristo ordenar que lhe fossem apresentadas as crianças com a razão anexa de que “dos tais é o reino dos céus” [Mt 19.14]. E a seguir atesta sua vontade com um ato, quando as abraça e as recomenda ao Pai com sua oração e bênção. Se é próprio levar as crianças a Cristo, por que também não sejam recebidas ao batismo, símbolo de nossa própria comunhão e associação com Cristo? Se delas é o reino dos céus, por que lhes neguemos o sinal por meio do qual é como se lhes fosse aberto o acesso à Igreja, de sorte que, nela adotadas, sejam arroladas por herdeiras do reino celeste? Quão iníquos seríamos se enxortássemos aquelas a quem Cristo convida a si; se espoliássemos aquelas a quem ele adorna com seus dons; se discriminássemos aquelas a quem ele próprio recebe graciosamente? Ora, pois, se insistirmos em discutir a diferença entre o ato de nosso Senhor e o batismo, em quanto mais elevado apreço teremos de ter o batismo, por meio do qual se nos atesta que as crianças estão incluídas no pacto divino, que a ação de recebê-las, o abraço, a imposição de mãos, a oração, com o quê o próprio Cristo presente declara não só que as crianças são suas, mas também que elas são por ele santificidas?
Por meio de outras cavilações, com as quais porfiam por baldar esta passagem, nada mais fazem senão pôr à mostra sua ignorância; pois tergiversam que, quando Cristo diz: “Deixai vir a mim os pequeninos”, estes eram bem crescidos, pois eram aptos a ir sozinhos. Mas são chamados pelos evangelistas bre,fh kai. paidi,a/ [br$ph@ kaì paidí& – nenês e criancinhas: Mt 19.14; Mc 10.13; Lc 18.15], termos com os quais os gregos significam criancinhas de peito. Vir, pois, foi expresso simplesmente como ter acesso.212 Eis como os que se endurecem contra a verdade buscam em cada palavra ocasião de tergiversar os fatos! Mais ainda, em nada é mais sólida a objeção de que o reino dos céus não foi designado às crianças, mas àqueles que se assemelham a elas; visto que a expressão “das tais”, não “delas propriamente ditas”. Pois, se isto for admitido, qual seria a razão de nosso Salvador querer mostrar que elas não lhe são estranhas em razão de sua idade? Quando Cristo manda que se permita que as crianças lhe tenham acesso, nada é mais claro do que estar se referindo à infância real, o que adiciona para que não parecesse absurdo: “Das tais é o reino dos céus.” Ora, se é necessário que as crianças sejam abrangidas, se vê claramente que pela expressão das tais são designadas as próprias crianças e os que se assemelham a elas.
8. O BATISMO INFANTIL É NÃO SÓ APROVADO PELA ESCRITURA, MAS TAMBÉM PRATICADO NA IGREJA PRIMITIVA DESDE OS DIAS DOS APÓSTOLOS
Portanto, é evidente que o batismo infantil não foi inventado temerariamente pelos homens, porquanto é confirmado de modo irrefutável pela Escritura. Tampouco tem valor algum a objeção que alguns apresentam de que em parte alguma se acha sequer uma criança sendo batizada pelas mãos dos apóstolos. Pois embora isto não seja expressamente narrado pelos evangelistas, todavia, visto que elas não são, por outro lado, excluídas sempre se faz menção de alguma família batizada, quem, a não ser que seja demente, daí não concluiria que tais crianças foram de fato batizadas?
Caso argumentos desse gênero tivessem alguma força, as mulheres deveriam igualmente ser vedadas da Ceia do Senhor, das quais não lemos que fossem admitidas no tempo dos apóstolos. Mas também aqui nos contentamos com a regra da fé, pois quando ponderamos qual seja o propósito da instituição da Ceia, disso também é fácil concluir que o uso deve ser-lhe comunicado, o que também observamos no batismo. Com efeito, quando atentamos para o propósito de sua instituição, vemos claramente que o batismo também compete às crianças, não menos que aos mais avançados em idade. Conseqüentemente, as crianças não podem ser privadas dele sem que se faça manifesta perfídia ao desígnio de Deus, seu Autor. A afirmação que se divulga entre o povo comum, de que uma longa série de anos passou depois da ressurreição de Cristo, durante a qual o pedobatismo era desconhecido, é uma despudorada falsidade, visto que não há escritor, por mais antigo que seja, que não trace sua origem aos dias dos apóstolos.
9. BENEFÍCIOS ADVINDOS DO BATISMO INFANTIL, NÃO SÓ ÀS CRIANÇAS, MAS TAMBÉM AOS PRÓPRIOS CRENTES
Resta indicarmos sucintamente que fruto provenha desta observância, tanto aos fiéis que apresentam seus filhos à Igreja para serem batizados, quanto às próprias crianças que são batizadas com a água sagrada, para que alguém não a despreze como inútil e supérflua. Todavia, se a alguém vem à mente fazer, com este pretexto, pouco caso do batismo infantil, tem em motejo o preceito da circuncisão imposto pelo Senhor. Pois que trarão a lume para impugná-lo que não se volte contra si próprio? De tal forma o Senhor castiga a arrogância daqueles que sem detença condenam o que não compreendem com o senso de sua carne. Deus, porém, nos equipa com outras armas com as quais repreendamos sua estupidez. Ora, sua santa instituição, da qual sentimos que nossa fé deriva admirável conforto, não merece ser chamada supérflua, porque o sinal de Deus, comunicado à criança como um selo impresso, confirma a promessa dada ao pai piedoso e declara ter sido ratificado que o Senhor há de ser por Deus não só a ele, mas também à sua semente; nem quer que sua bondade e graça sejam acompanhadas não só por ele, mas ainda por sua posteridade até a milésima geração [Ex 20.6; Dt 5.19]. No qual primeiramente brilha a bondade de Deus para glorificar e enaltecer seu nome; e, segundo, para consolar ao homem fiel e dar-lhe maior ânimo para entregar-se totalmente a Deus, ao ver que não só se preocupa com ele, mas também com seus filhos e sua posteridade.
Tampouco faço caso se alguém objetar que a promessa bastará para assegurar a salvação de nossos filhos, quando diferentemente pareceu a Deus que, como tem bem presente nossa fraqueza, tanto quis ser-lhe indulgente nesta matéria. Logo, aqueles que abraçam a promessa de que a misericórdia de Deus se propagará a seus filhos, devem apresentá-los para que sejam marcados pelo símbolo da misericórdia; e com isso sua fé seja consolada e corroborada, ao ver com seus próprios olhos a aliança do Senhor selada no corpo de seus filhos.
Por outro lado, as crianças recebem algum tipo de benefício de seu próprio batismo, porquanto, enxertadas no corpo da Igreja, são tidas em maior estima pelos outros membros. Então, quando crescem, são por isso não pouco estimuladas ao sério zelo de cultuar a Deus, por quem foram recebidas por filhos pelo solene símbolo da adoção, antes que o pudessem reconhecer como Pai pela idade. Finalmente, deve aterrar-nos sobremaneira aquela sentença de que Deus haverá de ser vingador, caso alguém negligencie marcar o filho com o símbolo do pacto; porquanto, menosprezado este, a graça oferecida é rejeitada e como que retratada.
10. REFUTAÇÃO DO PRIMEIRO DA SÉRIE DE ARGUMENTOS QUE OS ANABATISTAS EVOCAM CONTRA O BATISMO INFANTIL, ISTO É, QUE CIRCUNCISÃO E BATISMO SÃO COISAS COMPLETAMENTE DISTINTAS
Abordemos agora os argumentos com que certas bestas furiosas não cessam de atacar a esta santa instituição de Deus. Para começar, visto que se sentem molestados e constringidos além da medida pela similaridade de batismo e circuncisão, porfiam por diferenciar com longa distinção estes dois sinais, de sorte que pareça não haver nada em comum entre um e outro. Ora, dizem que neles são não só representadas coisas diferentes, mas também um pacto absolutamente diverso, e que as pessoas inclusas sob o título crianças são distintas.
Com efeito, enquanto empreendem provar esse primeiro ponto, alegam que a circuncisão foi uma figura da mortificação, não do batismo; o que, certamente, de muito bom grado admito, pois nos respalda excelentemente. Nem fazemos uso de outra comprovação de nossa tese, senão que o batismo e a circuncisão são sinais de mortificação. Daqui concluímos que no lugar desta foi posto aquele, para que isso mesmo nos represente que aquela significava outrora os judeus.
Ao asseverarem a diferença do pacto, de quão bárbara audácia desmantelam e corrompem a Escritura, e isso não só em um lugar, mas de tal modo que nada deixam incólume ou intacto! Pois eles nos pintam os judeus de tal forma carnais, que se assemelham mais a animais do que a seres humanos, com os quais, evidentemente, firmou um pacto que não vai além da vida temporária; aos quais as promessas dadas se acomodam aos bens presentes e materiais, doutrina que, se prevalecer, que mais
resta senão que o povo judaico foi por um tempo saciado pela benevolência de Deus, exatamente como se ceva a uma vara de porcos numa pocilga, para que, afinal, perecesse em eterna ruína? Ora, tão logo lhes citamos a circuncisão e as promessas a ela anexadas, respondem que a circuncisão foi um sinal literal, e que suas promessas foram carnais.
11. REFUTAÇÃO DO SEGUNDO DA SÉRIE DE ARGUMENTOS QUE OS ANABATISTAS EVOCAM CONTRA O BATISMO INFANTIL, ISTO É, QUE AO CONTRÁRIO DO BATISMO INFANTIL A CIRCUNCISÃO FOI MERAMENTE LITERAL E CARNAL, NÃO ESPIRITUAL
Obviamente, se a circuncisão era um sinal literal, nada menos se deve dizer quanto ao batismo, porque o Apóstolo, no segundo capítulo da Epístola aos Colossenses, nada mais espiritual faz a um que ao outro, porquanto diz que nós fomos circuncidados em Cristo com uma circuncisão não feita por mão, despojando o corpo de pecado que habitava em nossa carne, à qual chama “a circuncisão de Cristo” [Cl 2.11]. Depois, à guisa de explicação dessa afirmação, acrescenta que fomos sepultados juntamente com Cristo mediante o batismo [Cl 2.12]. Que quer dizer com estas palavras, senão que o cumprimento e a veracidade do batismo são, ao mesmo tempo, a veracidade e o cumprimento da circuncisão, visto que representam uma única coisa? Ora, ele aqui está porfiando por demonstrar que o batismo é para os cristãos aquilo que a circuncisão fora para os judeus. No entanto, uma vez que já expusemos além de toda dúvida que as promessas de ambos esses sinais, e os mistérios que são por eles representados, estão de pleno acordo entre si, não nos demoraremos por mais tempo neste assunto. Apenas advertirei os fiéis a que, ao calar-me, reflitam consigo mesmos se porventura se haja de ter por terreno e literal um sinal ao qual nada subjaz senão o espiritual e celeste. Contudo, para que suas fumaças não obscureçam aos símplices, uma só objeção, com a qual acobertam esta mentira tão impudente, diluiremos de passagem.
É mais do que certo que as promessas primárias, nas quais se continha o pacto que Deus estabeleceu com os israelitas sob o Antigo Testamento, foram espirituais e visavam à vida eterna; então, por sua vez, foram pelos pais recebidas espiritualmente, como era próprio, para que daí concebessem a confiança da vida futura, à qual aspirassem com todas as veras da alma. Entrementes, porém, de modo algum negamos que ele lhes haja atestado sua benevolência mercê de benefícios terrenos e carnais, com os quais também dizemos que foi confirmada aquela esperança das promessas espirituais, como, quando prometeu eterna bem-aventurança a seu servo Abraão, para que diante dos olhos exibisse manifesta evidência de seu favor, adiciona outra promessa acerca da posse da terra de Canaã [Gn 15.1-18]. Nesta maneira convém se entendam todas e quaisquer promessas terrenas que foram dadas ao povo judaico, de sorte que a promessa espiritual, como a cabeça à qual haverão de referir-se, tenha sempre a primazia. E visto que discuti estas coisas mais amplamente na parte referente à distinção de Novo e Velho Testamentos, agora as abordo mais brevemente.
12. REFUTAÇÃO DO TERCEIRO DA SÉRIE DE ARGUMENTOS QUE OS ANABATISTAS EVOCAM CONTRA O BATISMO INFANTIL, ISTO É, QUE À LINHAGEM DE ABRAÃO, NO ANTIGO TESTAMENTO, FORAM OUTORGADAS PROMESSAS MATERIAIS, NÃO AS ESPIRITUAIS DA NOVA DISPENSAÇÃO
Na acepção do termo crianças extraem esta diferença: lemos que são filhos de Abrão, sob o Antigo Testamento, aqueles que trazem na carne a origem de sua semente; com este título são agora chamados os que lhe imitam a fé. Por isso, aquela infância carnal, que era inserida na sociedade do pacto mediante a circuncisão, prefigurou as crianças espirituais do Novo Testamento, que à vida imortal foram regeneradas pela Palavra de Deus. Por certo que nessas palavras divisamos exígua centelha de verdade; mas estes espíritos levianos pecam gravemente, porque, enquanto agarram o que vier primeiro à mão, onde se faz necessário que se avance além e se comparem muitas coisas entre si, insistem pertinazmente apenas numa palavra. Do quê de outro modo não pode acontecer sem que cedam freqüentemente ao erro, porque não se aplicam ao sólido conhecimento de coisa alguma.
Admitimos, com efeito, que a semente carnal de Abraão manteve por certo tempo o lugar da semente espiritual, que é nele enxertada mediante a fé; pois nos chamamos seus filhos, por mais que não nos medeie com ele nenhum parentesco natural [Rm 4.12; Gl 4.28]. Se, porém, entendem, o que demonstram não obscuramente, que à semente carnal de Abraão nunca foi prometida a bênção espiritual de Deus, aqui realmente se enganam muitíssimo. Conseqüentemente, é melhor que apontem para outra direção à qual somos conduzidos pela infalível direção da Escritura. Portanto, o Senhor promete a Abraão que ele haveria de ter semente, na qual fossem abençoados todos os povos da terra [Gn 12.3] e, ao mesmo tempo, lhe garante que lhe será por Deus, a ele e a sua semente [Gn 17.7]. Todos aqueles que em fé recebem a Cristo, o Autor da bênção, são herdeiros desta promessa, e por isso são chamados filhos de Abraão.
13. O REINO DE DEUS ABRANGE, IGUALMENTE, AOS JUDEUS NO PACTO ANTIGO, E AOS GENTIOS NA NOVA DISPENSAÇÃO: O SELO DAQUELE, SENDO A CIRCUNCISÃO; DESTA, O BATISMO, IDÊNTICOS EM FUNÇÃO E SENTIDO, DONDE SEREM TODOS FILHOS DE ABRAÃO
Mas ainda que, após a ressurreição de Cristo, as fronteiras do reino de Deus começassem a estender-se, ampla e dilatadamente, a toda e qualquer nação, sem qualquer distinção, para que, segundo a afirmação de Cristo, de toda e qualquer
parte os fiéis fossem congregados, os quais se reclinassem com Abraão, Isaque e Jacó na glória celeste [Mt 8.11], contudo, por muitos séculos antes, ele havia com tão grande misericórdia abraçado aos judeus. E uma vez que todos os outros foram preteridos, escolhendo somente este povo, o manteve, por algum tempo e por sua graça, como sua possessão [Ex 19.5] e povo adquirido [Ex 15.16]. Para que benevolência desta natureza fosse atestada, foi dada a circuncisão, mercê de cujo símbolo
os judeus fossem instruídos que Deus era Aquele que presidia sua salvação, de cujo conhecimento seu ânimo fosse alçado à esperança da vida eterna. Ora, que haverá de faltar àquele a quem Deus recebeu à fé de uma vez por todas? Por isso o Apóstolo, a fim de provar que os gentios, juntamente com os judeus, são filhos de Abraão, fala desta forma: “Abraão”, diz ele, “foi justificado pela fé, quando ainda era incircunciso. Mais tarde recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, para que fosse pai de todos os fiéis, tanto da incircuncisão quanto da circuncisão; não só daqueles que se gloriam na circuncisão, mas dos que seguem a fé que nosso pai Abraão teve quando ainda incircunciso” [Rm 4.10-12].
Porventura não vemos que ambos se igualam em dignidade? Ora, pelo tempo constituído no decreto de Deus, Abraão foi o pai da circuncisão. Quando, segundo o Apóstolo escreve em outro lugar [Ef 2.14], o muro foi demolido pelo qual os gentios eram separados dos judeus, também a eles foi escancarado o ingresso no reino de Deus, Abraão veio a ser seu pai, e isso sem levar em conta o sinal da circuncisão, porque eles têm o batismo no lugar da circuncisão. Mas o fato de o Apóstolo negar expressamente ser Abraão o pai só daqueles que são da circuncisão, isso foi dito a fim de repelir-se a soberba de alguns que, deixado de parte o zelo pela piedade, cortejavam somente cerimônias. Da mesma forma também hoje se pode refutar a vaidade daqueles que buscam no batismo nada mais além da água.
14. TAMPOUCO É PROCEDENTE O ARGUMENTO CALCADO EM ROMANOS 9.7,8, DE QUE A FILIAÇÃO ABRAÂMICA É DESTITUÍDA DE RELEVÂNCIA, NÃO ASSISTINDO AO PACTO ANTIGO NENHUMA VALIDADE
Mas, evoca-se em contrário outra passagem do Apóstolo onde ele ensina que os verdadeiros filhos de Abraão não são aqueles que procedem da carne, mas somente são contados na descendência aqueles que são filhos da promessa [Rm 9.7, 8]. Com efeito, a passagem parece acenar que o parentesco carnal de Abraão é destituído de valor, ao qual atribuímos certa relevância. Mas cabe-nos atentarmos mais diligentemente ao que o Apóstolo aí trata. Ora, a fim de mostrar aos judeus que a bondade de Deus não continuaria ligada à semente de Abraão, aliás, que ela de si mesma nada confere, à guisa de prova deste fato cita a Ismael e Esaú [9.6-13], os quais são rejeitados exatamente como se fossem estranhos; ainda que, segundo a carne, constituíam legítima progênie de Abraão, a bênção reside em Isaque e Jacó. Do quê se segue aquilo que depois afirma: que a salvação depende da misericórdia de Deus; que ele a estende a quem bem lhe apraz; mas que não existe motivo para que os judeus se gloriem no nome do pacto, salvo se observarem a lei do pacto, isto é, se obedecerem à Palavra.
Ademais, quando os demoveu da vã confiança de sua linhagem, porque, por outro lado, percebia que o pacto que fora uma vez firmado com a posteridade de Abraão de modo algum poderia ser por Deus feito inútil, Paulo argúi, no capítulo onze da Epístola, dizendo que sua dignidade não deve despojar a consangüinidade carnal de Abraão, por cujo benefício ensina que os judeus são os primeiros e herdeiros natos do evangelho, a não ser até onde, por sua ingratidão, são rejeitados como indignos; contudo, de forma tal que a bênção celestial não se haja afastado de sua descendência. Razão por que, por mais contumazes e violadores de pacto sejam, não obstante os chama santos [Rm 11.16], tanto de honra concede à geração santa a que Deus dignara de sua santa aliança! A nós, porém, se somos com eles comparados, nos chama de filhos póstumos de Abraão, ou até mesmo abortivos, e isto por adoção, não por inerência; ao modo como se um ramo quebrado de seu tronco fosse enxertado em um renovo estranho [Rm 11.17]. Portanto, para que não fossem defraudados de sua prerrogativa, foi necessário que o evangelho lhes fosse anunciado em primeiro lugar, porque são como que os primogênitos na família de Deus. Por isso, foi necessário conceder-lhes esta honra até que rejeitassem o que era oferecido e, por sua ingratidão, fizeram com que ela fosse transferida aos gentios. Contudo, por maior que seja a contumácia com que persistam em mover guerra contra o evangelho, nem por isso devamos tê-los em desprezo, se considerarmos que, em função da graça da promessa, entre eles ainda agora reside a bênção de Deus, como de fato atesta o Apóstolo que ela daí jamais se apartará inteiramente, porquanto “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” [Rm 11.29].
15. A PROMESSA DIVINA FEITA AO POVO DO ANTIGO TESTAMENTO, DE QUE A CIRCUNCISÃO É O SELO, NÃO MERAMENTE FIGURATIVA, MAS FACTUAL, PLENA E EFICAZ EM SUA APLICAÇÃO E EFEITO
Tal é o valor da promessa dada à posteridade de Abraão – tal é a balança na qual deve ser pesada.213 Por isso, ainda que, distinguindo-se os herdeiros do reino dos espúrios e estranhos, nenhuma dúvida temos de que somente a eleição domina de livre direito, no entanto percebemos, ao mesmo tempo, que lhe foi do agrado conceder sua misericórdia peculiarmente à semente de Abraão; e, para que a tivesse mais atestada, a sela com a circuncisão. Com efeito, a situação da Igreja Cristã é exatamente a mesma. Ora, assim como ali Paulo argúi que os judeus são santificados por seus pais, assim também em outro lugar [1Co 7.14] ensina que os filhos dos cristãos recebem dos pais a mesma santificação. Do quê se conclui com razão que são separados dos demais, os quais, ao contrário, são condenados por sua impureza [1Co 7.15].
Daí se pode facilmente julgar que é completamente falso o que esses pretendem concluir, a saber: as crianças que outrora eram circuncidadas apenas representavam a infância espiritual que emerge da regeneração da Palavra de Deus. Ora, o Apóstolo não filosofa com tanta sutileza, quando escreve ser Cristo ministro da circuncisão para o cumprimento das promessas que foram outorgadas aos pais [Rm 15.8], como se falasse desta maneira: Uma vez que o pacto firmado com Abraão visa à semente, Cristo, para que levasse a bom termo e saldasse o compromisso uma vez assumido pelo Pai, veio para a salvação do povo judeu. Porventura notas como, após a ressurreição de Cristo, ele também pensa que a semente carnal de Abraão deve cumprir a promessa do pacto, não apenas alegoricamente, mas segundo soam as palavras?
O que Pedro declara aos judeus tem o mesmo sentido: lhes anuncia que a promessa lhes pertencia, a eles e a seus descendentes [At 2.39]. E logo em seguida, no capítulo seguinte, os chama filhos do testamento, isto é, herdeiros [At 3.25]. E assim o confirma o Apóstolo, de acordo com o que já citamos, onde considera e declara a circuncisão impressa nas crianças como testemunho desta comunhão que elas têm. Disto não difere muito a outra passagem do Apóstolo supracitada [Ef 2.11-13], onde considera e declara a circuncisão impressa às crianças como testemunho desta comunhão que têm com Cristo. E deveras, se as coisas fossem como esses dizem, que se fará com aquela promessa mercê da qual o Senhor, no segundo mandamento de sua lei, com seus servos se compromete de ser propício à sua semente até a milésima geração? [Ex 20.6; Dt 5.10]. Aqui, porventura, nos refugiaremos em alegorias? Mas se recorrem à alegoria, a resposta não passa de evasiva. Porventura diremos que isso foi abolido? Assim, pois, a lei seria destruída, a qual, antes, foi confirmada por Cristo que veio [Mt 5.17], até onde nos resulta para o bem da vida. Permaneçamos, pois, firmes em que o Senhor é tão bom e munificente para com os seus, que não só os tem por seu povo, mas também a seus descendentes por causa deles.
16. REFUTAÇÃO DA QUARTA OBJEÇÃO (DIFERENÇA DE DATA DO RITO) E DA QUINTA (AS MULHERES NÃO DEVERIAM SER BATIZADAS), QUE OS ANABATISTAS SUSCITAM CONTRA O BATISMO INFANTIL, EM SUA CORRELAÇÃO COM A CIRCUNCISÃO
As diferenças que, depois disto, se empenham por introduzir entre o batismo e a circuncisão são não apenas ridículas, e vazias de toda aparência de razão, mas até mesmo conflitantes entre si. Ora, pois, quando afirmam que o batismo visa ao primeiro dia do embate espiritual; mas que a circuncisão visa ao oitavo, depois que a mortificação já estiver efetuada; imediatamente, esquecidos disso, invertem a cantilena e afirmam que a circuncisão de fato é figura da carne a ser mortificada; o batismo, porém, seu sepultamento, ao qual ninguém deve ser trazido, senão os que já são mortos. Certamente um louco não cairia em contradição tão flagrante. Ora, na primeira proposição, o batismo deveria preceder no tempo à circuncisão; e na segunda, o contrário, a saber, que deveria ser-lhe posterior. Contudo, não se deve estranhar tais contradições; pois o espírito do homem, quando se põe a inventar fábulas e imaginações semelhantes aos sonhos, necessariamente há de cair em tais desvarios.
Nós, portanto, dizemos que aquela primeira diferença por eles apontada é mero sonho. Caso queiram ao oitavo dia avllhgorei/n [all@gore'n – alegorizar], entretanto não convinha agir deste modo. Muito mais satisfatório foi, seguindo aos antigos, atribuir o número otonário à ressurreição operada no oitavo dia, do quê sabemos depender a novidade de vida, ou a todo o curso da presente vida,215 no qual deve sempre proceder a mortificação, até que, findado ele, também ela própria foi consumada. Ainda que pareça haver alguma razão para crer que o Senhor, ao prorrogar a circuncisão até o oitavo dia, tenha levado em conta a tenra idade dos meninos; porquanto a ferida da circuncisão seria mais perigosa aos recém-nascidos. Quanto mais vigoroso é isto: nós, já antes mortos, somos sepultados pelo batismo, quando a Escritura protesta eloqüentemente que somos sepultados para a morte com esta condição: que morremos, e a partir daí exercitamos esta mortificação? [Rm 6.4].
Finalmente, da mesma perícia é o que cavilam: se o batismo deve conformar-se à circuncisão, as meninas não devem ser batizadas. Ora, se porventura se tiver em mente que pelo sinal da circuncisão foi atestada a santificação da semente israelita, se verá sem sombra de dúvida que ela foi dada para que homens e mulheres fossem igualmente santificados. Mas somente os corpos dos homens recebiam o sinal, sendo neles também compreendido o sexo oposto que, não podendo receber a circuncisão em seu próprio corpo, participava, de certo modo, da circuncisão dos homens. Portanto, sendo tais absurdos afastados para bem longe, apeguemo-nos à similaridade de batismo e circuncisão, que vemos quadrar-se mui amplamente no que tange ao mistério interior, às promessas; ao uso, à eficácia.
17. REFUTAÇÃO DA SEXTA OBJEÇÃO (AS CRIANÇAS NÃO APREENDEM O MISTÉRIO DO RITO) E DA SÉTIMA (AS CRIANÇAS, JÁ QUE NÃO PODEM ARREPENDER-SE, NÃO PODEM SER REGENERADAS) QUE OS ANABATISTAS SUSCITAM CONTRA O BATISMO INFANTIL
Acreditam também que têm sobeja razão para que as crianças devam ser barradas do batismo, enquanto argúem que, em função da idade, não são ainda capazes de apreender o mistério aí representado, isto é, realmente a regeneração espiritual que não se pode ocorrer na primeira infância. E assim concluem que elas não devem ser tidas em outra posição senão a de filhos de Adão, até que hajam amadurecido a uma idade congruente com o segundo nascimento.
Mas tudo isso se opõe frontalmente à verdade de Deus. Pois se devem ser considerados filhos de Adão, então são abandonados à morte, em Adão, e por isso nada podemos fazer senão morrer [Rm 5.12-21]. Cristo, porém, em contrário, manda que elas sejam trazidas a si [Mt 19.14; Mc 10.14; Lc 18.16]. Por quê? Porque ele é a vida. Portanto, para que lhes dê vida, ele as faz participantes de sua pessoa; enquanto, entrementes, esses tais as condenam a que sejam afastadas para longe, trementes, permaneçam na morte. Porque, se tergiversam que as crianças não perecem por serem reputadas filhas de Adão, seu erro é mais do que suficientemente refutado pelo testemunho da Escritura. Ora, uma vez que a Escritura sentencia que em Adão todos morreram, segue-se não restar nenhuma esperança de vida, a não ser em Cristo [1Co 15.22]. Portanto, para que nos tornemos herdeiros da vida, é imprescindível que tenhamos participação nele.
Por outro lado, quando foi escrito em outro lugar que todos nós somos por natureza passíveis da ira de Deus [Ef 2.3], e concebidos em pecado [Sl 51.5], ao que se apega condenação perpétua, é necessário que nos despojemos de nossa natureza antes que tenhamos acesso ao reino de Deus. E é possível dizer algo mais claramente, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus [1Co 15.50]? É necessário, pois, que tudo quanto haja em nós seja aniquilado, o que não se fará sem a regene-
ração, e então veremos claramente esta posse do reino. Finalmente, se Cristo fala verazmente quando proclama ser a vida [Jo 11.25; 14.6], é imprescindível que sejamos enxertados nele para que também sejamos libertados da servidão da morte.
Mas, de que maneira, argumentam eles, as crianças são regeneradas, se não conhecem o mal e o bem? Respondemos, porém, que a obra de Deus, ainda que não esteja ao alcance de nossa apreensão, entretanto não deixa de existir. Com efeito, não é de forma alguma obscuro que as crainças são antes regeneradas pelo Senhor a fim de serem salvas, uma vez que, certamente, algumas estão plenamente salvas desde essa idade. Ora, se levam consigo a corrupção que lhe é inerente desde o ventre materno, importa que sejam purificadas da mesma antes que possam ser admitidas ao reino de Deus, no qual nada entra poluído ou manchado [Ap 21.27]. Se nascem pecadoras, como Davi [Sl 51.5] e Paulo [Ef 2.3], respectivamente, afirmam, ou permanecem rejeitadas e odiosas a Deus, ou necessariamente são justificadas. E o que buscamos além, quando o próprio Juiz afirma abertamente que ninguém tem ingresso à vida celeste senão os renascidos [Jo 3.3, 5]? E para fechar a boca a todos os amigos de contradizentes, João Batista ofereceu prova, a quem santificou no ventre da mãe [Lc 1.15], o que poderia fazer nos demais.
Nem proveito algum desfrutam com a tergiversação com que aqui gracejam: que isto se deu apenas uma vez, do quê não se segue, imediatamente, que o Senhor assim costuma agir indiscriminadamente com as crianças. Nós, porém, não estamos arrazoando dessa maneira. Nosso intento é apenas mostrar que o poder de Deus é por esses iníqua e perversamente limitado dentro dessas estreitas fronteiras nas quais ele não permite deixar-se confinar. O outro subterfúgio a que se acolhem não é mais sólido: alegam que, segundo o costume usual da Escritura, a expressão desde o ventre vale precisamente como se estivesse dizendo desde a infância. Mas é possível ver mui claramente que o anjo, quando anunciara isso a Zacarias, ele quis dizer outra coisa, isto é, que João Batista, mesmo antes de nascer já era cheio do Espírito Santo. Portanto, não tentemos impor lei a Deus, a ponto de não santificar aqueles a quem ele queira fazê-lo, como santificou a João, quando nada lhe foi subtraído de seu poder.
18. CRISTO FOI SANTIFICADO DESDE A MAIS TENRA IDADE PARA IGUALMENTE NOS SANTIFICAR, EM CUJA SANTIFICAÇÃO TAMBÉM SE INCLUEM AS CRIANÇAS
E foi por isso que Cristo se santificou desde a primeira infância, para que a seus eleitos, de qualquer idade e sem distinção, também os santificasse em si mesmo.
Ora, visto que, para destruir a culpa da desobediência que fora perpetrada em nossa carne, a si mesmo revestiu-se dessa mesma carne, na qual, por nossa causa e de sua parte, prestasse perfeita obediência, assim foi concebido do Espírito Santo para que, embebido plenamente de sua santidade na carne que assumira, no-la transmitisse. Se temos em Cristo o mais perfeito exemplo de todas as graças com que Deus cumula a seus filhos, também nesta parte, evidentemente, ele nos será por prova de que a idade da infância não é até esse ponto incompatível com a santificação. Entretanto, seja como for, tenhamos por certo que o Senhor não leva desta vida a nenhum de seus eleitos sem que primeiro seja santificado e regenerado por seu Espírito.
À objeção de que a Escritura não conhece nenhuma outra regeneração senão a que ocorre da semente incorruptível pela Palavra de Deus [1Pe 1.23], respondemos que entendem muito mal o que Pedro aí diz; pois ele se dirige unicamente aos fiéis que haviam sido instruídos pela pregação do evangelho. A esses afirmamos que a Palavra do Senhor certamente é a única semente da regeneração espiritual, porém negamos que se deva concluir desse fato que as crianças não possam ser regeneradas pelo poder de Deus, a qual lhe é tão fácil e pronta quanto a nós incompreensível e admirável. Ademais, seria um tanto inseguro subtrair ao Senhor que ele não pode revelar-se de modo algum para que o conheçam.
19. REFUTAÇÃO DA OITAVA OBJEÇÃO QUE OS ANABATISTAS SUSCITAM CONTRA O BATISMO INFANTIL: AS CRIANÇAS, QUE NÃO PODEM APREENDER A MENSAGEM DO EVANGELHO, NÃO TÊM A FÉ E O CONHECIMENTO REQUERIDOS PARA A REGENERAÇÃO
Mas, dizem eles, a fé vem do ouvir [Rm 10.17], cujo exercício as crianças ainda não adquiriram, nem podem estar em condições de conhecer a Deus aqueles a quem Moisés ensina que são destituídos do discernimento igualmente do bem e do mal [Dt 1.39]. Não atentam, porém, para o fato de que o Apóstolo, quando faz do ouvir o princípio da fé, ele está apenas descrevendo a economia e dispensação ordinárias de Deus, que costuma empregar em chamar seu povo, não, porém, a preceituar-lhe uma regra perpétua, de sorte que não possa usar de outro método, como de fato tem usado na vocação de muitos, aos quais dotou de verdadeiro conhecimento de sua pessoa, de modo interior, pela iluminação do Espírito, sem a intervenção de nenhuma pregação.
Mas, visto que acreditam ser um grande absurdo atribuir às crianças qualquer conhecimento de Deus, às quais Moisés priva de discernimento do bem e do mal, peço que me respondam que perigo há se agora lemos que recebem alguma parte de sua graça, da qual haverão de usufruir pouco depois em plena abundância? Ora, se a plenitude da vida consiste no perfeito conhecimento de Deus, quando alguns daqueles a quem a morte daqui arrebata logo na primeira infância se trasladam para a vida eterna, a contemplar a mui presente face de Deus certamente são recebidos. Portanto, se assim lhe foi do agrado, por que de diminuta centelha não irradiaria também, no presente, àqueles a quem o Senhor haverá de iluminar do pleno fulgor de sua luz, principalmente se não os desvestiu do desconhecimento antes de arrancá-los do habitáculo da carne? Não que eu queira temerariamente afirmar que são dotados da mesma fé que experimentamos em nós, ou que têm conhecimento de fé absolutamente semelhante ao nosso, o que prefiro deixar em suspenso; mas, ao contrário, coibir um pouco a estúpida arrogância dos que, como se sua boca fosse inchada, ou negam ou afirmam confiadamente o que bem entendem.
20. REFUTAÇÃO DA NONA OBJEÇÃO QUE OS ANABATISTAS SUSCITAVAM CONTRA O BATISMO INFANTIL: AS CRIANÇAS NÃO PODEM SENTIR O ARREPENDIMENTO E FÉ EM QUE SE ASSENTA A REGENERAÇÃO (ARGUMENTO QUE VALERIA CONTRA A CIRCUNCISÃO)
Mas, querendo insistir ainda mais vigorosamente nesta parte, acrescentam que o batismo é o sacramento do arrependimento e da fé; por isso, como nenhum dos dois ocorre na infância mais tenra, é preciso tomar cuidado para que, se a criança for admitida à comunhão do batismo, seu significado não se torne vão e ridículo. Mas o fato é que estes dardos são dirigidos contra Deus mais do que contra nós. Ora, pois, haver sido também a circuncisão sinal de arrependimento conhecidíssimo provém de muitos testemunhos da Escritura. Ao depois, é ela chamada por Paulo “selo da justiça da fé” [Rm 4.11]. Logo, que se exija razão do próprio Deus por que a tenha ordenado imprimir-se nos corpos das crianças. Pois, uma vez que no mesmo caso estão o batismo e a circuncisão, a esta nada podem outorgar que, ao mesmo tempo, ao outro não concedam. Se voltam os olhos ao costumeiro subterfúgio: que pela idade da infância foram então prefiguradas as crianças espirituais, então o caminho já lhes foi obstruído.
Dizemos, pois, que, uma vez que Deus conferiu às crianças a circuncisão como sacramento de arrependimento e fé, não parece absurdo se elas se fazem agora participantes do batismo; a não ser que queiram invistir-se, com prazer e abertamente, contra a instituição divina. Mas a verdade, sabedoria e justiça de Deus brilham em todas as suas obras para confundir a loucura, mentira e maldade. Ora, ainda que as crianças não compreendessem com inteligência, no momento em que eram circuncidadas, qual o significado daquele sinal, no entanto eram verdadeiramente circuncidadas para mortificação de sua natureza corrupta e contaminada, a qual, depois de adultas, exercitariam. Em suma, esta objeção pode ser solucionada sem qualquer dificuldade: as crianças são batizadas para futuro arrependimento e fé, os quais, embora ainda não formados nelas, no entanto, pela secreta operação do Espírito, a semente de um e de outra está nelas latente.
Com esta resposta, se reverte de uma vez tudo quanto torcem contra nós tirado do significado do batismo. Dessa natureza é o título com que o batismo é exaltado por Paulo, onde o chama “a lavagem da regeneração e da renovação” [Tt 3.5], do quê arrazoam que a ninguém é ele conferido, senão àquele que é apto para essas coisas. Mas, a nós cabe argüir em contrário que nem a circuncisão, que denotava a regeneração, deveria ter sido conferida a outros senão aos regenerados. E assim a ordenança divina seria por nós condenada. Conseqüentemente, todas as razões que adicionam contra a circuncisão em nada prejudica o batismo.
E não podem escapar-se dizendo que se deve considerar como fato o que o Senhor ordenou, e que se deve ter por firme, bom e santo sem investigar mais sobre isso; mas que esta reverência não se deve ao pedobatismo, nem a outras coisas semelhantes que não nos são recomendáveis pela expressa palavra de Deus, uma vez que estão sempre presos neste dilema: o preceito de Deus de circuncidar as crianças ou foi legítimo e não está sujeito a nenhuma cavilação, ou foi digno de censura. Se não existe nada de incongruente, nem de absurdo no preceito, tampouco há na observância do batismo infantil qualquer absurdo.
21. O BATISMO INFANTIL, EM SUA CORRELAÇÃO COM A CIRCUNCISÃO, AO CONTRÁRIO DO QUE SUSTENTAM OS ANABATISTAS, É FUTURISTA EM PERSPECTIVA, COMO SE EVIDENCIA À LUZ DE TEXTOS DE PAULO E DE PEDRO
E assim removemos o estigma de absurdo que tentam imprimir neste lugar: aqueles a quem o Senhor dignou de sua eleição, se receberem o sinal da regeneração e partirem da presente vida antes que cresçam, a esses ele renova pelo poder de seu Espírito, oculto e incompreensível a nós, como somente ele antevê ser conveniente. Se ocorrer que cresçam até a idade em que possam ser instruídos na verdade do batismo, disso mais se inflamarão ao zelo de renovação, de cujo penhor aprenderão que foram dotados já desde a primeira infância, para que a exercitassem em todo o decurso da vida.
A isso mesmo remonta o que Paulo ensina em duas passagens: que somos sepultados juntamente com Cristo mercê do batismo [Rm 6.4; Cl 2.12]. Ora, com isso ele não entende que importa já ter sido antes sepultado com Cristo aquele que haja de ser iniciado no batismo; ao contrário, está simplesmente declarando qual doutrina subjaz ao batismo, e isso aos já batizados, de modo que nem os ignorantes desta passagem poderão de fato discordar que o sepultamento precede ao batismo. É assim que Moisés e os profetas traziam à lembrança ao povo qual o significado da circuncisão, ainda que fossem circuncidados na pessoa de suas crianças. Outro tanto vale o que tambem escreve aos gálatas: que Cristo os revestira quando foram batizados [Gl 3.27]. Com que propósito? Indubitavelmente, a fim de que vivessem para Cristo para o futuro, já que não haviam vivido para ele anteriormente. E ainda que os mais avançados em idade não devam receber o sinal sem que compreendam o mistério, contudo o mesmo não se dá com os pequeninos, em cujo número exporemos mais adiante.
Na mesma direção está a passagem de Pedro na qual buscam para si grande apoio, quando ele diz que o batismo não é a ablução para a limpeza das imundícias do corpo, mas o testemunho de uma boa consciência diante de Deus, através da ressurreição de Cristo [1Pe 3.21]. Se a verdade do batismo, dizem eles, é o testemunho da consciência diante de Deus, quando nele isso não ocorre, que será senão uma coisa vã e destituída de importância? Com esta noção errônea, porém, pecam repetidamente, porquanto pretendem que a coisa significada preceda sempre, na ordem do tempo, ao sinal. Ora, a verdade da circuncisão também constava do mesmo testemunho de uma boa consciência. Porque, se ela devesse preceder necessariamente, as crianças nunca teriam sido circuncidadas por mandado de Deus. Mas quando o mesmo Senhor nos ensina que esta é a substância da circuncisão, e contudo ordena que as crianças sejam circuncidadas, nos demonstra claramente com isso que ela era conferida com vistas a tempo futuro. Por isso, a verdade presente que queremos considerar no batismo das crianças é que ele é o testemunho de sua salvação, que sela e confirma o pacto que Deus estabeleceu com elas. Os demais significados deste sacramento elas o compreenderão mais tarde, quando for do agrado do Senhor.
22. REFUTAÇÃO DA DÉCIMA OBJEÇÃO QUE OS ANABATISTAS SUSCITAVAM CONTRA O BATISMO INFANTIL: O BATISMO FOI DADO PARA O PERDÃO DOS PECADOS
Creio que hoje já não existe ninguém que não veja claramente que todos os arrazoados deste gênero são puras inversões da Escritura. Outras considerações afins a estas, que sobejam, as abordaremos de forma breve. Objetam que o batismo é dado para remissão dos pecados. Quando isso é concedido, nosso ponto de vista é fortemente corroborado. Pois uma vez que nascemos pecadores, temos a necessidade de remissão e perdão já desde o ventre materno. Ora, como o Senhor afirma que quer ser misericordioso para com esta idade, por que vamos privá-los do sinal da mesma, que é muito menos importante que a realidade que significa? Por isso, o que se empenham em arremessar contra nós, precisamente isso fazemos voltar contra eles mesmos: os pequeninos são agraciados com a remissão dos pecados; por isso não devem ser privados do sinal.
Alegam, ao mesmo tempo, o que consta da Epístola aos Efésios: que a Igreja foi purificada pelo Senhor com a lavagem da água pela palavra da vida [Ef 5.26], o que é uma prova contra eles; porque do que diz o Apóstolo deduzimos o seguinte argumento: se o Senhor quer que a purificação que ele opera em sua Igreja seja testificada e confirmada com o sinal do batismo, e as crianças pertencem à Igreja, uma vez que são contados no povo de Deus, e pertencem ao reino dos céus, segue-se que devem receber o testemunho de sua purificação como os demais membros da Igreja [Mt 19.14], porque Paulo abraça a Igreja toda como que purificada pela lavagem da água. O mesmo podemos concluir do que alegam que, pelo batismo, somos incorporados a Cristo [1Co 12.12, 13]. Pois se as crianças fazem parte do corpo de Cristo, como é evidente à luz do que já dissemos, segue-se ser razoável que sejam batizadas, para que não vivam separadas de seu corpo. Eis como com tanto ímpeto e com tantas máquinas de guerra fazem carga contra os baluartes de nossa fé!
23. REFUTAÇÃO DA DÉCIMA PRIMEIRA OBJEÇÃO QUE OS ANABATISTAS SUSCITAVAM CONTRA O BATISMO INFANTIL: QUE O BATISMO REQUER ARREPENDIMENTO E FÉ, SÓ POSSÍVEIS AOS ADULTOS
Agora recorrem à prática e costume da era apostólica, na qual não há nenhum registro de admissão ao batismo, a menos que se professasse antes sua fé e arrependimento. Pois quando Pedro é interrogado por aqueles que tinham a disposição de arrepender-se, o que era indispensável fazer-se, pondera que primeiro se arrependam; então, que sejam batizados para remissão dos pecados [At 2.37, 38]. De modo semelhante, Filipe, quando o eunuco solicitou ser batizado, responde ser isso possível, desde que cresse de todo coração [At 8.37]. Se esta razão é válida, se vê pelo primeiro texto evocado que só bastaria o arrependimento, pois não se faz menção alguma da fé; e, por sua vez, pelo segundo só bastaria a fé, pois não se exige o arrependimento. Ora, pois, se damos lugar a este raciocínio, a primeira passagem, onde não se ouve nenhuma menção de fé, convencerá ser suficiente só o arrependimento; a segunda, em que mui longe está de requerer-se o arrependimento. Imagino que replicarão: uma passagem corrobora a outra, e por isso devem ser mutuamente correlacionadas. Eu também, por minha vez, digo que se devem cotejar outras passagens que valem para a solução desta questão, visto que se têm na Escritura muitas passagens cuja interpretação depende da circunstância do lugar.
Exemplo desta natureza ocorre presentemente, pois aqueles a quem são ditas estas coisas por Pedro e Filipe estão em idade idônea para exercer-se o arrependimento e conceber-se a fé. Destes dizemos que não devem ser batizados sem que primeiramente dêem testemunho de sua fé e arrependimento, pelo menos até onde o juízo humano pode averiguar. Mas é perfeitamente claro que as crianças devem ser contadas numa outra classe. Pois quando alguém se unia à comunhão religiosa de
Israel, impunha-se não só fosse informado quanto ao pacto do Senhor, mas também fosse instruído na lei, antes de ser marcado com a circuncisão, porquanto em nacionalidade era allofuloj [all(phyl(s], isto é, estrangeiro ao povo de Israel, com quem havia sido firmado o pacto que a circuncisão ratificava.
24. O BATISMO, À MANEIRA DA CIRCUNCISÃO EXEMPLIFICADA EM ABRAÃO E ISAQUE, É APLICÁVEL AO ADULTO APÓS A CONFISSÃO DE FÉ; À CRIANÇA, ANTES OU SEM ELA
Assim como tampouco o Senhor, quando adota para si a Abraão, começa dizendo que se circuncidasse sem saber por que teria que fazê-lo, porém lhe explica antes o pacto que pretende celebrar com ele, então a seguir, depois que ele creu na promessa, o faz participante do sacramento [Gn 15.1; 17.11]. Por que em Abraão o sacramento segue à fé, em seu filho Isaque ele vem antes de qualquer compreensão? Porque é justo que aquele que à comunhão do pacto fora até então estranho, por fim é recebido na idade adulta, antes disso aprenda bem suas condições; o filho dele gerado, porém, recebendo um procedimento diferenciado, o qual, por direito hereditário, segundo a fórmula da promessa, está inserido no pacto já desde o ventre materno.
Ou, para expressá-lo mais clara e sucintamente, como o filho do crente participa do pacto divino sem entendê-lo, não se deve negar-lhe o sinal, pois é capaz de recebê-lo sem necessidade de compreendê-lo. Esta é a razão pela qual Deus diz que os filhos dos israelitas são seus filhos, como se ele mesmo os gerasse [Ez 16.20; 23.37], pois sem dúvida alguma ele se considera Pai de todos aqueles a quem prometeu ser o Deus dos mesmos e de sua descendência. Em troca, o que nasce de pais infiéis não são contados no pacto até que, pela fé, se una com Deus. Portanto, não se deve estranhar que não compartilhe do sinal, cujo significado seria nele falaz e sem proveito! Nesta linha, Paulo também escreve que as pessoas, sempre que estiveram imersas em sua idolatria, estavam do lado de fora do testamento [Ef 2.12].
Parece-me que toda esta matéria ficará bem elucidada com esta síntese: Aqueles que abraçam a fé em Cristo em idade adulta, não devem ser aceitas para receber o batismo antes de ter fé e mostrar-se arrependidas, pois estes dois elementos são os únicos que podem abrir a porta para ingresso no pacto. As crianças, porém, se são filhas de cristãos, aos quais pertence o pacto por herança em virtude da promessa, por esta razão são aptas para a admissão ao batismo. A isso se deve inserir o que narra o evangelista: que os que confessavam seus pecados foram batizados por João [Mt 3.6], exemplo que julgamos deva ser observado também hoje. Ora, se um turco se apresenta para o batismo, o mesmo não deve ser batizado por nós inconsideradamente, senão por meio de confissão explicitamente proferida, através da qual satisfaça a Igreja.
25. REFUTAÇÃO DA DÉCIMA SEGUNDA OBJEÇÃO SUSCITADA PELOS ANABATISTAS CONTRA O BATISMO INFANTIL CALCADA EM JOÃO 3.5 (REGENERAÇÃO PELA ÁGUA E PELO ESPÍRITO)
Ademais, trazem a lume as palavras de Cristo mencionadas no terceiro capítulo de João, pelas quais julgam requerer-se no batismo regeneração acompanhante: “Aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” [Jo 3.5]. Dizem que o batismo é pela boca do Senhor chamado regeneração. Portanto, com que pretexto iniciamos pelo batismo, que sem a regeneração não pode subsistir, aqueles que é mais do que notório estarem longe de ser aptos para ela?
Primeiro, enganam-se pelo fato de que, por lerem a palavra água, pensam que nesta passagem se faz menção do batismo. Ora, depois que Cristo expôs a Nicodemos a corrupção de nossa natureza, e ensinou que se requer um novo nascimento, uma vez que ele sonhava com um novo nascimento corporal, aqui indica o modo pelo qual Deus nos regenera, isto é, pela água e pelo Espírito, como se estivesse dizendo: pelo Espírito que, purgando e irrigando as almas fiéis, desempenha a função da água. Tomo, pois, água e Espírito simplesmente como Espírito que é água. Tampouco é esta uma expressão nova, pois está inteiramente de acordo com aquela afirmação que se lê no terceiro capítulo de Mateus: “Aquele que vem após mim, ele é o que batiza no Espírito Santo e em fogo” [Mt 3.11]. Logo, como batizar pelo Espírito Santo e pelo fogo equivale a conferir o Espírito Santo, o qual na regeneração tem a propriedade e a natureza do fogo, assim ser nascido de novo pela água e pelo Espírito outra coisa não é senão receber aquela virtude do Espírito que faz na alma aquilo que a água faz no corpo.
Sei que outros interpretam este texto de modo diferente, mas não tenho dúvida de ser este o legítimo sentido, porque outro não é o desígnio de Cristo senão ensinar que todos os que aspiram ao reino celeste devem despir-se da própria natureza. Ainda que, caso queira cavilar sutilmente à maneira desses, pronto seria responder-lhes, quando tivermos concedido o que querem, que o batismo é anterior à fé e ao arrependimento, porque nas palavras de Cristo água precede a Espírito. O certo é entender isto em referência aos dons espirituais; e se estes seguem ao batismo, então terei alcançado o que tenho em mira. Mas, deixadas de parte as sutilezas, é preciso sustentar a interpretação singela que apresentei, a saber, ninguém pode entrar no reino de Deus até que seja renovado pela água viva, isto é, pelo Espírito.
26. AS CRIANÇAS QUE FALECEM SEM TER SIDO BATIZADAS, NEM POR ISSO INCORREM NA CONDENAÇÃO, COMO SE NÃO FOSSEM REGENERADAS
Com isso também se convence de erro aos que condenam à morte eterna todos quantos não são batizados. Suponhamos, pois, que, segundo o postulado desses, que somente aos adultos se deva ministrar o batismo: que dirão suceder à criança que é correta e adequadamente imbuída dos rudimentos da piedade, se, enquanto chega o dia do batismo, contra a expectativa de todos, se vê arrebatada por morte súbita? Clara é a promessa do Senhor: “quem ouve minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna; e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” [Jo 5.24]. Em lugar algum se achará haver ele condenado o ainda não-batizado. Não gostaria que isso fosse entendido de minha parte como se eu concordasse que o batismo possa ser impunemente desprezado, desprezo que equivale violar o pacto do Senhor, o que para mim longe é de se tolerar. Só quero demonstrar que ele não é de tal maneira necessário que não seja justificável quem não o pôde receber, se tinha um impedimento legítimo.
Em contrapartida, segundo a opinião destes, todos eles sem exceção alguma seriam condenados, ainda que tivessem fé, com a qual possuímos Cristo. E além do mais pronunciam culpadas de morte eterna a todas as crianças, às quais negam o batismo, o qual, por sua própria confissão, é necessário para a salvação. Vejam agora quão maravilhosamente se harmonizam com as palavras de Cristo, mediante as quais destina o reino dos céus a essa idade [Mt 19.14; Mc 10.14; Lc 18.16]. E ainda que nada haja que não lhes concedamos quanto respeita ao entendimento desta passagem, no entanto nada daí conseguirá.
Fonte: Exsurge Domini
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