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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ruínas de Magdala, a cidade de Santa Maria Madalena onde Jesus pregou



Funcionário limpa mosaicos ornamentados no sítio arqueológico de Magdala, Israel
Funcionário limpa mosaicos ornamentados no sítio arqueológico de Magdala, Israel

Uma tentativa de construir um hotel para peregrinos na Galileia acabou desencavando as ruínas da cidade natal de Santa Maria Madalena e uma antiga sinagoga onde Nosso Senhor Jesus Cristo pode muito bem ter pregado, noticiou “The New York Times”.

O padre Juan Solana, diretor do Instituto Centro Pontifício Notre Dame de Jerusalém, quis construir uma instalação para romeiros no lugar onde se ouviu a maior parte da pregação divina e se viu a maioria dos milagres de Jesus, segundo os Evangelhos.

Em 2009 um velho resort foi demolido, e quando se cavou a terra para colocar os alicerces, apareceram restos da cidade. Do ponto de vista arqueológico e histórico, a descoberta é relevante, pois não se conhecia ao certo o posicionamento de Magdala, (ou Migdal).

Somente os Evangelhos nos falam dessa cidade. Ela tinha deixado de existir e não faltou quem usasse a aparente contradição para impugnar a veracidade histórica da inspirada narração dos evangelistas.

A contradição também servia para alimentar a abstrusa afirmação de que Jesus e os Evangelhos, e também toda a Bíblia, não são históricos.

Tratar-se-ia, segundo esta teoria bizarra e anticristã, de mitos concebidos pelas primeiras comunidades cristãs para descrever suas experiências comunitárias. Um perfeito absurdo histórico, mas houve teólogos extraviados que deram forma sisuda a essa fantasia que mina as bases do cristianismo.

As autoridades da Igreja Católica e os arqueólogos enviados pela Autoridade de Antiguidades de Israel, a maior do país na matéria, não imaginavam encontrar nada de significativo no local.

Mas, a menos de meio metro abaixo da superfície, apareceu um banco de pedra que fez parte de uma sinagoga no século I.

Piso ornamentado no sítio arqueológico de Magdala, Israel, onde porto e sinagoga foram encontrados
Piso ornamentado no sítio arqueológico de Magdala, Israel, onde porto e sinagoga foram encontrados
Sabia-se que na região existiram sete sinagogas no período do Segundo Templo, mas nunca se encontrou nenhuma na Galileia.

Entre as ruínas, foi recuperada uma moeda datada no ano 29. Quer dizer, do tempo em que Jesus estava vivo e quiçá nem tinha começado sua vida pública. Para os especialistas, ficou claro que o local era a Magdala do Evangelho que estava perdida para a arqueologia.

Desde a primeira exumação de restos em 2009 até o presente, a escavação trouxe à luz um mercado; uma área presumivelmente destinada a salgar e secar peixes; uma casa grande ou edifício público com mosaicos, afrescos e três banhos rituais; uma colônia de pescadores e parte de um porto do século I.

9. Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios. (São Marcos 16, 9

A descoberta fez mudar o projeto. Mas o centro já está concluído e tem vista para o porto e o mar da Galileia, onde aconteceram fatos narrados pelos evangelistas.

Na sinagoga foi encontrado um bloco de pedra com entalhes representando colunas e arcos, uma menorá (candelabro ritual) de sete braços e carruagens de fogo. Provavelmente foi usada como atril para ler a Torá, o livro sagrado judaico.

A pedra parece ser uma miniatura do Segundo Templo de Jerusalém, destruído pelos romanos no ano 70 e nunca mais reconstruído. O incêndio e arrasamento do Templo importou no fim do sacrifício hebraico, que cessou desde aquela data.

Esse sacrifício cruento foi substituído pelo sacrifício incruento operado na Missa instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo na Última Ceia.

Mesa de pedra usada como atril para ler a Torá, o livro sagrado judaico, representa o Templo
Mesa de pedra usada como atril para ler a Torá, o livro sagrado judaico, representa o Templo

18. Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.

19. E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.

20. Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram.

21. Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os,

22. e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.

23. Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

24. Sua fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe os doentes e os enfermos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos. E ele curava a todos. (São Mateus 4:23)

Magdala fica a oito quilômetros de Cafarnaum, onde Jesus pregou intensamente.

A arqueóloga chefe dos trabalhos, Dina Gorni-Avshalom, da Israel Antiquities Authority, considera que há “indícios circunstanciais” suficientes para se supor que Jesus pisou essa sinagoga.

A capela do resort para peregrinos está consagrada a Santa Maria Madalena, a pecadora arrependida que é símbolo da Redenção da humanidade imersa nas trevas em virtude do pecado original.

Ela aparece num grande mosaico no momento em que Nosso Senhor expulsa de seu corpo sete demônios, tendo como fundo a antiga cidade de Magdala.

Santa Maria Madalena unge os pés de Jesus.
Dieric Bouts, 1440, Sttatliche Museem Berlim.
Esta descoberta da ciência corrobora em nós a Fé. E nos convida a meditar nos dramas que se deram no tempo em que as ruínas agora descobertas não eram ruínas, mas a movimentada cidade de Magdala.

Por exemplo, considerar a vida de Maria Madalena, cujo nome deriva dessa cidade. Ela morava lá com Lázaro, de quem era irmã.

Lázaro, segundo as tradições do Oriente, tinha uma categoria social não política, de príncipe. Portanto, suas irmãs Marta e Maria eram pessoas de alta categoria.

Infelizmente, Maria Madalena tinha se tornado uma pecadora pública. Mas, uma vez arrependida, passou a praticar a contemplação e a penitência com suma seriedade e profundidade.

Sua irmã Marta viveu exclusivamente voltada para a contemplação, e por isso Nosso Senhor disse dela que escolheu a parte melhor.

Podemos refletir sobre essas pessoas, a vida que levavam e como foram se transformando em função de Nosso Senhor. Todo esse drama aconteceu entre essas ruínas da Galileia.

No fim da vida pública de Cristo, em Jerusalém, quando Santa Maria Madalena quebrou o vidro de perfume e começou a ungir os pés de Nosso Senhor, Judas criticou-a. Mas Jesus Nosso Senhor justificou a atitude dela.

Judas representou o contrário do arrependimento, e morreu no desespero, enforcando-se numa figueira. Santa Maria Madalena e Judas seguiram rumos diametralmente opostos.

Ela esteve ao pé da Cruz, enquanto Judas foi o apóstolo amaldiçoado. Santa Maria Madalena foi a primeira a presenciar a Ressurreição, enquanto ele se enforcou.

São antíteses tremendas entre um e outro. Pelo lado dela, o arrependimento, a pura contemplação e o desapego dos bens do mundo. Pelo lado dele, impenitência, desespero, apego aos bens do mundo, roubo, traição e, no fim, suicídio.

Santa Maria Madalena, com a Cruz da penitência e o vaso do bálsamo preciosíssimo. Sevilha, Espanha.
Santa Maria Madalena, com a Cruz da penitência e o vaso do bálsamo preciosíssimo. Sevilha, Espanha.
Judas também esteve em Magdala, ouviu as pregações divinas, assistiu aos milagres. Tudo isso aconteceu entre essas ruínas agora postas à luz do sol.

Houve um momento em que Judas esteve em estado de graça e Maria Madalena, em estado de pecado mortal. Ela saiu do pecado para subir até onde subiu.

E ele desceu da condição de apóstolo, para a qual havia sido convidado por Nosso Senhor, e precipitou-se para vender o seu divino Benfeitor.

Quanto pode uma alma que está no lodo subir, e quanto pode uma alma chamada ao que há de melhor cair!

As ruínas de Magdala nos ajudam a compor o cenário de tempo e lugar onde esse imenso drama em torno do Divino Redentor aconteceu.
Retirado de Ciência Confirma a Igreja

terça-feira, 3 de abril de 2012

Arcebispo de Braga, em Portugal, afirma que Paixão e morte de Cristo continua ainda hoje

Arcebispo de Braga, em Portugal, afirma que Paixão e morte de Cristo continua ainda hoje
Dom Ortiga incentivou os jovens a projetar um mundo novo Braga (Terça-feira, 03-04-2012, Gaudium Press) Celebrando o Domingo de Ramos na Catedral de Braga, em Portugal, o arcebispo local, Dom Jorge Ortiga, afirmou que a Paixão e a morte de Cristo continua ainda nos dias de hoje "porque as pessoas não alimentam a fé que lhes foi transmitida". Conforme o prelado, esta falta de fé na cristandade se torna visível quando por exemplo vemos alguém adorar "o deus da bruxaria, da astrologia e do horóscopo e colocar de lado o Deus transcendente que se revelou na pessoa de Jesus". Dom Ortiga fez também uma crítica à maneira como alguns se relacionam com Deus. Conforme o arcebispo, Deus "não é um deus farmacêutico, ao qual se recorre apenas em caso de doença ou quando se está entalado por causa da crise, nem um Deus como o Pai-Natal, que dá tudo o que se quer". Segundo o arcebispo português, aqueles que procuram ter fé em Deus devem ter em mente que Ele é acima de tudo "um Deus que tem para oferecer as sementes do amor da verdade, da justiça e da alegria" e que "enviou Cristo para salvar todos os homens". Para o prelado, aquele que quer ter uma verdadeira ligação com o Senhor, deve estar com ele "até as últimas consequências e não apenas para satisfazer interesses pessoais". cristo-crucificado-hiperrealista.jpg Diante deste cenário, em que se vê muitas pessoas descrentes, relacionando-se de forma equivocada com Deus, Dom Ortiga destacou a importância da Semana Santa que começava a ser celebrada naquele domingo. "A celebração da Semana Santa surge como oportunidade de perceber que é na fidelidade ao amor radical" de Deus que reside a esperança de salvação", disse o arcebispo. O prelado ainda afirmou que relações familiares, profissionais, escolares e em sociedade de maneira geral são meios "privilegiados de defesa e anúncio do Evangelho" e por fim incentivou os jovens a "acreditar e projetar um mundo novo no meio dos entraves sociais". Com informações da Agência Ecclesia. Fonte: Gaudium Press

sexta-feira, 30 de março de 2012

Domingo de Ramos

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos é a comemoração litúrgica que recorda a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém onde Ele iria celebrar a Páscoa judaica com seus discípulos.

Ele é o portal de entrada da Semana Santa. É no Domingo de Ramos que se inicia a Semana da Paixão. É o dia em que a Igreja lembraa história e a cronologia desses acontecimentos para dele tirarmos uma lição.

Um Rei entra na cidade montando um jumento

Já desde a entrada da cidade, os filhos dos hebreus portavam ramos de oliveiras e alegres acenavam com eles, estendiam mantos no chão para Jesus passar sobre eles. Jesus entrou na cidade como Rei!

Até parece que era um desejo d'Ele que fosse assim, pois, a cena em que tudo transcorre reproduz a profecia de Zacarias: o rei dos judeus virá. Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta.(Zc 9,9)

Embora Jesus montasse um simples jumento, o cortejo caminhava, alegre e digno. Na expectativa de estar ali o Messias prometido, Jerusalém transformou-se, era uma cidade em clima de festa.

E Ele era aplaudido, aclamado pelo povo: "Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas". Isto aconteceu alguns dias antes de que Jesus fosse condenado à morte, quando os ecos dos gritos de "hosana" já se misturavam ao clamor de insultos, ameaças e blasfêmias que o levariam a sua Paixão redentora.

Que tipo de Messias queriam aqueles judeus?

Da entrada festiva como rei em Jerusalém até o deboche da flagelação, da coroação de espinhos e da inscrição na cruz (Jesus de Nazaré, rei dos Judeus), somos levados a perguntar: Que tipo de rei aquele povo queria? E que tipo de rei era Jesus? Nosso Senhor era aclamado pelo mesmo povo que o tinha visto alimentar multidões. Era aplaudido por aqueles que o viram curar cegos e aleijados e, ainda há pouco, tinham presenciado a ressurreição de Lázaro.

Impressionada com tudo isso aquela gente tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos Profetas. Mas, aquele povo era superficial e mundano, julgava que Jesus fosse um Messias político, um libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão. E nisso estavam equivocados, enganados: Ele não era um Rei deste mundo!

Seus corações apreciavam Jesus de modo incompleto

A entrada de Jesus em Jerusalém foi uma introdução para as dores e humilhações que logo Ele sofreria abundantemente: a mesma multidão que o homenageou movida por seus milagres, virou-lhe as costas e pediu sua morte.

No Domingo de Ramos fica patente como o povo apreciava Jesus de um modo incompleto. É verdade que O aclamaram, porém, Ele merecia aclamações incomensuravelmente superiores. Merecia uma adoração amorosa, bem diversa da que lhe foi dada!

No entanto, cheio de humildade, lá ia Nosso Senhor Jesus Cristo sentado num burrico, avançando em meio à multidão ruidosa, impulsionando todos ao amor de Deus.

Só uma pessoa O entendeu naquela hora

Em geral, as pinturas e gravuras apresentam Nosso Senhor olhando pesaroso e quase severo para a multidão. Para Ele, o interior das almas não oferecia segredo. Ele percebia a insuficiência e a precariedade daquela ovação.

Apenas uma pessoa percebia o que estava acontecendo com Jesus e sofria com Ele. E essa pessoa oferecia sua dor de alma como reparação de seu amor puríssimo a Nosso Senhor: era Nossa Senhora.

Mas, ...que requinte de glória para Nosso Senhor! Era o maior deles porque Nossa Senhora vale incomparavelmente mais do que toda a Criação. Naquelas circunstancias, Maria representava todas as almas piedosas que, meditando a Paixão de nosso Salvador, haveriam de ter compaixão e pena d'Ele. Almas que lamentariam não terem vivido naquele tempo para poderem, então, ter tomado posição ao lado de Jesus.

Domingo de Ramos em minha vida?

Existe um defeito que diminui a eficácia das meditações que fazemos. Este defeito consiste em meditar os fatos da vida de Nosso Senhor e não aplicá-los ao que sucede em nós ou em torno de nós.

Assim, por exemplo, a nós espanta a versatilidade e ingratidão dos judeus que assistiram a entrada de Jesus em Jerusalém. Nós os censuramos porque proclamaram com a mais solene recepção o reconhecimento da honra que se deveria ter ao Divino Salvador e, pouco depois, O crucificaram com um ódio tal que a muitos chega a parecer inexplicável.

Essa ingratidão, essa versatilidade para mudanças de opinião e atitudes não existiram apenas nos homens dos tempos de Nosso Senhor! A atitude das pessoas contemporâneas de Jesus, festejando sua entrada em Jerusalém e depois abandonando-O à mercê de seus algozes, assemelha-se a muitas atitudes que tomamos.

Muitas vezes louvamos a Cristo e nos enchemos de boas intenções para seguir os seus ensinamentos, porém, ao primeiro obstáculo, nos deixamos levar pelo desânimo, ou pelo egoísmo, ou pela falta de solidariedade e, mais uma vez, por esse desamor, alimentamos o sofrimento de Jesus.

Ainda hoje, no coração de quantos fiéis, tem Nosso Senhor que suportar essas alternativas, essas mudanças que balançam entre adorações e vitupérios, entre virtude e pecado? E estas atitudes contraditórias e defectivas não se passam apenas no interior de alma de cada homem, de modo discreto, no fundo das consciências: Em quantos países essas alternações se passam e Nosso Senhor tem sido sucessivamente glorificado e ultrajado, em curtos intervalos espaços de tempo?

Uma perda de tempo: não reparar as ofensas a Nosso Senhor

É pura perda de tempo nos horrorizarmos exclusivamente com a perfídia, fraude e traição daqueles que estavam presente na entrada de Jesus em Jerusalém.

Para nossa salvação será útil refletirmos também em nossas fraudes e defeitos. Com os olhos postos na bondade de Deus, poderemos conseguir a emenda e o perdão para nossas próprias perfídias. Existe uma grande analogia entre a atitude daqueles que crucificaram o Redentor e nossa situação quando caímos em pecado mortal.

Não é verdade que, muitas vezes, depois de termos glorificado a Nosso Senhor ardentemente, caímos em pecado e O crucificamos em nosso coração? O pecado é um ultraje feito a Deus. Quem peca expulsa Deus de seu coração, rompe as relações filiais entre criatura e Criador, repudia Sua graça.

E é certo que Nosso Senhor é muito ultrajado em nossos dias. Não pelo brilho de nossas virtudes, mas pela sinceridade de nossa humildade nós poderemos ter atitudes daquelas almas que reparam, junto ao trono de Deus, os ultrajes que a cada hora são praticados contra Ele. As lições do Domingo de Ramos nos convidam a isso. (JG)

Fontes:

Dom Eurico dos Santos Veloso - O significado do Domingo de Ramos - CNBB -29 de Março de 2010
Felipe Aquino - O significado do Domingo de Ramos - Vida Eclesial - 30/03/2007D.
Javier Echevarría - Domingo de Ramos: Jesus entra em Jerusalém
Plinio Corrêa de Oliveira - excertos
Retirado de Gaudium Press

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cristo morreu pelos nossos pecados

Cristo morreu pelos nossos pecados

Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: John Nascimento
Transmissão: Rogério Hirota (SacroSancttus)

“Transmiti-vos em primeiro lugar, o que eu mesmo havia recebido : Que Cristo morreu pelos nossos pecados”.(1 Cor.15,3).

Tanto quanto nós sabemos, Paulo nunca se enconntrou com Jesus, durante a Sua vida na Terra.

Paulo foi um Apóstolo que também não conviveu com os outros Apóstolos, senão depois do Pentecostes.

Jesus chamou-o de maneira especial :

- “E, em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto”.(1 Cor.15,8).

Foi um encontro místico com Cristo ressuscitado e glorificado.

Embora Paulo diga de si mesmo que foi “o último dos Apóstolos”, ele nunca duvidou que fosse chamado pelo mesmo Senhor e fosse encarregado da mesma mensagem.

E como ponto central desta mensagem foi que Paulo entendeu que a morte e a ressurreição de Jesus foi o cumprimento das Escrituras :

- “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”.(1 Cor.15,3-4).

No discuro de Paulo em Antioquia, entre outras coisas, ele disse :

- “E nós estamos aqui para vos anunciar a Boa Nova de que a promessa feita a nossos pais, Deus a cumpriu em nosso benefício, para nós, seus filhos, resssuscitando Jesus, como está escrito no salmo segundo : Tu és Meu Filho, Eu gerei-te hoje”.(Act.13,32-33).

Enquanto Paulo dá relevância ao facto de ter recebido aquilo mesmo que pregava, de harmonia com o Evangelho, ao mesmo tempo ele proclama a sua unidade com os outros Apóstolos :

- “Tanto eu, portanto, como eles, assim é que pregamos e assim é que vós acreditastes”.(1 Cor.15,11).

E na sua pregação sempre Paulo recomendou que não desprezassem o ensinamneto do Evangelho :

- “Mas ainda que alguém – nós mesmos ou um anjo do céu – vos anuncie outro evangelho, além do que vos tenho anunciado, esse seja anátema”.(Gal.1,8).

Nós reconhecemos nas palavras de Paulo a importância da nossa unidade com o ensinamento dos Apóstolos.

A nossa confiança de que Jesus verdadeiramente ressuscitou dentre os mortos, permanece no testemunho, que chegou até nós através dos séculos, daqueles que O viram face-a-face.

Mesmo para nós, cristãos de hoje, onde é que se fundamenta a nossa fé na ressurreição do Senhor ?

Como é que nós acreditamos que Jesus deu a vida por nós, vencendo a morte e nos deixou um novo caminho de vida ?

Certamente que é no testemunho daqueles que conviveram com Jesus e nos deixaram a sua palavra escrita como prova irrefutável.
Fonte: Exsurge Domini

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Natal: a lenda do Menino Jesus do Espinho

Natal: a lenda do Menino Jesus do Espinho


Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.

E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.

Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.

Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.

Contemplou também a glória de sua Ressurreição. Anteviu a Redenção da humanidade, o triunfo universal da Igreja e da Cristandade.

Na iconografia tradicional, o Menino Jesus do Espinho aparece sentado numa poltrona com braços de madeira, estofada em veludo vermelho, meditando sobre os futuros tormentos da Paixão.

Numa outra tela do célebre pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664) o Menino Deus contempla o dedo sangrando.

O rosto mais sereno parece velado pelo presságio do sofrimento vindouro trazido pela ferida.


Assim também e representado na tela da escola de Murillo.

É uma clara premonição da Paixão de Cristo, através de uma descrição suave e melancólica.

O contraste entre a inocência e a doçura da criança com o horror da tortura toca os mais nobres sentimentos dos fiéis.

E inspira uma meditação apropriada para o Advento, período litúrgico iniciado no último domingo de novembro, tempo penitencial que nos prepara para bem receber no Natal ao Menino Jesus.

A piedosa lenda tem, aliás, diversas narrações em volta do tema central. No vídeo, oferecemos uma delas adaptada para a imagem.


Fonte: Contos e Lendas da Era Medieval

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Explicar Jesus Cristo

Explicar Jesus Cristo! Que presunção terrivelmente provocativa! Mas essa é a missão da Igreja em sua pregação apostólica pelos séculos afora. Porém, como explicar Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado? Como fazer com que o seu pensamento, e, sobretudo, o mistério de sua vida humana e divina, preencha de claridade e certeza nossas inquietações mais profundas? Quem é Jesus Cristo? Por que deveríamos dar assentimento à pregação da Igreja? Embora com a possibilidade de intermináveis explicações, a brevidade do resumo do anúncio da Igreja traduzir-se-ia numa palavra: Cristo é o nosso Salvador! E de que é que ele nos salva? Ele salva-nos da perdição eterna.

Somente por meio de Cristo poderemos retomar o caminho do reencontro com Deus, uma vez que nos afastamos dele pela desobediência pecaminosa. Por isso que Cristo disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14,6). Portanto, todo o esforço da Igreja em proclamar a verdade de Deus manifestada no Filho passa pelo horizonte translúcido de sua Pessoa. Nele nós somos refeitos na integridade mais recôndita de nosso ser dilacerado e disperso pelas consequências do pecado. Desafortunadamente, nem sempre a perspicácia de nossa inteligência permite-nos perceber com sinceridade interior a dura realidade do afastamento de Deus. Desse modo, cegos pela indiferença religiosa quanto às verdades de Deus sobre cada um de nós, fechamos os olhos à dramaticidade incisiva do pecado em nossa vida. Louvemos a paciência de Deus que espera a sinceridade de nossa conversão! O arrependimento é a chave que abre a porta da misericórdia divina e permite que Cristo habite nosso coração, iluminando toda a nossa existência com a intensidade de sua luz. Por isso que “o Senhor não tarda a cumprir a sua promessa, como pensam alguns, entendendo que há demora; o que ele está, é usando de paciência conosco, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se. [...]. Assim, esforçai-vos ardorosamente para que ele vos encontre em paz, vivendo vida sem mácula, irrepreensível. Considerai a longanimidade de nosso Senhor como a nossa salvação” (2Pd 3,9.14-15). Explicar Jesus significa anunciar o mistério de sua vida entregue em favor dos homens, seus irmãos na carne, a fim de que todos possamos participar de sua vida divina.

Com serenidade, mas com firmeza e coragem, de modo especial, diante de um mundo descrente, Cristo precisa ser anunciado com a mesma intrepidez e coragem do início da História da Igreja, logo depois de consumado no Filho de Deus o drama histórico de nossa redenção. A voz livre da Igreja deve ressoar sobre todos os telhados da vida dos homens, de modo que transforme, pela força interior do Espírito de Cristo, todas as dimensões secretas ou não da essência de seu ser restaurado por Cristo. Não por acaso, desde os primórdios da pregação apostólica, a abertura e o acolhimento à novidade de Cristo revestem-se da atitude da conversão: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados. Então recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós é a promessa, assim como para vossos filhos e para todos aqueles que estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus chamar” (At 2,38-39). A verdade é que, de modo misterioso, todos somos chamados por Deus a tomar parte no processo de instauração de seu reino, cuja presença revela-se na Pessoa de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. De fato: “Jesus, o Nazareu, foi por Deus aprovado diante de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus operou por meio dele entre vós, como bem o sabeis. Esse homem, entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o pelas mãos dos ímpios.

Mas Deus o ressuscitou, libertando-o das angústias do Hades, pois não era possível que ele fosse retido em seu poder” (At 2,22-24). Eis porque o explicar Cristo inspira-se no dom sublime de sua existência humana entre nós. Mais do que isso: significa semear o mistério de sua ressurreição nas mortes cotidianas da nossa sociedade doente e depressiva nos porões de suas carências e insuficiências existenciais.
Ouvindo a pregação da Igreja, cada um deve esforçar-se no sentido da abertura ao Evangelho de Cristo. Do contrário, seria muito fácil aderir ao seu projeto de amor, sem lutar contra as incongruências pessoais que precipitam a vontade na fraqueza da indecisão. Daí que também nós devemos perguntar-nos sem medo da gravidade da resposta, que implica sempre aceitação ou recusa de Cristo: “Ouvindo isto, eles sentiram o coração traspassado e perguntaram a Pedro e aos demais: ´Irmãos, que devemos fazer?´” (At 2,37). Se a pergunta for feita com honestidade de coração e de inteligência, sem a falsa pretensão da mera curiosidade, por certo, terá início o processo da conversão diante de Deus.

O problema é que nem sempre nosso coração é sincero diante dos apelos divinos. Assim, vamos adiando o momento do comprometimento da adesão à fé, com a superficialidade própria dos incrédulos e interiormente vazios da convicção de suas razões para crer. Por conseguinte, vivemos o ateísmo prático disfarçado de fingida religião. Então, enquanto vamos tentando encontrar explicações racionais para nossas recusas, Deus apresenta-se por si mesmo, explica-se por si mesmo, colocando-se ao nível de nossa compreensão pelo seu rebaixamento até a nossa estatura. Sem deixar de ser Deus, manifestou-se sob forma humana, a fim de que pudéssemos ver o invisível e tocar o intocável, perceber o imperceptível e atingir o inatingível. Aliás, é justamente o contrário, aquele que esteve longe do nosso alcance, alcançou-nos pela misericórdia de sua bondade infinita. A cristologia paulina é muito clara nesse sentido: “Ele, estando na forma de Deus, não usou seu direito de ser tratado como deus, mas se despojou, tomando a forma de escravo. Tornando-se semelhante aos homens e reconhecido em seu aspecto como um homem abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz” (Fl 2,6-8). Por meio do Filho, Deus se submeteu ao incômodo de ser igual à nossa natureza humana para que pudesse doar-nos a sua própria vida divina.

Na verdade, o preço de nosso resgate para Deus, o valor de nossa redenção, foi mostrado no corpo rasgado de Cristo, totalmente desfigurado e quebrado ao modo de nossas iniquidades, à semelhança de nossas chagas interiores. Explicar Cristo aos olhos de nossa fé é, pois, deixar-nos conduzir à consciência de que nos encontramos transformados nele, a ponto de participarmos de sua estrutura espiritual de “homem perfeito”, porquanto “a cada um foi dada a graça pela medida do dom de Cristo [...] até que alcancemos todos nós a unidade da fé de do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4,7.13). Portanto, visto que “de sua plenitude todos nós recebemos graça por graça” (Jo 1,16), poderíamos externar nossa gratidão com o hino cristológico de São Paulo: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais, nos céus em Cristo. Nele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo, conforme o beneplácito da sua vontade, para louvor e glória de sua graça com a qual nos agraciou no Amado. E é pelo sangue deste que temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo a riqueza de sua graça, que ele derramou profusamente sobre nós, infundindo-nos toda sabedoria e inteligência, dando-nos a conhecer o mistério de sua vontade, conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar para levar o tempo à sua plenitude: a de em Cristo encabeçar todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra” (Ef 1,3-10).
Grande demais é o abismo do mistério com que Deus nos envolve na imensidão de seu amor e de sua misericórdia por meio de Jesus Cristo! Deixemos, pois, que Cristo se explique pessoalmente no mais profundo de nosso espírito renovado pelos dons sublimes de seu amor, transformando-nos no mais íntimo de nós mesmos.





Padre Gilvan Rodrigues
Pós-graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior pela FSLF, Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma


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por
Católicos na Rede

Fonte: Comunidade Shalom

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Professor faz Crucificado seguindo os dados do Santo Sudário

Professor faz Crucificado seguindo os dados do Santo Sudário


Prof. Juan Manuel Miñarro explica seu trabalho
O escultor espanhol e catedrático da Universidade de Sevilha, Juan Manuel Miñarro estudou durante dez anos o Santo Sudário de Turim.

Como resultado esculpiu um Crucificado que, segundo o artista, seria uma reprodução científica do estado físico de Nosso Senhor Jesus Cristo depois de sua morte.

O autor não visava provar a existência de Jesus de Nazaré, mas destacar os impressionantes acertos anatômicos constatados no estudo científico do Santo Sudário.

O professor Miñarro disse à BBC Brasil que, embora tenha privilegiado a “exatidão matemática”, “essa imagem só pode ser compreendida com olhos de quem tem fé”.

“A princípio, ela pode chocar pelo realismo, mas ela reproduz com fidelidade a cena do Calvário”, completou. Miñarro levou mais de dois anos para concluir sua obra.


O escultor não trabalhou só. Ele presidiu o trabalho de um grupo de cientistas que levaram adiante uma investigação multidisciplinar do Sudário de Turim.

O crucificado é o único “sindônico” no mundo, pois reflete até nos mais mínimos detalhes os múltiplos traumatismos do corpo estampado no Santo Sudário.

A imagem representa um corpo de 1,80 metros de altura, de acordo com os estudos no Sudário feitos pelas Universidades de Bolonha e Pavia. Os braços e a Cruz formam um ângulo de 65 graus.

A Coroa de Espinhos tinha forma de casco, cobrindo toda a cabeça, e foi feita com jujuba “ziziphus jujuba”, uma espécie de espinheiro cujas agulhas não se dobram.

A pele apresenta exatamente o aspecto de uma pessoa morta há uma hora. O ventre aparece inchado por causa da crucifixão.

O braço direito aparece desconjuntado pelo fato do crucificado se apoiar nele à procura de ar durante a asfixia sofrida na Cruz.


O polegar das mãos está virado para dentro, reação do nervo quando um objeto atravessa a munheca.

A escultura reflete também a presença de dois tipos de sangue: o vertido antes da morte e o derramado post mortem. Também aparece o plasma da ferida do costado, de que fala o Evangelho.

A elaboração destes pormenores foi supervisionada por hematologistas. A pele dos joelhos está aberta pelas quedas e pelas torturas.

Há grãos de terra incrustados na carne que foram trazidos de Jerusalém.

As feridas são típicas das produzidas pelos látegos romanos, que incluíam bolas de metal com pontas recurvadas para rasgar a carne.

Não há zonas vitais do corpo atingidas pelos látegos porque os verdugos poupavam essas partes para que o réu não morresse na tortura.

Foram necessários 10 anos de estudo
A maçã do rosto do lado direito está inchada e avermelhada pela ruptura do osso malar.

A língua e os dedos do pé apresentam um tom azulado, característicos da parada cardíaca.

Por fim, embaixo da frase em hebraico “Jesus Nazareno, rei dos judeus”, a tradução em grego e em latim está escrita da direita para a esquerda, erro habitual naquela época e naquela região.

A escultura esteve exposta na igreja de São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha, e saiu em procissão pelas ruas da cidade durante a Semana Santa.

Com os mesmos critérios e técnicas, Miñarro está criando outras imagens que representam a Nosso Senhor em diferentes momentos de sua dolorosa Paixão.


Isaías 53

“Ele subirá como o arbusto diante dele, e como raiz que sai de uma terra sequiosa; ele não tem beleza, nem formosura; vimo-lo, e não tinha aparência do que era, e por isso não tivemos caso dele.

“Ele era desprezado, o último dos homens, um homem de dores; experimentado nos sofrimentos; o seu rosto estava encoberto; era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele.

“Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado.

“Mas foi ferido por causa das nossas iniqüidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras.” (53, 2-5).

Fonte: Ciência Confirma a Igreja

A Santa túnica de Argenteuil analisada por um cientista

A Santa túnica de Argenteuil analisada por um cientista


Argenteuil, ostensao solene, 1984
Numa igreja de Argenteuil, cidade hoje absorvida pela grande Paris, venera-se uma túnica que, segundo tradição milenar da Igreja, foi tecida por Nossa Senhora para o Menino Jesus.

Seria a mesma que Nosso Senhor usou na sua Paixão. A mesma, portanto, que os algozes romanos, vendo que era inconsútil – isto é, formando uma só peça, sem costuras – lançaram à sorte, para não ter que dividi-la entre eles.

Utilizando equipamentos os mais avançados, a ciência moderna foi analisar a relíquia.

O professor André Marion, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS (Paris) é especialista no processamento numérico de imagens, leciona na Universidade de Paris-Orsay e é autor de numerosas publicações científicas e técnicas.

Ele já fez descobertas surpreendentes a respeito do Santo Sudário de Turim, com base em métodos ótico-digitais. Ele publicou suas conclusões sobre a túnica de Argenteuil no livro “Jesus e a ciência – A verdade sobre as relíquias de Cristo” (foto embaixo).

Para o trabalho, o Prof. Marion localizou nos arquivos da Diocese de Versailles chapas tiradas em 1934. Estavam bem conservadas. Sobre elas aplicou as técnicas de digitalização de imagens, baseadas em scanners e computadores poderosos. É de se salientar a precisão do método, que chega a ser de 10 a 20 milésimos de milímetro.

Jesus et la scienceAssim ele pôde mapear as manchas de sangue, que não são facilmente perceptíveis num primeiro olhar.

Por fim, comparou o mapa obtido com as manchas de sangue – aliás, minuciosamente estudadas – do Santo Sudário de Turim.

Porém, desde logo surgia uma dificuldade. O Santo Sudário envolveu o Corpo de Nosso Senhor esticado e imóvel no Santo Sepulcro, enquanto a Santa Túnica de Argenteuil fora portada por Ele vergado sob a Cruz, caminhando com passo cambaleante, desequilibrando-se e caindo na ruela pedregosa, imensamente enfraquecido por desapiedadas torturas.

Se ainda imaginarmos Nosso Senhor segurando com suas mãos a extremidade da Cruz na altura do ombro, é fácil supormos que a Túnica deve ter formado pregas.

Essas pregas raspavam nas chagas abertas nas divinas costas, enquanto a parte da frente da Túnica ficava solta por efeito da curvatura geral do corpo. Todos esses fatores faziam com que o sangue se espalhasse no pano de um modo irregular.

O Prof. Marion solicitou então a ajuda de um voluntário com as proporções anatômicas do Santo Sudário. Ele simulou os movimentos da Via Crucis, utilizando uma túnica do mesmo tamanho da de Argenteuil. Os movimentos foram repetidos várias vezes e em várias formas, tendo sido sistematicamente fotografados.

A seguir, com base nessas fotos e por métodos computacionais, o Prof. Marion criou um primeiro modelo virtual do corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo carregando a Cruz. No monitor do computador esse modelo aparece como o desenho de um manequim.

Sobre ele aplicou então as imagens da Túnica de Argenteuil. Dessa maneira reproduziu as pregas, que naturalmente se formam pelo ajuste ao corpo, e a difusão das manchas de sangue provocada pelos movimentos dolorosíssimos sob a Cruz.

Manchas de sangue nas costas, Santo Sudario de Turim.Manchas de sangue nas costas, tunica de ArgenteuilDa mesma maneira, aplicou a imagem da Santa Túnica a um segundo modelo virtual feito com base no Santo Sudário de Turim.

E eis a admirável surpresa!

Na primeira experiência, a distribuição das manchas sanguíneas na Túnica correspondeu perfeitamente aos ferimentos e às posturas próprias ao carregamento da Cruz.

Na segunda, as manchas ficaram posicionadas de modo a se superporem exatamente com as chagas do Santo Sudário.

Em ambas as experiências, na tela do computador aparecem as feridas – as mais sangrentas de todas – provocadas pelo madeiro, bem diferenciadas das horríveis dilacerações dos açoites da flagelação, indicando com precisão a posição da Cruz.

Até pormenores históricos que intrigavam os cientistas ficaram esclarecidos. Um deles é que os romanos – executores materiais da Crucifixão, sob a pressão do ódio judeu – não costumavam obrigar o condenado a carregar a Cruz inteira. Eles já deixavam o tronco principal encravado no local do suplício – no caso, o Calvário –, mas forçavam o sentenciado a levar a trave da Cruz, chamada patibulum.

Manchas de sangue, posicao do cingulo e cruzEm sentido contrário, os quatro Evangelhos não falam do patibulum, mas só da Cruz: “Et baiulans sibi crucem exivit in eum” (Jo 19, 17).

São Mateus, São Marcos e São Lucas mencionam o cruzeiro no episódio em que o Cireneu foi obrigado a ajudar Nosso Senhor Jesus Cristo a carregá-lo.

Ora, na análise computadorizada das fotografias da Túnica aparecem com toda clareza possível as chagas e tumefações provocadas por uma cruz, e não por um mero patibulum.

As manchas de sangue indicam que na Via Sacra os dois madeiros cruzaram-se na altura da omoplata esquerdo de Nosso Senhor.

Na iconografia tradicional, na Via Sacra Nosso Senhor aparece habitualmente com um cíngulo, ou cordão cingindo os rins.

Tal cordão não deixara nenhum vestígio conhecido. Mas, no ensaio digital, a presença do cordão, de que nos fala a tradição aparece perfeitamente identificada!

A conclusão do Prof. Marion é a seguinte:

Ostensao 1984

“O procedimento praticado foi, de longe, muito mais preciso que os que tiveram lugar no passado. Segundo nossos antepassados, era necessário acreditar que um só e mesmo supliciado tinha manchado com seu sangue a túnica [de Argenteuil] e o Sudário [de Turim].
“Estas repetidas afirmações requeriam um estudo aprofundado: desejamos então verificar, por nós mesmos, se tal comparação pode se justificar. Os resultados aparecem entretanto perfeitamente conclusivos.
“A correspondência das feridas é um argumento a favor da autenticidade das duas relíquias, que devem se referir bem ao mesmo supliciado.
“É muito difícil imaginar que falsários tenham tentado correlacionar de modo tão perfeito os dois objetos...”

Fonte: Ciêncoia Confirma a Igreja

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Cordeiro que liberta e salva

O Cordeiro que liberta e salva


Em todas as missas, antes da comunhão, rezamos ao "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" - expressão tirada do evangelho da liturgia deste segundo domingo do tempo comum Jo1,29-34. Essa oração, repetida três ou mais vezes, indica que quem se une a Cristo por meio da comunhão reconhece e assume também a condição de cordeiro sacrifical disposto a se empenhar pela eliminação dos pecados da humanidade.

A exemplo dos cordeiros imolados no Egito, cujo sangue salvava a família do massacre do "exterminador", Jesus é o Cordeiro de Deus que tira os pecados que oprimem as pessoas. Em outras palavras, ele é o Cordeiro que salva e conduz para a vida plena e feliz. Seu sacrifício traz luz, salvação e paz para a humanidade.

João não conhecia o Messias, mas aos poucos foi percebendo quem era. Este é o caminho de todo catecúmeno, ou seja, daquele que se propõe seguir o Mestre: convivendo com os irmãos na fé e aprendendo com a leitura dos evangelhos, com o estudo sobre ele, com os ensinamentos da Igreja, ir conhecendo quem ele é. O conhecimento de Jesus se dá aos poucos, é algo progressivo. Com o tempo, João descobre a presença do Espírito de Deus em Jesus e a partir daí vai percebendo que Jesus é mais do que o ungido por excelência - o Messias -, éo Filho amado e querido de Deus.

Mediante a missão do seu Filho, Deus se propõe eliminar a opressão que pesa sobre a humanidade. Com sua morte, Jesus será o libertador e o alimento dos seus seguidores. Participando da plenitude que ele possui, seus discípulos também nascerão do Espírito e receberão "a força de vida-amor que os libertará da opressão do pecado".

Pe. Nilo Luza, ssp

Fonte: Catequisar

domingo, 1 de janeiro de 2012

A “Causa Mortis” de Jesus

Artigo publicado no jornal "A Folha da Manhã", Campos, no dia 30 de março de 2011, quarta-feira.


No processo que resultou na morte de Jesus, discute-se qual a acusação alegada pelos seus inimigos para arrancar a condenação do juiz romano Pôncio Pilatos. Em seu novo livro “Jesus de Nazaré” - II, o Papa trata dessa questão.



“S. João relata a conversação entre Jesus e Pilatos, em que a pergunta sobre a realeza de Jesus, o motivo de sua morte, é explorada em profundidade (18, 33-38)... Com afiada perspicácia, ele escolheu como chave da narrativa da paixão a realeza de Jesus e fez seu significado mais claro, talvez, do que qualquer outro escritor do Novo Testamento”.



“O peso da afirmação de Jesus em ser rei dos judeus era muito grave. Roma não tinha qualquer dificuldade em reconhecer reis regionais como Herodes, mas eles tiveram que ser legitimados por Roma e tiveram que receber de Roma a definição e a limitação da sua soberania. Um rei sem tal legitimação era um rebelde que ameaçava a Pax Romana e, portanto, tinha de ser condenado à morte. Pilatos sabia, no entanto, que nenhuma revolta rebelde tinha sido instigada por Jesus. Tudo o que tinha ouvido sobre ele deve ter feito Jesus parecer-lhe como um fanático religioso, que pode ter ofendido algumas decisões legais e religiosas judaicas, mas que não era motivo de qualquer preocupação para ele. Os judeus mesmos deveriam julgá-lo. Do ponto de vista da ordem jurídica e política romana, que se inscrevem no âmbito de sua competência, não havia nada de grave para sustentar contra Jesus”.



“Durante o interrogatório, de repente, chegamos a um momento dramático: a confissão de Jesus. À pergunta de Pilatos: ‘Então você é um rei?’, ele responde: ‘tu o dizes: eu sou um rei. Para isso nasci, e por isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade ouve a minha voz’. Anteriormente Jesus dissera: ‘meu Reino não é deste mundo; se minha realeza fosse deste mundo, meus servos lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus; mas a minha realeza não é desse mundo’. Esta ‘confissão’ de Jesus coloca Pilatos numa situação extraordinária: o acusado alega realeza e um Reino. No entanto ele sublinha a diferença completa de sua realeza, e ele mesmo ressalta o ponto específico que deve ter sido decisivo para o juiz romano: ninguém está lutando por esta realeza. Se o poder, poder militar verdadeiro, é característica da realeza e de reinos, não há nenhum sinal disso no caso de Jesus. E também não há qualquer ameaça à ordem romana. Este Reino é impotente. Ele não tem legiões”.



“No entanto, Pilatos também parece ter experimentado uma certa cautela supersticiosa com relação a esta figura notável: talvez realmente houvesse algo divino neste homem. ... Os acusadores de Jesus, obviamente, percebem isso. Contra o medo supersticioso de uma eventual presença divina, apelam para o medo totalmente prático de perder o favor do imperador, sendo removido do cargo e assim mergulhar em uma espiral descendente. A declaração: "Se você liberar este homem, você não é amigo de César" (Jo 12, 19) é uma ameaça. No final, a preocupação com a carreira se revela mais forte do que o medo de poderes divinos”.




Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Fonte: Adapostólica

A “Realeza” de Jesus

Artigo publicado no jornal "A Folha da Manhã", Campos, no dia 6 de abril de 2011, quarta-feira.


Na leitura do novo livro do Papa, “Jesus de Nazaré” - II, vimos, em nosso último artigo, que a “causa mortis” de Cristo, segundo alegaram seus inimigos e impressionou Pilatos, foi a sua “realeza”. E Jesus explicou bem que essa sua realeza não era desse mundo, que ele não tinha “legiões” em sua defesa. Ela não perturbaria a realeza dos césares romanos. Mas qual era a característica desta sua realeza?



Com a explicação que deu sobre o “seu reino”, “Jesus criou um conceito completamente novo de realeza e reino, que surpreendeu Pilatos, o representante do poder mundano clássico. Qual a importância que Pilatos deveria dar a isso, e que nós devemos dar: este conceito de Reino e de realeza? É irreal, é pura fantasia que pode ser ignorada com segurança? Ou isso nos afeta de alguma forma?”



“Além da delimitação clara de seu conceito do Reino (sem luta, impotência terrena), Jesus introduziu uma idéia positiva, para explicar a natureza e o caráter específico do poder dessa realeza: ou seja, a verdade. Como prosseguiu o diálogo, Pilatos põe em jogo outra idéia que veio de seu mundo e normalmente estava ligado com o ‘Reino’: ou seja, poder-autoridade (exousía). Domínio demandava poder; é a sua definição. Jesus, no entanto, define como a essência da sua realeza o testemunho da verdade. É a verdade uma categoria política? Ou o Reino de Jesus não tem nada a ver com política? A que ordem ele pertence? Se Jesus baseia seu conceito de realeza e Reino na verdade como categoria fundamental, então é totalmente compreensível que o pragmático Pilatos lhe pergunte: ‘O que é a verdade’? (Jo 18, 38)”.



“É a pergunta que é feita também pela teoria política moderna: política pode aceitar a verdade como uma categoria estrutural? Ou a verdade, como algo inatingível, deve ser relegada para a esfera subjetiva, tendo seu lugar tomado por uma tentativa de construir a paz e a justiça usando quaisquer instrumentos que estejam disponíveis ao poder? Baseando-se na verdade, a política, em virtude da impossibilidade de alcançar um consenso sobre a verdade, não se faz a si mesma uma ferramenta de tradições particulares que, na realidade, são apenas formas de aferrar-se ao poder?”



“E ainda, por outro lado, o que acontece quando a verdade não conta nada? Que tipo de Justiça é então possível? Não haveria critérios comuns que garantam a verdadeira justiça para todos — critérios que são independentes da arbitrariedade das variações de opiniões e poderosos lobbies? Não é verdade que as grandes ditaduras foram alimentadas pelo poder da mentira ideológica e que só a verdade foi capaz de trazer liberdade?”



No mundo de hoje, em que reina o relativismo, onde não há verdade objetiva mas cada qual quer possuir a “sua verdade”, onde as afirmações contraditórias podem ser ao mesmo tempo verdadeiras, onde impera o subjetivismo contra a objetividade da verdade, então, mais do que nunca, é necessário ouvirmos esse Rei que veio ao mundo trazer a verdade.




Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Fonte: Adapostólica

A Realeza da Verdade

Artigo publicado no jornal "A Folha da Manhã", Campos, no dia 13 de abril de 2011, quarta-feira.


No seu julgamento, Jesus explicara a Pilatos a natureza e o caráter específico da sua realeza: a verdade. Conforme nos explica Bento XVI no livro “Jesus de Nazaré II”, esse enfoque é de suma importância. Na ocasião, Pilatos perguntou a Jesus: “O que é a verdade?”.



“O que é verdade? A pergunta do pragmatista, jogada com um grau de ceticismo, é uma pergunta muito séria, a ver com o destino da humanidade. O que, então, é verdade? Somos capazes de reconhecê-la? Ela pode servir como critério para nosso intelecto e vontade, tanto nas escolhas individuais como na vida da comunidade?”



“A definição clássica da filosofia Escolástica designa a verdade como ‘adaequatio intellectus et rei’ (conformidade entre o intelecto e a realidade – S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae I, p. 21, r. 2c). Se o intelecto do homem reflete uma coisa como ela é em si mesma, então ele encontrou a verdade: mas apenas um pequeno fragmento da verdade, não a verdade na sua grandeza e sua integridade”.



“Chegamos mais perto do que Jesus quis dizer com outro dos ensinamentos de Santo Tomás: ‘a verdade está propriamente e em primeiro lugar no intelecto de Deus; no intelecto humano está presente propria e derivadamente’ (De Verit., p. 1, a. 4 c). E para terminar chegamos à fórmula sucinta: Deus é ‘a própria verdade, a soberana e primeira verdade’”.



“Esta fórmula nos traz perto do que Jesus quer dizer quando ele fala da verdade, quando diz que seu objetivo na vinda ao mundo foi ‘testemunhar a verdade’. Frequentemente no mundo, verdade e erro, verdade e inverdade, são quase inseparavelmente misturadas. A verdade em toda a sua grandeza e pureza não aparece. O mundo é ‘verdadeiro’, na medida em que ele reflete a Deus: a lógica criativa, a razão eterna que o trouxe para a existência. E ele se torna mais e mais verdadeiro quanto mais ele se aproxima de Deus. O homem torna-se verdadeiro, ele se realiza, quando cresce na semelhança de Deus. Então ele alcança a sua própria natureza. Deus é a realidade que dá o ser e a inteligibilidade”.



“ ‘Dar testemunho da verdade’ significa dar prioridade a Deus e à sua vontade sobre e contra os interesses do mundo e seus poderes. Deus é o critério de ser. Neste sentido, a verdade é o verdadeiro ‘rei’ que confere luz e grandeza a todas as coisas. Pode-se dizer também que o dar testemunho da verdade significa fazer a criação inteligível e sua verdade acessível do ponto de vista de Deus — a perspectiva da razão criadora — de forma que ela possa servir como um critério e uma orientação a este nosso mundo, de modo a que os grandes e os poderosos sejam expostos ao poder da verdade, à lei comum, à lei da verdade”.



“Digamos claramente: a fracassada situação do mundo consiste precisamente na falha em compreender o significado da criação, na falha em reconhecer a verdade; como resultado, a regra do pragmatismo é imposta, pelo qual o braço forte do poderoso torna-se o ‘Deus’ deste mundo”.




Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Fonte: Adapostólica

Pilatos, um Péssimo Juiz

Artigo publicado no jornal "A Folha da Manhã", Campos, no dia 20 de abril de 2011, quarta-feira.


No drama da Paixão de Jesus, aparece essa figura, que passou à história como o exemplo de juiz astuto, manobreiro, indeciso entre a verdade e o interesse próprio: Pôncio Pilatos, o governador Romano a quem foi apresentado um réu inocente. Interessante a análise dessa figura feita por Bento XVI no livro “Jesus de Nazaré II”.



“A imagem de Pilatos nos evangelhos apresenta o governador romano bastante realisticamente como um homem que poderia ser brutal quando julgasse que isso interessaria à ordem pública. Mas ele também sabia que Roma devia sua dominação do mundo à sua tolerância de divindades estrangeiras e à capacidade do direito romano para construir a paz. Assim nos é apresentado Pilatos durante o julgamento de Jesus”.



“Em João 18, 34-35, fica claro que, com base nas informações que possuia, Pilatos nada tinha que pudesse incriminar Jesus e constituir um risco para a lei e a ordem. A acusação vinha do próprio povo de Jesus, das autoridades do tm6emplo”.



Quando Pilatos ouviu a ameaça de que ele poderia perder o seu cargo se não condenasse Jesus, que se proclamava rei, a preocupação com a sua carreira se revelou mais forte do que qualquer escrúpulo de consciência. Mas Pilatos ainda tentou alguns expedientes. Apresentou Jesus como um candidato à anistia da Páscoa, buscando libertá-lo. “Ao fazê-lo, ele se coloca em uma situação fatal. Qualquer pessoa apresentada como um candidato à anistia é em princípio já condenada”. Em seguida, Pilatos mandou flagelar Jesus, que ele proclamara inocente. Ele contava erradamente com a compaixão dos acusadores. Mas, no direito penal Romano, a flagelação era a punição que acompanhava a sentença de morte, que, por fim, ele pronunciou.



Embora tivesse declarado Jesus inocente – essa verdade ele sabia -, “a grande ‘Verdade’ de que Jesus tinha falado ficou inacessível a Pilatos. Ou seja, no final das contas, o conceito pragmático, a solução prática, prevaleceu, sendo, para ele, mais importante do que a verdade.



Quando Jesus afirmou diante dele que era rei e que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, Pilatos lhe perguntou: “o que é a verdade?” E saiu, sem esperar a resposta. “Pilatos não estava sozinho em afastar esta pergunta como irrespondível e irrelevante para seus propósitos. Também hoje, em assunto político e na discussão dos fundamentos da lei, ela geralmente é experientada como perturbadora. Se o homem vive sem verdade, a vida fica sem sentido para ele. Finalmente ele se entrega a quem é o mais forte. ‘Redenção’, no pleno sentido da palavra, somente pode consistir em que a verdade se torne reconhecível. E ela se torna reconhecível quando Deus se torna reconhecível. Ela se torna reconhecível em Jesus Cristo. Em Cristo, Deus entrou no mundo e colocou o critério da verdade no meio da história. Exteriormente, a verdade é impotente no mundo, assim como Cristo, pela visão do mundo, é impotente: ele não tem legiões. Ele é crucificado. Mas precisamente assim, em sua própria impotência, ele é poderoso: só assim a verdade se converte de novo em poder”.




Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Fonte: Adapostólica

Visão a partir de Cristo

Artigo publicado no jornal "A Folha da Manhã", Campos, no dia 25 de maio de 2011, quarta-feira.


A última assembléia geral dos Bispos do Brasil traçou as diretrizes gerais para a ação evangelizadora da Igreja no Brasil para os próximos anos. O subtítulo do documento – “Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6)”, aponta sua força motriz: tudo a partir de Jesus Cristo.



De fato, toda a ação da Igreja brota de Jesus Cristo e se volta para Ele e o Reino do Pai. Jesus Cristo é a nossa razão de ser, origem do nosso agir, motivo de nosso pensar e sentir. Nele, com Ele e a partir d’Ele, mergulhamos no mistério da Santíssima Trindade, construindo nossa vida pessoal e comunitária. Nisto se manifesta nosso discipulado-missionário: contemplamos Jesus Cristo presente e atuante em meio à realidade, compreendemos a realidade à sua luz e com ela nos relacionamos no firme desejo de que nosso olhar, ser e agir sejam reflexos do seguimento cada vez mais fiel ao Senhor Jesus. Não há, pois, como executar planejamentos pastorais sem antes pararmos e nos colocarmos diante de Jesus Cristo.



Em atitude orante, contemplativa, fraterna e servidora, somos convocados a responder, antes de tudo a nós mesmos: quem é Jesus Cristo? (Mc 8, 27-29). O que significa acolhê-lo, segui-lo e anunciá-lo? O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio, faz arder nosso coração (Lc 24, 32), leva-nos a tudo deixar (Lc 5, 8-11) e, mesmo diante das nossas limitações e vicissitudes, afirmar um incondicional amor a Ele (Jo 21, 9-17)?



A paixão por Jesus Cristo leva ao arrependimento, à contrição (Lc 24,47; At 2, 36ss) e à verdadeira conversão pessoal e pastoral. Por isso, devemos sempre nos perguntar: estamos convencidos de que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida? O que significa para nós, hoje, o Reino de Deus por Ele instaurado e comunicado?



A Conferência de Aparecida nos convida a olhar com atenção para Aquele que, sendo rico, se fez pobre para a todos enriquecer (2 Cor 8,9). O discípulo missionário, ao contemplar Jesus Cristo descobre o Verbo que veio morar entre nós, o Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade (Jo 1, 14); aquele que, sendo de condição divina, não se fecha em si mesmo, mas se esvazia até a morte e morte de cruz (cf. Filip 2,5ss) e, à diferença das aves do céu e das raposas, não tem sequer onde reclinar a cabeça (Mt 8, 20). Ele sempre precisa ir a outros locais (Lc 4, 43), para anunciar o Reino, a graça, a justiça e a reconciliação com Deus e entre os homens. Ele se preocupa com as ovelhas que não fazem parte do rebanho (Jo 10, 16), nem que seja uma única ovelha perdida, sofrida (Lc 15, 4-7), para reanimá-las diante da dor e da desesperança (Lc 24, 13-35). É este mesmo Jesus que virá, um dia, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos (Mt 25, 31-45).



Assim a Igreja pretende evangelizar: a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula do Senhor, mestra, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, para que todos tenham vida (Jo 10,10), rumo à Pátria Celeste.




Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Fonte: Adapostólica