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sexta-feira, 9 de março de 2012

Contra a opinião pública pretende-se reformar ("na marra") o Código Penal a fim de despenalizar o crime do aborto

Contra a opinião pública pretende-se reformar ("na marra") o Código Penal a fim de despenalizar o crime do aborto
No Tribunal de Justiça de São Paulo, durante a audiência pública do 24 último, o Prof. Hermes Rodrigues Nery, rebateu os "argumentos" de feministas abortistas, que defendem mudanças no Código Penal



Hermes Rodrigues Nery
Coordenador do Movimento Legislação e Vida e da Comissão Diocesana em Defesa da Vida da Diocese de Taubaté. Diretor-Executivo do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida - Brasil Sem Aborto. Especialista em Bioética, pós-graduado pela PUC-RJ


O nome não podia ser mais sugestivo: Salão dos Passos Perdidos. “Tenebroso”, comentei com José Roberto, que me acompanhou no início da tarde de 24 de fevereiro, até o local aonde começaram a aglomerar pessoas para a audiência pública que iria debater o anteprojeto da reforma do Código Penal, que o relator ministro Gilson Dipp entregará ao Senado Federal, em 31 de maio próximo.

Sentamos na 6ª fileira e ficamos aguardando. Aos poucos, o imponente salão foi se enchendo de advogados, estudantes, profissionais liberais, funcionários públicos, professores, magistrados, autoridades públicas, etc. E as feministas, muitas delas, por toda a parte, contentes com a recente nomeação da ministra Eleonora Menicucci. Próximo de nós, sentaram-se alguns poucos pró-vidas, grupo minoritário que teria de se posicionar em meio às feras dilmistas: Dr. Hugo Barroso Uelze, de São Paulo; Adelice Godoy, de Campinas; Lorena Leandro, de Santos e Cel. Jairo Paes de Lira. E também Maria Célia Silva de Oliveira, Diogo Waki, Fernando Tossunian e Marcos Gregório Borges.

De 100 inscritos, apenas 5 se posicionaram em defesa da vida. Todos os que se pronunciaram – a esmagadora maioria dos presentes – estavam afinados com o discurso abortista. Foi um massacre, uma avalanche implacável. Todos os argumentos abortistas foram discorridos.

Cada inscrito tinha teoricamente 3 minutos para expor seu pensamento. Como a imensa maioria era de representantes de OnGs abortistas, cada uma delas (porque eram sempre as feministas que faziam uso da palavra) falavam três, quatro, cinco, e até dez minutos cada, beneficiadas pela generosidade da mesa condutora da audiência pública. Uma a uma foram avançando, cada vez mais com ousadia. E o tema do aborto prevaleceu.

Mais do que uma impressão, foi uma constatação: a audiência não foi para debater os tantos tópicos da reforma do Código Penal, mas para reunir todas as OnGs abortistas do País, todas juntas num único momento, para em voz uníssona, dizer ao relator do anteprojeto, que elas representavam a sociedade brasileira e queriam a legalização do aborto já.

Depois de 2 horas e meia de eufóricos e inflamados discursos pró-aborto, alguns deles em tom bem agressivo: “Ninguém vai nos impor a maternidade, somos donas do nosso próprio corpo!” E os magistrados presentes corroboravam: “O nosso Código Penal tem que acompanhar os avanços da sociedade!” Em seus impecáveis ternos e cabeleiras brancas, se sentiam gratificados com os aplausos efusivos das feministas. Eram homens bem-sucedidos, bem alinhados com a ideologia dos atuais donos do poder, muitos deles prestadores de serviços e até comissionados na administração pública.

E não foram poucos a lembrar que estamos no século 21, e a lei deve acompanhar a modernização dos tempos. A audiência pública foi uma overdose de apologia ao aborto como direito da mulher. A cada fala de uma delas, ouvia-se ressoar por todo o salão: “bravo! bravo!, viva!”, como num espetáculo de ópera. Uma após outra foi discorrendo: “Queremos que substituam o termo ‘gestante’ por mulher”, pois a hora e a vez agora é da mulher, da sua total emancipação”.

E mais vivas ecoavam pelo plenário. “… a libertação da mulher é o núcleo de toda atividade de libertação. Aqui se ultrapassou, por assim dizer, a teologia da libertação política com uma antropológica. Não se pensa apenas na libertação dos vínculos próprios ao papel da mulher, mas na libertação da condição biológica do ser humano”.(1)

A cada instante, ficava cada vez mais evidente a exiguidade de espaço para a afirmação da cultura da vida. Foi quando então, depois de muitas intervenções, o relator proferiu o meu nome, dando-me o uso da palavra. Afinal, eu estava inscrito e ele mesmo dissera no começo da audiência pública, que todos os que se inscreveram teria o direito de se pronunciar, no tempo de 3 minutos.

Assim que peguei o microfone, disse aos presentes de que depois de tantas exposições, enfim, teria de apresentar um posicionamento divergente. Ao que veio a primeira vaia. “Mas, graças a Deus, estamos numa democracia! Não é assim sr. ministro?”, pois ouvimos todos eles, fiz o apelo para que respeitassem a nossa posição, em nome daquilo que eles tanto dizem apreciar: a liberdade de expressão.

Feito o pequeno preâmbulo e novamente em silêncio o plenário, tirei do meu paletó um bebê de 10 semanas, de gesso, e o ergui para a visão de todos ali presentes, indagando: “Quem defenderá o indefeso?" Emergiu então por todo o salão uma imensa vaia, algumas feministas, em estado de histeria, pediam: “Abaixo o feto!”, e houve um início de tumulto porque elas queriam nos impedir de entregar o bebê de 10 semanas ao relator do anteprojeto do Código Penal. Quando entreguei a pequena imagem em gesso de um feto nas mãos dele, prossegui: “Gostaria que Vossa Excelência visse o rosto dele, como já com 10 semanas o bebê já tem um rosto, uma identidade. Já é um ser humano.” E reforcei dizendo: “A vida deve ser protegida, amada e valorizada desde o seu início, na concepção, para que a proteção da vida seja de modo integral, para o bem de toda pessoa humana!” E destaquei com ênfase: “O direito a vida é o primeiro e o principal de todos os direitos humanos”, pois “colocar o direito ao aborto no catálogo dos direitos humanos seria contradizer o direito natural à vida, que ocupa um dos postos mais importantes em tal catálogo e é um dos direitos fundamentais”.(2)

Ressaltei a constatação científica do início da vida humana com a concepção e a ardilosidade do ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, em ter recorrido ao argumento jurídico da teoria natalista (ancorado no positivismo de Hans Kelsen) para justificar a proteção do ser humano somente depois do seu nascimento, por causa do mutismo constitucional sobre o “desde quando” a vida deve ser amparada.

Meu pronunciamento portanto foi a de ser voz aos que não tem voz nem vez, aos que hoje estão sendo inteiramente desprezados e vítimas da pior de todas as violências, por aqueles que deveriam ser os primeiros a tutelá-los. E então, lembrei ao senador Eduardo Suplicy, que estava sentado próximo ao senador Aloysio Nunes, dizendo que no México, 18 estados daquele País incluíram o direito a vida desde a concepção em suas constituições estaduais, cujas iniciativas foram validadas pela Suprema Corte mexicana. “Estamos trabalhando para fazer o mesmo na Constituição do Estado de São Paulo”.

Não foi possível então continuar a minha fala, porque esgotaram-se os três minutos exatos concedidos, enquanto que outras feministas tiveram tempo muito maior para repetir à exaustão de que é preciso descriminalizar o aborto, não aceitando de modo algum o dado científico do início da vida humana com a fecundação, muito menos ainda qualquer recorrência de justificativa religiosa.

“Chega de Deus!”, vociferou uma delas, com os punhos erguidos e olhos esbugalhantes. Por mais de uma hora após a minha fala, outras líderes feministas vieram como rolo compressor para defender o direito ao aborto, o direito da mulher assassinar as crianças em seu ventre, no afã desmesurado pela nova matança dos inocentes.

O ambiente ficou cada vez mais carregado de olhares raivosos e sentimentos hostis à defesa da vida, quando finalmente uma mulher pró-vida pode se manifestar.

De modo sereno e seguro, Lorena Leandro expos as consequências danosas do aborto para a mulher, enquanto iradas, as feministas vaiavam com mais força. Também foram nos poucos três minutos.

Para ela, o que houve naquele Salão dos Passos Perdidos, foi “o triste espetáculo da velha ladainha sobre liberdade feminina. Não que as feministas não possam se superar. Houve indignação porque a mulher grávida é chamada de gestante. Uma mulher, com aparência claramente indígena, incluía-se no grupo ‘pobres e negras’ e reclamava do preconceito. Teve mulher estrangeira dando pitaco na legislação. Houve proposta de criminalizar o preconceito contra as mulheres que abortam (trocando em miúdos: coloquem quem for contra o aborto na prisão). Teve até defesa do infanticídio, e tudo isso temperado pela tão famigerada comparação: se não podemos abortar, então não comamos ovo, que estamos a matar o filho da galinha!”

De fato, “ovo não é galinha”, foi o que gritou uma das feministas para justificar que o embrião humano nada mais é que um amontoado de células.

Dulce Xavier, a representante das “Católicas pelo Direito de Decidir” estava sorridente e também foi muito aplaudida, bem como outras líderes que se disseram católicas e defensoras dos direitos das lésbicas, da total autonomia das mulheres, “para que ninguém mais tenha que dizer a elas o que devem fazer”.

Mais duas vozes pró-vida se manifestaram: o Cel. Jairo Paes de Lira, ex-deputado-federal, também vaiado pelas feministas, mas que se manteve firme em sua posição.

E também se pronunciou com ardor pró-vida, o advogado, Dr. Hugo Barroso Uelze, afirmando que “o anteprojeto do Código Penal é inconstitucional no que diz respeito ao aborto, porque a inviolabilidade do direito à vida é um conceito magno [art. 5º, caput e § 2º c./c. art. 60, § 4º, inciso IV da Constituição Federal (CF)] e que, por isso, não pode ser reduzido pelas definições legais – e, dentre elas, aquelas constantes do Código Penal ou de seu respectivo anteprojeto”.

Enfim, tivemos outra voz feminina pró-vida: Adelice Godoy, de Campinas, que ainda em tempo destacou que a maioria do povo brasileiro é pela vida e contra o aborto.

Houve um jovem advogado que chegou a tentar discorrer uma defesa da dignidade do embrião humano a partir do pensamento de Aristóteles, enquanto as feministas riam dele, mesmo assim ele conseguiu desenvolver seu raciocínio, mas assim que acabou sua fala, foi abraçado por uma delas que lhe disse: “Vem cá meu menino, preciso lhe ensinar algumas coisas!” E o levou até Dulce Xavier, e o rapaz ficou lá por algum tempo rodeado por elas, que certamente lhe disseram que ele estava equivocado naquela linha linha de raciocínio, e que se ele quisesse ter sucesso na sua carreira, teria logo que mudar o discurso e assumir a bandeira libertária.

A questão do aborto é ponta do iceberg. A estratégia de
despenalizar o aborto em casos de anencefalia, é apenas o primeiro passo, para depois, num movimento crescente, chegar a sua completa legalização, até o 9º mês.

Numa hora como esta, como cristãos, não podemos nos omitir nem nos calar. É sinal de bem-aventurança defender a causa do Reino até mesmo nos tribunais, diante dos poderosos. “O cristianismo oferecerá, de um modo novo, modelos de vida e apresentar-se-à outra vez, na desolação da existência técnica, como um lugar de uma verdadeira humanidade”.(3)

A história comprova que “é exigente o ideal cristão e, ao mesmo tempo, demonstra de maneira concreta e convincente que tal ideal não pode ser alcançado sem autêntico heroismo”.(4)

Ao sair da audiência pública lembrei-me de que “Herodes foi ardiloso”(5) em sua decisão de massacrar “todas as crianças”.(6) E que os primeiríssimos perseguidos foram os inocentes, como hoje são martirizados os fecundados e não nascidos, na tortura e crueldade mais atroz, no holocausto silencioso, a vitimar milhares de seres humanos, em todo o mundo.

Por isso, por saber a quem defendemos e o que defendemos, continuaremos a militar em favor da vida, sendo voz dos que não tem voz nem vez, dos que estão impedidos do direito à vida, o primeiro e principal de todos os direitos humanos, motivado portanto por quem nos une e nos dá força: “para que todos tenham vida e a tenham em abundância!” (Jo 10, 10).
________________
Notas:
1. Joseph Ratzinger, O Sal da terra – O Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do terceiro milênio, p. 108, Ed. Imago, 1997.
2. Alicja Grzeskowiak, Direito ao Aborto, no Lexicon – termos ambiguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, do Pontifício Conselho para a Família, p. 201; Edições CNBB, 2007.
3. Joseph Ratzinger, O Sal da terra – O Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do terceiro milênio, pp. 103-104, Ed. Imago, 1997.
4. Stefano de Fiores e Tullo Goffi, Dicionário de Espiritualidade, Heroismo, Paulus, 2ª edição, 1993, p. 476.
5. Anna Catharina Emmerich, Santíssima Virgem Maria, Mir Editora, 2ª edição, 2004, São Paulo, p. 337. 6. Ibidem.
Fonte: Família Católica

Eleonora Menicucci — haveria nome mais impróprio para fazer parte do governo?

Eleonora Menicucci — haveria nome mais impróprio para fazer parte do governo?


A nova ministra, Eleonora Menicucci, e a ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes

Paulo Roberto Campos
prccampos@terra.com.br


Não foi desmentida a estarrecedora e repugnante entrevista que Eleonora Menicucci de Oliveira (a nova Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres) concedeu à Profa. Joana Maria Pedro em 14-10-2004, mas que somente veio a público no dia 13 último, pela postagem do jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog na revista VEJA: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-ministerio-dilma-nova-ministra-da-mulher-confessa-que-ja-treinou-abortos-por-succao-mesmo-nao-sendo-medica-mais-ela-se-considera-avo-de-um-neto-mas-tambem-do-aborto/


Quando tomei conhecimento de tal entrevista, quase não podia acreditar, pois parecia um filme de terror. Pensei com meus botões: “Será real coisa tão asquerosa? Bom, se não for verídico, evidentemente, a ministra vai desmentir”.


A entrevista foi publicada antes do carnaval. A folia acabou, já estamos na primeira semana da Quaresma e nada de desmentido. Então resolvi transcrever aqui o texto publicado no mencionado blog. A íntegra da entrevista, feita pela referida professora – que é pesquisadora e Doutora em História Social pela USP – encontrava-se no site da Universidade Federal de Santa Catarina (http://www.ieg.ufsc.br/admin/downloads/entrevistas/29092009-111002menicucci.pdf), mas foi retirada por pedido expresso da nova ministra. Entretanto, o Reinaldo Azevedo tinha guardado uma cópia do texto, agora off-line.


A recém-empossada Ministra das Mulheres — melhor qualificação seria Ministra do Aborto — militou no Partido Operário Comunista (POC), que pretendia implantar no Brasil a ditadura comunista nos moldes da revolução cubana. Eleonora Menicucci deseja passar sua imagem como se tivesse sido uma heroína que em sua luta por um “ideal” fora encarcerada no presídio Tiradentes (na chamada “Torre das Donzelas”) em 1971, juntamente com Dilma Rousseff e outras guerrilheiras. Mas é preciso desmistificar tal “ideal”, pois não passava de um plano sórdido para levar o Brasil a ser dominado pelo tirânico regime comunista, cujo modelo de ação era o do bando covarde e assassino constituído pelos guerrilheiros Fidel Castro, Ché Guevara et caterva.


Devido às afirmações da nova Ministra — de ter-se submetido a dois abortos, de ter sido aborteira (usando o sistema “Aspiração Manual Intrauterina”, um método de sucção, como admitiu), e de ter-se relacionado com homens e mulheres (sic) — o deputado carioca Eduardo Cunha afirmou: “Quando a gente lê várias declarações dessa nova ministra, ela está no lugar e na época errada, devia estar em Sodoma e Gomorra”.


Como foi grande a indignação produzida pela referida entrevista, sem desmenti-la Menicucci declarou: “Essa é uma questão [do aborto] que não diz respeito ao Executivo, mas sim ao Congresso. Há um projeto de lei em tramitação e sabemos da responsabilidade de prevenir mortes femininas e maternas” (“O Estado de S. Paulo”, 17-2-12).


Certamente uma declaração feita para não afastar eleitores do PT, pois, como é público e notório, Dilma Rousseff não foi eleita no primeiro turno devido às suas anteriores declarações pró-aborto. E só conseguiu vencer no segundo com a promessa de não dar nenhum passo que favorecesse a legalização do aborto no Brasil.


Segue a sinistra entrevista da nova ministra. Mas, leitor, cuidado! Escolha um bom momento para fazer sua leitura, pois poderá ficar enojado...


Dilma Rousseff e algumas amigas convidadas para fazer parte de seu governo. No meio, à esquerda, nova ministra Eleonora Menicucci e, à direita, a ex-ministra Iriny Lopes (que deixou a pasta da Secretaria de Políticas para as Mulheres a fim de disputar a prefeitura de Vitória

“ESTIVE TAMBÉM FAZENDO UM TREINAMENTO DE ABORTO NA COLÔMBIA, POR ASPIRAÇÃO”

Eleonora — Dois anos. Aí, em São Paulo, eu integrei um grupo do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. ( ). E, nesse período, estive também pelo Coletivo fazendo um treinamento de aborto na Colômbia.
Joana — Certo.
Eleonora — O Coletivo nós críamos em 95.
Joana — Como é que era esse curso de aborto?
Eleonora — Era nas Clínicas de Aborto. A gente aprendia a fazer aborto.
Joana — Aprendia a fazer aborto?
Eleonora — Com aspiração AMIU.
Joana — Com aquele…
Eleonora — Com a sucção.
Joana — Com a sucção. Imagino.
Eleonora — Que eu chamo de AMIU. Porque a nossa perspectiva no Coletivo, a nossa base…
Joana — é que as pessoas se auto auto-fizessem!
Eleonora — Autocapacitassem! E que pessoas não médicas podiam…
Joana — Claro! Eleonora — Lidar com o aborto.
Joana — Claro!.
Eleonora — Então vieram duas feministas que eram clientes, usuárias do Coletivo, as quais fizeram o primeiro auto-exame comigo. Então é uma coisa muito linda.
Joana — Hum.
Eleonora — Muito bonita! Descobrirem o colo do útero e…
Joana — Hum. Eleonora — Ter uma pessoa que segura na mão.
Joana — Certo. “NÓS DECIDIMOS, EU E O PARTIDO, QUE EU DEVERIA FAZER UM ABORTO” Num outro trecho, Eleonora conta como ela e o seu partido, o POC (Partido Operário Comunista), tomaram uma decisão: ela deveria fazer um aborto. Tratava-se apenas de uma questão… política!
Eleonora — Porque a minha avaliação era que eu tinha que fazer
Joana — a luta armada aqui.
Eleonora — a luta armada aqui. E um detalhe importante nessa trajetória é que, seis meses depois de essa minha filha ter nascido, eu fiquei grávida outra vez. Aí junto com a organização nós decidimos, a organização, nós, que eu deveria fazer aborto porque não era possível.
Joana — Certo.
Eleonora — Na situação ter mais de uma criança, né? E eu não segurava também. Aí foi o segundo aborto que eu fiz.


“EU TIVE MINHA PRIMEIRA RELAÇÃO COM MULHER. E TRANSAVA COM HOMEM; ESTAVA COM MEU MARIDO”

Falastrona e ególatra, como já apontei aqui, ela faz questão de contar na entrevista que teve a sua primeira relação homossexual quando ainda estava casada. Era o seu mergulho no que ela entende por feminismo.


Eleonora — Aí já nessa época eu radicalizei meu feminismo. Eu comecei a militar.
Joana — Onde?
Eleonora — Em Belo Horizonte, eu comecei a militar neste grupo.
Joana — Neste mesmo grupo?
Eleonora — É
Joana — O que se fazia além de discutir?
Eleonora — Nós discutíamos o corpo.
Joana — Certo.
Eleonora — Discutíamos a sexualidade. Eu tive a minha primeira relação com mulher também.
Joana — Hum.
Eleonora — Quer dizer que foi bastante precoce pra essa E transava com homem.
Joana — Certo.
Eleonora — Pra minha trajetória
Joana — Mesmo porque tu também estavas com o teu marido eu acho, não estavas?
Eleonora — Sim, sim.
Joana — Estavas. Ah
Eleonora — Mas nós nunca tivemos esse E ele era um cara muito libertário. Nós nunca tivemos essa questão de relação
Joana — Certo.


“SOU MUITO AMIGA DO FREI BETTO. ELE ME PÔS NO CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA DIOCESE DE JOÃO PESSOA”

Ora, qual é o lugar ideal para uma humanista desse quilate trabalhar? Frei Betto — sim, aquele… — deu um jeito de arrumar para ela um emprego na Arquidiocese de João Pessoa:


Eleonora — E aí, no início de 78, eu já tinha me separado do meu ex-marido e resolvo sair de Belo Horizonte. Aí quando eu saio de Belo Horizonte eu busco um lugar bem longe porque eu não queria mais ser referência para a esquerda. ( )
Eleonora — E eu não podia. Então eu procurei isso. Sou muito amiga, por incrível que pareça, a vida inteira, do Frei Betto e pedi a ele pra me encontrar um lugar o mais longe possível de Belo Horizonte. Aí ele falou “Eu tenho dois lugares onde a Diocese é muito aberta: em Vitória, com Dom Luís, ou em João Pessoa, com Dom José Maria Pires. Eu falei: “Eu quero João Pessoa”, quanto mais longe melhor. ( )
Eleonora — É Mas, assim, eu cheguei, eu. Eu tive que construir minha vida.
Joana — Hum. Foste trabalhar?
Eleonora — No Centro de Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba.
Joana — Tá legal.
Eleonora — E aí eu comecei a trabalhar com as mulheres rurais de Alagamar, que era o que eu queria ( ) Logo depois, retomei um grupo, a minha atividade de grupo de reflexão feminista com algumas mulheres em João Pessoa. A maioria de fora de João Pessoa e duas de dentro Então nós criamos o primeiro grupo feminista lá em João Pessoa. Chamado Maria Mulher. ( )
Eleonora — É. “Quem ama não mata” e “O silêncio é cúmplice da violência”, e aí começamos a nos articular dentro do Nordeste.
Joana — Tá.
Eleonora — Era o SOS Mulher. O SOS Corpo e um grupo de reflexão que tinha em Natal
Joana — Hum.
Eleonora — De auto-reflexão. E no Maria Mulher, o que é que nós fazíamos? Nós fazíamos auto-exame de colo de útero, auto-exame de mama. ( )
Eleonora — Depois, em 84, eu venho pra São Paulo fazer doutorado em Ciência Política, já articuladíssima…
Joana — Imagino…
Eleonora — com o feminismo e com linhas de pesquisa bem definidas do ponto de vista feminista.
Joana — Quem é que te orientou em São Paulo?
Eleonora — Em São Paulo, foi a Maria Lúcia Montes, uma antropóloga. Embora, na época, ela fosse da Ciência Política. E, em 84, eu entro para o doutorado com uma tese que era sobre Direitos Reprodutivos e Direitos Sexuais a partir É a construção da cidadania a partir do conhecimento sobre o próprio corpo.
Joana — Isso por conta do teu trabalho com as mulheres?
Eleonora — Por conta do meu trabalho com as mulheres em uma favela chamada Favela Beira-Rio.
Joana — Certo.
Eleonora — Lá em João Pessoa.
Joana — Hum.
Eleonora — Que hoje é um bairro. Então nesta época eu fiquei quatro anos em São Paulo fazendo a tese e voltando a João Pessoa. ( ) E aí fui coordenadora do grupo de Mulher e Política da ANPOCS, do GT.
Joana — Hum.


“EU TINHA ATITUDES MASCULINAS ( ) ERA DECIDIDA, DETERMINADA, FORTE, SABIA ATIRAR”

Neste trecho, ela revela como enxergava — enxergará ainda? — os papéis masculino e feminino. Ah, sim: ela sabia “atirar”. Afinal, não se tenta impor uma ditadura comunista no país só com bons sentimentos, não é?


Joana — Já. E com relação às organizações das quais tu participavas?
Eleonora — Ah, primeiro que as mulheres dificilmente chegavam a um cargo de poder
Joana — Mas tu eras a chefe?
Eleonora — Eu era. Fui uma das poucas. Por quê? Eu me travesti de masculino
Joana — É? Como era?
Eleonora — Eu tinha atitudes masculinas ( ) Era decidida, determinada, forte, sabia atirar
Joana — Huuunnnn.
Eleonora — Entendeu?
Joana — Entendi.
Eleonora — Sendo que muitas mulheres sabiam isso tudo.
Joana — Certo.
Eleonora — Transava com vários homens.
Joana — Certo.
Eleonora — Essa questão do desejo e do prazer sempre foi uma coisa muito libertária pra mim, e por isso eu fui muito questionada dentro da esquerda.
Joana — É?
Eleonora — É.
Joana — Dentro do mesmo grupo do qual tu eras a líder?
Eleonora — Sim. Porque o próprio Por questões de segurança, eu só poderia ter relação sexual com os companheiros da minha organização.
Joana — Certo.
Eleonora — Num determinado momento, sim, mas na história do movimento estudantil, também já existia isso.


“EU TIVE MUITAS REFLEXÕES COM MINHAS AMIGAS NA CADEIA; UMA DELAS, A DILMA”

Neste outro trecho, a gente fica sabendo que Dilma Rousseff foi sua companheira também nas reflexões sobre o feminismo.

Eleonora — E, depois, imediatamente eu quis ter outro filho
Joana — Hum.
Eleonora — E muito no sentido de pra provar para os torturadores, mesmo que fosse simbolicamente, que o que eles tinham feito comigo não tinha me tirado a possibilidade de reproduzir e de ter uma escolha sobre meu próprio corpo
Joana — Hum.
Eleonora — Então eu tive mais um filho e logo que ele nasceu também de cesária eu me laqueei.
Joana — Certo.
Eleonora — Então Eu tinha, Eu fui presa com 24 para 25 mais ou menos.
Joana — Nossa Senhora!.
Eleonora — E sai com 30.
Joana — Certo.
Eleonora — Assim, da história toda e com 30 para 31, tive o meu segundo filho e fiz a laqueadura de trompas ( )
Joana — E então, tu saíste da cadeia em 74.
Eleonora — Certo.
Joana — Tu tiveste algum contato com o feminismo dentro da cadeia, com leituras feministas.
Eleonora — Não.
Joana — Ou depois?
Eleonora — Não, não. Ao longo da cadeia eu tive Durante a cadeia? Eu tive muitas reflexões com as minhas companheiras de cadeia
Joana — Tá.
Eleonora — Uma delas é a Dilma Roussef. ( )
Joana — Fizeram uma espécie de grupo de consciência?
Eleonora — Grupo de reflexão lá dentro.
Joana — Grupo de reflexão. ( )
Eleonora — Porque eu já saí É.. Eu já saí em 74, eu saí em outubro.
Joana — Certo.
Eleonora — No dia 12, Dia da Criança, eu saí já bem claro que eu era feminista.
Joana — Certo.
Eleonora — E, logo que eu saí da cadeia, eu em Belo Horizonte, fui procurar um grupo de mulheres.
Joana — Esses grupos de consciência?
Eleonora — É, só que era um grupo de lésbicas.
Joana — Certo.
Eleonora — E eu não sabia. Era um grupo de pessoas amigas minhas. ( )
Eleonora — Porque eu voltei a estudar!
Joana — Ah, legal!
Eleonora — Eu parei de estudar em 68.
Joana — Huuummm.
Eleonora — Eu parei no quarto ano de Medicina e no quarto de Ciências Sociais.
Joana — Foste concluir?
Eleonora — Fui, aí eu voltei pra concluir.
Joana — Certo.
Eleonora — Na UFMG, e optei por acabar Sociologia.


“SOU AVÓ DE UMA CRIANÇA NASCIDA POR INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL NA MÃE LÉSBICA; E TAMBÉM SOU AVÓ DO ABORTO”

Finalmente, destaco outro momento de grande indignidade na fala desta senhora. Ao se dizer avó de um neto gerado por inseminação numa filha lésbica e também “avó do aborto”, não só expõe a sua vida privada e a de seus familiares como, é inescapável constatar, demonstra não saber a exata diferença entre a vida e a morte.

Eleonora — E eu digo que a questão feminista é tão dentro de mim, e a questão dos Direitos Reprodutivos também, que eu sou avó de uma criança que foi gerada por inseminação artificial na mãe lésbica.
Joana — Hum, hum.
Eleonora — Então eu digo que sou avó da inseminação artificial.
Joana — (risos)
Eleonora — Alta tecnologia reprodutiva. E aí eu queria colocar a importância dessa discussão que o feminismo coloca no sentido do acesso às tecnologias reprodutivas.
Joana — Certo.
Eleonora — Entendeu? E eu diria: “Eu fiz dois abortos e também digo que sou avó do aborto também porque por mim já passou.
Joana — Sim.
Eleonora — Também já passou nesse sentido. E diria que eu sou uma mulher muito feliz e muito realizada. E eu pauto em duas questões: na minha militância política e no feminismo.


* * *

Comentar? Creio que não precisa... as fotos aqui publicadas "falam" por si... Comente o leitor...
Em todo caso, deixo aqui registradas algumas perguntas para a Dona Dilma Rousseff:
Não haveria uma mulher mais inadequada para fazer parte de seu governo? Alguém que melhor representasse as mulheres? Alguém que não tivesse a “ficha sujíssima”? Ao menos, que não tivesse as mãos sujas de sangue inocente de nascituros por ter sido aborteira? Por que escolher alguém assim? Praticar aborto não é crime? Exercer a medicina ilegalmente não é crime? Como então colocar num Ministério uma aborteira assumida?
Fonte: Família Católica

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Toda teologia é feminina

A mulher e o homem foram criados por Deus um para o outro. A visão
burguesa pinta a mulher como uma espécie de ser subumano, meio
imbecil, cuja única missão no mundo é lavar as cuecas do macho dela. A
visão feminista, revoltada contra este absurdo mas tendo ouvido o galo
cantar e sem saber onde, separa a mulher do homem. Já dizia a líder
feminista que a mulher precisa do homem tanto quanto um peixe precisa
de uma bicicleta.

Ambas são mentirosas. A mulher precisa do homem quase tanto quanto o
homem precisa da mulher. E é nesta interdependência que se dá o
crescimento de um e de outro, que se torna possível a formação de um
todo que é maior que a soma das partes: a família.

A família se deve à mulher. Ela obriga o homem a manter-se no lar, que
é da mulher. Sem o matrimônio, o homem vai fugir, vai trocar a mulher

de quarenta por duas de vinte. O matrimônio é "múnus", é dever e

responsabilidade da mulher, por ser ela mais capaz que o homem neste
ponto, é esta ordem familiar, que ela cria e mantém. É o "matri
munus", o múnus da mãe, o matrimônio. Querer que a mulher se dedique,
em suposta igualdade de condições, ao múnus do pai (o "patri munus",
patrimônio), competindo no mercado de trabalho como caixa de

supermercado ou qqr outra profissão que é exercida exclusivamente pela
remuneração, não por vocação, como querem as feministas, é negar o que
a mulher tem de específico e transformá-la numa versão menos eficiente
do homem.

Ora, a mulher é infinitamente superior ao homem em tudo o que diz
respeito à manutenção e à criação de uma ordem complexa. A ordem que o
homem cria é simples, seca, feia: a ordem de um quartel, de uma
oficina. Nela não há lugar para as nuances e riquezas que as mulheres
percebem e organizam melhor que os homens, para aquilo tudo que faz de
um lar algo essencialmente diferente de um apart-hotel ou quartel.

A teologia clássica (ou seja, a teologia ortodoxa, em contraste com o
bestialógico reducionista de uma suposta "teologia da mulher" de
origem feminista em que se fica tratando homens e mulheres como peças
intercambiáveis e querendo que mulheres sejam "padras") não é nem
poderia ser machista. Ao contrário, aliás. Na teologia clássica,
aprendemos que os Céus e a Terra têm - como qualquer ordem complexa e
baseada no amor - uma Rainha. A Criação - e, mais ainda, a Comunhão
dos Santos, dentro dela mas ordenada além pela Graça - não parece com
um quartel, sim com uma família. É uma ordem infinitamente complexa,
uma interdependência cuja riqueza e cuas nuances de sentido e de fluxo
(fluxo de graça, fluxo de amor, fluxo de perdão e de auxílio mútuo)
são ordenadas pelas mãos feminíssimas daquela que é a Medianeira de
Todas as Graças.


["Bispa" Luterana Escandinava]

Quando comparamos a beleza desta visão a uma visão realmente machista,
a uma visão "teológica" surgida no auge da modernidade, como a dos
mórmons, isso fica ainda mais claro. Para eles, a salvação seria
operada pelos homens fazendo coisas supostamente racionais
(ministrando sacramentos por procuração aos antepassados), e às
mulheres competiria servi-los como escravas. Uma mulher mórmon acha
que sua salvação vem por ela servir um homem que será salvo. Ela é um
apoio, um adorno, uma escrava; é ele que opera um mecanismo cru e
simples de "salvação" que pode levar a ela e às outras "esposas" do
sujeito a alguma ascensão. Isso consegue ser pior, ser mais machista,
ser mais distante da beleza da ordem criada que é posta por Deus nas
mãos da Imaculada, que o próprio Islã.

E é contra este machismo, contra uma visão teologica que pinta de
"católica" uma visão da mulher moderna que é muito mais perfeitamente
expressa no mormonismo, contra este espantalho, este boneco de palha
que nada tem a ver com a visão ortodoxa da mulher, que se levanta esta
"teologia feminista", que surge apenas onde a modernidade ou bem
conseguiu solapar as bases da Fé, como na Europa, ou onde a Fé não
conseguiu dissolver suficientemente a modernidade do território de
missão, como nos EUA.


["Bispa" Anglicana a esquerda]

A visão moderna, mecanicista e masculinizada (no pior sentido: na
hiper-simplificação de uma ordem complexa - pense na diferença entre
um lar, que é feminino, e um apart-hotel ou quartel, que é masculino)
da hierarquia eclesial é que percebe o papel do padre como um papel de
"poder". Ora, o padre, como o pai, leva o lixo pra fora (na
Confissão), bota comida na mesa (confeccionando o Santíssimo
Sacramento), mas isso não é poder. Isso é serviço, e um serviço que só
pode ter o seu lugar correto, só pode ser aquilo que Deus quer que ele
seja quando ocorre dentro de um quadro de ordem infinitamente
complexa, um quadro essencialmente feminino: a Igreja, Esposa de
Cristo, ministrando as graças que nos vêm pelas mãos da Mãe
Medianeira.

A Igreja é um matriarcado, como é um matriarcado qualquer lar. A
palavra final sobre cada detalhe é de quem é capaz de percebê-los: a
mãe. O trabalho sujo, a troca de lâmpadas e o lixo levado pra fora,
compete àquele que, deixado a seus próprios desígnios, seria capaz
apenas de criar um quartel: o pai.



Querer que mulheres sejam "padras" significa retirar da mulher a sua
função mais bela de organizadora, e fazer com que ela se encaixe numa
organização puramente natural de modelo masculino. A hierarquia da
Igreja, no seu aspecto natural, é tão pobre e tão nua quanto uma
hierarquia militar. Não é, como a hierarquia militar tampouco o seria,
um lugar para mulheres. É por isso que a hierarquia da Igreja
transcende o natural e mergulha plenamente na ordem da Graça. É por
isso que cada padre, cada Bispo, cada diácono é chamado e instado a
entregar-se nas mãos da Santíssima Mãe de Deus: para que esta ordem
não seja o que ela seria se deixada à natureza, não se resuma a um
seguimento cego do Direito Canônico, numa simplificação da realidade
tão tacanha que só poderia ser feita por homens.

Ao contrário, contudo, quando se coloca - como tentaram os anglicanos
- mulheres nesta hierarquia, elas a subvertem. Mas esta subversão, por
ser feita por mulheres que estão tentando agir como homens, faz com
que a ordem direta e simplificada dos homens tente acolher aspectos de
diversidade que só a misericórdia e a leitura multifacetada da
realidade que é feita pela mulher pode acolher e ordenar
verdadeiramente. Estas mulheres que se querem "bispas" ou "padras"
tentam inserir na seca e feia ordem do Direito Canônico aquilo que só
pode florescer na ordem da Graça. O perdão se torna legitimação
formal, tratando masculinamente de algo que deve ser lidado pelo
feminino, pela Graça que nos vem das mãos da Mãe de Deus. E é daí que
surge uma negação da ordem natural e da ordem divina: das mulheres que
querem ser homens tomando o lugar da Medianeira de todas as Graças, e
substituindo a Graça pela legorréia masculinizada. Daí vêm os "bispos"
sodomitas da Comunhão Anglicana, daí vem a negação da Doutrina Cristã
(tão seca quando expressa masculinamente, tão rica quando vivida
femininamente, como por Santa Teresa d'Ávila ou Santa Terezinha!) que
consiste em tornar lei escrita e formal o amparo feminino que
ocorreria ordenado na Graça divina.

Toda teologia, na verdade, é feminina. É feminina por tratar da Graça
- que nos vem pelas mãos da nossa Mãe -, é feminina por tratar do
perdão - que ocorre por intervenção da Mãe da Misericórdia -, é
feminina por tratar de uma ordem infinitamente complexa. Masculina é a
sua expressão doutrinal, sua simplificação - que fez com que São Tomás
dissesse ser "palha" tudo o que escreveu ao perceber a grandeza e a
complexidade reais desta ordem, ao vislumbrá-la em experiência mística
-, sua expressão no dia a dia, em que - para que nós, homens, tão
bobos, sejamos capazes de operá-la - a Igreja, na sua sabedoria e
misericórdia, nos dá regras bem masculinas: rubricas, leis, regrinhas
simples e ordenações de como devem estar os dedos, os braços, as
roupas.

Como a mulher que, carinhosa, vira para fora a gola que o marido
distraído, ao vestir a camisa, deixou dobrada para dentro, a Igreja
diz como o padre deve vestir os paramentos, o que deve dizer, em que
posição deve ficar.

É por isso que a teologia feita por mulheres é uma teologia sumamente
mística. A teologia de Santa Teresa d'Ávila, por exemplo, quando
comparada com a de São João da Cruz - ambos contemporâneos, ambos
místicos, ambos vivendo a mesma experiência de Fé na mesma sociedade
-, grita aos sete ventos a complexidade sublime que aponta para a
simplicidade total do Infinitamente Simples que é Deus.

Mas esta teologia é uma teologia ortodoxa. É uma teologia que trata da
vida da Graça; sem os mapas(! - quer coisa mais masculina que mapas,
em que o mundo reduz sua complexidade a parcas linhas num papel?!) de
São João da Cruz, sem as simplificações que a mente de um homem
precisa operar para apreender a realidade.

Que diferença enorme que há entre isso e as patéticas demandas das
feministas! Enfiam mulheres nos presbitérios, negando-lhes a dignidade
feminina e - na melhor das hipóteses - tratando-as como molequinhos
que a mãe penteou, com risca no cabelo molhado e a camisa para dentro
das calças, num sucedâneo triste da complexíssima ordem feminina que,
quando expressa numa mulher em botão - a irmã do molequinho - irá se
revelar na mecha de cabelo que cai caprichosa ou na flor que orna um
penteado de festa.

Padres e ministros são como os molequinhos arrumados pela Mãe
carinhosa, enfiados em roupas estranhas, com cabelos que boi lambeu,
com as golas na posição certa. São homens dominados pelo amor da Mãe.

Vê-los como "poderosos" é negar o poder real, o poder feminino da Mãe
Igreja. E enfiar mulheres entre eles só serve para diminuir as
mulheres e subverter a ordem feminina na sua expressão masculina.

Um exemplo triste disso é a infelizmente comum teatralização das
leituras litúrgicas, feita por senhoras bem-intencionadas que, creio,
trabalham como professoras. Elas lêem com ênfases bizarras, como uma
professorinha lê uma redação de aluno, salientando palavras, tentando
criar uma complexidade que vá além da parca ordem masculina.

E com isso eliminam a ordem masculina, negando a ordem feminina que a
orientou. É como se o molequinho fosse forçado a usar uma flor nos
cabelos: o que seria beleza na irmã dele se torna humilhação. E os
outros molequinhos fogem, e o presbitério vai se tornando um espaço
dominado por mulheres que querem ser homens, pervertendo a ordem
feminina que orienta a ordem masculina ao inventar e enfeitar o que
foi feito para resistir à grosseria e à hiper-simplificação do homem.

Que nossa Mãe Puríssima nos ajude, para que a teologia siga sendo
feminina, para que a liturgia siga sendo ordenada de modo a permitir
que os homens cumpram seus papéis. Que os presbitérios voltem por toda
parte a ser mesas de meninos de cabelos repartidos e camisas para
dentro das calças, arrumados pela Mãe, não humilhados com flores no
cabelo numa triste confusão entre o feminino e o masculino.



Que Deus nos guarde das mulheres que negam sua condição excelsa e
querem ser homens!

Fonte: Donzela Cristã