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domingo, 18 de março de 2012

Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice: “uma igreja sem genuflexórios não é uma igreja católica”.

Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice: “uma igreja sem genuflexórios não é uma igreja católica”.

Ainda em relação ao post Cadeiras plásticas dobráveis no lugar de bancos com genuflexórios, o leitor Emmanuel P. Cardozo, a quem agradecemos, nos traz o seguinte texto:

Portanto, a liturgia é bênção de Deus, palavra e dom, e adoração humana, ou seja, ação de graças (eucaristia) e oferecimento. Não está toda a Santa Missa nesta definição? Ninguém pode deixar de definir assim a sagrada liturgia, ou seja, sacramento. A adoração não é outra coisa que a mesma liturgia. Qualquer tentativa de separar as duas coisas vai contra a fé e a verdade católica.

Não se sustenta hoje que o homem adora a Deus com todo o seu ser? Quer dizer com a alma e com o corpo. Por isso, na Bíblia toda “obra de Deus é bênção” (cf. CIC, 1079-1081) é a dimensão cósmica que inerva a Sagrada Escritura, do Gênesis ao Apocalipse, e também a liturgia. Se abençoar quer dizer adorar, a bênção ou adoração na Escritura está documentada pela prostração e pelo dobrar os joelhos fisicamente e metafisicamente o coração. Só o diabo não se ajoelha, porque – dizem os Padres do deserto – não tem os joelhos. Assim, São Paulo vê diante de Jesus a consonância entre história sagrada e o cosmos: todo joelho se dobre, no céu, na terra e debaixo da terra. Conseqüência concreta: o gesto do ajoelhar-se deve voltar a ter a primariedade no rito da Missa, no desenvolvimento, inspiração e sabor da música sacra, nos objetos sagrados: uma igreja sem genuflexórios não é uma igreja católica.

Do estudo A liturgia, obra da Trindade, do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, de autoria do Pe. Nicola Bux, fevereiro de 2012.
Fonte: Frates in Unum

sexta-feira, 2 de março de 2012

Porque temos que estar de pé na Missa?

Porque temos que estar de pé na Missa?

Fonte: Folheto Expressão - Paróquia Imaculada Conceição- Jacareí-SP
Autor: Rosana Martins - Pastoral Litúrgica
Digitalização: Silvia Hirota

Quando vamos à Missa, nunca estamos sozinhos. Na Igreja estão sempre outros cristãos. Uns conhecemos bem, outros mais ou menos. Mas, no entanto, pertencemos todos a mesma família - a Igreja - e temos todos a mesma fé. Mesmo que não nos conheçamos, temos todos um ponto em comum. E é por isso que estamos lá.

A participação na Missa exprime a nossa fé e de várias maneiras. Uma delas é estando de pé. Quando entra o sacerdote na Igreja, colocamo-nos de pé. Estamos a acolher, com respeito, aquele que vai presidir à celebração. Ele é, para nós, o representante de Jesus.

Sentamo-nos para escutar a Palavra de Deus, mas de novo nos levantamos para ouvir a leitura do Evangelho. O Evangelho é a Palavra mais importante que escutamos na Missa. É a Palavra de Jesus para nós. O cristão quer seguir Jesus e viver como Ele viveu. Então é preciso dar muita importância ao Evangelho. Por isso nos colocamos de pé, para escutá-Lo com atenção. Por outro lado quem está de pé está pronto para cumprir a tarefa que lhe foi pedida. Escutamos o Evangelho de pé, querendo dizer a Jesus que estamos dispostos a cumprir tudo o que Ele nos diz.

Sentamo-nos para escutar a homilía e de novo nos levantamos para proclamarmos a nossa fé (o Credo) e rezarmos por toda a humanidade. Rezamos de pé. Sentamo-nos enquanto se prepara o altar para eucaristia e se recolhem as oferendas. De novo nos levantamos para grande oração eucarística, durante a qual o sacerdote faz a consagração do pão e do vinho. Estamos de pé porque estamos em comunhão com o sacerdote que reza à Deus em nosso nome.

Também rezamos de pé o Pai Nosso. É neste momento que começa a preparação para comunhão. Rezamos esta oração que Jesus no ensinou com muita confiança em Deus Pai que é bom e sabemos que nos ama e nos escuta.

Por fim, "ficar de pé" tem um significado muito importante. O corpo fala, as atitudes e os gestos acompanham as palavras e reforçam a mensagem. A postura revela o que vivo, penso e sinto.

Rosana Martins - Pastoral Litúrgica
Fonte: Exsurge Domini

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

III Domingo do Advento

III Domingo do Advento
Por ANE Internacional
13 de dezembro de 2009

Semana de 13 a 19 de dezembro de 2009.
“Alegrai-vos sempre no Senhor”

1.- A Palavra de Deus:
1ª Leitura: Sf 3, 14-18a: “O Senhor exulta de alegria por ti”
Salmo: Is 12, 2-3; 4-6: “Exultai cantando alegres...”
2ª Leitura: Fl 4, 4-7: “O Senhor está próximo.”
Evangelho: Lc 3, 10-18: “Que devemos fazer?”

Proclamação do Santo Evangelho segundo São Lucas (Lc 3,10-18)
Perguntava-lhe a multidão: Que devemos fazer?
Ele respondia: Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo. Também publicanos vieram para ser batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que devemos fazer?* Ele lhes respondeu: Não exijais mais do que vos foi ordenado.
Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo.
Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em seus corações se talvez João fosse o Cristo, ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível.
É assim que ele anunciava ao povo a boa nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


2.- Referências para refletir:

Como no Evangelho da semana passada, hoje encontramos João Batista preparando os caminhos do Messias. Antes de entrar nas palavras de João, lembremos que naqueles tempos Jesus estava na terra: Ele era um jovem que vivia no meio do povo judeu e ainda não se havia manifestado como Messias.

É por esta razão que a reflexão de hoje vai centrar-se na mesma linha: Jesus VIVE também entre nós, o conhecemos, mas muitas vezes o deixamos reservado apenas para os domingos ou festas religiosas.

Agora que se aproxima a Festa do Natal do Senhor, é importante que preparamos nossos corações, não só para o dia do Natal, mas para receber a Jesus TODOS OS DIAS em nossos corações. Portanto, a preparação do Advento será uma forma de RENOVAR esse amor, essa NECESSIDADE eessa SEDE que temos de Deus, de tal maneira que todos os dias da nossa vida nos preparemos para o encontro definitivo com Jesus.

Que neste Natal, a chegada de Jesus ao mundo seja a notícia que se estenda na contínua participação da Santa Eucaristia e de todas as festas litúrgicas.

Um dado importante sobre a pregação de João Batista foi o seu próprio testemunho. Ele não só pregava o arrependimento, o perdão, o jejum e as boas ações, mas ele próprio vivia segundo estas palavras.

Com efeito, João tinha consagrado sua vida ao serviço de Deus, respondendo ao impulso do Espírito Santo. Ele se tinha preparado desde muito jovem na solidão, na oração, meditação e sacrifício, para poder cumprir adequadamente sua missão.

Embora talvez ele mesmo não soubesse, desde o ventre de sua mãe o Espírito Santo o havia assinalado como o PRECURSOR do Messias.

João não só falava à maneira de “ensinamento”, mas ele compartilhava sua própria fé com todos, este é um exemplo muito bom para nós de duas maneiras: primeiro, como já destacado, que é a importância de viver primeiro conforme ao que se crê, antes de pregar com palavras, e segundo, porque muitas vezes nos contentamos em compartilhar as coisas materiais, mas custa-nos compartilhar nossa fé e falar de Jesus.

E por falar em partilha, analisemos as palavras com as quais João exortava o povo, para ser generoso e compartilhar o que tinha: “Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem nenhuma, e quem tem comida deve fazer o mesmo”.

Com o Natal se aproximando, muitas pessoas se esforçam para arrecadar brinquedos e presentes para crianças pobres, e esta é uma ação muito valiosa (que responde adequadamente à mensagem de João e à mensagem de amor do Evangelho), mas se quisermos participar ainda mais desse Amor e dessa Misericórdia que Jesus teve e tem para com os mais necessitados, talvez este Natal possa nos ajudar a nos comprometermos no serviço amoroso aos nossos irmãos necessitados, mas não apenas uma vez por ano, mas CADA VEZ QUE PUDERMOS.

Não esqueçamos que na noite de Natal, José e Maria andaram procurando um lugar para descansar, e só encontraram um espaço no estábulo de uma casa. Temos agora a oportunidade de abrir TODO O CORAÇÃO a Jesus, para que viva nEle e assim também vivam todos aqueles que nos rodeiam, que são o rosto de Cristo, e que precisam de nós.

Mas podemos nos aventurar a ir ainda mais longe, e também pensar naquelas pessoas que materialmente não precisam de nada, mas que, como José e Maria procuravam hospedagem naquela noite em Belém, estão procurando um lugar para descansar e deixar que Jesus entre em sua vida e a transforme.

Muitas vezes, nós mesmos estamos tão atarefados com as ocupações da vida que praticamente não nos “alojamos” em nenhuma parte. Inquietos, em permanente ativismo, parecemos “inquilinos em nossa própria casa e em nossa própria igreja ...

É por isso que devemos reservar um tempo de sossego, de oração e meditação neste Advento, para que a celebração do Natal não passe como uma festa a mais no caminho da vida que seguimos, mas que possamos realmente ALOJAR-NOS no coração de Jesus e sentir o calor de Seu Amor

Se não é fácil deixar-nos alojar por Deus na contemplação, e sentimos a ansiedade de estar em constante movimento, em permanente atividade (porque assim nos sentimos mais úteis, mais seguros, mais fortes e menos frágeis, menos vulneráveis...) deixemos então que Deus entre em nosso coração como “Menino Jesus” que imaginamos na noite de Natal: terno, indefeso, doce, adorável, e então talvez possamos nos contagiar com a paz daquela noite e o nosso coração sossegue...

É por isso que o Natal deve significar para nós dois aspectos importantes:
CELEBRAÇÃO E PAZ.

Parece que hoje em dia estes dois conceitos não combinam, mas na realidade, para o bom cristão, andam juntos: na Celebração da Eucaristia Natalina unimo-nos àquele que NASCEU, PADECEU, MORREU E RESSUSCITOU para nossa Salvação; Fazemo-nos um com Cristo e, em seguida, em nossas casas, continuamos a celebração da PAZ INTERIOR que não discrimina a alegria das crianças, a ceia em comunidade, os abraços da paz, cânticos e orações. E pensar que isso pode ser repetido todos os dias do ano ...! apenas uma questão de tentar.

Agora, de volta à passagem do Evangelho que hoje analisamos, podemos perceber como Deus nos ensinou através de seus profetas a ser verdadeiros irmãos, filhos de Deus, que compartilham a FÉ, o AMOR e tudo aquilo que o “próximo” possa necessitar de nós.

Mas o ensinamento de João não se limitou ao que “devemos fazer”, mas também ao que “não fazer”: “Não exijais mais do que vos foi ordenado”. Uns soldados perguntaram: “E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo”.

Podemos dizer que TUDO se resume em cumprir os 10 mandamentos, aplicados concretamente à vida de cada um, como nós podemos entender nesta passagem claramente diz-lhes: não roubar (não cobrar a mais), não matar (não defraudar, porque pressionar alguém com ameaças é como ir matando pouco a pouco), não levantar falso testemunho ou mentira (não denunciar falsamente), não cobiçar os bens alheios (contentar-se com o seu salário), etc ...

E todos estes mandamentos, como disse Jesus, o maior e mais importante é o do amor, porque ele resume tudo.

Quando João fez referência a que o Messias viria, e, portanto, devíamos preparar o Seu caminho, já nós falava sobre a missão transcedental que cumpriria esse Messias: separar o trigo do joio ...

Isso não significa que Ele veio precisamente para separar os bons dos maus, porque se assim fosse “os maus (e todos nós temos muito de maus) não teriam a oportunidade de conhecer a Deus e se converter ...

O que queria dizer é que com a vinda de Jesus, com Sua Vida, Sua pregação e Seu exemplo, podemos distinguir entre o bem e o mal e decidir-nos pel BEM, remover, e afastar de nossos corações todos o mal e o que vai contra o Amor.

Finalmente, podemos resumir a nossa análise, dizendo que: Preparar o caminho do Senhor neste Natal significa basicamente:

• Permanecer em constante oração, para que Deus possa encontrar em nós terra fértil: Corações dispostos a amar e deixar-se amar.
• Buscar os Sacramentos, especialmente a Reconciliação, para que o Senhor nos purifique e fortaleça com Seu Espírito, e a Eucaristia, onde nos encontramos e nos unimos estreitamente a Ele.
• Aproximarmo-nos de nossos irmãos e ajudá-los na medida em que nos seja possível, sempre com Amor.
• Compartilhar nossa FÉ, AMOR, ESPERANÇA, e tudo aquilo que nos seja possível compartilhar com nossos irmãos, especialmente com os mais necessitados.
• Estabelecer relações de Paz com nossos irmãos, reconciliando-nos com aqueles com quem tenhamos brigado ou nos desentendido alguma vez.
• Tomar o exemplo de José e Maria, que abriram seus corações à mensagem de Deus, apesar das contrariedades que isso implicava, e deixaram que o nascimento do Salvador enchesse suas vidas de Paz, de Fé, Amor e Esperança.
• Tomar o exemplo particular da Santíssima Virgem Maria, que diante do mistério da vinda do Messias, meditava todos esses acontecimentos em seu coração.
• A proximidade do Natal é um excelente momento para iniciar ou renovar os momentos de oração pessoal e comunitária.

Com todas essas sugestões, continuemos preparando-nos para o Natal com espírito de Esperança, para que aqueles que nos vejam, possam contagiar-se com a nossa Fé.

E outra coisa muito importante: que no meio de todas as atividades que propusermos (retiros espirituais, obras de misericórdia, leituras profundas, reflexões, momentos fortes de oração e meditação, ou seja lá o que for), sempre nos demos oportunidade para que todos aqueles com quem convivemos nestes dias, possam encontrar acolhimento fraterno, amor e paz.



3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada item e fazer um instante de silêncio após cada questão, para permitir a reflexão dos irmãos)

a) Com qual dos três grupos de pessoas que perguntam ao Batista eu me identifico mais?
b) Que sentimentos, atitudes e hábitos meus e de minha família deve ser como a “palha” que deve ser separada do que é bom para ser queimada e desaparecer da minha vida?
c) O que devo responder quando alguém me perguntar “o que devo fazer para Jesus entrar em minha vida”?



4.- Comentários dos irmãos:
Após um momento de silêncio concede-se a palavra aos participantes da Casinha de Oração para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários, buscando a participação de todos.



5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

Cânones: 30, 1084, 2656-2658, 1084-1085

30 "«Exulte o coração dos que procuram o Senhor» (Sl 105, 3). Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a rectidão da sua vontade, «um coração recto», e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus.

És grande, Senhor, e altamente louvável; grande é o teu poder e a tua sabedoria é sem medida. E o homem, pequena parcela da tua criação, pretende louvar-Te – precisamente ele que, revestido da sua condição mortal, traz em si o testemunho do seu pecado, o testemunho de que Tu resistes aos soberbos. Apesar de tudo, o homem, pequena parcela da tua criação, quer louvar-Te. Tu próprio a isso o incitas, fazendo com que ele encontre as suas delícias no teu louvor, porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti. (Santo Agostinho).

1084 "«Sentado à direita do Pai» e derramando o Espírito Santo sobre o seu corpo que é a Igreja, Cristo age agora pelos sacramentos, que instituiu para comunicar a sua graça. Os sacramentos são sinais sensíveis (palavras e acções), acessíveis à nossa humanidade actual. Realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da acção de Cristo e pelo poder do Espírito Santo.

2656 Entra-se na oração como se entra na liturgia: pela porta estreita da fé. Através dos sinais da sua presença, é a face do Senhor que nós buscamos e desejamos, é a sua Palavra que nós queremos escutar e guardar.

2657. O Espírito Santo, que nos ensina a celebrar a liturgia na expectativa do regresso de Cristo, educa-nos para orar na esperança. E vice-versa, a oração da Igreja e a prece pessoal nutrem em nós a esperança. Particularmente os salmos, com a sua linguagem concreta e variada, ensinam-nos a fixar em Deus a nossa esperança: «Esperei no Senhor com toda a confiança, e Ele atendeu-me. Ouviu o meu clamor» (Sl 40, 2). «Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança pela força do Espírito Santo» (Rm 15, 13).

1085 Na liturgia da Igreja, Cristo significa e realiza principalmente o seu mistério pascal. Durante a sua vida terrena, Jesus anunciava pelo seu ensino e antecipava pelos seus actos o seu mistério pascal. Uma vez chegada a sua «Hora» (3), Jesus vive o único acontecimento da história que não passa jamais: morre, é sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-Se à direita do Pai «uma vez por todas» (Rm 6, 10; Heb 7, 27; 9, 12). É um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado. Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado, já que pela sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida.


6.- Refletindo com a Grande Cruzada

CM 7 Somente podeis ver-Me quando vos colocais de joelhos, embora o homem pense que essa posição é incômoda ou indigna ... Refiro-me a ajoelhar-se interiormente ... Se inclinas a cabeça, olhando para ti mesmo, contemphando teu interior, sabendo da miséria que tens, poderás descobrir-Me, mas se crês que porque assistes à Missa diária, ou porque fazes isso ou aquilo já és digno de merecer Minha aprovação, estás muito equivocado, meu filho. O apostolado não é opcional, é algo exigido pelo próprio Batismo e pela Confirmação. De modo que, quando exerces tua ação apostólica, não penses que estás fazendo algo mais do que te corresponde, ao contrário, não estás fazendo nada além de cumprir a rigorosa obrigação que um cristão recebeu nesses Sacramentos ao receber o Espírito Santo.



7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha, o Apostolado, ou para a Igreja em geral.



8.- Virtude do mês:
Durante este mês, praticaremos a virtude da Caridade (Catecismo da Igreja Católica: 1822, 1823, 826, 800)

Esta semana veremos o cânon 1823, que diz textualmente o seguinte:

1823 Jesus faz da caridade o mandamento novo. Amando os seus «até ao fim» (Jo 13, 1), manifesta o amor do Pai, que Ele próprio recebe. E os discípulos, amando-se uns aos outros, imitam o amor de Jesus, amor que eles recebem também em si. É por isso que Jesus diz: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor» (Jo 15, 9). E ainda: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei» (Jo 15, 12).

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CA 135 Quando Meu Pai escolhe uma alma para dar a graça de ser um dos eleitos, destina-a que já na terra seja semelhante a Mim. E em que deve ser semelhante a Mim? No amor e na aceitação dos sofrimentos. Se nisto Me seguis, Meu Pai Me reconhecerá em vós. As almas escolhidas podem esforçar-se por salvar almas com a oração fervorosa, com a prática da caridade ativa e serviçal, com mansidão, com humildade, com mortificação, mas acima de tudo, com a aceitação paciente dos sofrimentos.



9.- Propósitos semanais:

Com o Evangelho:
Darei de presente uma peça de roupa pessoal que não esteja velha; perdoarei uma dívida (por menor que seja); reconciliar-me-ei com alguém e escreverei uma carta ou cartão para expressar a alguém que o amo de verdade.

Com a virtude do mês:
Oferecerei nesta semana um jejum adicional, e farei com que a comida não consumida chegue a uma pessoa que tenha necessidade.

Apostolado da Nova Evangelização 2009

Fonte: Apostolado da Nova Evangelização

VI Domingo da Quaresma

VI Domingo da Quaresma
Por ANE Internacional
14 de março de 2010

Semana de 14 a 20 de março de 2010
«Pai, pequei contra o Céu e contra ti»

1.- A Palavra de Deus:
1ª Leitura: Josué 5,9a.10-12: O povo de Deus celebra a Páscoa, depois de entrar na terra prometida
Salmo 33: Provai e vede quão suave é o Senhor!
2ª Leitura: 2Coríntios 5,17-21: Deus, por meio de Cristo, nos reconciliou consigo.
Evangelho: Lucas 15,1-3.11-32: Este teu irmão estava morto e tornou a viver.

Proclamação do Santo Evangelho segundo São Lucas (Lc 15,1-3.11-32)
Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”.
Então Jesus contou-lhes esta parábola:
“Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles.
Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela regi-ão, e ele começou a passar necessidade.
Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.
Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.
Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos.
O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.
Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.
O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo.
O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’.
Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’.
Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


2.- Referências para refletir:

A Parábola do filho Pródigo é, sem dúvida alguma, um dos textos mais célebres do Evangelho, porque nela se descreve, com absoluta clareza, o Amor de Deus.

Diferentemente do que em fazemos em geral, hoje não precisamos nos remeter ao contexto que circunda o Evangelho do domingo, pois a melhor “referência” para procurar entender o que Jesus quer nos dizer, está incluída, imersa no texto, justamente nos três primeiros versículos, da passagem que hoje relemos.

Com efeito, São Lucas começa nos dizendo: “os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’.” Essa foi a causa, essa foi a chave que abriu as portas para a maravilhosa revelação que nos traz a Parábola que hoje analisamos.

Depois a Liturgia exclui, deliberadamente, os versículos 4 a 10 deste capítulo, para centrar-se na resposta mais contundente com que Jesus interpela e exorta aos fariseus e aos mestres da Lei (mas também a nós, sem dúvida)...

Só de passagem, comentamos que nesses versículos o Senhor conta outras duas parábolas: a da ovelha perdida e a da moeda perdida, e a alegria com a qual, em ambos os casos, o pastor e a mulher respectivamente, festejam seu encontro, sua recuperação.

“Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa”, termina dizendo Jesus, para depois voltar ao tema com a Parábola do Filho Pródigo (ou, se se prefere, com a Parábola do Padre Amoroso).

Daria a impressão de que não há nada que possamos acrescentar a tudo o que já se analisou, refletiu e se expressou sobre esta Parábola, mas graças a Deus sabemos que essa é apenas uma tentação, uma tentativa de desânimo, da parte daquele que está sempre conspirando... Se fosse realmente assim, também poderíamos concluir que já nem vale a pena ler as Escrituras, não é verdade? Pois, com a idade que temos, o que já não lemos, ou pelo menos já ouvimos mais de uma vez...

Mas afinal de contas, não importa tanto a novidade como a oportunidade da mensagem, embora o Espírito Santo sempre planeje para nos fazer descobrir também alguma novidade.

A história do filho pródigo, o esbanjador, o desfalcador, o dilapidador de sua fortuna (que nem por ser própria ele tinha justificativa para dilapidá-la), bem como a história de seu irmão mais velho, o zeloso, o exigente, o crítico, o ciumento, que aparece ao final deste Evangelho, são a rigor diversas caras de nossa própria história.

As duas são as histórias do homem de carne e osso que andam hoje pelas ruas: que trabalham, que vão fazer compras, que se alegram, que sofrem e que muitas vezes rezam. São as histórias daqueles que nos cremos donos de nossa vida, do que temos e do que somos, e que além disso até nos cremos no direito de julgar os outros, pelo que fazem ou deixam de fazer.

Por isso dizemos que a melhor referência para entender esta passagem do Evangelho está na narração das críticas que faziam a Jesus os fariseus e os mestres da Lei (tão parecidos em sua atitude com o irmão mais velho do filho pródigo), porque o viam juntar-se com os cobradores de impostos (isto é, os publicanos) e com os pecadores.

Em sua infinita sabedoria e bondade, Jesus se serve daquelas circunstâncias, daqueles sentimentos nefastos, para nos explicar como Deus nos ama: Ele é como o pai compassivo e compreensivo da parábola, que vive à espera de nosso regresso, disposto a nos perdoar e nos acolher novamente em seu regaço.

Só faltam duas atitudes, duas disposições de ânimo, duas decisões, na verdade, para que aquele que se afastou por sua própria vontade, por sua juventude, por sua inconsciência... enfim, porque superdimensionou suas próprias forças, possa ser recebido com júbilo e recuperar o exercício de sua condição de “filho muito amado”: Estas atitudes são o arrependimento e a humildade, que necessariamente surgirão do reconhecimento, pleno e sincero, do próprio erro.

Dissemos que são necessárias ao pecador estas duas atitudes para “recuperar o exercício de sua condição de ‘filho muito amado’” mesmo sabendo que essa frase pode ser meio complicada, porque na verdade as coisas são assim: nem o filho pródigo deixou de ser, em nenhum momento, o filho amado de seu padre, nem nós deixamos de ser os filhos muito amados de Deus, por mais pecadores que estejamos sendo.

O negócio é que, em ambos os casos, por decisão pessoal, deixa-se de exercer a condição de filho, rejeita-se essa situação para buscar quimeras, para voar detrás de fantasias, que cedo ou tarde se desvanecerão, como a herança daquele jovem, que teve que acabar comendo com os porcos para se dar conta do que havia feito.

A mensagem deste domingo é uma mensagem de reconciliação, mas primeiro de conversão. Duas “pessoas”, por assim dizer, não podem se reconciliar se a que agiu mal persiste em sua intenção de continuar agindo assim; se não desaparece a causa da discussão, aquilo que separou o que antes estava conciliado, concordado ou unido; se não desaparece, neste caso, o pecado.

Este deve ser, pois, um assunto importante para nós: o passo inicial para a reconciliação com Deus consiste no reconhecimento e na dor do próprio pecado, e é preciso chamar o pecado pelo nome. Como temos dito em várias ocasiões, Jesus veio nos redimir com seu Sangue, e seu precioso Sangue é capaz de lavar, de purificar até o mais horrendo dos pecados, mas não pode limpar “debilidades”, “fraquezas”, “erros”...

O Catecismo da Igreja nos diz que “O pecado está presente na história do homem: seria inútil tentar ignorá-lo ou dar a esta realidade obscura outros nomes.” (cf. Canon 386) O que devemos fazer, isso sim, é aproveitar o tempo que nos resta nesta Quaresma para analisar, com absoluta sinceridade, nossos pecados, e procurar encontrar até onde estão as raízes, as feridas da própria vida que nos levam a cometê-los.

Não nos tornaremos santos da noite para o dia, mas com a graça de Deus e nossa devida disposição poderemos avançar decididamente neste caminho, se tivermos vontade.

“Oráculo do Senhor -, voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos de luto. Rasgai vossos corações e não vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus, porque ele é bom e compassivo, longânime e indulgente...” (Joel 2,12-13)

“Rasgai vossos corações e não vossas vestes!” Isto parece terrrível, mas é totalmente ilustrativo, não é mesmo...? E também lemos: “Então procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o bus-ques de todo o teu coração e de toda a tua alma.” (Dt 4,29) Então, hoje sim temos em que ficar pensando.

A Segunda Leitura da liturgia dominical nos dizia, pela pena de são Paulo: “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o ministério desta reconciliação.” (2Cor 5,17-18)

Encarnemos, pois, nossa necessidade de reconciliação com Deus e com todos os irmãos com quem temos algo pendente, e depois nos disponhamos a ser verdadeiros agentes de Reconciliação, para dar Glória a Deus e trabalhar com ânimo na edificação do Reino, através de nosso Apostolado.



3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada item e fazer um instante de silêncio após cada questão, para permitir a reflexão dos irmãos)

a) Quando magoo alguém, eu me arrependo de verdade e tenho facilidade para pedir perdão, ou me custa demais fazer isso?
b) Quando algum irmão é bem sucedido, eu me alegro sempre e dou graças a Deus com ele? Sinto inveja, como o irmão do filho pródigo? Ou me é tudo simplesmente indiferente?
c) Quando alguém me ofende muitas vezes, eu perdoo de coração e “apago tudo e começo tudo de novo”, ou vou acumulando rancores contra ele (ou contra ela)?
d) Com que frequência me confesso? Vou superando as debilidades com as quais frequentemente
ofendo a Deus?



4.- Comentários dos irmãos:
Após uns momentos de silêncio, concede-se a palavra aos irmãos para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários. Como sempre, será buscada a participação de todos.



5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

Cânones: 386-387; 1865, 979, 1430, 1455, 1459

386 O pecado está presente na história do homem: seria inútil tentar ignorá-lo ou dar a esta realidade obscura outros nomes. Para tentarmos compreender o que é o pecado, é preciso antes de tudo reconhecer a ligação profunda do homem com Deus, pois fora desta relação o mal do pecado não é desmascarado em sua verdadeira identidade de recusa e de oposição a Deus, embora continue a pesar sobre a vida do homem e sobre a história.

387 A realidade do pecado, e mais particularmente a do pecado das origens, só se entende à luz da Revelação divina. Sem o conhecimento de Deus que ela nos dá não se pode reconhecer com clareza o pecado, e somos tentados a explicá-lo unicamente como uma falta de crescimento, como uma fraqueza psicológica, um erro a conseqüência necessária de uma estrutura social inadequada etc. Somente à luz do desígnio de Deus sobre o homem compreende-se que o pecado é um abuso da liberdade que Deus dá às pessoas criadas para que possam amá-lo e amar-se mutuamente.

1865 O pecado cria uma propensão ao pecado; gera o vício pela repetição dos mesmos atos. Disso resultam inclinações perversas que obscurecem a consciência e corrompem a avaliação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se, mas não consegue destruir o senso moral até a raiz. (essa é a boa notícia).

979 Neste combate contra a inclinação para o mal, quem seria suficientemente forte e vigilante para evitar toda ferida do pecado? “Se, portanto, era necessário que a Igreja tivesse o poder de perdoar os pecados, também era preciso que o Batismo não fosse para ela o único meio de servir-se dessas chaves do Reino dos Céus, que havia recebido de Jesus Cristo; era preciso que ela fosse capaz de perdoar as faltas a todos os penitentes, ainda que tivessem pecado até o último instante de sua vida.”

1430 Como já nos profetas, o apelo de Jesus à conversão e penitência não visa em primeiro lugar às obras exteriores, saco e a cinza”, os jejuns e as mortificações, mas à conversão do coração, à penitência interior. Sem ela, as obras de penitência continuam estéreis e enganadoras: a conversão interior, ao contrário, impele a expressar essa atitude por sinais visíveis, gestos e obras de penitência. (cf. Joel 2,12-13; Is 1,16-17; Mt 6,1-6.16-18).

1455 A confissão dos pecados (acusação), mesmo do ponto de vista simplesmente humano, nos liberta e facilita nossa reconciliação com os outros. Pela acusação, o homem encara de frente os pecados dos quais se tornou culpado: assume a responsabilidade deles e, assim, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, a fim de tomar possível um futuro novo.

1459 Muitos pecados prejudicam o próximo. É preciso fazer possível para reparar esse mal (por exemplo restituir as coisas roubadas, restabelecer a reputação daquele que foi caluniado ressarcir as ofensas e injúrias). A simples justiça exige isso. Mas, além disso, o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, como também suas relações com Deus e com o próxima. A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as desordens que ele causou. Liberto do pecado, o pecador deve ainda recobrar a plena saúde espiritual. Deve, portanto, faz alguma coisa a mais para reparar seus pecados: deve “satisfazer” de modo apropriado ou “expiar” seus pecados. Esta satisfação chama-se também “penitência”.


6.- Refletindo com a Grande Cruzada

CA 160 Quisera ser apresentado como o pai do filho pródigo que, envelhecido pela dor da ausência do filho, vigia da janela com uma pequena luz de esperança no retorno do filho amado. Eu vivo no meio de vós, no ar que respirais, na água que bebeis e no pão que comeis, com a obra grandiosa da Criação que não cessa nunca; assim estou no meio de vós, vivo, real, com o Sacrifício Perpétuo da Cruz e a Glória da Ressurreição em cada Eucaristia.



7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha, o Apostolado, ou para a Igreja em geral.



8.- Virtude do mês:
Durante este mês, praticaremos a virtude do Sacrifício (Catecismo da Igreja Católica: 2099-618-901-2100-1032)

Esta semana veremos o cânon 618, que diz textualmente o seguinte:

618 A Cruz é o único sacrifício de Cristo, “único mediador entre Deus e os homens”. Mas pelo fato de que, em sua Pessoa Divina encarnada, “de certo modo uniu a si mesmo todos os homens”, “oferece a todos os homens, de uma forma que Deus conhece, a possibilidade de serem associados ao Mistério Pascal”. Chama seus discípulos a “tomar sua cruz e a segui-lo”, pois “sofreu por nós, deixou-nos um exemplo, a fim de que sigamos seus passos”. Quer associar a seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários dele. Isto realiza-se de maneira suprema em sua Mãe, associada mais intimamente do que qualquer outro ao mistério de seu sofrimento redentor:

“Fora da Cruz não existe outra escada por onde subir ao céu.” (Santa Rosa de Lima, vida).

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CA 146 Segui adiante, que nada vos distraia nem confunda, continuai na obra redentora para salvar almas; muito em breve as vossas penas deixarão de ser penas, vosso pranto será consolado e o vosso trabalho será recompensado. Peço-vos que cumprais vosso dever, assim como Eu vos dou o que Me pedis.
Permanecei em oração e vigílias uma vez por mês. Sei que é um sacrifício para vós, mas preciso de sacrifícios.



9.- Propósitos semanais:

Com o Evangelho:
Recorrerei com freqüência ao Sacramento da confissão para estar sempre perto de meu Pai.

Com a virtude do mês:
Aceitarei com amor tudo o que Deus puser no meu caminho, e colocarei aos pés da cruz todas as coisas que me causam dor.

Apostolado da Nova Evangelização 2010

Fonte: Apostolado da Nova Evangelização

V Domingo da Quaresma

V Domingo da Quaresma
Por ANE Internacional
21 de março de 2010

Semana de 21 a 27 de março de 2010
«Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais.»

1.- A Palavra de Deus:
1ª Leitura: Isaías 43,16-21: Eis que eu farei coisas novas, e darei de beber a meu povo
Salmo 125: Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!
2ª Leitura: Filipenses 3, 8-14: Por causa de Cristo eu perdi tudo, tornando-me semelhante a ele na sua morte.
Evangelho: João 8, 1-11: Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.

Proclamação do Santo Evangelho segundo São João (Jo 8, 1-11)
Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los.
Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”
Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozi-nho, com a mulher que estava lá, no meio do povo.
Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles?” Ninguém te condenou?”
Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


2.- Referências para refletir:

Na semana passada relíamos a Parábola do Filho Pródigo, contada por Jesus como resposta à atitude dos fariseus e mestres da Lei, que o criticavam por “acolher os pecadores e comer com eles”...

Hoje São João nos relata sobre aquela mulher a quem também os mestres da Lei e os fariseus queriam apedrejar, por tê-la encontrado cometendo adultério.

Com efeito, segundo a Lei de Moisés, a mulher devia morrer apedrejada, pois o texto dizia: “Se se encontrar um homem dormindo com uma mulher casada, todos os dois deverão morrer: o homem que dormiu com a mulher, e esta da mesma forma. Assim, tirarás o mal do meio de ti.” (Dt 22,22). Também o Livro do Levítico diz: “Se um homem cometer adultério com uma mulher casada, com a mulher de seu próximo, o homem e a mulher adúltera serão punidos de morte.” (Lv 20,10)

Mas o Evangelho nos diz claramente que a intenção dos judeus não era de resolver um dilema ou “fazer justiça”, pois para isso iriam diretamente ao Sinédrio. Seu objetivo era de “experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar.” Esta era uma das estratégias típicas deles, e a vemos em diversas passagens do Evangelho, como quando lhe perguntam se era ou não lícito curar no sábado (Mt 12,10), ou quando lhe questionaram se era legítimo que um homem se divorciasse de sua mulher por qualquer motivo (Mt 19,3), etc.

Nesta ocasião, o plano era macabro e “quase” infalível: se Jesus se opusesse publicamente à lapidação daquela mulher, poderiam acusá-lo diante do Sinédrio por se manifestar contra a Lei de Moisés e contra Deus. Se, pelo contrário, se manifestasse a favor da lapidação, perderia completamente a autoridade e o reconhecimento que havia adquirido diante do povo, porque seus ensinamentos falavam especialmente da misericórdia e do perdão.

Obviamente, os tentadores jamais contaram com o terceiro caminho, pelo qual o Senhor optou magis-tralmente ao lhes dizer mais ou menos isto: “julguem vocês, se se sentem dignos de fazê-lo...”

Disse-lhes textualmente: «Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.» Com esta resposta, breve e contundente, convida-lhes novamente a olhar para si mesmos, antes de reclamar o castigo para aquela mulher e executar a sentença de morte.

Os judeus sabem muito bem que todo homem é pecador e, por esse motivo, os fariseus e os mestres da Lei não podiam pretender ser santos diante do povo, ou estarem à margem do pecado. Por isso preferem deixar as coisas como estavam e retirar-se daquele lugar com o rabo entre as pernas.

Como sempre, o Evangelho traz também um ensinamento para nós, que pelo que vemos até este momento, é muito semelhante ao do domingo anterior, a propósito dos mesmos personagens e do irmão mais velho da parábola em questão... A mensagem é clara: “Não fiquem olhando a palha nos olhos dos outros...”

Mas a mensagem é semelhante também em outro aspecto: na nova oportunidade que é dada à mulher adúltera (o mesmo que ao filho pródigo) de iniciar uma vida plena, diferente, livre...

Cegamos ao quinto domingo da Quaresma, que é o último antes do Domingo de Ramos, com o qual se iniciará a Semana Santa. Neste momento poderia nos vir a tentação de pensar que o que não fizemos até agora, durante esta Quaresma, para nossa conversão e nossa santificação pessoal, já não poderemos fazer mais; mas insistimos: essa seria uma tentação...

Habitualmente o demônio quer nos desanimar com este truque, isto é: fazendo-nos pensar que não temos a possibilidade de nos santificar. Mas hoje vemos claramente no Evangelho que todos os pecados, por mais graves que sejam, podem ser perdoados; e, sendo assim, sempre teremos a oportunidade de começar de novo.

Mas é necessário ter muito em conta o que Jesus diz à mulher ao liberá-la: “Podes ir, e de agora em diante não peques mais”... Não lhe diz simplesmente que Ele não a condenava, mas que devia se esforçar para não voltar a pecar.

Dizia Santo Agostinho: “O Senhor é bom, o Senhor é lento para a cólera, o Senhor é misericordioso, mas o Senhor é justo e o Senhor é a mesma verdade (Sl 85,15). Ele te concede um tempo para corrigir-te, enquanto tu preferes aproveitar-te desta demora em lugar de te converteres. Foste mau ontem, sê bom hoje. Passaste o dia fazendo o mal, amanhã muda de conduta! Este é o sentido das palavras que Jesus dirige a esta mulher: ‘Eu tampouco te condenarei, mas, livre do passado, tem cuidado no futuro. Eu tampouco te condenarei, apaguei tua culpa. Observa o que mando para receber o que prometo!’”.

Toda a Liturgia deste domingo nos fala da renovação, porque Jesus veio “fazer novas todas as coisas”, e o fez precisamente através de seu próprio sacrifício, de sua dolorosa paixão e de sua morte espantosamente cruenta, que recordaremos dentro em pouco. Vamos, pois, preparando-nos no ânimo, junto a nossa família, para viver plenamente os mistérios centrais de nossa redenção.



3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada item e fazer um instante de silêncio após cada questão, para permitir a reflexão dos irmãos)

a) Quando se descobre publicamente um pecado de alguém, ajo com misericórdia, como Jesus, ou reajo com intolerância, como os fariseus?
b) Se meu pecado é descoberto, assumo a atitude de humildade da mulher infiel?
c) Se descubro o pecado ou o erro de alguém, protejo-o e o ajudo a emendar-se, ou o condeno sem mais?



4.- Comentários dos irmãos:
Após uns momentos de silêncio, concede-se a palavra aos irmãos para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários. Como sempre, será buscada a participação de todos.



5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

Cânones: 1440-1445, 1468-1470, 1490-1498, 1465-1467

1440 O pecado é antes de tudo uma ofensa a Deus, uma ruptura da comunhão com ele. Ao mesmo tempo é um atentado à comunhão com a Igreja. Por isso, a conversão traz simultaneamente o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, que é expresso e realizado liturgicamente pelo sacramento da Penitência e da Reconciliação. (cf. LG 11)

1468 “Toda a força da Penitência reside no fato de ela nos reconstituir na graça de Deus e de nos unir a Ele com a máxima amizade.” Portanto, a finalidade e o efeito deste sacramento é a reconciliação com Deus. Os que recebem o sacramento da Penitência com coração contrito e disposição religiosa “podem usufruir a paz e a tranqüilidade da consciência, que vem acompanhada de uma intensa consolação espiritual”. Com efeito, o sacramento da Reconciliação com Deus traz consigo uma verdadeira “ressurreição espiritual”, uma restituição da dignidade e dos bens da vida dos filhos de Deus, entre os quais o mais precioso é a amizade de Deus (cf. Lc 15,32).

1490 O movimento de volta a Deus, chamado conversão e arrependimento, implica uma dor e uma aversão aos pecados cometidos e o firme propósito de não mais pecar no futuro. A conversão atinge, portanto, o passado e o futuro; nutre-se da esperança na misericórdia divina.

1491 O sacramento da Penitência é constituído de três atos do penitente e da absolvição dada pelo sacerdote. Os atos do penitente são o arrependimento, a confissão ou manifestação dos pecados ao sacerdote e o propósito de cumprir a penitência e as obras de reparação.

1493 Aquele que quiser obter a reconciliação com Deus e com a Igreja deve confessar ao sacerdote todos os pecados graves que ainda não confessou e de que se lembra depois de examinar cuidadosamente sua consciência. Mesmo sem ser necessária em si a confissão das faltas veniais, a Igreja não deixa de recomen-dá-la vivamente.

1497 A confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua sendo o único meio ordinário de reconciliação com Deus e com a Igreja.

1465 Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote cumpre o ministério do bom pastor, que busca a ovelha perdida; do bom samaritano, que cura as feridas; do Pai, que espera o filho pródigo e o acolhe ao voltar; do justo juiz, que não faz acepção de pessoa e cujo julgamento é justo e misericordioso ao mesmo tempo. Em suma, o sacerdote é o sinal e o instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador.

1467 Diante da delicadeza e da grandiosidade deste ministério e do respeito que se deve às pessoas, a Igre-ja declara que todo sacerdote que ouve confissões é obrigado a guardar segredo absoluto a respeito dos pecados que seus penitentes lhe confessaram, sob penas severíssimas. Também não pode fazer uso do conhecimento da vida dos penitentes adquirido pela confissão. Este segredo, que não admite exceções, chama-se “sigilo sacramental”, porque o que o penitente manifestou ao sacerdote permanece “sigilado” pelo sacramento.


6.- Refletindo com a Grande Cruzada

CA 26 As misérias do homem são, para Mim, as melhores ocasiões para vos provar a Minha Onipotência. Se o pecador jaz prostrado por causa das suas culpas, como posso demonstrar-lhe melhor amor e poder, se ele se move a deixar o pecado? Amor, porque facilmente o perdôo. Poder, porque transformo o repugnante em belo, o mal em bem. E, deste amor, tu podes dar um bom testemunho.
Ah, quão amada Me és! Quis morrer por ti e morreria de novo para poder glorificar-te junto a Mim.



7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha, o Apostolado, ou para a Igreja em geral.



8.- Virtude do mês:
Durante este mês, praticaremos a virtude do Sacrifício (Catecismo da Igreja Católica: 2099-618-901-2100-1032)

Esta semana veremos o cânon 901, que diz textualmente o seguinte:

901 “Os leigos, em virtude de sua consagração a Cristo e da unção do Espírito Santo, recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos sempre mais abundantes. Assim, todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal e familiar, trabalho cotidiano, descanso do corpo e da alma, se praticados no Espírito, e mesmo as provações da vida, pacientemente suportadas, se tornam ‘hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo’ (l Pd 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a oblação do Senhor na celebração da Eucaristia. É assim que os leigos consagram a Deus o próprio mundo, prestando a Ele, em toda parte, na santidade de sua vida, um culto de adoração.” (LG 34; cf. LG 10).

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CA 86 Amor e reparação são duas coisas completamente unidas. Eu amei o homem e reparei por ele!
Assim, amando o Meu Coração, o homem reparará pelas ofensas que Lhe são feitas, sacrifica-se e pelos sacrifícios e imolação obtém para as almas que ofenderam o Meu Coração, a Misericórdia e o perdão. Esta alma reparadora salva outras almas com seu amor.
Por sua vez, também estas almas, inflamadas pelo Meu amor, logo saberão inflamar, imolar-se e continuar reparando até conseguirem o reino do Meu Coração no coração dos homens. Esta é a cruzada que peço por meio da expiação e da penitência: uma cruzada do amor divino que possa, pelos vossos sacrifícios e imolações, conter a Justiça Divina.



9.- Propósitos semanais:

Com o Evangelho:
Afirmarei meu propósito de não repetir aqueles pecados dos quais me confesso com frequência, e naqueles em que volto a cair.

Com a virtude do mês:
Farei uma Hora Santa de reparação por meus pecados e os de minha família ou minha comunidade.

Apostolado da Nova Evangelização 2010

Fonte: Apostolado da Nova Evangelização

XIX Domingo do Tempo Comum

XIX Domingo do Tempo Comum
Por ANE Internacional
08 de agosto de 2010
Semana de 8 a 14 de agosto de 2010.
O combate espiritual: a oração

1.-A Palavra de Deus
1a Leitura: Sabedoria 18,6-9: Aquilo com que puniste nossos adversários serviu também para glorificar-nos, chamando-nos a ti.
Salmo: Salmo 32: Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
2a Leitura: Carta aos Hebreus 11,1-2. 8-12: Esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor.
Evangelho: Lucas 12,32-48: Ficai preparados!

Proclamação do Santo Evangelho segundo São Lucas (Lc 12,32-48)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino. Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater.
Felizes os empregados que o Senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar à mesa e, passando, os servirá. E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar.
Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”.
Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?”
E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente, que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa, para dar comida a todos na hora certa? Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. Aquele empregado que, conhecendo a vontade do Senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


2.- Referências para refletir:

A passagem do Evangelho que lemos hoje é ao mesmo tempo emotiva e racional: apela ao coração e ao cérebro; é portador de esperança, mas não deixa de ser uma séria advertência para cada um de nós...

Começa emotivamente e com um sopro de esperança, porque o Senhor nos diz que não devemos temer, e que somos membros de seu “pequeno rebanho”, e ainda que o fato de que seu rebanho seja “pequeno” possa racionalmente nos produzir certa inquietação (pensando que são poucos porque não é fácil cumprir os requisitos), a esperança se anima quando Ele nos diz que “foi do agrado do Pai dar a vós o Reino”.

O contexto dentro do qual Jesus transmite estes ensinamentos é o mesmo do Evangelho de sete dias atrás. De fato, entre o fragmento que líamos na semana passada e o que acabamos de reler agora, há somente um texto de apenas dez versículos, nos quais Jesus insiste com a multidão sua “mensagem de desapego”, falando-lhes sobre a importância vital de não dar tanta proeminência, tanta relevância ao dinheiro e às coisas materiais, para que possamos viver nossas vidas como Deus quer...

“Não andeis preocupados com a vossa vida, pelo que haveis de comer; nem com o vosso corpo, pelo que haveis de vestir...” disse-lhes o Senhor, e mais adiante volta a insistir: “Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber; e não andeis com vãs preocupações. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso.

Buscai antes o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo”.

Desta passagem vem, justamente, aquela canção tão bela que diz: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça... / E tudo o mais vos será acrescentado, Aleluia! Aleluia!” Lembram-se dela?

É que, em teoria, sabemos muito bem o que temos que fazer, cantamos e até podemos nos dar ao luxo de falar e discursar sobre o assunto, a ponto de que qualquer um que nos ouça, poderia ficar impressionado... mas na hora de tomar as decisões e agir, parece que nos vence o apego às coisas, seja no desejo febril de tê-las, seja na preocupação em cuidar delas, ou no desespero em conservá-las...

Não em vão Jesus diz duas vezes naquela passagem “não vos preocupeis”, porque as coisas materiais, sua posse ou seu domínio, sua busca ou sua “utilização”, com demasiada frequência se tornam um motivo de verdadeiro tormento para os seres humanos: Rompe amizades, prejudica a saúde, desintegra famílias, mas sobretudo, AFASTA AS PESSOAS DE DEUS.

Hoje o Senhor nos aconselha: “Vendei vossos bens e dai esmola”, e isto não deixa, não pode deixar de nos surpreender. Qualquer um que esteja em seu juízo perfeito poderia legitimamente pensar: “É uma insensatez desprender-se de tudo e doar tudo!” Mas Jesus dizia que “insensato” era na verdade aquele personagem do Evangelho da semana passada, que estava somente calculando o que faria com suas posses e prevendo apenas como investiria seu dinheiro, quando a morte não tardaria a encontrá-lo... A pergunta que resta então é: Será que Deus quer que sejamos todos pobres...?

A resposta a esta pergunta não é fácil. Como já dissemos antes: não é que o Senhor queira que sejamos todos indigentes, desprovidos de tudo e esmoleres, mas Ele quer que sejamos “pobres em espírito” e isso quer dizer, simplesmente, que não tenhamos nenhum apego ao material; que se temos algo (pouco ou muito) sejamos capazes de compartilhar TUDO com os outros; e se não temos nada, que não vivamos amargurados, queixando-nos de nossa “má sorte” no plano econômico, ou invejando os que têm mais dinheiro.

“Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe” – diz o Senhor; – “ali o ladrão não chega nem a traça corrói”. E finalmente sentencia: “Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”.

Há poucos dias, o Senhor nos permitiu partilhar com um grupo de irmãos que chegaram a Mérida, Yucatán, provenientes de diferentes Estados da República Mexicana, para assistir a uma oficina de formação sobre o trabalho que se deve realizar no Ministério de Apoio à Igreja...

(Diga-se de passagem: que não se inquietem os irmãos que, servindo ao Senhor nesse Ministério, não puderam vir. Estamos documentando todos os procedimentos, a formação necessária e os passos adequados para trabalhar da melhor maneira em todos e cada um dos Ministérios de Serviço de nosso Apostolado... Oportunamente divulgaremos essa informação por meio de pequenos manuais que serão distribuídos através da Estrutura Orgânica e Funcional do ANE, em todos os países).

Mas voltando ao tema que nos ocupa, o certo é que em uma das palestras daquela oficina, surgiu o tema do fruto espiritual que dão as obras de misericórdia corporal a quem as pratica, e comentávamos com os irmãos que o sufrágio obtido pelas esmolas, por exemplo, age quase “para sempre”, enquanto siga dando frutos benéficos o bem material doado.

Ou seja: se uma pessoa decide doar tudo o que tem, digamos assim... ao seu Apostolado; e com esse dinheiro e essas propriedades, o Apostolado decide montar uma casa de retiros, um restaurante para pobres, e um centro de catequese para jovens (para citar alguns exemplos do que se poderia fazer com as doações), enquanto essas doações continuarem fazendo o bem, a esmola dada continuará produzindo fruto espiritual para quem a deu; isto é, continuará ganhando indulgências para comutar os pecados da pessoa que as doou, no caso em que ela já tiver morrido, e se o faz em vida, naturalmente, o Senhor lhe dará mais oportunidades de viver e morrer na graça...

Não é essa uma informação interessante, para nós que devemos promover uma “Cruzada de Misericórdia” no mundo? Algo semelhante acontece com as obras de misericórdia espiritual que se faz. Algum dia voltaremos a falar deste assunto, não em uma catequese mas pessoalmente, quando tivermos a oportunidade de ir visitando as diversas comunidades.

“...onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, diz Jesus neste Evangelho, e isso deve nos levar a pensar onde está realmente nosso “tesouro”... Será que meu tesouro é verdadeiramente Deus? Será talvez uma criatura, em vez do Criador? Será talvez meu cônjuge, ou talvez meus filhos?... Serão minhas posses ou meus prazeres?... Será o dinheiro, ou a busca do reconhecimento dos outros?... O que é, verdadeiramente, aquilo que me move a cada dia a fazer o que faço? E o que é tudo o que faço? Como estou administrando meus bens, meu tempo, meus afetos...?

Através da Parábola narrada por Jesus no Evangelho que relemos agora, e da explicação que depois faz a Pedro, recordamos que teremos que prestar contas sobre a administração de tudo o que o Senhor nos empresta, a cada dia, em termos de bens, talentos, capacidades, tempo, pessoas que põe sob nosso cuidado ou ao nosso lado, para colaborar com eles e para que colaborem conosco, etc., etc.

Se vamos tomando consciência da gravidade deste assunto (porque isto é realmente grave), reconheceremos que o mais “sensato” é nos encomendarmos com insistência a Deus para que Ele seja nossa Luz e Guia permanente; para que nos ajude a descobrir em cada circunstância Sua Vontade, e nos dê a Força e o alento para poder cumpri-la com amor e entrega; para que nos ensine a ser judiciosos e sensatos em tudo o que fazemos; para que estejamos sempre preparados para recebê-lo, para nos encontrarmos com Ele, para prestar contas a Ele...

Não é, portanto, casual, que a Congregação para o Clero, da Santa Sé, recomende o estudo dos Cânones do Catecismo que nos falam sobre oração (como concordantes com a Liturgia da Palavra do 19º domingo, que hoje comemoramos).

Isto é também providencial para nós como Apostolado, porque já vamos nos preparando para iniciar um tempo forte de oração e jejum, que começará no mês de setembro, de acordo com una iniciativa e um programa que estão preparando conosco alguns dos irmãos do Conselho Nacional do ANE-México.
Já iremos coordenando com as autoridades nacionais e locais do Apostolado, em todos os lugares em que temos presença, a maneira de implementar esta “Campanha de Oração e Jejum”, mas pelo momento, prestemos por favor muita atenção ao que o Catecismo nos ensinará hoje sobre o tema da oração. Que o Senhor nos dê seu Espírito de Amor, de Vigilância e de Oração.



3.- Perguntas para orientar a reflexão: (Ler pausadamente cada item e fazer um instante de silêncio após cada questão, para permitir a reflexão dos irmãos)

a) O quão preparado eu diria que estou hoje, para que neste momento o Senhor chegasse para me pedir contas?
b) Tenho realmente tido alguma melhora importante em minha maneira de ser, nestes últimos tempos? E, se não, a que se deve isso?



4.- Comentários dos irmãos:
Após uns momentos de silêncio, concede-se a palavra aos irmãos para que expressem suas opiniões, reflexões e comentários. Como sempre, será buscada a participação de todos.



5.- Concordâncias do Evangelho com o Catecismo da Igreja Católica

Cânones: 2725 a 2745

(por favor, ler pausadamente cada parágrafo, fazendo uma pausa depois da leitura de cada um dos cânones. Sugere-se que se alternem dois ou três leitores, para evitar a monotonia, mas sem que isto produza distração entre os membros da “casinha”. Organizar-se antes de começar, e depois prestar bastante atenção)

2730 Positivamente, o combate contra nosso “eu” possessivo e dominador é a vigilância, a sobriedade do coração. Quando Jesus insiste na vigilância, ela está sempre relacionada com Ele, com sua vinda, com o último dia e com cada dia: “hoje”. O Esposo vem no meio da noite; a luz que não deve ser extinta é a da fé: “Meu coração diz a teu respeito: ‘Procurai a sua face”‘ (Sl 27,8).

2742 “Orai sem cessar” (1 Ts 5,17), “sempre e por tudo dando graças a Deus Pai, em nome de nosso Senhor, Jesus Cristo” (Ef 5,20), “com orações e súplicas de toda sorte, orai em todo tempo, no Espírito e, para isso, vigiai com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6,18).

“Não nos foi prescrito que trabalhemos, vigiemos e jejuemos constantemente, enquanto, para nós, é lei rezar sem cessar.” Esse ardor incansável só pode provir do amor. Contra nossa pesada lentidão e preguiça, o combate da oração é o do amor humilde, confiante e perseverante. Esse amor abre nossos corações para três evidências de fé, luminosas e vivificantes:

2743 Orar é sempre possível: o tempo do cristão é o de Cristo ressuscitado que “esta conosco todos os dias” (Mt 28,20), apesar de todas as tempestades. Nosso tempo está nas mãos de Deus:

É possível até no mercado ou num passeio solitário fazer uma oração freqüente e fervorosa. Sentados em vossa loja, comprando ou vendendo, ou mesmo cozinhando. (São João Crisóstomo, ecl. 2).

2744 Orar é uma necessidade vital. A prova contrária não é menos convincente: se não nos deixarmos levar pelo Espírito, cairemos de novo na escravidão do pecado (cf. Gal 5,16-25). Como o Espírito Santo pode ser “nossa Vida”, se nosso coração está longe dele?

Nada se compara em valor à oração; ela toma possível o que é impossível, fácil o que é difícil. E impossível que caia em pecado o homem que reza. (São João Crisóstomo).

Quem reza certamente se salva; quem não reza certamente se condena. (Santo Afonso Maria de Ligório).

2745 Oração e vida cristãs são inseparáveis, pois se trata do mesmo amor e da mesma renúncia que procede do amor. Trata-se da mesma conformidade filial e amorosa ao plano de amor do Pai; da mesma união transformadora no Espírito Santo, a qual nos conforma sempre mais a Cristo Jesus; trata-se do mesmo amor por todos os homens, aquele amor com que Jesus nos amou. “Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome Ele vos dará. Isto vos mando: amai-vos uns aos outros” (Jo 15,16-17).

Ora sem cessar aquele que une a oração às obras e as obras à oração. Somente dessa forma podemos considerar como realizável o principio de orar sem cessar. (Orígenes, or. 12).

2732 A tentação mais comum, mais oculta, é nossa falta de fé, que se exprime não tanto por uma incredulidade declarada quanto por uma opção de fato. Quando começamos a orar, mil trabalhos ou cuidados, julgados urgentes, apresentam-se como prioritários; de novo, é o momento da verdade do coração e de seu amor preferencial. Com efeito, voltamo-nos para o Senhor como o último recurso: mas de fato acreditamos nisso? As vezes tomamos o Senhor como aliado, mas o coração ainda está na presunção. Em todos os casos, nossa falta de fé revela que não estamos ainda na disposição do coração humilde: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5).

2729 A dificuldade comum de nossa oração é a distração. Esta pode referir-se às palavras e ao seu sentido, na oração vocal. Pode, porém, referir-se mais profundamente àquele a quem oramos, na oração vocal (1itúrgica ou pessoal), na meditação e na oração mental. Perseguir obsessivamente as distrações seria cair em suas armadilhas, já que e suficiente o voltar ao nosso coração: uma distração nos revela aquilo a que estamos amarrados, e essa tomada de consciência humilde diante do Senhor deve despertar nosso amor preferencial por Ele, oferecendo-lhe resolutamente nosso coração, para que Ele o purifique. Aí se situa o combate: a escolha do Senhor a quem servir (cf. Mt 6,21.24).

2731 Outra dificuldade, especialmente para aqueles que querem sinceramente orar, é a aridez. Esta acontece na oração, quando o coração está desanimado, sem gosto com relação aos pensamentos, às lembranças e aos sentimentos, mesmo espirituais. E o momento da fé pura que se mantém fielmente com Jesus na agonia e no túmulo. “Se o grão de trigo que cai na terra morrer, produzirá muito fruto” (Jo 12,24).

Se a aridez é causada pela falta de raiz, porque a Palavra caiu sobre as pedras, o combate deve ir na linha da conversão (cf. Lc 8,6.13). (Nota do Editor do ANE: Nesse caso, irmãos, terá que trabalhar com maior esforço na própria conversão: vigiando primeiro os hábitos, depois analisando, minuciosamente, os gostos e preferências, e finalmente, controlando cada uma das reações. O objetivo é um somente: fazer-se igual a Cristo.)

2733 Outra tentação, cuja porta é aberta pela presunção, é a acídia (chamada também “preguiça”). Os Padres espirituais entendem esta palavra como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração. “O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,). Quanto mais alto se sobe, tanto maior a queda. O desânimo doloroso é o inverso da presunção. Quem é humilde não se surpreende com sua miséria Passa então a ter mais confiança, a perseverar na constância.

2734 A confiança filial é experimentada - e se prova - na tribulação. A dificuldade principal se refere à oração de súplica por si ou pelos outros, na intercessão. Alguns deixam até de orar porque, pensam eles, seu pedido não é ouvido. Aqui surgem duas questões: por que pensamos que nosso pedido não foi ouvido? De que maneira é atendida, ou é “eficaz”, nossa oração?

2735 Um fato deveria provocar admiração em nós. Quando louvamos a Deus ou lhe damos graças pelos benefícios em geral, pouco nos preocupamos em saber se nossa oração lhe é agradável. Em compensação, temos a pretensão de ver o resultado de nosso pedido. Qual é, pois, a imagem de Deus que nos motiva à oração? Um meio a utilizar [para conseguir o que quero] ou o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo [e Supremo Bem]?

2736 Estamos acaso convencidos de que “nem sabemos o que convém pedir” (Rm 8,26)? Pedimos a Deus “os bens convenientes”? Nosso Pai sabe do que precisamos, antes de lho pedirmos, mas espera nosso pedido porque a dignidade de seus filhos está precisamente em sua liberdade. Mas é preciso rezar com seu Espírito de liberdade para poder conhecer na verdade o seu desejo (cf. Rm 8,27).

2737 “Não possuís porque não pedis. Pedis, mas não recebeis, porque pedis mal, com o fim de gastardes nos vossos prazeres” (Tg 4,2-3). Se pedimos com um coração dividido, “adúltero” Deus não nos pode ouvir, porque deseja nosso bem, nossa vida. “Ou julgais que é em vão que a Escritura diz: Ele reclama com ciúme o espírito que pôs dentro de nós (Tg 4,5)?” Nosso Deus é “ciumento” de nós, o que é o sinal da verdade de seu amor. Entremos no desejo de seu Espírito e seremos ouvidos:

Não te aflijas se não recebes imediatamente de Deus o que lhe pedes: pois Ele quer fazer-te um bem ainda maior por tua perseverança em permanecer com Ele na oração. Ele quer que nosso desejo seja provado na oração. Assim Ele nos prepara para receber aquilo que Ele está pronto a nos dar. (Santo Agostinho, ep. 130, 8, 17).

2738 A revelação da oração na economia da salvação nos ensina que a fé se apóia na ação de Deus na história. A confiança filial é suscitada por sua ação por excelência: a Paixão e a Ressurreição de seu Filho. A oração cristã é cooperação com sua Providência, com seu plano de amor para os homens.

2739 Em S. Paulo, esta confiança é audaciosa, fundada na oração do Espírito em nós e no amor fiel do Pai, que nos deu seu Filho único. A transformação do coração que reza é a primeira resposta a nosso pedido.

2740 A oração de Jesus faz da oração cristã uma súplica eficaz. É Ele o seu modelo. Jesus reza em nos e conosco. Já que o coração do Filho não busca senão o que agrada ao Pai, como haveria (o coração dos filhos adotivos) de apegar-se mais aos dons do que ao Doador?

2741 Jesus também reza por nós, em nosso lugar e em nosso favor. Todos os nossos pedidos foram recolhidos uma vez por todas em seu Grito na Cruz e ouvidos pelo Pai em sua Ressurreição, e por isso Ele não deixa de interceder por nós junto do Pai. Se nossa oração está resolutamente unida à de Jesus, na confiança e na audácia filial, obteremos tudo o que pedimos em seu nome; bem mais do que pequenos favores, receberemos o próprio Espírito Santo, que possui todos os dons.


6.- Refletindo com a Grande Cruzada

CM 93 Tudo está em Minhas mãos, mas tardas em crer nisso, então ages como dono. Ao contrário, Eu te digo que és apenas um administrador, e muito pouco fiel, porque ages nas coisas como dono absoluto, muitas vezes sem pensar que administras o que te foi dado, mesmo quando foi ganho, e com fadiga. Deverias chamar-te ladrão, mas esta palavra ofende teus ouvidos e então te chamarei de enlouquecido. Ao menos reflete no que obténs de muitas de tuas chamadas propriedades! Bem-estar de uma hora e talvez nem isso; paz, pouca; pouquíssima alegria.



7.- Comentários finais:
Concede-se novamente a palavra para fazer breve referência aos textos lidos (do Catecismo ou das mensagens) ou a qualquer outro assunto de interesse para a Casinha, o Apostolado, ou para a Igreja em geral.



8.- Virtude do mês: Prudência (Catecismo da Igreja Católica: 1806—1835—1906—1805—1787—788)

Esta semana veremos o cânon 1835, que diz textualmente o seguinte:

1835 A prudência dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo.

E a Grande Cruzada nos diz a respeito:

CS 80 Digo estas coisas hoje, em que o afã pela matéria se generalizou tanto que os valores do espírito caíram no esquecimento e no desprezo. Digo estas coisas para aprovar o santo desprezo que os cristãos têm das coisas materiais, já que por esse desprezo eles podem chegar a apreciar realmente todos os dons que Eu lhes faço, premiando a confiança que têm em Mim. E quero que tu, chefe de família, infundas no coração e na mente dos que te confiei, um particular apego à Minha Providência, da qual sempre obtendes benefícios.
Sejam prudentes vossas palavras, a fim de consolidar esses santos pensamentos ao redor de cada um de vós e a este propósito Me será grato que abandoneis a consideração (e as palavras) sobre as injustiças humanas que vos privam do que vos interessa.



9.- Propósitos semanais:

Com o Evangelho:
Confessar-me-ei e lutarei para permanecer sempre em estado de graça.

Com a virtude do mês:
Explicarei à minha família o que significa a Providência Divina, a confiança que devemos ter em Deus, e o esmero que devemos ter para fazer sempre Sua Vontade.

Apostolado da Nova Evangelização 2010

Fonte:Apostolado da Nova Evangelização

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja

A natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja.


Sexta, 09 Dezembro 2011 16:27
Pe. Luis Fernando



1. A fonte da Liturgia

Vou começar meu artigo fazendo uma afirmação determinante para a compreensão da Liturgia da Igreja, embasada no Catecismo da Igreja Católica que por sua vez deriva da compreensão alicerçada na Sacrossanctum Concilium, especialmente nos números 5 ao 13. Dos números 1077 ao 1112, o Catecismo explica a Liturgia como o Louvor ao Pai pelo Filho no Espírito Santo. Ela é operada pelo Espírito Santo que prepara a Igreja para o encontro com Cristo que desde o seu corpo Místico dispensa o Mistério da Salvação pelo poder e ação do Espírito neste mesmo Corpo. Ao mesmo tempo o Pai é adorado e glorificado pelo Filho no Espírito e o Filho com o Espírito são conglorificados[1] com o Pai pela Igreja.

Lanço agora uma segunda premissa. A Liturgia da Igreja é toda a Liturgia, ou seja, toda a ação sagrada em favor do povo de Deus e não somente a Santa Missa. De fato, a Liturgia da Igreja é “o cume para o qual se dirige a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte donde emana toda a sua força” (SC, n. 10). Neste aspecto falamos de toda a Liturgia da Igreja: A celebração da Santa Missa, dos demais Sacramentos, dos Sacramentais, da Liturgia da Horas, da Celebração da Palavra, da Adoração Eucarística fora da Missa, etc.

Tendo feito estas duas brevíssimas distinções quero partir para o tema central: a natureza da Liturgia. Digo de antemão que sua natureza é Sagrada por força da Revelação, que logo veremos. De fato, Deus quis revelar-se ao homem, quis dar-se a conhecer, como nos ensina o Concílio Vaticano II na Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina “Dei Verbum” n. 2:

Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1,9), mediante o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso no Espírito Santo ao Pai e se tornam participantes da natureza divina (cf. Ef 2,18; 2Pd 1,4).

Como um modo especialíssimo de participação na vida divina, dispôs Deus a Divina Liturgia divinamente relevada para a Igreja. No Evangelho de João, Jesus encontra-se com a samaritana no poço de Jacó e ali lhe diz: “Acredita-me, mulher, vem a hora em que nem nesta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai [...]. Mas vem a hora – e é agora – em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura” (cf. Jo 4,21-23). O verdadeiro culto que agrada a Deus é o culto em espírito e verdade realizado no único Templo igualmente verdadeiro, isto é, realizado no Corpo Místico de Cristo que é a Igreja (cf. Ef 4,1.4). Aqui vale abrir um parêntese sobre o Corpo de Cristo. Há três modos de distinguir o Corpo de Cristo: O corpo físico de Jesus de Nazaré que nasceu em Belém, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria (cf. Lc 1,35). Nele, “Deus que por natureza é invisível se fez visível aos nossos olhos”[2]. Um segundo modo de distinguir o Corpo do Senhor é a Santíssima Eucaristia. De fato, o Catecismo afirma no nº 1376 que as espécies do pão e do vinho são transubstanciadas no Corpo e no Sangue do Senhor pelo rito da consagração na Santa Missa. Tal doutrina se depreende do Evangelho de São João no qual Jesus afirma: “Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” (cf. Jo 6,48-53). Um terceiro modo de distinguir o Corpo de Cristo é a Igreja. Presente desde os escritos de São Paulo[3] e fortemente reforçada pela Mystici Corporis de Pio XII, a compreensão da Igreja como o Corpo de Cristo ocupa toda a eclesiologia do Catecismo da Igreja Católica. Este terceiro modo de compreender o Corpo de Cristo é crucial para entendermos a eclesiologia da qual deriva a Liturgia do Concílio Vaticano II. Não vou me delongar neste aspecto da Liturgia, haja vista que acontecerá outra Conferência focada neste tema. Hoje vamos percorrer juntos alguns textos litúrgicos no Apocalipse, bebendo da fonte da Liturgia que é o próprio Deus-Trindade. Usarei uma abordagem bíblica. O Apocalipse descreve em vários capítulos o que parece ser um solene, belo e perene culto a Deus. A esta liturgia chamamos céu ou paraíso.

Vejamos o capítulo 4. Ali há um trono e neste, alguém sentado. Ao seu redor estão dispostos 24 tronos os quais são ocupados por 24 Anciãos e com coroas de ouro na cabeça. Também existem quatro Seres vivos entre o trono e os vinte e quatro Anciãos. Diante do trono está O Único que permanece de pé, um Cordeiro como que imolado.

Os quatro Seres vivos dia e noite, sem parar, proclamam:

“Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus todo-poderoso, Aquele que era, Aquele que é e aquele que vem”.

E a cada vez que os Seres vivos dão glória, honra e ação de graças àquele que está sentado no trono e que vive pelos séculos, os vinte e quatro Anciãos se prostram diante daquele que está sentado o trono para adorarem aquele que vive pelos séculos dos séculos, depondo suas coroas diante do trono e proclamando:

“Digno és tu, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, pois tu criaste todas as coisas; por tua vontade elas não existiam e foram criadas” (cf. Ap 4,8-11)

No Trono está a plenitude da divindade, o próprio Deus. Impossível de ser descrito, pode apenas ser louvado e adorado. Ao redor de seu trono estão os 12 apóstolos e os 12 patriarcas das tribos de Israel, a totalidade da antiga e da nova aliança, sentados em tronos para julgar as nações (cf. Mt 19,28). Os quatro Seres vivos adoram a Deus. Quatro é um número cósmico: sinal dos pontos cardeais, dos ventos, dos “cantos” da terra, etc. Suas formas de leão, novilho, homem e águia representam o que há de mais ágil, belo, sublime e forte na criação.

O Cordeiro de pé é Cristo, imolado para a salvação do povo eleito (cf. Jo 1,29). Ele traz as marcas do seu suplício, mas está de pé, triunfante, vencedor da morte. “O Messias, Leão para vencer, tornou-se Cordeiro para sofrer” (Vittorino de Pettau).

Junto do Cordeiro imolado estão os eleitos, “uma grande multidão de pé diante do trono e do Cordeiro, trajados com vestes brancas e com palmas na mão” em sinal de vitória (Cf. Ap 7,9). Além dos eleitos, circunda o trono uma grande multidão de anjos que proclamam em alta voz:

Digno és tu de receber o livro e de abrir seus selos, pois foste imolado e, por teu sangue, resgataste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. Deles fizeste, para nosso Deus, uma realeza e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra (Cf. Ap 5,7-10).[4]

Além do estilo apocalíptico, a beleza que aqui encontramos está no fato expresso por essa solene liturgia da Igreja triunfante à qual se une todo o cosmo e toda a Igreja militante (Cf. Ap 5,13). Na verdade, o tempo cronológico é absorvido na adoração a Deus e todo o cosmo de funde numa coisa só no eterno louvor ao Deus Uno e Trino.

Esta beleza celeste nós já experimentamos aqui no exílio enquanto caminhamos pressurosos para a terra prometida:

O cântico de louvor, que ressoa eternamente nas moradas celestes, e que Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, introduziu nesta terra de exílio, foi sempre repetido pela Igreja, durante tantos séculos, constante e fielmente, na maravilhosa variedade das suas formas[5].

É o mesmo Cântico Novo cantado diante do trono e do Cordeiro que nós, os santos da Igreja, não nos cansamos de proclamar e entoar. Tornamo-nos homens novos (Ef 4,22-24) por meio deste belo Cântico Novo que renova nosso espírito e nossa mentalidade. A beleza dos ritos, dos tempos litúrgicos, de cada celebração expressa o nosso desejo de coabitar com a Trindade Santa. A nobreza e simplicidade com que os fazemos resplandecem que “a liturgia é a celebração da alegria do Pai” [6] perante o regresso do Filho muito amado que saiu e veio ao nosso encontro (Hb 2,13). Alegria inefável do Pai que tomou forma no Filho. “Sim, a alegria da fonte pode explodir, jorrar e cantar como outros tantos ecos e sons por pura graça, e cada um é único” [7]. A partir da volta do Filho ao seio do Pai, o Rio de Vida jorra do trono de Deus e do Cordeiro. É a única e mesma liturgia que celebramos, que jorra do Trono de Deus e inunda a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro vestida com as vestes de linho puro, branco, resplandecente de beleza e santidade (cf. Ap 19,7-8). Tal coisa é possível porque todo este movimento é impregnado da ação do Espírito.

Por isso, com razão, Jean Corbon[8] afirma que as liturgias que celebramos são um momento dA Liturgia, justamente porque “a liturgia não se reduz àquilo que dela celebramos” (p.88). Na verdade, a perene liturgia “... é celebrada sem cessar de junto do Pai por Cristo no Espírito Santo, com a assembléia dos primogênitos no reino dos céus. É ela quem faz história. Ela é a vitalidade da Igreja neste mundo, atua continuamente e é-nos oferecida. “Quem tem sede venha”, diz o Cordeiro (Ap 22,17). Então, o que fazemos nesta “terra de exílio”?

Respondemos ao chamado do Senhor[9] que “com poder” torna sua vinda salvífica na Liturgia. Isso só pode acontecer porque a Liturgia é um ato eclesial. Porque é um ato sinérgico. Porque é um ato teândrico. Cristo ressuscitado para sempre não celebra A Liturgia somente com a Igreja triunfante, mas une a si toda a Igreja: triunfante, padecente e militante, ou, a liturgia no Corpo de Cristo. Portanto, a justo juízo proclama Corbon: “esse momento ou é eclesial ou não existe” (p.89). É a celebração, portanto, o núcleo da liturgia que na sua localidade manifesta toda a catolicidade da Igreja. Assim, todas as celebrações eclesiais serão expressão da sinergia: Cristo, Espírito e Igreja unidos no louvor ao Pai.

Deste modo São Bernardo de Claraval descreve a Igreja:

Ó humildade! Ó sublimidade! Tabernáculo de Cedar, e santuário de Deus; morada terrestre, e palácio celeste; casa de barro e sala régia; corpo de morte, e templo de luz; finalmente, desprezo para os soberbos, e esposa de Cristo! [...] ó filha de Jerusalém: ainda que desfigurada pelo labor e pela dor do longo exílio, a beleza celeste te adorna. [10]

Certamente que São Bernardo é alicerçado nesta bela exultação pela Revelação da Igreja que encontramos no Apocalipse:

Vi então um céu novo e uma terra nova – pois o primeiro céu e a primeira terra se foram e o mar já não existe. Vi também descer do céu, de junto de Deus, a cidade Santa, uma Jerusalém nova, pronta como uma esposa que se enfeitou para o seu marido. Nisto ouvi uma voz forte que, do trono, dizia:

“Eis a tenda de Deus entre os homens.

Ele habitará com eles;

eles serão o seu povo, e ele, Deus-com-eles, será o seu Deus!

O vencedor receberá esta herança, e eu serei seu Deus e ele será meu filho. (Cf. Ap 21,1-3.7)

Em sua obra “A fonte da Liturgia”[11] Jean Corbon também afirma que nossas celebrações são o eco daquela celebração que se realiza eternamente nas moradas celestes. É a celebração do eterno ‘hoje’ de Deus na história, da páscoa de Cristo que “penetra e leva em si toda a história”[12].

Um “hoje” perpétuo: é assim que a Igreja celebra. Por isso, pereniza o tempo no ano litúrgico meditando paulatinamente os mistérios da nossa redenção[13]. Celebrando um a um os feixes de luz da única Grande Luz: Jesus Cristo. O tempo torna-se assim “sacramental”, pois é extravasado pelo Mistério daquele que é O Eterno temporalizado.

A história é nosso chão, onde Deus habita. Celebramos, porém num “não-lugar”. Contudo, aquele que céus e terra não podem conter pode ser louvado e adorado em um templo feito por mãos humanas? Esta pergunta espantou Salomão, o sábio, ao reconhecer a grandeza e a transcendência de Deus. Sim, ele pode ser louvado em um templo de pedras, pois se fez nada, desceu à não-vida, fez-se pecado. Toda esta kênose (abaixamento, aniquilamento de si) realizada é recapitulada no altar de cada Igreja, pois “o altar é Cristo”[14]!

Em relação ao espaço da celebração, o decoro e o esmero para com ele denotam o sentido dado àquela celebração. Significa o espaço que ocupa a celebração na vida de cada membro da Igreja em questão. Por isso o espaço litúrgico é percebido no sentido escatológico: “nele, o reino já veio, mas é-nos dado porque não está ainda consumado”[15].

Vamos agora passar ao segundo aspecto da Natureza da Liturgia, o seu aspecto humano.

2. O desejo de coabitar com o eterno

Quando Deus criou a humanidade não criou deuses, mas, homens (cf. Gn 1,27). Assim, verifica-se no homem uma incompletude que o desloca de seu eixo para os lados numa busca permanente de complementação do eu. Podemos dizer que é a permanente tensão do desejo. Anselm Grün diz que “o desejo do homem é ilimitado e por isso nunca será saciado por metas finitas”[16]. Este é o modo de Deus manter-nos abertos a Ele, mas também a porta através da qual entra a possibilidade do pecado. O desejo de cada ser humano é, em última análise, o desejo de ser amado: “Todo ser humano, diz Ernesto Cardenal, anseia em última análise por um amor incondicional, por um amor que é a única coisa capaz de fazer com que a vida valha a pena ser vivida, e que lhe assegure que ele é único e que possui valor” [17]. No entanto, o desejo do infinito ao se deparar com as coisas finitas causa o desassossego da inadequação. As coisas se tornam cadeias ao invés de libertar e levam o homem para mais longe da felicidade, da paz, do repouso em Deus, quando não compreende que por trás de todo desejo limitado está o “desejo pelo amor absoluto e incondicional, em última análise, pelo amor divino”[18]. Vivemos numa tensão constante de falta e desejo.

A liturgia será o espaço transfigurado no qual se encontrarão a falta e o desejo. A falta humana e o desejo divino. O desejo humano e o amor divino. No Evangelho de São Lucas, o evangelista narra o episódio da transfiguração (cf. Lc 9,28-36) ao qual aqui aludiremos. O interpretaremos por um viés antropológico para fotografar o segundo aspecto da natureza da Liturgia.

Sabemos que é da natureza humana o desejo de conhecer a divindade e conviver com ela. Este desejo antropológico é expresso em alguns textos bíblicos. O verbo “habitar” com suas derivações aparece 729 vezes na bíblia (segundo o Bible Works) e “habitar com o Senhor” ou “sob a segurança do Senhor” aparece 65 vezes nos salmos. Um dos belos versículos que ilustram tal desejo de perenizar o tempo na presença da divindade está no salmo 23,6: “a bondade e a misericórdia do Senhor me seguirão por toda a vida e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos”.

Nas festas litúrgicas em Jerusalém o grande momento era reservado aos sacrifícios. Um dos sacrifícios, o de comunhão (cf. Lv 7,11-15), era a expressão consciente do desejo de co-habitar com Deus. Figura do sacrifício Eucarístico, naquele o ofertante fazia literalmente uma refeição com Deus, sinal do desejo de prolongar no tempo a presença de IHWH e neste, por outro lado, o próprio Deus se dá em alimento no sacrifício incruento do altar. De um ou de outro modo, percebemos uma dupla tensão do ato sacrifical: a de temporalizar o eterno e a de eternizar o tempo fugidio na presença do Senhor. Nos cânticos das subidas (Salmos 120 ao 134) o salmista canta a alegria de estar às portas de Jerusalém, casa do Senhor (Sl 122,1-2). Sabemos que as idas rituais a Jerusalém comportavam os sacrifícios de comunhão, regulamentados em Lv 3.

No texto da transfiguração, Pedro Tiago e João expressam este desejo da habitação com Deus, de condividir a sua vida: “façamos, pois, três tendas...” (Lc 9,33). Acabamos de descobrir que Ele, o Filho, saiu do Pai ao nosso encontro, à nossa procura, para revelar-nos o Pai (cf. Jo 14,9). Esta saída foi uma kênose, um rebaixamento. A Sagrada Escritura assim a descreve:

Ele estando na forma de Deus

Não usou do seu direito de ser tratado com o um deus

Mas se despojou tomando a forma de escravo.

Tornando semelhante aos homens

E reconhecido em seu aspecto como homem (cf. Ef 2,6-7).

Com efeito, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado (cf. Hb 4,15).

Deus quis se relacionar conosco por pura bondade e sabedoria (cf. DV, n.1). Como diz Augusto Cury: “Deus não é autista porque procura construir relações”[19]. Se o nosso Deus fosse um Deus autista, ele não buscaria se relacionar conosco. Se ele não tivesse sentido em si o desejo de se relacionar para se auto-comunicar, Ele “poderia ser o maior de todos os autistas. [...] Deixaria de ser um criador exuberante (...). O tudo e o nada seriam a mesma coisa”[20]. Por isso ele veio habitar entre nós e nós vimos a sua glória (Jo 1,14).

A Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina “Dei Verbum”, assim destaca que tal “saída” se deu para que o Pai concluísse a obra de Salvação/Revelação já iniciada desde o Antigo Testamento. Deste modo, quis Deus fazer dos homens seus amigos (cf. DV, n. 2, 4). Tal proximidade de um Deus que se faz “escravo” por amor toca o coração dos seus ‘amigos’ que querem coabitar junto dele (cf. Jo 13,1). Neste aspecto, nossas Igrejas são o eco deste desejo do coração humano.

Neste encontro de desejos e completude, o espaço e o tempo são transfigurados porque o homem se encontra imerso numa atmosfera que o supera e ao mesmo tempo o antecede. Tal é o Mistério Pascal de Cristo celebrado pela Igreja. Contemplamos aqui uma dupla realidade: a face do Senhor ressuscitado resplandecente de beleza e a nossa, transfigurada nele.

A sinergia da ação humana e divina molda na Igreja o ícone da Santíssima Trindade e no coração de cada homem e mulher, o desejo da purificação de si mesmo para habitar eternamente junto a esse Deus que se nos revela na Páscoa do seu Filho.

A contemplação silenciosa do mistério revelado do Deus Uno e Trino se dá porque esta realidade temporal é impregnada do Espírito Celeste, captada pelos sentidos e interpretada na fé.

A liturgia, assim, é o novo tabor. É o tabor hoje. Usamos a linguagem corporal e simbólica para manifestar a beleza dessa fé ativo-contemplativa. Deste modo, a liturgia é momento da manifestação sacramental de Deus porque realiza e manifesta sua presença à Igreja e ao mundo tornando seu Corpo Místico sacramento universal de Salvação[21]. É a epifania da beleza! É um movimento constante da encarnação à cruz, tudo isso iluminado pelo Mistério Pascal de Cristo (paixão, morte e ressurreição). É atualização do Mistério de Deus na história. É a ritualização do acontecimento salvífico por excelência: a paixão, morte e ressurreição do Senhor.

É o céu aberto, derramando bênçãos sobre a humanidade.

É por fim, o grande Maranathá da Igreja e do Espírito, porque o Espírito, iconógrafo da Igreja, toma emprestada a voz da esposa para amplificar seus gemidos inefáveis: Maranathá! Vem, Senhor Jesus! (Rm 15,17;25-27; Gl 4,6-7).

A Igreja peregrina é o lugar da graça, do culto em Espírito e Verdade (Jo 4,19-24). Por isso a Liturgia da Igreja é um Pentecostes ininterrupto.

A experiência celebrativa é sempre a possibilidade do êxtase do coração orante, porque sempre coloca o cristão em contato com o objeto de sua fé: Deus-Trindade, Deus-Amor!

Nesta experiência de adoração e vida, de louvor e de ação de graças, o silêncio humano não é uma ausência de palavras, mas a possibilidade do Espírito poder falar ao coração do fiel. É no silêncio que o Espírito que deu Corpo ao Verbo da Vida dá também forma à Palavra proclamada.

O silêncio é o momento de o Espírito falar ao coração da Esposa. É o momento de adoração da Trindade, lugar da ressonância da fé, de interiorizar aquilo que se ouviu, rezou e meditou. A transfiguração do tempo e do espaço, do ser de cada pessoa e da própria Igreja que acontece na liturgia é a purificação que a luminosidade de Deus realiza porque a presença de Deus, na liturgia, plenifica a vida humana sem, contudo, aniquilá-la. Transfigurados no Cristo, cristificados. Embebidos do Espírito, pneumatizados. Alimentados na eucaristia, eucaristizados. De fato, a partir do mistério de Cristo somos transfigurados para transfigurarmos o mundo! Daqui concluímos que a Liturgia é uma obra divino-humana.

3. A ritualidade litúrgica hoje

Muitos há que acham a Santa Missa, por exemplo, tediosa. Um poema de Adélia Prado intitulado “Missa das 10” nos dá uma idéia:

Frei Jácomo prega e ninguém entende.

Mas fala com piedade, para ele mesmo

e tem mania de orar pelos paroquianos.

As mulheres que depois vão aos clubes,

os moços ricos de costumes piedosos,

os homens que prevaricam um pouco em seus negócios

gostam todos de assistir a missa de frei Jácomo,

povoada de exemplos, de vida de santos,

da certeza marota de que ao final de tudo

urna confissão "in extremis" garantirá o paraíso.

Ninguém vê o Cordeiro degolado na mesa,

o sangue sobre as toalhas,

seu lancinante grito,

ninguém.

Nem frei Jácomo.

Ao nos depararmos com a beleza dos ritos na Liturgia, seu fulcro exatamente transcendente e ao mesmo tempo imanente vai aos pouquinhos nos separar de uma participação morna na missa do Frei Jácomo.

Nossas liturgias deveriam resplandecer de nobre simplicidade, como nos recomenda a Sacrossanctum Concilium n. 34. De tal modo deveríamos viver a ritualidade litúrgica que ela tudo impregnaria de eternidade e de beleza. O Padre Valeriano Santos Costa assim afirma:

Quem participa de um rito litúrgico entra numa outra categoria de tempo e espaço. O tempo cronológico significa dissolução e cansaço no encadeamento das horas, dias, meses e anos: o envelhecimento. [...] No rito, a ordem do espaço [...] se altera, transformando a idéia de limite, barreira, divisão, prisão em aconchego, proteção, libertação, plenitude[22].

Vivenciar os ritos é, portanto, de importância capital para perceber a beleza da Liturgia que faz do cronos o Kairós, ou seja, do tempo cronológico o tempo/estado da Graça. O dado antropológico da liturgia nos diz que o homem serve-se de sinais sensíveis para exprimir o indizível. De fato, ao olharmos o aspecto aparente da liturgia podemos nos deparar com coisas muito simples como uma vela, uma toalha branca ou um crucifixo. Todavia, estes são pontes do efêmero para o eterno. A beleza do rito litúrgico deve começar de dentro, do coração e nos levar ao coração do Mistério. De fato, afirma Corbon: “reza-se como se vive e vive-se como se ama; tudo depende do lugar onde habitualmente nos centramos e em torno do qual tudo toma o seu sentido (...) o coração é o lugar da decisão, do sim ou não”[23]. Sabendo que a Liturgia começa no coração, chamo nossa atenção para o outro lugar da manifestação da beleza, ou seja, para o “fazer” na Liturgia.

Aqui eu gostaria de tocar um pouco na nossa prática litúrgica. Nossas equipes de Liturgia nas Paróquias muitas vezes se transformam em ‘tarefeiros’ junto com o padre. Fazem muitas coisas, mas não as fazem bem. Nossos Ministros Extraodinários da Eucaristia permanecem numa odinária distração toda a missa. Os músicos esquecem-se do rito para procurar a folha de cântico. O calor faz a assembléia suar. O volume estridente do som faz todos sentirem o ouvido doer. As flores de plástico no presbitério, sujas de poeira, dão o tom da desordem, do desleixo e da despreocupação com aquilo que é expressão do Eterno. Os vasos sagrados sujos de zinabre demonstram quão desleixados são os que cuidam da sacristia. O andar apressado e sem a devida reverência e gravidade dos acólitos e do Padre, as toalhas puídas, a multiplicação de folhas, cadernos, lembretes, cartazes para todos os cantos... enfim, nossas Paróquias precisam romper este ciclo vicioso de feiúra que tem tomado conta do nosso “fazer” litúrgico.

A Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus é o acontecer do Mistério. O “véu” se rasgou e pela Ascensão o Filho nos leva ao coração aberto do Pai, donde jorra o rio de vida (Ap 22,1), a Liturgia celeste, perene e eterna,[24] a beleza celeste que se faz nossa. A Liturgia é Cristo histórico, corpo místico e Filho de Deus. É justamente por causa dessas duas energias (divina e humana) que a Liturgia se torna ato salvífico de Deus na história dos homens. E se torna ato salvífico porque é memorial, porque O Vivente passou para além da morte e tornou o tempo impregnado de Eternidade[25]. Neste aspecto, percebemos o quanto precisamos crescer na dimensão antropológica da manifestação da nossa fé. Valendo-me do axioma Lex Orandi Lex Credendi, trago um elemento de avaliação de nossas liturgias: O modo como estamos celebrando a fé expressa a fé que professamos? Avalie se o Memorial do Mistério Pascal de Cristo que se celebra na sua comunidade resplandece aquela nobre simplicidade da qual é dotado o Mistério da Paixão, Morte, Ressurreição e Glorificação do Filho de Deus?

“Nada deve ser afetado nem pela pressa nem pelo exagero. [...] Se numa celebração de uma hora introduzimos tantos adendos, [...] esgotamos o tempo e somos tentados a atropelar o rito [...] numa corrida olímpica[26]”. A grave expressão de quem sobe o Calvário para o Sacrifício do Cordeiro deve acompanhar todo aquele que toma parte na Liturgia. A solenidade dos gestos, a tranqüilidade na execução dos ritos, ao Padre a clareza e solenidade na proclamação das orações e demais ofícios que lhe cabem na Liturgia, o canto liturgicamente ordenado e ensaiado, tudo isto contribui para uma participação eficaz, ativa e frutuosa na Divina Liturgia. O contrário disto também é igualmente verdade: quando não cuidada, a Liturgia passa de “a festa da alegria do Pai” como Corbon a classificou, à festa da tristeza e irritação dos que nela tomam parte.

Ao explanar sobre a participação ativa dentro do rito, o Padre Valeriano S. Costa joga luz sobre o modo de estar na Liturgia. Retomando o conceito grego “Leitourgia”, ele diz que Liturgia é essencialmente ação (ourgia) e não necessariamente discurso[27] (logia). A ação é sempre realizada por um sujeito. Como vimos o sujeito da Liturgia é o Pai, ao mesmo tempo ele é objeto da ação Sagrada realizada por nós, objeto da nossa fé. Como sujeito da Liturgia, a Assembléia não é só uma assistente, uma expectadora passiva, mas um sujeito ativo. Está envolvida na “leitourgia” na ação sagrada em favor do povo. Desse modo é preciso formar nossas Assembléias litúrgicas para este modo de participar, beber e contemplar o Acontecer do Mistério que ali é celebrado. As distrações, conversas paralelas, celulares ligados, crianças correndo e chorando, a pressa em começar e terminar a ação litúrgica, as homilias porcamente preparadas, tudo isso contribui para o empobrecimento da participação ativa da Assembléia. De fato, Pe Valeriano destaca que todo o corpo deve entrar nesta ação ritual, ou seja, a pessoa toda: pensamento, emoção, postura, voz, razão, gestos, para que a participação seja de fato ativa e frutuosa para o fiel.

3. Conclusão

Como conclusão de toda esta reflexão, cito o número 2 da Sacrossanctum Concilium:

A liturgia, com efeito, mediante a qual, especialmente no divino sacrifício da eucaristia, "se atua a obra da nossa redenção" contribui sumamente para que os fiéis exprimam em suas vidas e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a genuína natureza da verdadeira Igreja, que tem a característica de ser ao mesmo tempo humana e divina, visível, mas dotada de realidades invisíveis, operosa na ação e devotada à contemplação, presente no mundo e, contudo peregrina; de tal modo que nela o humano é orientado e subordinado ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, a realidade presente à futura cidade para a qual estamos encaminhados. Deste modo a liturgia, enquanto edifica aqueles que estão na Igreja em templo santo no Senhor, em habitação de Deus no Espírito, até atingir a medida da plenitude de Cristo, ao mesmo tempo e de modo admirável robustece as suas forças para que preguem o Cristo; e assim aos que estão fora, ela mostra a Igreja como estandarte erguido diante das nações, sob o qual os filhos dispersos de Deus possam reunir-se na unidade, para que haja um só rebanho e um só pastor.

Esta constante tensão escatológica do reino já presente em germe na Igreja (cf. LG n. 5), mas ainda não completamente revelado (cf. 1Jo 3,2) é o que torna a Liturgia o lugar do perene jorrar do Espírito. Por isso, esta Conferência quer ser mais que uma reflexão estéril, intelectualista e intimista. Se presta a ser um despertar da nossa consciência católica para o Mistério que celebramos. De fato, como Mistério nunca o esgotaremos nem devemos ter a atrevimento de intentá-lo. Basta-nos dele participar.

Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, pois foi ela quem nos salvou[28]. Amém.

Bibliografia de apoio

AA.VV. Revista Anámnesis 1. A liturgia: momento histórico da salvação. Trad. Anacleto Alvarez. São Paulo: Paulinas, 1986. (pp. 127 – 165)

BÍBLIA DE JERUSALÉM, A. 6ª impressão. São Paulo: Paulus, 2010.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Vozes. Paulus. Paulinas. Loyola. Ave Maria, 1993.

CAVALCANTE. A Santíssima Trindade e a Igreja na liturgia. Uberlândia: A Partilha, 2008

CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium. In: Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Sacrossanctun Concilium sobre a Sagrada Liturgia. In: Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

CORBON, Jean. A fonte da Liturgia. Trad. José de Leão Cordeiro. Lisboa: Paulinas, 1999.

COSTA, V. S. Viver a ritualidade litúrgica como momento histórico da salvação. Participação litúrgica segundo a Sacrossanctum Concilium.São Paulo: Paulinas, 2005. (Col Viver a fé)

CURY, A. J. Os segredos do Pai-Nosso. Vol. 1. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

GRÜN, Anselm. Se quiser experimentar Deus. Com textos meditativos de Maria-Magdalena Robben. Trad. Carlos Almeida Pereira. Petrópolis: Vozes, 2001.

[1] Termo caro à Igreja Ortodoxa

[2] Cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 477

[3] São várias metáforas que Paulo usa para significar a Igreja. Entre elas, o Corpo como em 1Cor 12,12-14. Em Rm 12,5 aponta ele a função dos membros no Corpo. Ef 3,6 universaliza a salvação até os gentios, fazendo-os participar do único corpo (cf. Ef 4,4). Em Ef 5,23-28a alude ele à purificação do Corpo realizado por Cristo em vista da salvação deste. No Hino Cristológico de Colossenses, retoma São Paulo a imagem da Cabeça/Corpo para ressaltar a proeminência do Cristo, o Kyrios, diante do Corpo, sua Igreja. Por fim em Col 1,24 São Paulo une seu sofrimento ao de Cristo pelo bem do Corpo Místico.

[4] Aqui trataríamos do sacerdócio comum, tema de outra conferência.

[5] Cf. Paulo VI. Laudis Canticum, n.1

[6] Cf. CORBON. A fonte da liturgia, Lisboa: Paulinas, 1999, p. 46.

[7] Idem

[8] Cf. CORBON. A fonte da liturgia, Lisboa: Paulinas, 1999.

[9] O sentido de Igreja no grego é Ekklesia: Assembléia dos convocados, o mesmo que no hebraico QHL-IHWH.

[10] Cf. São Bernardo, In Canticum Sermones 27,14. Citado por: CAVALCANTE. A Santíssima Trindade e a Igreja na liturgia. Uberlândia: A Partilha, 2008 p.25

[11] Cf. CORBON. A fonte da liturgia, Lisboa: Paulinas, 1999

[12] Cf. Idem, pg. 135

[13] Cf. Ibidem, pg 136

[14] Cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 1383

[15] Cf. Ibid, pg. 147

[16] Cf. GRÜN, 2001, p.73

[17] Idem, p.78

[18] Ibidem, p. 89

[19] Cf. CURY, 2006, p. 53

[20] Cf. Idem, p. 53/4

[21] Cf. LG, nº 48

[22] CF. COSTA, V. S. Viver a ritualidade litúrgica como momento histórico da Salvação. Participação litúrgica segundo a Sacrossanctum Concilium. São Paulo: Paulinas, 2005, pg. 58.

[23] Cf. CORBON, 1999, p. 157

[24] Aludo aqui ao n. 1 da Laudis Canticum de Paulo VI, para abalizar esta fala e constatar a mesma teologia apresentada por Corbon presente na Igreja latina.

[25] Cf. CORBON, 1999, p. 38-40

[26] Cf. COSTA, 2005. Pg.59

[27] Cf. COSTA, 2005. pg.46-47

[28] Liturgia bizantina, Tropário de Vésperas de Pentecostes, retomado nas Liturgias eucarísticas após a comunhão.

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Para citar:

ALVES, Pe. Luis Fernando. A natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja. Apologistas Católicos. Disponível em:

Fonte: Apologistas Católicos