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terça-feira, 20 de março de 2012

Papa concede indulgência aos que assistirem à inauguração de primeira igreja dedicada à Missa Tridentina na Inglaterra.

Papa concede indulgência aos que assistirem à inauguração de primeira igreja dedicada à Missa Tridentina na Inglaterra.

Por A Catholic Life | Tradução: Fratres in Unum.com – O Papa Bento XVI está oferecendo uma Benção Papal com Indulgência Plenária a todos os fiéis que comparecerem à grande abertura do Santuário dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e de Santa Filomena, em New Brighton, Wirral [Inglaterra], em 24 de março.



Cônego Olivier Meney, do Instituto Cristo Rei, celebra Missa no novo Santuário.

A Missa marcará a abertura do Santuário, seguindo o fechamento da paróquia em 2008 em meio a um aumento nos custos de manutenção e reparos.

O Santuário será um lugar especial de oração e devoção aberto todos os dias para a adoração da Santíssima Eucaristia.

A igreja também servirá como um centro na Diocese de Shrewsbury para a celebração da Santa Missa e demais sacramentos na Forma Extraordinária em Latim do Rito Romno.

A Paróquia dos Santos Apóstolos e Mártires é servida pela Igreja Paroquial dos Mártires Ingleses e o Padre Philip Moor, o pároco, assistirá à Missa de abertura.
Fonte: Frates in Unum

sexta-feira, 2 de março de 2012

Porque temos que estar de pé na Missa?

Porque temos que estar de pé na Missa?

Fonte: Folheto Expressão - Paróquia Imaculada Conceição- Jacareí-SP
Autor: Rosana Martins - Pastoral Litúrgica
Digitalização: Silvia Hirota

Quando vamos à Missa, nunca estamos sozinhos. Na Igreja estão sempre outros cristãos. Uns conhecemos bem, outros mais ou menos. Mas, no entanto, pertencemos todos a mesma família - a Igreja - e temos todos a mesma fé. Mesmo que não nos conheçamos, temos todos um ponto em comum. E é por isso que estamos lá.

A participação na Missa exprime a nossa fé e de várias maneiras. Uma delas é estando de pé. Quando entra o sacerdote na Igreja, colocamo-nos de pé. Estamos a acolher, com respeito, aquele que vai presidir à celebração. Ele é, para nós, o representante de Jesus.

Sentamo-nos para escutar a Palavra de Deus, mas de novo nos levantamos para ouvir a leitura do Evangelho. O Evangelho é a Palavra mais importante que escutamos na Missa. É a Palavra de Jesus para nós. O cristão quer seguir Jesus e viver como Ele viveu. Então é preciso dar muita importância ao Evangelho. Por isso nos colocamos de pé, para escutá-Lo com atenção. Por outro lado quem está de pé está pronto para cumprir a tarefa que lhe foi pedida. Escutamos o Evangelho de pé, querendo dizer a Jesus que estamos dispostos a cumprir tudo o que Ele nos diz.

Sentamo-nos para escutar a homilía e de novo nos levantamos para proclamarmos a nossa fé (o Credo) e rezarmos por toda a humanidade. Rezamos de pé. Sentamo-nos enquanto se prepara o altar para eucaristia e se recolhem as oferendas. De novo nos levantamos para grande oração eucarística, durante a qual o sacerdote faz a consagração do pão e do vinho. Estamos de pé porque estamos em comunhão com o sacerdote que reza à Deus em nosso nome.

Também rezamos de pé o Pai Nosso. É neste momento que começa a preparação para comunhão. Rezamos esta oração que Jesus no ensinou com muita confiança em Deus Pai que é bom e sabemos que nos ama e nos escuta.

Por fim, "ficar de pé" tem um significado muito importante. O corpo fala, as atitudes e os gestos acompanham as palavras e reforçam a mensagem. A postura revela o que vivo, penso e sinto.

Rosana Martins - Pastoral Litúrgica
Fonte: Exsurge Domini

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Donzela Cristã VII - O Augusto Sacrificio da Missa



Com muita razão diz o Pe. Martinho de Cochem: “Assim como sol sobreleva em
esplendor a todos os planetas e é mais útil à terra do que todos os astros reunidos, assim
também a piedosa assistência à Santa Missa sobrepuja, em merecimentos e utilidade a
todas as nossas obras”.
Outro Padre afirma: “Se todas as criaturas do mundo fossem outras línguas, que
louvassem e exaltassem ao Criador; se tudo quanto se acha entre o céu e a terra, desde o
ser mais ínfimo até o mais elevado, apregoassem em altos sons o nome de Deus, tudo
isso agradaria ao Senhor infinitamente menos do que a Hóstia consagrada, que na Santa
Missa se levanta em sublime holocausto de adoração e amor”.
A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício cruento da Cruz, por meio do qual
Jesus Cristo nos remiu sobre o Gólgota e nos mereceu todas as graças.
Ela tem, portanto, um valor infinito e não poderás jamais apreciá-la devidamente. Sejame,
pois, lícito pedir-te com empenho que quando tiveres tempo e oportunidade,
assistas diariamente a ela, o que te será de grande proveito.


1º- Se assistires freqüentemente, com piedade, ao santo Sacrifício da Missa, pecarás
menos.

Na santa Missa, o Divino Salvador te manifesta, por assim dizer, as suas sagradas
chagas e te faz esta advertência: contempla o Meu corpo lacerado, fixa o teu olhar sobre
minhas fundas e hiantes chagas nas mãos, nos pés, e no lado; olha para a minha cabeça
coroada de espinhos; medita sobre a minha morte dolorosa da Cruz; vê, tudo isso, eu
padeci por causa dos pecados teus e de todos os homens. Pondera, ainda, quão grande
mal é o pecado aos olhos de Deus, pois, somente por meio da minha morte pode ser
expiado.
Se com tais pensamentos sobre a dolorosa Paixão do nosso Divino Salvador assistires,
freqüentemente, ao Santo Sacrifício da Missa, não se apossará necessariamente, pouco e
pouco do teu coração um grande horror, um ódio vivo ao pecado? Não andarás depois
acautelada e vigilante, a fim de te preservares dele? É o que indica a experiência de cada
dia. Demonstra, ainda que as jovens, que até nos dias úteis, freqüentam a santa Missa,
quando podem, premunem-se contra os devaneios e pecados em que a mocidade
feminina cai facilmente, porque se priva daquele santo exercício.
Na santa Missa, o Divino Salvador oferece-nos ao Eterno Pai e, mostrando-Lhe também
as suas chagas, assim Lhe fala suplicante: Meu Pai eterno, contempla as dores e as
chagas que eu sofri pelos pecadores; pela minha paixão e pela minha morte dolorosa,
compadece-te deles; concede-lhes um verdadeiro arrependimento dos seus pecados e
desperta neles a firme resolução de evitá-los no futuro. Esta súplica do Divino Salvador
não ficará sem efeito, conservará e avirará, no teu coração, o ódio ao pecado, se
assistires ao santo Sacrifício com profunda fé e piedade; dar-te-á força e graça para
opores uma decidida resistência ao pecado e às tentações. Assim te tornarás, quanto
possível, incapaz de pecar.



2º- Se assistires, freqüentemente e com piedade ao Santo Sacrifício da Missa, farás
grande progresso na escola de virtudes de Jesus Cristo.

Ele aqui te ensina à humildade, porquanto, sobre o altar, oculta toda a grandeza da sua
humanidade. Toda a sua imensidade se acha encoberta pela diminuta e vulgar forma de
pão. Cada vela que arde sobre o altar, cada flor que ali exala o seu perfume, tem mais
aparência externa do que o Rei da glória na figura do pão. Parece que do altar está a
dizer-te: aprende de mim, que sou humilde; desce da tua imaginária e presunçosa altura
e sê humilde e modesta, diante de Deus e dos homens.
O Divino Salvador te ensina aqui à obediência. Ele, que é o Filho eterno do Pai vivo,
obedece ao sacerdote e à voz deste aparece na hóstia, não antes, nem depois de o padre
proferir a sua palavra. Quer seja o padre jovem, ou ancião respeitável; quer tenha a seu
cargo uma pequena e longínqua paróquia, sua dignidade, constitua o ornamento da
Sagrada Hierarquia Eclesiástica – Jesus Cristo não considera nada disso: tão depressa
com a mesma boa vontade Ele obedece a um como a outro.
O Divino Salvador te ensina aqui à paciência. Quantos motivos não teria para se
ausentar dos nossos altares, desgostoso e agastado por causa do tratamento, que há vinte
séculos, aqui recebe de muitos cristãos, ingratos e indiferentes; pelos muitos
impropérios que se lançam sobre o seu Sacramento e seu Sacrifício; por motivo das
inumeráveis irreverências que se cometem até mesmo diante do altar!
E, no entanto, tudo isso Ele suporta calado; retorna cada dia aos nossos altares e se
sacrifica, sempre novamente, com idêntico amor por nós a seu Pai Celeste! Que
magnífico exemplo de paciência e de amor levado ao sacrifício por ti e por nós todos!
Se para tudo isso voltares teu pensamento, não sofrerás também por amor de teu
Salvador, facilmente e com paciência, muitos incômodos e amarguras? Não irá
penetrando também aos poucos na tua vida certo espírito de sacrifício?
Mais algumas palavras, apenas, quero dizer sobre aquela virtude que deve ser o
ornamento principal da tua juventude, isto é, a pureza de coração.
Jesus, que se sacrifica por nós na santa Missa, é o Filho infinitamente puro, do Pai
Eterno e o fruto imaculado da sua santa e Virgem Mãe. Desce das alturas celestes e se
oculta na pura e alva figura do pão. Não é verdade que ali está com “a flor do campo” e
como “o lírio dos vales” (Cant. 2,1) que exala o perfume da sua pureza do altar ao céu?
Não infundirá Ele, também, em teu coração pensamentos puros e celestiais? Não te
aparelhará, com forças sobrenaturais, para o combate contra os perigos que ameaçam a
tua inocência? Assim também tu, se com reta disposição, fé viva e filial piedade,
assistires freqüentemente à santa Missa, lucrarás muitíssimo para a tua vida espiritual,
transcorrerás, mais facilmente a mocidade, ornada de virtudes.
3º- Se assistires freqüentemente e com piedade ao Santo Sacrifício da Missa, a paz e a
alegria entrarão em tua alma.
Na santa Missa sacrifica-se o Divino Salvador que, já por ocasião do Seu nascimento,
fez anunciar a paz ao mundo: “Paz na terra aos homens de boa vontade”. Jesus, antes de
tudo, infunde em nossos corações aquelas virtudes sem as quais a paz é de todo
impossível: humildade, paciência, mansidão e o amor ao próximo. Aqui, na santa Missa temos a renovação incruenta do sublime sacrifício da Cruz, que trouxe de novo a paz ao
mundo – paz com Deus e com a própria alma.
Por meio deste Sacrifício e de sua renovação, quer o Senhor alcançar-nos a paz. Eis
porque a santa Igreja também suplica durante a santa Missa: “Cordeiro de Deus, que
tirais os pecados do mundo, concedei-nos a paz!” O Deus da paz perene, o Príncipe da
paz, que na santa Missa Se sacrifica pela nossa paz, conceder-te-á tranqüilidade,
confiança e alegria do Espírito Santo, se assistires freqüentemente com piedade a este
Sacrifício.
O célebre Adolfo Kolping, fundador das associações de operários, que conhecia sua
nação e sua gente como talvez nenhum outro, conta-nos de uma valorosa viúva de
Colônia, que perdera muito cedo o marido, com quem vivia num feliz matrimônio. Viase
obrigada a trabalhar a rijo e com grande sacrifício desde o despontar do dia até muito
tarde, a fim de poder sustentar, honestamente a si e a seus quatro filhos. Cada dia trazia
novos cuidados e novas dificuldades.
Não obstante, aquela senhora, àsperamente visitada pelos infortúnios, mostrava-se
sempre infatigável, sempre feliz, sempre alegre. Com prazer e boa vontade executava
por amor de Deus os seus penosos trabalhos cotidianos, educava na virtude os queridos
filhos, nos quais encontrava grande alegria e muita consolação. Onde estava, então, a
fonte de paz e alegria dessa viúva admirável? Cada manhã assistia a primeira Missa, que
na sua igreja paroquial era celebrada todos os dias, bem cedo. Oferecia ao Divino
Salvador todas as contrariedades e privações do dia, suplicava-Lhe em ardentes preces a
graça de cumprir alegre e fielmente os deveres do seu estado. Sua oração era atendida.
Na sua vida de sacrifício sentia-se mais contente e mais feliz do que muitas senhoras
que vivem na abundância, mas por sua indiferença religiosa nunca assistem à Missa, em
dias úteis, embora o possam fazer com muita facilidade.
Como a freqüente assistência à santa Missa te é tão salutar, faz por assistir a ela
diariamente, se tiveres tempo e ocasião. Bem sei que muitas jovens, apesar de sua boa
vontade, não se acham em condições de fazê-lo. Outras residem muito longe da igreja,
ou precisam partir para o seu emprego, de manhã, bem cedo. Devem estas contentar-se
de cumprir tranqüilamente as obrigações do próprio estado e, no domingo, assistir com
devoção à santa Missa. Se o fizessem também nos dias úteis, com sacrifício das suas
obrigações, seria injustiça e pecado. Mas se puderes, sem descurar os teus deveres,
assiste à santa Missa todas as manhãs, ou pelo menos algumas vezes durante a semana.
Conserva, quanto possível, o recolhimento e a piedade no decorrer deste santo ato; na
parte principal da Missa, procura reanimar a tua piedade.
Durante o santo Sacrifício, oferece-te a Deus com todas as tuas contrariedades e
trabalhos, com os teus desejos e cuidados. No momento da elevação da Hóstia, desperta
em ti uma fé viva na presença real de Jesus Cristo sobre o altar, faze-Lhe profunda
reverência e adora-O, com humildade e grande respeito.
No momento em que o celebrante comunga, se não puderes fazer tua Comunhão
sacramental, esforçar-te por fazê-la ao menos de maneira espiritual; desperta, em ti, um
grande desejo da Comunhão, oferece a Jesus o teu amor e entrega-lhe com grande
confiança os teus parentes e amigos; ora também pelos teus pais e irmãos e pelos
grandes interesses e necessidades da nossa Santa Igreja.
Fonte: Donzela Cristã

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Missa do Padre Pio

Missa do Padre Pio


São Pio de Pietrelcina
Em 1974, foi publicada uma obra em italiano, intitulada “Assim falou Padre Pio” (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália) com o Imprimatur de Dom Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza. No presente trabalho, extraímos alguns trechos em que Padre Pio falava da Santa Missa: Padre, o Sr. ama o Sacrifício da Missa?
Sim, porque Ela regenera o mundo.

Que glória dá a Deus a Missa?
Uma glória infinita.

Que devemos fazer durante a Missa?
Compadecer-nos e amar.

Padre, como devemos assistir à Santa Missa?
Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.

Padre, que benefícios recebemos ao assistir à Santa Missa?
Não se podem contar. Vê-lo-ás no céu. Quando assistires à Santa Missa, renova a tua fé e medita na Vítima que se imola por ti à Divina Justiça. Não te afastes do altar sem derramar lágrimas de dor e de amor à Jesus, Crucificado por tua salvação. A Virgem Dolorosa te acompanhará e será tua doce inspiração.

Padre, que é sua Missa?
Uma união sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo. (Dizia chorando)

Que devo descobrir na sua Santa Missa?
Todo o Calvário.

Padre, diga-me tudo o que o senhor sofre durante a Santa Missa.
Sofro tudo o que Jesus sofreu na sua Paixão, embora sem proporção, só enquanto pode fazê-lo uma criatura humana. E isto, apesar de cada uma de minhas faltas e só por sua bondade.

Padre, durante o Sacrifício divino, o senhor carrega os nossos pecados?
Não posso deixar de fazê-lo, já que é uma parte do Santo Sacrifício.

O senhor considera a si mesmo como um pecador?
Não o sei, porém temo que assim seja.

Eu já vi o senhor tremer ao subir aos degraus do altar. Por quê? Pelo que tens de sofrer?
Não pelo que tenho de sofrer, mas pelo que tenho de oferecer.

Em que momento da Missa o senhor sofre mais?
Na Consagração e na Comunhão.

Padre, esta manhã na Missa, ao ler a história de Esaú, que vendeu os direitos de sua primogenitura, seus olhos se encheram de lágrimas.
Parece-te pouco desprezar o dom de Deus!?

Por que, ao ler o Evangelho, o senhor chorou quando leu estas palavras: “Quem come minha carne e bebe o meu sangue...”
Chora comigo de ternura!

Padre, por que o senhor chora quase sempre que lê o Evangelho na Missa?
A nós nos parece que não tem importância que um Deus fale às suas criaturas e elas O contradigam e continuamente O ofendam com sua ingratidão e incredulidade.

Sua Missa, Padre, é um sacrifício cruento?
Hereje!

Perdão, Padre, quis dizer que na Missa o Sacrifício de Jesus não é cruento, mas a sua participação em toda a Paixão o é. Engano-me?
Não, nisso não te enganas. Creio que tens toda a razão.

Quem lhe limpa o sangue durante a Missa?
Ninguém.

Padre, por que o senhor chora no Ofertório?
Queres saber o segredo? Pois bem: porque é o momento em que a alma se separa das coisas profanas.

Durante sua Missa, Padre, o povo faz um pouco de barulho...
Se estivesses no Calvário, não escutarias gritos, blasfêmias, ruídos, e ameaças? Havia um alvoroço enorme.

Não o distraem os ruídos?
Em nada.

Padre, por quê sofre tanto na Consagração?
Não sejas maldoso... (Não quero que me perguntes isso...)

Padre, diga-me: por quê sofre tanto na Consagração?
Porque nesse momento se produz realmente uma nova e admirável destruição e criação.

Padre, por quê chora no altar e que significam as palavras que pronuncia na Elevação? Pergunto por curiosidade, mas também porque quero repeti-las com o senhor.
Os segredos do Rei Supremo não podem revelar-se nem profaná-los. Pergunta-mês por que choro, mas eu não queria derramar essas pobres lagrimazinhas, mas torrentes de lágrimas. Não meditas neste grandioso mistério?

Padre, o senhor sofre, durante a Missa, a amargura do fel?
Sim, muito freqüentemente...

Padre, como pode estar-se de pé no Altar?
Como estava Jesus na Cruz.

No altar, o senhor está cravado na Cruz, como Jesus no Calvário?
E ainda me perguntas?

Como se acha o senhor?
Como Jesus no Calvário.

Padre, os carrascos deitaram a Cruz no chão para pregarem os cravos em Jesus?
Evidentemente.

Ao senhor também lhos pregam?
E de que maneira!

Também deitam a Cruz para o senhor?
Sim, mas não devemos ter medo.

Padre, durante a Missa, o senhor pronuncia as Sete Palavras que Jesus disse na Cruz?
Sim, indignamente, mas também as pronuncio.

E a quem diz: “Mulher, eis aí teu filho”?
Digo para Ela: “Eis aqui os filhos de Teu Filho”.

O senhor sofre a sede e o abandono de Jesus?
Sim.

Em que momento?
Depois da Consagração.

Até que momento?
Costuma ser até a Comunhão.

O senhor diz que tem vergonha de dizer: “Procurei quem me consolasse e não achei”. Por quê?
Porque nossos sofrimentos de verdadeiros culpados, não são nada em comparação com os de Jesus.

Diante de quem sente vergonha?
Diante de Deus e da minha consciência.

Os Anjos do Senhor o reconfortam no Altar em que o senhor se imola?
Pois... não o sinto.

Se não lhe vem o consolo até a alma durante o Santo Sacrifício, e o senhor sofre, como Jesus, o abandono total, nossa presença não serve para nada.
A utilidade é para vós. Por acaso foi inútil a presença da Virgem Dolorosa, de São João e das piedosas mulheres aos pés de Jesus agonizante?

Que é a Sagrada Comunhão?
É toda uma misericórdia interior e exterior, todo um abraço. Pede a Jesus que se deixe sentir sensivelmente.

Quando Jesus vem, visita somente a alma?
O ser inteiro.

Que faz Jesus na Comunhão?
Deleita-se na sua criatura.

Quando se une a Jesus na Santa Comunhão, que quer peçamos a Deus pelo senhor?
Que eu seja outro Jesus, todo Jesus e sempre Jesus.

O senhor sofre também na Comunhão?
É o ponto culminante.

Depois da Comunhão, continuam seus sofrimentos?
Sim, mas não sofrimentos de amor.

A quem se dirigiu o último olhar de Jesus agonizante?
À sua Mãe.

E o senhor, para quem olha?
Para meus irmãos de exílio.

O senhor morre na Santa Missa?
Misticamente, na Sagrada Comunhão.

É por excesso de amor ou de dor?
Por ambas as coisas, porém mais por amor.

Se o senhor morre na Comunhão, continua a ficar no Altar? Por quê?
Jesus morto permanecia pendente da Cruz no Calvário.

Padre, o senhor disse que a vítima morre na Comunhão. Colocam o senhor nos braços de Nossa Senhora?
Nos de São Francisco.

Padre, Jesus desprega os braços da Cruz para descansar no Senhor?
Sou eu quem descansa nEle!

Quanto ama a Jesus?
Meu desejo é infinito, mas a verdade é que, infelizmente, tenho que dizer nada e me causa pena.

Padre, por que o senhor chora ao pronunciar a última palavra do Evangelho de São João: “E vimos sua glória como do Unigênito Pai, cheio de graça e de verdade”?
Parece-te pouco? Se os Apóstolos, com seus olhos de carne, viram essa glória, como será a que veremos no Filho de Deus, em Jesus, quando se manifestar no céu?

Que união teremos então com Jesus?
A Eucaristia nos dá uma idéia.

A Santíssima Virgem assiste à sua Missa?
Julgas que a Mamãe não se interessa por seu Filho?

E os Anjos? Em multidões.

Padre, quem está mais perto do Altar?
Todo o Paraíso.

O senhor gostaria de celebrar mais de uma Missa por dia?
Se eu pudesse não queria descer do Altar.
Disseram-me que o senhor traz consigo o seu próprio Altar...
Sim, porque se realizam estas palavras do Apóstolo: “Eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus.” “Estou cravado com Cristo na Cruz.”
“Castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão...”

Nesse caso, não me engano quando digo que estou vendo Jesus Crucificado!
(Nenhuma resposta)

Padre, o senhor se lembra de mim na Santa Missa?
Durante toda a Missa, desde o princípio até o fim, lembro-me de ti.

A Missa do Padre Pio, em seus primeiros anos, durava mais de duas horas. Sempre foi um êxtase de amor e de dor. Se rosto estava inteiramente concentrado em Deus e cheio de lágrimas. Um dia, ao confessar-me, perguntei-lhe sobre este grande mistério:

Padre, quero fazer-lhe uma pergunta.
Dize-me filho.

Padre, queria perguntar-lhe que é a Missa?
Por quê me perguntas isto?

Para ouvi-la melhor, Padre.
Filho, posso dizer-te que é Minha Missa.

Pois, é isso que quero saber, Padre.
Meu filho, estamos na Cruz e a Missa é uma contínua agonia.
Autor: São Pio de Pieltrecina
Fonte: Dicionário da Fé

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A Missa e seu significado

A Missa e seu significado



“Pegando o cálice, deu graças e disse: 'Tomai este cálice e distribuí-o entre vós (...) Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim'. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: "Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós...".

(Lc 22, 17-20)

Nessa ocasião Jesus celebrou a primeira missa. É importante notar que o Senhor pede que o cálice seja distribuído entre todos; é a partilha, a comunhão entre os presentes. Depois, Jesus diz “isto é”. Ele não disse isto representa ou significa, mas disse bem claramente “é”. Neste momento, no mundo inteiro é celebrada uma missa onde o pão é transformado no Corpo de Cristo e o vinho transformado em Seu Sangue, pelo poder do Espírito Santo.

O grande milagre

A Missa é a maior, a mais completa e a mais poderosa oração da qual dispõe o católico.

Entretanto, se não conhecemos o seu valor e significado e repetimos as orações de maneira mecânica, não usufruiremos os imensos benefícios que a missa traz.

Lembremo-nos, antes de qualquer coisa, de que somos convidados especiais. Jesus convida a cada um de nós em particular para esta festa. Preparemo-nos, portanto, de um modo muito mais cuidadoso do que para qualquer outra festa, porque nesse caso o anfitrião é Deus em pessoa.

Ao entrar na Igreja, saibamos dar valor à graça de Deus que nos trouxe ao momento presente, abrindo nosso coração na certeza de que Deus nos ama. Ao entrar, é também importante persignar-se com água benta, pois essa é uma maneira de recordarmos o nosso Batismo e invocar a proteção e a bênção do Senhor.

A Missa é para todos, mas a maneira de cada um participar pode ser diferente. Depende da fé que as pessoas têm. Existe quem vem à Missa para fazer pedidos a Deus, outros apenas para cumprir uma obrigação e outros com alegria e fé, para louvar e bendizer a Deus. E você porque veio à Missa? (pausa)

Reflitamos um pouco mais sobre a forma de como cada um participa da Missa lendo a seguinte história:

Numa certa cidade, uma bela catedral estava sendo construída. Ela era inteiramente feita de pedras, e centenas de operários moviam-se por todos os lados para levantá-la. Um dia, um visitante ilustre passou para visitar a grande construção. O visitante observou como aqueles trabalhadores passavam, um após o outro, carregando pesadas pedras, e resolveu entrevistar três deles. A pergunta foi a mesma para todos.

- O que você está fazendo?

- Carregando pedras, disse o primeiro.
- Defendendo meu pão, respondeu o segundo.

Mas o terceiro respondeu:

- Estou construindo uma catedral, onde muitos louvarão a Deus, e onde meus filhos aprenderão o caminho do céu.

Essa história relata que apesar de todos estarem realizando a mesma tarefa, porém a maneira de cada um realizar é diferente. Assim igualmente acontece com a Missa. Ela é a mesma para todos, contudo a maneira de participar é diferente, dependendo da fé e do interesse de cada um:

- Existem os que vão para cumprir um preceito;

- Há os que vão à Missa para fazer seus pedidos e orações;

- E há aqueles que vão à Missa para louvar a Deus em comunhão com seus irmãos.

MAS PORQUE IR À IGREJA?

O individualismo não tem lugar no Evangelho, pois a Palavra de Deus nos ensina a viver fraternalmente. O próprio céu é visto como uma multidão em festa e não como indivíduos isolados. A Igreja é o povo de Deus. Com ela Jesus fez a Nova e Eterna Aliança no seu Sangue. A palavra Igreja significa Assembléia. É um povo reunido na fé, no amor e na esperança pelo chamado de Jesus Cristo.

A Missa foi sempre o centro da comunidade e o sinal da unidade, pois é celebrada por aqueles que receberam o mesmo batismo, vivem a mesma fé e se alimentam do mesmo Pão. Todos os fiéis formam um só "corpo". São Paulo disse aos cristãos: "Agora não há mais judeus nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem, nem mulher. Pois todos vós sois UM SÓ em Cristo Jesus" (Gl 3,28).

Fonte: Catequisar

Sobre o mistério da Santa Missa

Sobre o mistério da Santa Missa
Por: Pe. Elílio de Faria Matos Júnior
Vigário Paroquial da Paróquia Bom Pastor
Juiz de Fora, MG
Visite o Blog do Padre Elílio: http://padreelilio.blogspot.com


Muitos católicos ainda não suficientemente conscientes de sua fé pensam que a Santa Missa é apenas um encontro entre irmãos para uma oração comunitária. Não, a Missa, sem deixar de ser um encontro entre irmãos, é muito mais do que uma reunião fraterna. Na verdade, a Santa Missa condensa e torna atual toda a obra da Redenção. Pela Missa, é Deus que, antes de tudo, vem ao nosso encontro; e só porque Ele vem até nós, nós podemos ir até Ele. Vamos ao Pai por Jesus Cristo na força do Santo Espírito.

Na Oração sobre as oferendas da Missa da Ceia do Senhor – Missa in Coena Domini - , o sacerdote pronuncia estas palavras: “Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar dignamente da Eucaristia, pois todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória de Vosso Filho, torna-se presente a obra de nossa Redenção. Por NSJC”. Uma meditação sobre a riqueza dessa oração seria capaz de dar-nos uma visão adequada do mistério da Santa Missa.

A oração primeiramente pede que sejamos dignos de participar da Eucaristia. Com efeito, por ser um dom tão elevado, a Eucaristia nos faz tremer. Somos frágeis e pecadores. Deus é forte e santo. O profeta Isaías experimentou o contraste entre a santidade de Deus e a nossa miséria: “Ai de mim, estou perdido! Sou um homem de lábios impuros, vivo entre um povo de lábios impuros, e, no entanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos” (Is 6,5). A oração é atendida, pois Deus toca os seus lábios impuros e os purifica: “Agora que isto tocou os teus lábios tua culpa está sendo tirada, teu pecado, perdoado” (Is 6, 7). Semelhantemente, tornamo-nos aptos a tão elevado dom em virtude da misericórdia de Deus. O mesmo Senhor que purificou os lábios de Isaías purifica, em Cristo, o nosso coração.

Depois a oração explica em que consiste a grandeza da Eucaristia. É que todas as vezes que a celebramos, a obra da nossa Redenção torna-se presente. Como entender isso? Deus nos tirou das trevas e do pecado por meio de Jesus Cristo, que é a Luz do mundo e o Cordeiro de Deus que dissolve o pecado. Toda a vida de Jesus, na Palestina, foi um contínuo ato de obediência à vontade do Pai. A sua obediência, que encontrou máxima expressão na morte de cruz, é capaz de desfazer a nossa desobediência. A sua vida é capaz de enriquecer e transformar a nossa vida. A sua morte e ressurreição mudaram para sempre o sentido da nossa vida e da nossa morte. Em Cristo, tornamo-nos eternos. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Ora, tudo isso é a obra da Redenção realizada por Jesus. Mas como entrar em contato com essa obra? Como apropriar-se da Redenção? O grande meio deixado por Jesus, ao lado da escuta da Palavra de Deus e do serviço da caridade, são os sacramentos da Igreja, entre os quais sobressai a Eucaristia. Na Eucaristia, o mistério de Cristo torna-se realmente presente sob o véu dos sinais sacramentais. A “memória de Vosso Filho” mencionada na oração acima não é a simples recordação (nuda commemoratio), mas é memória em sentido ativo, isto é, uma memória que traz o acontecimento passado – a obra realizada por Jesus na Palestina – para o presente da nossa história. Ora, se o mistério de Cristo está presente, a nossa Redenção, cujo autor é o próprio Cristo, também se faz presente, e, assim, nós podemos beber na fonte da graça. A Santa Missa torna presente no hoje de nossa história a obra redentora do Senhor Jesus.

Uma pergunta que poderia ficar: Por que a oração que estamos meditando chama a Eucaristia de sacrifício ao dizer “todas as vezes que celebramos esse sacrifício”? Para entendê-lo é preciso reconhecer que a vida e a obra de Jesus foi um sacrifício. Sim, a obediência de Jesus e todas as suas atitudes, de modo especial a doação na cruz, foram um sacrifício – uma oferta, uma ação sagrada – agradável aos olhos do Pai. Ora, a Missa, ao tornar presente o mistério de Cristo que se doou até a cruz, é um verdadeiro sacrifício. A Missa não repete o sacrifício de Cristo, mas o torna presente. Na verdade, pela Missa, Cristo une a Igreja, que é seu Corpo Místico, ao seu único sacrifício. Nesse sentido, o Papa João Paulo II afirmou: “Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes” (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 11).

Caro leitor, poderíamos ainda dizer muitas coisas sobre as inesgotáveis riquezas da Missa. Fiquemmos, por enquanto, por aqui. Lembramos que, antes de tudo, a Missa é um mistério de fé, e é a fé consciente e madura que nos deve levar a amar a Missa e fazer dela o grande meio de união com Deus e com os irmãos.

Fonte: Catequisar

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Igreja Católica copiou a Eucaristia do Mitraísmo?

A Igreja Católica copiou a Eucaristia do Mitraísmo?

Quarta, 16 Novembro 2011 16:22
Guilherme Welte

Do falacioso site “Got Questions”.

Uma das principais características do Mitraísmo era a refeição sacrificial, que envolvia comer a carne e beber o sangue de um touro. Mitras, o deus do Mitraismo, estava “presente” na carne e no sangue do touro, e quando consumido, concedia salvação àqueles que tomavam parte da refeição sacrificial (teofagia, comer o próprio deus). (...) Constantino e seus sucessores encontraram um substituto fácil para a refeição sacrificial do Mitraísmo no conceito da Ceia do Senhor/Comunhão Cristã. Infelizmente, alguns cristãos primitivos já haviam ligado o misticismo à Ceia do Senhor, rejeitando o conceito bíblico de uma simples e adorativa rememoração da morte e sangue derramado de Cristo. A romanização da Ceia do Senhor completou a transição para a consumação sacrificial de Jesus Cristo, agora conhecida como a Missa Católica/Eucaristia.

Há uma mentira grotesca no texto quando diz que se comia a carne e se bebia o sangue do touro. Na verdade Justino Mártir, falando sobre a eucaristia, nos relata que os mitras usavam água e pão nas suas celebrações: ... que os demônios perversos imitaram nos mistérios de Mitra, ordenando a mesma coisa para ser feita. Por que um pão e um copo de água são colocados com encantamentos certos nos ritos místicos de quem está sendo iniciado, que você ora conhece ou pode aprender [1].

Hoje se supõe por alguns achados arqueológicos que poderia haver o uso do vinho, mas isso não era relatado pelos primeiros cristãos. Por tanto é extremamente forçado dizer que bebia sangue e comia carne de um touro. Além disso, dizer que Mitra estava presente na carne e no sangue é um absurdo. Não há nenhuma prova relatada sobre isso, muito menos que isso concedia a salvação para aqueles que o praticavam. Os seguidores dessa religião não escreviam textos sagrados nem tão pouco deixaram escritos onde relatavam as suas práticas. As únicas coisas que restaram foram pinturas e esculturas de Mitra nos locais onde eram praticados os cultos. Dizer sobre presença real e salvação é forçar de mais a calúnia contra a Igreja Católica. Esses argumentos costumam ser usados por ateus e céticos, que afirmam que o cristianismo surgiu do paganismo. Ver um suposto "cristão" distorcer algo que já é uma mentira para usar de acordo com suas convicções é realmente lamentável.

O Mitraísmo também possuía sete “sacramentos”, o que faz com que as semelhanças entre o Mitraísmo e o Catolicismo Romano sejam tão numerosas que não as podemos ignorar.

Outra enorme mentira. Eles não possuíam sacramentos mas sim níveis de iniciação, que estavam provavelmente relacionados com a Lua, Mercúrio, Vénus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Os nívels foram listados por São Jerônimo[2] e são esses: Corax (corvo), Cryphius (oculto), Miles (soldado), Leo (leão), Perses (persa), Heliodromus (emissário solar) e Pater (pai). Esses níveis em nada são sacramentos, mas sim posições dentro da religião. Por exemplo, Leo oferecia a Mitra as oferendas, Chryphius seria como esposo e Miles usava como insígnias a coroa e uma espada. Muitos não passavam no nível de Leo. Eram apenas cargos dentro da religião e não sacramentos. Quem escreveu isso não deve saber nem o que é sacramento. Sobre o nível de Miles, por exemplo, Tertuliano nos conta que candidato era batizado, recebia alguma marca e colocava uma coroa na sua cabeça, proclamando que Mitra era a sua coroa. Posteriormente os iniciados assistiam a uma morte ritual e simulada, cujo celebrante era um Pater [3][4]. Com isso ele se tornava um Miles, um soldado de Mitra. Em nada isso tem a ver com sacramentos.

***

Como sempre mentiras e mais mentiras contra a Santa Igreja. Sabemos o que a bíblia nos diz sobre os mentirosos: Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. (Jo 8:44)

In Corde Jesu, semper,

Guilherme Welte.

Notas:

[1] – St. Justin Martyr, The First Apology, chapter 66. De Ante-Nicene Fathers, Vol. 1. Editado por Alexander Roberts, James Donaldson e A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revisado e editado para New Advent por Kevin Knight. Disponível em:

[2] - Jerome, Letters 107(To Laeta), chapter 2. De Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, Vol. 6. Editado by Philip Schaff e Henry Wace. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1893.) Revisado e editado para New Advent por Kevin Knight. Disponível em:

[3] - Tertullian, The Chaplet, chapter 15. De Ante-Nicene Fathers, Vol. 3. Editado por Alexander Roberts, James Donaldson e A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revisado e editado for New Advent by Kevin Knight. Disponível em:

[4] – Tertullian, Prescription against Heretics, chapter 40. De Ante-Nicene Fathers, Vol. 3. Editado por Alexander Roberts, James Donaldson e A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Disponível:

Fonte: Apologistas Católicos

A natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja

A natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja.


Sexta, 09 Dezembro 2011 16:27
Pe. Luis Fernando



1. A fonte da Liturgia

Vou começar meu artigo fazendo uma afirmação determinante para a compreensão da Liturgia da Igreja, embasada no Catecismo da Igreja Católica que por sua vez deriva da compreensão alicerçada na Sacrossanctum Concilium, especialmente nos números 5 ao 13. Dos números 1077 ao 1112, o Catecismo explica a Liturgia como o Louvor ao Pai pelo Filho no Espírito Santo. Ela é operada pelo Espírito Santo que prepara a Igreja para o encontro com Cristo que desde o seu corpo Místico dispensa o Mistério da Salvação pelo poder e ação do Espírito neste mesmo Corpo. Ao mesmo tempo o Pai é adorado e glorificado pelo Filho no Espírito e o Filho com o Espírito são conglorificados[1] com o Pai pela Igreja.

Lanço agora uma segunda premissa. A Liturgia da Igreja é toda a Liturgia, ou seja, toda a ação sagrada em favor do povo de Deus e não somente a Santa Missa. De fato, a Liturgia da Igreja é “o cume para o qual se dirige a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte donde emana toda a sua força” (SC, n. 10). Neste aspecto falamos de toda a Liturgia da Igreja: A celebração da Santa Missa, dos demais Sacramentos, dos Sacramentais, da Liturgia da Horas, da Celebração da Palavra, da Adoração Eucarística fora da Missa, etc.

Tendo feito estas duas brevíssimas distinções quero partir para o tema central: a natureza da Liturgia. Digo de antemão que sua natureza é Sagrada por força da Revelação, que logo veremos. De fato, Deus quis revelar-se ao homem, quis dar-se a conhecer, como nos ensina o Concílio Vaticano II na Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina “Dei Verbum” n. 2:

Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1,9), mediante o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso no Espírito Santo ao Pai e se tornam participantes da natureza divina (cf. Ef 2,18; 2Pd 1,4).

Como um modo especialíssimo de participação na vida divina, dispôs Deus a Divina Liturgia divinamente relevada para a Igreja. No Evangelho de João, Jesus encontra-se com a samaritana no poço de Jacó e ali lhe diz: “Acredita-me, mulher, vem a hora em que nem nesta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai [...]. Mas vem a hora – e é agora – em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura” (cf. Jo 4,21-23). O verdadeiro culto que agrada a Deus é o culto em espírito e verdade realizado no único Templo igualmente verdadeiro, isto é, realizado no Corpo Místico de Cristo que é a Igreja (cf. Ef 4,1.4). Aqui vale abrir um parêntese sobre o Corpo de Cristo. Há três modos de distinguir o Corpo de Cristo: O corpo físico de Jesus de Nazaré que nasceu em Belém, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria (cf. Lc 1,35). Nele, “Deus que por natureza é invisível se fez visível aos nossos olhos”[2]. Um segundo modo de distinguir o Corpo do Senhor é a Santíssima Eucaristia. De fato, o Catecismo afirma no nº 1376 que as espécies do pão e do vinho são transubstanciadas no Corpo e no Sangue do Senhor pelo rito da consagração na Santa Missa. Tal doutrina se depreende do Evangelho de São João no qual Jesus afirma: “Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” (cf. Jo 6,48-53). Um terceiro modo de distinguir o Corpo de Cristo é a Igreja. Presente desde os escritos de São Paulo[3] e fortemente reforçada pela Mystici Corporis de Pio XII, a compreensão da Igreja como o Corpo de Cristo ocupa toda a eclesiologia do Catecismo da Igreja Católica. Este terceiro modo de compreender o Corpo de Cristo é crucial para entendermos a eclesiologia da qual deriva a Liturgia do Concílio Vaticano II. Não vou me delongar neste aspecto da Liturgia, haja vista que acontecerá outra Conferência focada neste tema. Hoje vamos percorrer juntos alguns textos litúrgicos no Apocalipse, bebendo da fonte da Liturgia que é o próprio Deus-Trindade. Usarei uma abordagem bíblica. O Apocalipse descreve em vários capítulos o que parece ser um solene, belo e perene culto a Deus. A esta liturgia chamamos céu ou paraíso.

Vejamos o capítulo 4. Ali há um trono e neste, alguém sentado. Ao seu redor estão dispostos 24 tronos os quais são ocupados por 24 Anciãos e com coroas de ouro na cabeça. Também existem quatro Seres vivos entre o trono e os vinte e quatro Anciãos. Diante do trono está O Único que permanece de pé, um Cordeiro como que imolado.

Os quatro Seres vivos dia e noite, sem parar, proclamam:

“Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus todo-poderoso, Aquele que era, Aquele que é e aquele que vem”.

E a cada vez que os Seres vivos dão glória, honra e ação de graças àquele que está sentado no trono e que vive pelos séculos, os vinte e quatro Anciãos se prostram diante daquele que está sentado o trono para adorarem aquele que vive pelos séculos dos séculos, depondo suas coroas diante do trono e proclamando:

“Digno és tu, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, pois tu criaste todas as coisas; por tua vontade elas não existiam e foram criadas” (cf. Ap 4,8-11)

No Trono está a plenitude da divindade, o próprio Deus. Impossível de ser descrito, pode apenas ser louvado e adorado. Ao redor de seu trono estão os 12 apóstolos e os 12 patriarcas das tribos de Israel, a totalidade da antiga e da nova aliança, sentados em tronos para julgar as nações (cf. Mt 19,28). Os quatro Seres vivos adoram a Deus. Quatro é um número cósmico: sinal dos pontos cardeais, dos ventos, dos “cantos” da terra, etc. Suas formas de leão, novilho, homem e águia representam o que há de mais ágil, belo, sublime e forte na criação.

O Cordeiro de pé é Cristo, imolado para a salvação do povo eleito (cf. Jo 1,29). Ele traz as marcas do seu suplício, mas está de pé, triunfante, vencedor da morte. “O Messias, Leão para vencer, tornou-se Cordeiro para sofrer” (Vittorino de Pettau).

Junto do Cordeiro imolado estão os eleitos, “uma grande multidão de pé diante do trono e do Cordeiro, trajados com vestes brancas e com palmas na mão” em sinal de vitória (Cf. Ap 7,9). Além dos eleitos, circunda o trono uma grande multidão de anjos que proclamam em alta voz:

Digno és tu de receber o livro e de abrir seus selos, pois foste imolado e, por teu sangue, resgataste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. Deles fizeste, para nosso Deus, uma realeza e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra (Cf. Ap 5,7-10).[4]

Além do estilo apocalíptico, a beleza que aqui encontramos está no fato expresso por essa solene liturgia da Igreja triunfante à qual se une todo o cosmo e toda a Igreja militante (Cf. Ap 5,13). Na verdade, o tempo cronológico é absorvido na adoração a Deus e todo o cosmo de funde numa coisa só no eterno louvor ao Deus Uno e Trino.

Esta beleza celeste nós já experimentamos aqui no exílio enquanto caminhamos pressurosos para a terra prometida:

O cântico de louvor, que ressoa eternamente nas moradas celestes, e que Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, introduziu nesta terra de exílio, foi sempre repetido pela Igreja, durante tantos séculos, constante e fielmente, na maravilhosa variedade das suas formas[5].

É o mesmo Cântico Novo cantado diante do trono e do Cordeiro que nós, os santos da Igreja, não nos cansamos de proclamar e entoar. Tornamo-nos homens novos (Ef 4,22-24) por meio deste belo Cântico Novo que renova nosso espírito e nossa mentalidade. A beleza dos ritos, dos tempos litúrgicos, de cada celebração expressa o nosso desejo de coabitar com a Trindade Santa. A nobreza e simplicidade com que os fazemos resplandecem que “a liturgia é a celebração da alegria do Pai” [6] perante o regresso do Filho muito amado que saiu e veio ao nosso encontro (Hb 2,13). Alegria inefável do Pai que tomou forma no Filho. “Sim, a alegria da fonte pode explodir, jorrar e cantar como outros tantos ecos e sons por pura graça, e cada um é único” [7]. A partir da volta do Filho ao seio do Pai, o Rio de Vida jorra do trono de Deus e do Cordeiro. É a única e mesma liturgia que celebramos, que jorra do Trono de Deus e inunda a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro vestida com as vestes de linho puro, branco, resplandecente de beleza e santidade (cf. Ap 19,7-8). Tal coisa é possível porque todo este movimento é impregnado da ação do Espírito.

Por isso, com razão, Jean Corbon[8] afirma que as liturgias que celebramos são um momento dA Liturgia, justamente porque “a liturgia não se reduz àquilo que dela celebramos” (p.88). Na verdade, a perene liturgia “... é celebrada sem cessar de junto do Pai por Cristo no Espírito Santo, com a assembléia dos primogênitos no reino dos céus. É ela quem faz história. Ela é a vitalidade da Igreja neste mundo, atua continuamente e é-nos oferecida. “Quem tem sede venha”, diz o Cordeiro (Ap 22,17). Então, o que fazemos nesta “terra de exílio”?

Respondemos ao chamado do Senhor[9] que “com poder” torna sua vinda salvífica na Liturgia. Isso só pode acontecer porque a Liturgia é um ato eclesial. Porque é um ato sinérgico. Porque é um ato teândrico. Cristo ressuscitado para sempre não celebra A Liturgia somente com a Igreja triunfante, mas une a si toda a Igreja: triunfante, padecente e militante, ou, a liturgia no Corpo de Cristo. Portanto, a justo juízo proclama Corbon: “esse momento ou é eclesial ou não existe” (p.89). É a celebração, portanto, o núcleo da liturgia que na sua localidade manifesta toda a catolicidade da Igreja. Assim, todas as celebrações eclesiais serão expressão da sinergia: Cristo, Espírito e Igreja unidos no louvor ao Pai.

Deste modo São Bernardo de Claraval descreve a Igreja:

Ó humildade! Ó sublimidade! Tabernáculo de Cedar, e santuário de Deus; morada terrestre, e palácio celeste; casa de barro e sala régia; corpo de morte, e templo de luz; finalmente, desprezo para os soberbos, e esposa de Cristo! [...] ó filha de Jerusalém: ainda que desfigurada pelo labor e pela dor do longo exílio, a beleza celeste te adorna. [10]

Certamente que São Bernardo é alicerçado nesta bela exultação pela Revelação da Igreja que encontramos no Apocalipse:

Vi então um céu novo e uma terra nova – pois o primeiro céu e a primeira terra se foram e o mar já não existe. Vi também descer do céu, de junto de Deus, a cidade Santa, uma Jerusalém nova, pronta como uma esposa que se enfeitou para o seu marido. Nisto ouvi uma voz forte que, do trono, dizia:

“Eis a tenda de Deus entre os homens.

Ele habitará com eles;

eles serão o seu povo, e ele, Deus-com-eles, será o seu Deus!

O vencedor receberá esta herança, e eu serei seu Deus e ele será meu filho. (Cf. Ap 21,1-3.7)

Em sua obra “A fonte da Liturgia”[11] Jean Corbon também afirma que nossas celebrações são o eco daquela celebração que se realiza eternamente nas moradas celestes. É a celebração do eterno ‘hoje’ de Deus na história, da páscoa de Cristo que “penetra e leva em si toda a história”[12].

Um “hoje” perpétuo: é assim que a Igreja celebra. Por isso, pereniza o tempo no ano litúrgico meditando paulatinamente os mistérios da nossa redenção[13]. Celebrando um a um os feixes de luz da única Grande Luz: Jesus Cristo. O tempo torna-se assim “sacramental”, pois é extravasado pelo Mistério daquele que é O Eterno temporalizado.

A história é nosso chão, onde Deus habita. Celebramos, porém num “não-lugar”. Contudo, aquele que céus e terra não podem conter pode ser louvado e adorado em um templo feito por mãos humanas? Esta pergunta espantou Salomão, o sábio, ao reconhecer a grandeza e a transcendência de Deus. Sim, ele pode ser louvado em um templo de pedras, pois se fez nada, desceu à não-vida, fez-se pecado. Toda esta kênose (abaixamento, aniquilamento de si) realizada é recapitulada no altar de cada Igreja, pois “o altar é Cristo”[14]!

Em relação ao espaço da celebração, o decoro e o esmero para com ele denotam o sentido dado àquela celebração. Significa o espaço que ocupa a celebração na vida de cada membro da Igreja em questão. Por isso o espaço litúrgico é percebido no sentido escatológico: “nele, o reino já veio, mas é-nos dado porque não está ainda consumado”[15].

Vamos agora passar ao segundo aspecto da Natureza da Liturgia, o seu aspecto humano.

2. O desejo de coabitar com o eterno

Quando Deus criou a humanidade não criou deuses, mas, homens (cf. Gn 1,27). Assim, verifica-se no homem uma incompletude que o desloca de seu eixo para os lados numa busca permanente de complementação do eu. Podemos dizer que é a permanente tensão do desejo. Anselm Grün diz que “o desejo do homem é ilimitado e por isso nunca será saciado por metas finitas”[16]. Este é o modo de Deus manter-nos abertos a Ele, mas também a porta através da qual entra a possibilidade do pecado. O desejo de cada ser humano é, em última análise, o desejo de ser amado: “Todo ser humano, diz Ernesto Cardenal, anseia em última análise por um amor incondicional, por um amor que é a única coisa capaz de fazer com que a vida valha a pena ser vivida, e que lhe assegure que ele é único e que possui valor” [17]. No entanto, o desejo do infinito ao se deparar com as coisas finitas causa o desassossego da inadequação. As coisas se tornam cadeias ao invés de libertar e levam o homem para mais longe da felicidade, da paz, do repouso em Deus, quando não compreende que por trás de todo desejo limitado está o “desejo pelo amor absoluto e incondicional, em última análise, pelo amor divino”[18]. Vivemos numa tensão constante de falta e desejo.

A liturgia será o espaço transfigurado no qual se encontrarão a falta e o desejo. A falta humana e o desejo divino. O desejo humano e o amor divino. No Evangelho de São Lucas, o evangelista narra o episódio da transfiguração (cf. Lc 9,28-36) ao qual aqui aludiremos. O interpretaremos por um viés antropológico para fotografar o segundo aspecto da natureza da Liturgia.

Sabemos que é da natureza humana o desejo de conhecer a divindade e conviver com ela. Este desejo antropológico é expresso em alguns textos bíblicos. O verbo “habitar” com suas derivações aparece 729 vezes na bíblia (segundo o Bible Works) e “habitar com o Senhor” ou “sob a segurança do Senhor” aparece 65 vezes nos salmos. Um dos belos versículos que ilustram tal desejo de perenizar o tempo na presença da divindade está no salmo 23,6: “a bondade e a misericórdia do Senhor me seguirão por toda a vida e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos”.

Nas festas litúrgicas em Jerusalém o grande momento era reservado aos sacrifícios. Um dos sacrifícios, o de comunhão (cf. Lv 7,11-15), era a expressão consciente do desejo de co-habitar com Deus. Figura do sacrifício Eucarístico, naquele o ofertante fazia literalmente uma refeição com Deus, sinal do desejo de prolongar no tempo a presença de IHWH e neste, por outro lado, o próprio Deus se dá em alimento no sacrifício incruento do altar. De um ou de outro modo, percebemos uma dupla tensão do ato sacrifical: a de temporalizar o eterno e a de eternizar o tempo fugidio na presença do Senhor. Nos cânticos das subidas (Salmos 120 ao 134) o salmista canta a alegria de estar às portas de Jerusalém, casa do Senhor (Sl 122,1-2). Sabemos que as idas rituais a Jerusalém comportavam os sacrifícios de comunhão, regulamentados em Lv 3.

No texto da transfiguração, Pedro Tiago e João expressam este desejo da habitação com Deus, de condividir a sua vida: “façamos, pois, três tendas...” (Lc 9,33). Acabamos de descobrir que Ele, o Filho, saiu do Pai ao nosso encontro, à nossa procura, para revelar-nos o Pai (cf. Jo 14,9). Esta saída foi uma kênose, um rebaixamento. A Sagrada Escritura assim a descreve:

Ele estando na forma de Deus

Não usou do seu direito de ser tratado com o um deus

Mas se despojou tomando a forma de escravo.

Tornando semelhante aos homens

E reconhecido em seu aspecto como homem (cf. Ef 2,6-7).

Com efeito, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado (cf. Hb 4,15).

Deus quis se relacionar conosco por pura bondade e sabedoria (cf. DV, n.1). Como diz Augusto Cury: “Deus não é autista porque procura construir relações”[19]. Se o nosso Deus fosse um Deus autista, ele não buscaria se relacionar conosco. Se ele não tivesse sentido em si o desejo de se relacionar para se auto-comunicar, Ele “poderia ser o maior de todos os autistas. [...] Deixaria de ser um criador exuberante (...). O tudo e o nada seriam a mesma coisa”[20]. Por isso ele veio habitar entre nós e nós vimos a sua glória (Jo 1,14).

A Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina “Dei Verbum”, assim destaca que tal “saída” se deu para que o Pai concluísse a obra de Salvação/Revelação já iniciada desde o Antigo Testamento. Deste modo, quis Deus fazer dos homens seus amigos (cf. DV, n. 2, 4). Tal proximidade de um Deus que se faz “escravo” por amor toca o coração dos seus ‘amigos’ que querem coabitar junto dele (cf. Jo 13,1). Neste aspecto, nossas Igrejas são o eco deste desejo do coração humano.

Neste encontro de desejos e completude, o espaço e o tempo são transfigurados porque o homem se encontra imerso numa atmosfera que o supera e ao mesmo tempo o antecede. Tal é o Mistério Pascal de Cristo celebrado pela Igreja. Contemplamos aqui uma dupla realidade: a face do Senhor ressuscitado resplandecente de beleza e a nossa, transfigurada nele.

A sinergia da ação humana e divina molda na Igreja o ícone da Santíssima Trindade e no coração de cada homem e mulher, o desejo da purificação de si mesmo para habitar eternamente junto a esse Deus que se nos revela na Páscoa do seu Filho.

A contemplação silenciosa do mistério revelado do Deus Uno e Trino se dá porque esta realidade temporal é impregnada do Espírito Celeste, captada pelos sentidos e interpretada na fé.

A liturgia, assim, é o novo tabor. É o tabor hoje. Usamos a linguagem corporal e simbólica para manifestar a beleza dessa fé ativo-contemplativa. Deste modo, a liturgia é momento da manifestação sacramental de Deus porque realiza e manifesta sua presença à Igreja e ao mundo tornando seu Corpo Místico sacramento universal de Salvação[21]. É a epifania da beleza! É um movimento constante da encarnação à cruz, tudo isso iluminado pelo Mistério Pascal de Cristo (paixão, morte e ressurreição). É atualização do Mistério de Deus na história. É a ritualização do acontecimento salvífico por excelência: a paixão, morte e ressurreição do Senhor.

É o céu aberto, derramando bênçãos sobre a humanidade.

É por fim, o grande Maranathá da Igreja e do Espírito, porque o Espírito, iconógrafo da Igreja, toma emprestada a voz da esposa para amplificar seus gemidos inefáveis: Maranathá! Vem, Senhor Jesus! (Rm 15,17;25-27; Gl 4,6-7).

A Igreja peregrina é o lugar da graça, do culto em Espírito e Verdade (Jo 4,19-24). Por isso a Liturgia da Igreja é um Pentecostes ininterrupto.

A experiência celebrativa é sempre a possibilidade do êxtase do coração orante, porque sempre coloca o cristão em contato com o objeto de sua fé: Deus-Trindade, Deus-Amor!

Nesta experiência de adoração e vida, de louvor e de ação de graças, o silêncio humano não é uma ausência de palavras, mas a possibilidade do Espírito poder falar ao coração do fiel. É no silêncio que o Espírito que deu Corpo ao Verbo da Vida dá também forma à Palavra proclamada.

O silêncio é o momento de o Espírito falar ao coração da Esposa. É o momento de adoração da Trindade, lugar da ressonância da fé, de interiorizar aquilo que se ouviu, rezou e meditou. A transfiguração do tempo e do espaço, do ser de cada pessoa e da própria Igreja que acontece na liturgia é a purificação que a luminosidade de Deus realiza porque a presença de Deus, na liturgia, plenifica a vida humana sem, contudo, aniquilá-la. Transfigurados no Cristo, cristificados. Embebidos do Espírito, pneumatizados. Alimentados na eucaristia, eucaristizados. De fato, a partir do mistério de Cristo somos transfigurados para transfigurarmos o mundo! Daqui concluímos que a Liturgia é uma obra divino-humana.

3. A ritualidade litúrgica hoje

Muitos há que acham a Santa Missa, por exemplo, tediosa. Um poema de Adélia Prado intitulado “Missa das 10” nos dá uma idéia:

Frei Jácomo prega e ninguém entende.

Mas fala com piedade, para ele mesmo

e tem mania de orar pelos paroquianos.

As mulheres que depois vão aos clubes,

os moços ricos de costumes piedosos,

os homens que prevaricam um pouco em seus negócios

gostam todos de assistir a missa de frei Jácomo,

povoada de exemplos, de vida de santos,

da certeza marota de que ao final de tudo

urna confissão "in extremis" garantirá o paraíso.

Ninguém vê o Cordeiro degolado na mesa,

o sangue sobre as toalhas,

seu lancinante grito,

ninguém.

Nem frei Jácomo.

Ao nos depararmos com a beleza dos ritos na Liturgia, seu fulcro exatamente transcendente e ao mesmo tempo imanente vai aos pouquinhos nos separar de uma participação morna na missa do Frei Jácomo.

Nossas liturgias deveriam resplandecer de nobre simplicidade, como nos recomenda a Sacrossanctum Concilium n. 34. De tal modo deveríamos viver a ritualidade litúrgica que ela tudo impregnaria de eternidade e de beleza. O Padre Valeriano Santos Costa assim afirma:

Quem participa de um rito litúrgico entra numa outra categoria de tempo e espaço. O tempo cronológico significa dissolução e cansaço no encadeamento das horas, dias, meses e anos: o envelhecimento. [...] No rito, a ordem do espaço [...] se altera, transformando a idéia de limite, barreira, divisão, prisão em aconchego, proteção, libertação, plenitude[22].

Vivenciar os ritos é, portanto, de importância capital para perceber a beleza da Liturgia que faz do cronos o Kairós, ou seja, do tempo cronológico o tempo/estado da Graça. O dado antropológico da liturgia nos diz que o homem serve-se de sinais sensíveis para exprimir o indizível. De fato, ao olharmos o aspecto aparente da liturgia podemos nos deparar com coisas muito simples como uma vela, uma toalha branca ou um crucifixo. Todavia, estes são pontes do efêmero para o eterno. A beleza do rito litúrgico deve começar de dentro, do coração e nos levar ao coração do Mistério. De fato, afirma Corbon: “reza-se como se vive e vive-se como se ama; tudo depende do lugar onde habitualmente nos centramos e em torno do qual tudo toma o seu sentido (...) o coração é o lugar da decisão, do sim ou não”[23]. Sabendo que a Liturgia começa no coração, chamo nossa atenção para o outro lugar da manifestação da beleza, ou seja, para o “fazer” na Liturgia.

Aqui eu gostaria de tocar um pouco na nossa prática litúrgica. Nossas equipes de Liturgia nas Paróquias muitas vezes se transformam em ‘tarefeiros’ junto com o padre. Fazem muitas coisas, mas não as fazem bem. Nossos Ministros Extraodinários da Eucaristia permanecem numa odinária distração toda a missa. Os músicos esquecem-se do rito para procurar a folha de cântico. O calor faz a assembléia suar. O volume estridente do som faz todos sentirem o ouvido doer. As flores de plástico no presbitério, sujas de poeira, dão o tom da desordem, do desleixo e da despreocupação com aquilo que é expressão do Eterno. Os vasos sagrados sujos de zinabre demonstram quão desleixados são os que cuidam da sacristia. O andar apressado e sem a devida reverência e gravidade dos acólitos e do Padre, as toalhas puídas, a multiplicação de folhas, cadernos, lembretes, cartazes para todos os cantos... enfim, nossas Paróquias precisam romper este ciclo vicioso de feiúra que tem tomado conta do nosso “fazer” litúrgico.

A Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus é o acontecer do Mistério. O “véu” se rasgou e pela Ascensão o Filho nos leva ao coração aberto do Pai, donde jorra o rio de vida (Ap 22,1), a Liturgia celeste, perene e eterna,[24] a beleza celeste que se faz nossa. A Liturgia é Cristo histórico, corpo místico e Filho de Deus. É justamente por causa dessas duas energias (divina e humana) que a Liturgia se torna ato salvífico de Deus na história dos homens. E se torna ato salvífico porque é memorial, porque O Vivente passou para além da morte e tornou o tempo impregnado de Eternidade[25]. Neste aspecto, percebemos o quanto precisamos crescer na dimensão antropológica da manifestação da nossa fé. Valendo-me do axioma Lex Orandi Lex Credendi, trago um elemento de avaliação de nossas liturgias: O modo como estamos celebrando a fé expressa a fé que professamos? Avalie se o Memorial do Mistério Pascal de Cristo que se celebra na sua comunidade resplandece aquela nobre simplicidade da qual é dotado o Mistério da Paixão, Morte, Ressurreição e Glorificação do Filho de Deus?

“Nada deve ser afetado nem pela pressa nem pelo exagero. [...] Se numa celebração de uma hora introduzimos tantos adendos, [...] esgotamos o tempo e somos tentados a atropelar o rito [...] numa corrida olímpica[26]”. A grave expressão de quem sobe o Calvário para o Sacrifício do Cordeiro deve acompanhar todo aquele que toma parte na Liturgia. A solenidade dos gestos, a tranqüilidade na execução dos ritos, ao Padre a clareza e solenidade na proclamação das orações e demais ofícios que lhe cabem na Liturgia, o canto liturgicamente ordenado e ensaiado, tudo isto contribui para uma participação eficaz, ativa e frutuosa na Divina Liturgia. O contrário disto também é igualmente verdade: quando não cuidada, a Liturgia passa de “a festa da alegria do Pai” como Corbon a classificou, à festa da tristeza e irritação dos que nela tomam parte.

Ao explanar sobre a participação ativa dentro do rito, o Padre Valeriano S. Costa joga luz sobre o modo de estar na Liturgia. Retomando o conceito grego “Leitourgia”, ele diz que Liturgia é essencialmente ação (ourgia) e não necessariamente discurso[27] (logia). A ação é sempre realizada por um sujeito. Como vimos o sujeito da Liturgia é o Pai, ao mesmo tempo ele é objeto da ação Sagrada realizada por nós, objeto da nossa fé. Como sujeito da Liturgia, a Assembléia não é só uma assistente, uma expectadora passiva, mas um sujeito ativo. Está envolvida na “leitourgia” na ação sagrada em favor do povo. Desse modo é preciso formar nossas Assembléias litúrgicas para este modo de participar, beber e contemplar o Acontecer do Mistério que ali é celebrado. As distrações, conversas paralelas, celulares ligados, crianças correndo e chorando, a pressa em começar e terminar a ação litúrgica, as homilias porcamente preparadas, tudo isso contribui para o empobrecimento da participação ativa da Assembléia. De fato, Pe Valeriano destaca que todo o corpo deve entrar nesta ação ritual, ou seja, a pessoa toda: pensamento, emoção, postura, voz, razão, gestos, para que a participação seja de fato ativa e frutuosa para o fiel.

3. Conclusão

Como conclusão de toda esta reflexão, cito o número 2 da Sacrossanctum Concilium:

A liturgia, com efeito, mediante a qual, especialmente no divino sacrifício da eucaristia, "se atua a obra da nossa redenção" contribui sumamente para que os fiéis exprimam em suas vidas e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a genuína natureza da verdadeira Igreja, que tem a característica de ser ao mesmo tempo humana e divina, visível, mas dotada de realidades invisíveis, operosa na ação e devotada à contemplação, presente no mundo e, contudo peregrina; de tal modo que nela o humano é orientado e subordinado ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, a realidade presente à futura cidade para a qual estamos encaminhados. Deste modo a liturgia, enquanto edifica aqueles que estão na Igreja em templo santo no Senhor, em habitação de Deus no Espírito, até atingir a medida da plenitude de Cristo, ao mesmo tempo e de modo admirável robustece as suas forças para que preguem o Cristo; e assim aos que estão fora, ela mostra a Igreja como estandarte erguido diante das nações, sob o qual os filhos dispersos de Deus possam reunir-se na unidade, para que haja um só rebanho e um só pastor.

Esta constante tensão escatológica do reino já presente em germe na Igreja (cf. LG n. 5), mas ainda não completamente revelado (cf. 1Jo 3,2) é o que torna a Liturgia o lugar do perene jorrar do Espírito. Por isso, esta Conferência quer ser mais que uma reflexão estéril, intelectualista e intimista. Se presta a ser um despertar da nossa consciência católica para o Mistério que celebramos. De fato, como Mistério nunca o esgotaremos nem devemos ter a atrevimento de intentá-lo. Basta-nos dele participar.

Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, pois foi ela quem nos salvou[28]. Amém.

Bibliografia de apoio

AA.VV. Revista Anámnesis 1. A liturgia: momento histórico da salvação. Trad. Anacleto Alvarez. São Paulo: Paulinas, 1986. (pp. 127 – 165)

BÍBLIA DE JERUSALÉM, A. 6ª impressão. São Paulo: Paulus, 2010.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Vozes. Paulus. Paulinas. Loyola. Ave Maria, 1993.

CAVALCANTE. A Santíssima Trindade e a Igreja na liturgia. Uberlândia: A Partilha, 2008

CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium. In: Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Sacrossanctun Concilium sobre a Sagrada Liturgia. In: Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

CORBON, Jean. A fonte da Liturgia. Trad. José de Leão Cordeiro. Lisboa: Paulinas, 1999.

COSTA, V. S. Viver a ritualidade litúrgica como momento histórico da salvação. Participação litúrgica segundo a Sacrossanctum Concilium.São Paulo: Paulinas, 2005. (Col Viver a fé)

CURY, A. J. Os segredos do Pai-Nosso. Vol. 1. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

GRÜN, Anselm. Se quiser experimentar Deus. Com textos meditativos de Maria-Magdalena Robben. Trad. Carlos Almeida Pereira. Petrópolis: Vozes, 2001.

[1] Termo caro à Igreja Ortodoxa

[2] Cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 477

[3] São várias metáforas que Paulo usa para significar a Igreja. Entre elas, o Corpo como em 1Cor 12,12-14. Em Rm 12,5 aponta ele a função dos membros no Corpo. Ef 3,6 universaliza a salvação até os gentios, fazendo-os participar do único corpo (cf. Ef 4,4). Em Ef 5,23-28a alude ele à purificação do Corpo realizado por Cristo em vista da salvação deste. No Hino Cristológico de Colossenses, retoma São Paulo a imagem da Cabeça/Corpo para ressaltar a proeminência do Cristo, o Kyrios, diante do Corpo, sua Igreja. Por fim em Col 1,24 São Paulo une seu sofrimento ao de Cristo pelo bem do Corpo Místico.

[4] Aqui trataríamos do sacerdócio comum, tema de outra conferência.

[5] Cf. Paulo VI. Laudis Canticum, n.1

[6] Cf. CORBON. A fonte da liturgia, Lisboa: Paulinas, 1999, p. 46.

[7] Idem

[8] Cf. CORBON. A fonte da liturgia, Lisboa: Paulinas, 1999.

[9] O sentido de Igreja no grego é Ekklesia: Assembléia dos convocados, o mesmo que no hebraico QHL-IHWH.

[10] Cf. São Bernardo, In Canticum Sermones 27,14. Citado por: CAVALCANTE. A Santíssima Trindade e a Igreja na liturgia. Uberlândia: A Partilha, 2008 p.25

[11] Cf. CORBON. A fonte da liturgia, Lisboa: Paulinas, 1999

[12] Cf. Idem, pg. 135

[13] Cf. Ibidem, pg 136

[14] Cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 1383

[15] Cf. Ibid, pg. 147

[16] Cf. GRÜN, 2001, p.73

[17] Idem, p.78

[18] Ibidem, p. 89

[19] Cf. CURY, 2006, p. 53

[20] Cf. Idem, p. 53/4

[21] Cf. LG, nº 48

[22] CF. COSTA, V. S. Viver a ritualidade litúrgica como momento histórico da Salvação. Participação litúrgica segundo a Sacrossanctum Concilium. São Paulo: Paulinas, 2005, pg. 58.

[23] Cf. CORBON, 1999, p. 157

[24] Aludo aqui ao n. 1 da Laudis Canticum de Paulo VI, para abalizar esta fala e constatar a mesma teologia apresentada por Corbon presente na Igreja latina.

[25] Cf. CORBON, 1999, p. 38-40

[26] Cf. COSTA, 2005. Pg.59

[27] Cf. COSTA, 2005. pg.46-47

[28] Liturgia bizantina, Tropário de Vésperas de Pentecostes, retomado nas Liturgias eucarísticas após a comunhão.

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Para citar:

ALVES, Pe. Luis Fernando. A natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja. Apologistas Católicos. Disponível em:

Fonte: Apologistas Católicos

domingo, 1 de janeiro de 2012

NOTA SOBRE A CONCELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA NO RITO ROMANO NA FORMA ATUAL

NOTA SOBRE A CONCELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA NO RITO ROMANO NA FORMA ATUAL - Dom Fernando Arêas Rifan

NOTA SOBRE A CONCELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA NO RITO ROMANO NA FORMA ATUAL



Algumas pessoas têm perguntado sobre a participação ocasional e a eventual concelebração minha e de alguns dos nossos padres nas Missas celebradas no Rito de Paulo VI, isto é, na forma ordinária atual do Rito Romano.


A grande maioria dos católicos, com bom senso, compreende perfeitamente que, embora em nossa Administração Apostólica se conserve a liturgia romana no seu uso mais antigo, seja normal que, em determinadas ocasiões, o Bispo e seus sacerdotes possam concelebrar a santa Missa na forma atual, usada habitualmente pelo Papa e por toda a Igreja do rito romano; normal, correto e bom, porque demonstra que somos católicos em plena comunhão com toda a Igreja.


Alguns, no entanto, insinuam que esta presença representaria uma traição à Tradição, quase uma apostasia, uma renúncia a todas as críticas que foram feitas e que se possam fazer à Reforma Litúrgica e todas as suas conseqüências, uma aprovação de tudo que acontece hoje nas Missas, uma abertura ao “progressismo” e, pior, que isso faria parte de um “acordo” prático, não doutrinário, com a Santa Sé. Dada a maldade das suspeitas, insinuações e falsas conclusões, que vão muito além do alcance dos fatos e das intenções e que poderiam abalar pessoas desavisadas, explico a razão doutrinária do nosso proceder, segundo a doutrina católica, e renovo a nota de esclarecimento que já foi emitida em outra ocasião e as explicações já dadas à saciedade em minha Orientação Pastoral sobre o Magistério vivo da Igreja e no meu livro “Considerações sobre as formas do Rito Romano” (cf. www.adapostolica.org).



No que diz respeito à concelebração, o Magistério da Igreja ensina: “a concelebração, que manifesta bem a unidade do sacerdócio, tem sido prática constante até ao dia de hoje, quer no Oriente quer no Ocidente (Sacr. Conc., 57, § 1).
O Papa Bento XVI, na carta de 16 de junho de 2009, em que proclama o Ano Sacerdotal, recorda o ensinamento do Beato João Paulo II de que a comunhão eclesial se manifesta na concelebração eucarística. O mesmo ele repete na carta de 27 de maio de 2007 à Igreja da China, que a concelebração eucarística é sinal de comunhão na Igreja. Essa é uma das razões pelas quais é proibido concelebrar com padres e bispos que não estejam em comunhão com a Sé de Pedro (cf. João Paulo II, Enc. Ecclesia de Eucharistia, 44).


Na instrução “Eucharisticum Mysterium” (nº 47), de 25 de maio de 1967, da Sagrada Congregação dos Ritos, dada no tempo ainda da Missa na forma antiga, aprovada pelo Papa e confirmada pela sua autoridade, explica-se a razão doutrinária da concelebração: “Pela concelebração da Eucaristia manifesta-se, apropriadamente, a unidade do sacrifício e do sacerdócio... Além disso, a concelebração simboliza e estreita os vínculos fraternos entre os presbíteros, pois em virtude da comum e sagrada ordenação e missão, estão unidos entre si por íntima fraternidade... Convém que os sacerdotes celebrem a Eucaristia daquele modo sublime...”.


No decreto “Animarum bonum” de fundação da nossa Administração Apostólica, de 18 de janeiro de 2002, no inciso VI, § 1, se lê: “Os presbíteros e diáconos que até o momento pertencem à União São João Maria Vianney incardinam-se na Administração Apostólica. O Presbitério da Administração é constituído de presbíteros incardinados. Os clérigos por todas as razões pertencem ao clero secular, daí a necessidade de estreita unidade com o Presbitério Diocesano de Campos”. Esta norma, dada pela Santa Sé, foi estabelecida desde a criação da Administração Apostólica.


Segundo esses ensinamentos e o costume atual na Igreja, a concelebração vem a ser um sinal habitual de comunhão. Não é obrigatória, mas recusá-la sistematicamente, por princípio, pode ser indício de não estar em plena comunhão. Por isso, o único sinal de unidade sempre proibido (cânon 908) a um padre oriental não católico, é de concelebrar com um padre católico e reciprocamente, porque tal ato seria o sinal da plena comunhão, não somente sacramental, mas hierárquica, pois se trata de comunhão no sacramento da Ordem. Julgar que não existe nenhuma circunstância em que se pudesse concelebrar segundo o novo rito leva a crer que se pense que a concelebração no novo rito seja intrinsecamente um pecado. Mesmo no Ocidente, ao menos a partir do século XIII, a concelebração, ao menos cerimonial, foi um sinal, às vezes obrigatório, de comunhão com o Bispo local, quando se está no mesmo território que ele.


A Instrução acima citada “Eucharisticum Mysterium” (nº 43) também ensina: “Na celebração da Eucaristia, também os presbíteros, em virtude de um sacramento especial, a Ordem, sejam designados para uma função que lhes é própria. Pois também eles, “como ministros da liturgia, sobretudo no Sacrifício da Missa, representam, de maneira especial, a pessoa de Cristo. Portanto, é conveniente que, por motivo do sinal, eles tomem parte na santa Eucaristia, exercendo a função de sua ordem, isto é, celebrando ou concelebrando a santa Missa e não apenas recebendo a comunhão, como leigos”.


Lembrando a aplicação prática dessa doutrina, o Cardeal Dom Dario Castrillón Hoyos, presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, no dia 30 de maio de 2008, nos Estados Unidos, no sermão da Missa de Ordenação de padres da Fraternidade São Pedro: “Irmãos, mostrai um profundo respeito pela forma ordinária do Rito Romano concelebrando com vosso Bispo na Missa Crismal da Quinta-Feira Santa; é conveniente de modo particular este sinal de comunhão sacerdotal” (La Croix de 2 de junho de 2008).


Na homilia por ocasião da sua visita à Paróquia São Francisco de Paula de Toulon, na França, de 6 a 7 de dezembro de 2008, o mesmo Cardeal Castrillon ensina aos católicos ligados à liturgia tradicional: “... Mas os fiéis também têm um papel pessoal a desempenhar na abertura necessária da liturgia tradicional. O Papa não deseja que vós vos desligueis da vida de vossa diocese, mas que estejais aí bem inseridos e participeis, sob o impulso de vossos pastores, das grandes atividades da diocese. A concelebração em torno de vosso Bispo, do qual os padres são os primeiros colaboradores, é um dos sinais de comunhão, entre outros; o fato de que vós a pratiqueis em certas ocasiões não pode senão alegrar o Santo Padre. Eu encorajo os vossos padres a continuar neste verdadeiro espírito de caridade eclesial”.


Com relação a minha posição como Bispo, aproveito aqui a ocasião para recordar o ensinamento teológico do caráter colegial do ministério episcopal: “Esta união colegial entre os Bispos funda-se conjuntamente sobre a ordenação episcopal e a comunhão hierárquica; toca, pois a profundidade do ser de cada Bispo e pertence à estrutura da Igreja como foi querida por Jesus Cristo. De fato, ele é constituído na plenitude do ministério episcopal pela consagração episcopal e pela comunhão hierárquica com a Cabeça do Colégio e com os membros, isto é, com o Colégio que sempre inclui a Cabeça. É desta forma que se torna membro do Colégio Episcopal, pelo que as três funções recebidas na ordenação episcopal – santificar, ensinar e governar – devem ser exercidas em comunhão hierárquica, embora de modo distinto pela sua diversa finalidade imediata. Isto constitui o chamado ‘afeto colegial’ ou colegialidade afetiva, de que deriva a solicitude dos Bispos pelas outras Igrejas particulares e pela Igreja universal... Esta natureza colegial do ministério apostólico é querida pelo próprio Cristo. Por isso, o afeto colegial ou colegialidade afetiva vigora sempre entre os Bispos como communio episcoporum, mas é só em alguns atos que se exprime como colegialidade efetiva... A unidade do episcopado é um dos elementos constitutivos da unidade da Igreja...” (Bem-aventurado João Paulo II, Ex. Apost. Pastores Gregis, 8).


Por tudo isso, por ser um bispo católico em situação canônica regular, membro do Episcopado católico, em comunhão com o Santo Padre o Papa, devo demonstrar na prática essa plena comunhão, especialmente em certas ocasiões, na celebração da Santa Missa. Nossa participação e concelebração, portanto, se deve a princípios doutrinários e não apenas à diplomacia, boa convivência e muito menos conivência com erros.


Em nossa Administração Apostólica, como dissemos, por faculdade a nós concedida pela Santa Sé, conservamos o rito da Missa na antiga forma ou forma extraordinária do Rito Romano. Aliás, também o conservam e utilizam muitas congregações religiosas, grupos e milhares de fiéis em todo o mundo, com a diferença de que nós não somos um grupo ou uma Congregação Religiosa, mas sim uma Administração Apostólica, ou seja, uma circunscrição eclesiástica criada pela Santa Sé, equiparada a uma diocese (cânon 368), uma porção do povo de Deus, cujo cuidado pastoral foi confiado a um Bispo, Administrador Apostólico, que a governa em nome do Sumo Pontífice (cânon 371 §2). O Papa vem a ser, portanto, o real Pastor dessa porção do rebanho de Cristo, que é a Administração Apostólica.


Nós amamos, preferimos e conservamos a liturgia romana na sua forma mais antiga por ser, para nós, melhor expressão litúrgica dos dogmas eucarísticos e sólido alimento espiritual, pela sua riqueza, beleza, elevação, nobreza e solenidade das cerimônias, pelo seu senso de sacralidade (1) e reverência, pelo seu sentido de mistério, por sua maior precisão e rigor nas rubricas, apresentando assim mais segurança e proteção contra abusos, não dando espaço a “ambigüidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações”, como lamentava o Beato Papa João Paulo II (Enc. Ecclesia de Eucharistia, 10, 52, 61). Por ser uma das riquezas litúrgicas católicas, exprimimos através da Missa na sua forma ritual romana mais antiga o nosso amor pela Santa Igreja e nossa comunhão com ela. Conservamos o venerável rito de São Pio V, mas “cum Petro et sub Petro”, em plena comunhão. E a Santa Sé reconhece essa nossa adesão como perfeitamente legítima, concedendo-nos essa liturgia como própria de nossa Administração Apostólica. Assim, graças a Deus e à Santa Sé, nossos sacerdotes e fiéis podem se unir à Igreja e celebrar o culto divino com esse tesouro litúrgico da Igreja, que é a forma ritual antiga do Rito Romano.


Mas há que se conservar a adesão à tradição litúrgica sem pecar contra a sã doutrina do Magistério e sem jamais ofender a comunhão eclesial. Como escrevi na minha primeira mensagem pastoral de 5 de janeiro de 2003: “Conservemos a Tradição e a Liturgia tradicional, em união com a Hierarquia e o Magistério vivo da Igreja, e não em contraposição a eles”. Jamais, pois, se pode usar a adesão à Liturgia tradicional em espírito de contestação à autoridade da Igreja ou de rompimento de comunhão.


Ensina-nos o Bem-aventurado João Paulo II: “A diversidade litúrgica pode ser fonte de enriquecimento, mas pode também provocar tensões, incompreensões recíprocas e até mesmo cismas. Neste campo, é claro que a diversidade não deve prejudicar a unidade. Esta unidade não pode exprimir-se senão na fidelidade à fé comum ... e à comunhão hierárquica” (2).


Não seria válido, correto nem única razão para se celebrar ou assistir à Missa no rito mais antigo o motivo de se considerar a Nova Missa, isto é, o Novus Ordo Missae, a Missa promulgada pelo Papa Paulo VI, como inválida, ou ilegítima, heterodoxa e, portanto, ilícita. Os sérios e graves motivos doutrinários e práticos que demos acima são suficientes para a nossa adesão à Missa tradicional como nos concedeu a Santa Sé, sem necessitar recorrer a esse argumento que, aliás, seria falso e injusto. E só a verdade e a justiça devem ser a nossa norma nesta luta. Somente a verdade nos fará livres (Jo 8,32).


O fato de termos, em nossa Administração Apostólica, a liturgia de São Pio V como forma ritual própria, conforme nos concedeu a Santa Sé, não significa que não se possa nunca participar da Missa na forma atual, considerando-a assim, na prática, como se fosse inválida, ilegítima ou ilícita, isto é, pecaminosa.


Muitos teólogos e liturgistas, assim como nós, fizeram críticas e tiveram reservas à reforma litúrgica, mas sempre dentro dos limites permitidos pela doutrina católica, dogmática e canônica, e no respeito ao Magistério da Igreja. Esses limites, impostos pela teologia católica às reservas e críticas, nos impedem, assim, de dizer que a Nova Missa seja heterodoxa, ilegítima ou não católica.


Porque se, na teoria ou na prática, considerássemos a Nova Missa, em si mesma, como inválida, sacrílega, heterodoxa ou não católica, pecaminosa e, portanto, ilegítima, deveríamos tirar as lógicas conseqüências teológicas dessa posição e aplicá-la ao Papa e a todo o Episcopado residente no mundo, isto é, a toda a Igreja docente: ou seja, sustentar que a Igreja oficialmente possa promulgar, tenha promulgado, conserve há décadas e ofereça todos os dias a Deus um culto ilegítimo e pecaminoso – proposição reprovada pelo Magistério - e que, portanto, as portas do Inferno tenham prevalecido contra ela, o que seria uma heresia. Ou então estaríamos adotando o princípio sectário de que só nós e os que pensam como nós somos a Igreja e que fora de nós não há salvação, o que seria outra heresia. Essas posições não podem ser aceitas por um católico, nem na teoria nem na prática. Pela teologia católica, a Igreja, pela sua infalibilidade e indefectibilidade, não pode promulgar oficial e universalmente um rito não católico ou prejudicial às almas e, por isso mesmo realmente não o fez.


Ademais uma participação da Missa celebrada na sua forma ordinária não vem significar absolutamente que estejamos aprovando abusos e profanações que ocorrem até com certa freqüência em Missas celebradas no novo rito, “deformações na Liturgia”, na expressão do Papa, “no limite do suportável” (3), lamentados por ele e por nós.


Também não arrefeceu e continua o nosso combate contra as heresias litúrgicas tais como a negação da presença real de Cristo na Eucaristia, a transformação da Missa numa simples ceia, a negação ou o encobrimento do caráter sacrifical e propiciatório da Santa Missa, a confusão entre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum dos fiéis, a dessacralização da sagrada Liturgia, a falta de veneração, de adoração e de modéstia nos trajes no culto divino, a mundanização da Igreja, etc.
Não é nossa intenção aqui fazer a apologia da reforma litúrgica nem analisar e questionar completamente todos os seus aspectos, mas sim defender o Magistério e a indefectibilidade da Igreja, que continua perene, mesmo com os atuais desastres a que possa ter dado azo a reforma litúrgica. O nosso propósito específico aqui é combater o equívoco doutrinário dos que consideram a nova Missa, como foi promulgada oficialmente pela hierarquia da Igreja, como sendo pecaminosa e, portanto, impossível de ser assistida sem se cometer pecado, e o conseqüente erro prático dos que atacam aqueles que, em determinadas circunstâncias, por dever de ofício ou demonstração de comunhão, dela participam ou a concelebram, como se eles tivessem cometendo uma ofensa a Deus.
A Missa de Paulo VI – a chamada “Nova Missa” - é hoje a forma ritual oficial da Igreja latina, celebrado pelo Papa e por todo o Episcopado Católico. O Santo Padre o Papa Bento XVI afirma: “É preciso antes de mais afirmar que o Missal promulgado por Paulo VI e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II obviamente é e permanece a forma normal – forma ordinária – da Liturgia Eucarística” da Liturgia romana da Igreja Católica (Carta aos Bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum ).


A Igreja tem poder de criar e modificar os seus ritos. Assim, sobre “o poder da Igreja sobre a administração do sacramento da Eucaristia”, o Concílio de Trento declara expressamente que “a Igreja sempre teve o poder de, na administração dos sacramentos, salva a substância deles, determinar e mudar aquelas coisas que julgar conveniente à utilidade dos que os recebem ou à veneração dos mesmos sacramentos, segundo a variedade das coisas, tempos e lugares” (Sessão XXI, cap. 2 – Denz-Sh 1728).


É dogma de Fé, definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano I, que “esta Sé de São Pedro permanece imune de todo erro, segundo a promessa de Nosso Divino Salvador feita ao Príncipe de Seus Apóstolos: ‘Eu roguei por ti, para que tua Fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos’ (Lc 22,32)”. (4) Esse mesmo Concílio Ecumênico Vaticano I define que “este carisma da verdade e da fé, que nunca falta, foi conferido a Pedro e a seus sucessores nesta cátedra...” (5) .


Conforme legisla o Direito Canônico, pertence exclusivamente à autoridade da Igreja determinar o que é válido e lícito na celebração, administração e recepção dos Sacramentos, pois eles são os mesmos para toda a Igreja e pertencem ao depósito divino (Cf. C.D.C. cânon 841) (6). Seria, portanto, usurpar o lugar da suprema autoridade da Igreja dizer que a Missa no rito romano atual é inválida ou ilícita ou, como alguns dizem, não serve para cumprir o preceito dominical.


O Santo Padre, o Papa Bento XVI, em sua Carta aos Bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum, afirma expressamente, como sendo algo óbvio: “Obviamente, para viver a plena comunhão, também os sacerdotes das Comunidades que aderem ao uso antigo, não podem, em linha de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. De fato, não seria coerente com o reconhecimento do valor e da santidade do rito a exclusão total do mesmo”.


Está claro, portanto, nas palavras do Santo Padre, que se deve reconhecer o valor e a santidade da nova liturgia, e, em conseqüência, não excluí-la totalmente. Fica, pois, esclarecido pelo Santo Padre o Papa Bento XVI que, embora tenhamos como forma ritual própria da nossa Administração Apostólica a Missa na forma antiga do rito romano, a participação dos fiéis ou concelebração de algum dos nossos sacerdotes ou de seu Bispo, em uma Missa numa forma ritual promulgada oficialmente pela hierarquia da Igreja, por ela determinada como legítima e por ela adotada, como é a Missa celebrada na forma do Rito Romano atual, não pode ser considerado como sendo algo mau ou censurável. Nem isso significa a perda da nossa identidade litúrgica, mas sim uma demonstração de comunhão com os outros Bispos, sacerdotes e fiéis, apesar da diferença de forma ritual.


Porque ninguém pode ser católico mantendo-se numa atitude de recusa de comunhão com o Papa e com o Episcopado católico. A Igreja define como cismático aquele que recusa se submeter ao Romano Pontífice ou se manter em comunhão com os outros membros da Igreja a ele sujeitos (cânon 751). Ora, recusar-se continua e categoricamente a participar de toda e qualquer Missa no rito celebrado pelo Papa e por todos os Bispos da Igreja, pela razão de julgar esse rito, em si mesmo, incompatível com a Fé ou pecaminoso, representa uma recusa formal de comunhão com o Papa e com o Episcopado católico.


E a recente instrução “Universae Ecclesiae”, da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, publicada com aprovação e mandato do Papa Bento XVI, estabelece explicitamente: “Os fiéis que pedem a celebração da forma extraordinária não devem apoiar nem pertencer a grupos que se manifestam contrários à validade ou à legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária, nem ser contrários ao Romano Pontífice como Pastor Supremo da Igreja universal”.


O critério de verdade, ortodoxia e procedimento que rege nossa Administração Apostólica, como o deve ser para todo católico, é o Magistério vivo da Igreja, como nos ensina São Pio X: “o primeiro e maior critério da fé, a regra suprema e inquebrantável da ortodoxia é a obediência ao magistério sempre vivo e infalível da Igreja, estabelecido por Cristo columna et firmamentum veritatis, a coluna e o sustento da verdade.” (7) . E o Papa venerável Pio XII também ensina que “a norma próxima e universal da verdade” é o “Magistério da Igreja” (8) , explicando a razão: “Porque para explicar as coisas que estão contidas no Depósito da Fé, não foi aos julgamentos privados que o Nosso Salvador as confiou, mas sim ao Magistério Eclesiástico” (9) .


Assim, o que aqui estamos ensinando baseia-se no Magistério vivo da Igreja, nossa segurança e critério de verdade.
Os princípios que sempre defendemos, na linha do Magistério da Igreja, a adesão às verdades da nossa Fé e a rejeição aos erros condenados pela Igreja continuam os mesmos. Houve, porém, em outras circunstâncias e em outro contexto, mesmo de nossa parte, comportamentos e afirmações dissonantes das normas e ensino da Igreja. É preciso examiná-las e retificá-las à luz do Magistério perene e vivo da Igreja, que, repetimos, é o critério de verdade e comportamento para o católico. Alguns podem equivocadamente pensar que o que foi feito, dito ou vivido num período de exceção e irregularidade seja o ideal e o normal para um católico. Não! O normal para todo católico é viver de acordo com o Magistério vivo da Igreja e unido e submisso à sua hierarquia. Não se pode apelar para aqueles antigos comportamentos ou afirmações dissonantes do Magistério, como argumento de terem sido adotados ou feitas antes, como se tais atitudes ou afirmações fossem os únicos critérios de verdade, infalíveis e nunca passíveis de correção e melhor expressão.

Quantos santos, mesmo doutores da Igreja não erraram em doutrina e em comportamento! Por isso, nos ensina Santo Tomás de Aquino que “devemos nos apoiar, antes, na autoridade da Igreja do que na de Agostinho, de Jerônimo ou de qualquer outro doutor” (10).


No maior período da crise, muitos enganos de julgamentos foram provocados por afirmações e ações erradas, que víamos generalizadas, difundidas por quase toda a Igreja, muitos das quais, infelizmente, continuam. Graças a Deus, muitos esclarecimentos magisteriais nos foram dados depois. À luz destes, examinamos se houve algum erro ou exagero no passado quanto às questões acima referidas, que, uma vez reconhecidos, devem ser humildemente corrigidos. Se houve alguma falha em comportamento ou expressões, corrigir-se não é nenhum desdouro. Afinal, errar é humano, perdoar é divino, corrigir-se é cristão e perseverar no erro é diabólico. Mas erros podem ser compreendidos e explicados, por má compreensão ou julgamento equivocado, influências, circunstâncias ou fraquezas humanas, mas não justificados. Santo Tomás de Aquino nos ensina: “Não se pode justificar uma ação má, embora feita com boa intenção” (11)


Há pouco, no final de setembro passado, estive na visita “ad limina”, visita oficial do Bispo ao Papa, quando fui “conferir o meu evangelho com Pedro” (cf. Gl 1,18; 2,2), e pude ouvir o elogio e apoio do Santo Padre Bento XVI à nossa Administração Apostólica e ao nosso modo de agir e nos conduzir. E, na audiência pessoal privativa com o Santo Padre, recordei com ele que aqui conservamos a Missa na forma antiga do Rito Romano, mas que eu, em certas ocasiões, concelebro com os outros Bispos, como, por exemplo, naquela visita “ad limina”. O Papa se mostrou muito contente de que a situação entre a Administração Apostólica, a Diocese e os outros Bispos esteja em paz. E eu disse: “Santo Padre, em paz e em comunhão”, ao que ele respondeu: “Isso é muito importante!”. É o que nos importa: nosso modo de pensar e agir conferido com Pedro e apoiado por ele. E é o que nos consola, em meio a muitas incompreensões e ataques. Mas, felizmente, temos, além do Santo Padre, muitos amigos, católicos corretos e seguidores da verdadeira Tradição, que nos compreendem e apóiam.


Assim sendo, esperamos ter esclarecido os católicos de boa vontade, especialmente aqueles que nos estão confiados e querem realmente seguir a Igreja “cum Petro et sub Petro”.


Campos dos Goytacazes, 29 de junho de 2011


Festa de São Pedro e São Paulo – Dia do Papa.




+ Dom Fernando Arêas Rifan
Bisbo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Notas:

1- “Se bem que haja numerosos motivos que possam ter levado um grande número de fiéis a encontrar refúgio na liturgia tradicional, o mais importante dentre eles é que eles aí encontram preservada a dignidade do sagrado” (Cardeal Joseph Ratzinger, nosso atual Papa, conferência aos Bispos chilenos, Santiago, 13/7/1988.
2- João Paulo II, carta apostólica Vigesimus quintus annus, n. 16, 4/12/1988.
3- “Muitas pessoas, que aceitavam claramente o carácter vinculante do Concílio Vaticano II e que eram fiéis ao Papa e aos Bispos, desejavam contudo reaver também a forma (anterior), que lhes era cara, da sagrada Liturgia; isto sucedeu antes de mais porque, em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável. Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões. E vi como foram profundamente feridas, pelas deformações arbitrárias da Liturgia, pessoas que estavam totalmente radicadas na fé da Igreja” (Bento XVI, Carta aos Bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum).
4- Concílio Ecum. Vaticano I, Const, Dog. “Pastor Aeternus”, sobre a Igreja de Cristo, D-S 3070 e 3071
5- Idem, ibidem.
6- Cânon 841: “Já que os sacramentos são os mesmos para toda a Igreja e pertencem ao depósito divino, compete unicamente à suprema autoridade da Igreja aprovar ou definir os requisitos para sua validade, e cabe a ela ou a outra autoridade competente, de acordo com o cân. 838, §§ 3 e 4, determinar o que se refere à sua celebração, administração e recepção lícita, e à ordem a ser observada em sua celebração”.
7- Alocução “Cum vera soddisfazione”, de 10/5/1909.
8- Encíclica Humani Generis, n. 18.
9- Carta do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston, D. 3866.
10- Summa Theologica, II-II, q. 10, a.12.
11- Santo Tomás de Aquino, Decem praec. 6 (apud C.I.C. 1759).

Fonte: Adapostólica