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sexta-feira, 4 de julho de 2014

A força da fraqueza

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará
Nos difíceis anos da segunda Guerra Mundial, as forças ideológicas em conflito se confrontaram de várias formas com a presença dos cristãos, muitos deles inclusive comprometidos com as diversas facções, suscitando depois a análise e o julgamento dos historiadores e muitos críticos, nas décadas que se sucederam. Entretanto, o século XX foi um tempo de martírio, quando cristãos de várias confissões, católicos, evangélicos e ortodoxos derramaram seu sangue por causa do Evangelho, em defesa da verdade e da dignidade da pessoa humana. Foi também um período de grande profusão de homens e mulheres que confessaram a fé, tornaram-se batalhadores com a palavra e os gestos, gerando um santo orgulho para as gerações que se sucederam, inclusive a nossa. Mais ainda, a candura da virgindade, a coragem da castidade de pessoas que foram contra a correnteza da busca desenfreada de prazer que se espalhou pelo mundo, também esta forma de vida cristã se fez presente. Disseram também o seu sim ao Senhor muitos homens e mulheres suscitados pelo Espírito Santo para fundar famílias religiosas, obras sociais, iniciativas de serviços aos mais pobres e Movimentos. 

As grandes chagas do tempo, como as drogas, as enfermidades surgidas recentemente, as novas formas de pobreza e miséria, a situação dos prófugos dos países em guerra, as catástrofes naturais, todas foram situações em que cristãos se lançaram a dar alguma resposta. Mártires, Confessores, Virgens, Fundadores e Fundadoras, Agentes sociais, grandes pregadores do Evangelho. Eis a riqueza da Igreja de nosso tempo! Não somos os detentores exclusivos do bem a ser feito, mas temos oferecido nossa contribuição por um mundo mais justo e fraterno.
No dia seis de julho a Igreja celebra Santa Maria Goretti, uma jovem italiana morta aos doze anos, em 1902, pela decisão de manter a castidade. Pio XII, por ocasião de sua canonização, pronunciou palavras de grande sabedoria: "Nem todos somos chamados a sofrer o martírio; mas todos somos chamados a praticar as virtudes cristãs. A virtude, porém, requer energia; mesmo sem atingir as alturas da fortaleza desta angélica menina, nem por isso obriga menos a um cuidado contínuo e muito atento, que deve ser sempre mantido por nós até o fim da vida. Por isso, semelhante esforço, bem pode ser considerado um martírio lento e constante. A isto nos convidam as palavras de Jesus Cristo: 'O reino dos céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam' (Mt 11,12). Esforcemo-nos todos por alcançar este objetivo, confiados na graça do céu. Sirva-nos de estímulo a santa virgem e mártir Maria Goretti. Que ela, da mansão celeste, onde goza da felicidade eterna, interceda por nós junto ao divino Redentor, a fim de que todos, nas condições de vida que são as nossas, sigamos os seus gloriosos passos com generosidade, vontade firme e obras de virtude" (Homilia da canonização de Santa Maria Goretti, em 1950). Sim, a Igreja tem a oferecer crianças, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres que querem viver como bons cristãos.
Consta que uma grande autoridade da então "Cortina de Ferro", aconselhada a tolerar o catolicismo naquela região, fez uma pergunta sarcástica: "Mas quantas divisões militares tem o papa?" Todas as vezes em que o poder temporal e o religioso se aliaram ingênua ou maldosamente, os resultados foram os piores possíveis. Quando os cristãos revestidos de algum poder se comprometeram com as armas ou com a corrupção, mancharam a beleza da aquela que é Esposa de Cristo. Com o tempo, a graça de Deus lhes concede o dom do arrependimento e a força para recomeçarem o caminho. Não é tarefa da Igreja ter divisões militares, mas arregimentar homens e mulheres que acreditem na força da fraqueza, percorrendo a estrada do serviço e da humildade, mesmo quando as circunstâncias os colocarem em postos altos da política e da administração pública ou em suas atividades profissionais. Estarão então "na corda bamba", desafiados a manter a fidelidade aos princípios evangélicos, fermentando a sociedade.
Efetivamente, desde os primórdios da Igreja multiplicaram-se os desafios, começando pelas próprias fraquezas dos cristãos. As perseguições foram inúmeras, as dificuldades imensas. No entanto, os cristãos aprenderam a acreditar nos meios pobres e no anúncio do Evangelho aos mais simples e desprezados, quanto aos recursos materiais e quanto às condições humanas e espirituais. Cabe-lhes ir ao encontro dos mais sofredores e dos pecadores.
Nosso Senhor, ao oferecer instruções aos discípulos, percorrendo diversas cidades da Galileia (Cf. Mt 11­12), os conduz a entender os valores do Reino de Deus. Ele é interrogado sobre a missão de João Batista, manda ao mesmo João um recado, indicando os sinais do Messias: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova" (Mt 11, 4-5). O mesmo João Batista, preso, quase para ser degolado, é elogiado por Jesus como o maior dentre os nascidos de mulher (Cf. Mt 11, 11). Seus discípulos, ouvindo-o recriminar algumas cidades que recusaram a ocasião oferecida para se arrependerem, certamente ficavam confusos. Até hoje é assim! Poder, dinheiro, influência, tudo atrai terrivelmente!
E o Senhor, diante da arrogância corrente em todos os tempos, exalta o humilde e o simples. Impressiona a efusão espiritual de Jesus (Cf. Mt 11, 25-30), testemunhando a predileção do Pai pelos pequeninos. As portas do Reino de Deus continuam abertas. Venham a ele os que estão cansados e sobrecarregados, os estropiados pela vida ou pelos próprios pecados. Venham os que não vivem satisfeitos com seus próprios preconceitos. Sejam bem vindos os que desejam fazer a estrada da simplicidade de coração. Não se intimidem aquelas pessoas que querem, malgrado todas as propagandas contrárias, ser parecidas com uma Santa Maria Goretti, ou quem sabe abraçar uma vida semelhante à Beata Madre Teresa de Calcutá, ou a coragem de Santa Gianna Beretta Molla na defesa da vida. Se lhes parecerem distantes destas figuras, olhem para as legiões de homens e mulheres sem armas, aí bem perto, em sua Paróquia, que testemunham Jesus Cristo e seu Evangelho.
Entretanto, para que ninguém fique enganado, há uma condição, tomar o jugo suave de Jesus, aprendendo dele, que é manso e humilde de coração. O jugo suave é a lei do amor. Comparado com as cargas impostas pelos fariseus, este jugo liberta e salva. Trata-se de seguir Jesus, abraçar a cruz, tornar-se discípulo e missionário do Reino de Deus. Passe o mundo transitório, permaneça o Reino de Deus, que fermenta com vida e santidade todas as gerações.
Retirado de CNBB

Comentários Eleison: Cardeal Pie - I

Comentários Eleison – por Dom Williamson
CCCLXIII (363) (28 de junho de 2014):

CARDEAL PIE – I


           O Cardeal Pie (1815-1880) foi um grande homem da Igreja da França do século XIX, um dos grandes defensores da Fé contra esse liberalismo que vem devorando o mundo desde a Revolução Francesa (1789). O Papa São Pio X mantinha suas obras ao lado da cama e as lia constantemente. Não há dúvida de que a profunda compreensão do Cardeal sobre as ideias-chave que dirigem o mundo moderno representou a maior parte daquilo que propiciou a São Pio X conseguir que a destruição da Igreja Católica fosse adiada em 50 anos, precisamente de 1907 a 1958.

            Destruída? Mas a Igreja Católica não pode ser destruída! É verdade, pela proteção de Deus ela durará até o fim do mundo (Mt 28, 20), mas ao mesmo tempo nós sabemos pela Palavra de Deus que naquele mesmo tempo a Fé dificilmente será encontrada na terra (Lc 18, 8), e que será dado às forças do mal o poder de vencer os santos (Ap 13, 7). Estas são duas importantes citações para se ter em mente neste ano de 2014, pois tudo o que há em volta de nós atualmente nos indica que os seguidores de Cristo devem estar preparados para uma aparente derrota depois da outra, como, por exemplo, a queda da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Aqui está o que o Cardeal Pie disse sobre o assunto, há 150 anos!

“Lutemos, com esperança contra a própria esperança, é o que eu quero dizer ao cristãos fracos de coração, escravos da popularidade, adoradores do sucesso e abalados pelo menor avanço do mal. Dado como eles se sentem, queira Deus que sejam poupados das agonias do julgamento final do mundo. Esse juízo está próximo ou ainda muito distante? Ninguém sabe, e eu não ouso dar qualquer palpite. Mas uma coisa é certa, a saber, que quanto mais nos aproximamos do fim do mundo, mais e mais os homens maus se destacam. A Fé dificilmente será encontrada sobre a terra, o que significa que ela quase desaparecerá das instituições terrenas. Os próprios crentes dificilmente ousarão professar sua crença em público ou na sociedade.
           
            A divisão, a separação e o divórcio dos Estados com relação a Deus, que foi para São Paulo um sinal que prenunciaria o fim, avançará dia após dia. A Igreja, enquanto permanecer sempre como uma sociedade visível, será reduzida mais e mais a dimensões do indivíduo e do lar. Quando ela estava no início, dizia que estava confinada, e clamava por mais espaço para respirar; mas à medida que ela se aproxima de seu fim na terra, terá assim de lutar uma ação de retaguarda a cada centímetro do caminho, estando cercada por todos os lados. Por tanto ter se desenvolvido nas épocas anteriores, maiores são os esforços para reduzir o seu tamanho. Finalmente, a Igreja sofrerá o que parece ser uma verdadeira derrota, e à Besta será permitido fazer guerra aos santos e vencê-los. A insolência do mal estará no seu auge”.

            Estas são palavras proféticas, que se tornam mais verdadeiras a cada dia, o que não é nada agradável de se admitir, mas que estão ancoradas nas Escrituras. Um sábio bispo anglicano (Butler) disse no século XVIII: “As coisas são o que são. Suas conseqüências serão o que serão. Por que então nós deveríamos buscar enganarmos a nós mesmos?”. Observe especialmente como o cardeal prevê a impossibilidade de defender a Fé em uma escala maior do que a do lar. Nem todo mundo concorda que nós já tenhamos chegado a esse ponto em 2014. Eu gostaria que elas estivessem certas, mas teria antes de ser persuadido de que com gente desintegrada é possível se fazer uma sociedade integrada. Em contraste conosco, cidadãos democráticos dos dias de hoje, está o centurião romano no Evangelho que compreendia a cadeia de comando e reconheceu naturalmente a autoridade de Nosso Senhor (MT 8, 15-18). Como Deus o elogiou!

            Paciência. Veja na próxima semana como o próprio Cardeal reagiu ao que ele previu. Ele não se deu por vencido!


Kyrie eleison.

Retirado de Borboletas ao Luar.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Igreja: Mãe e Educadora

Igreja: Mãe e Educadora

Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: John Nascimento
Transmissão: Rogério Hirota

Diz o Catecismo da Igreja Católica :


2030 . – É em Igreja, em comunhão com todos os baptizados, que o cristão realiza a sua vocação. Da Igreja recebe a Palavra de Deus, que contém o ensinamento da “Lei de Cristo”(Gal.6,2); da Igreja recebe a graça dos Sacramentos que o sustentam no “caminho”; da Igreja recebe o exemplo de santidade : reconhece-lhe a figura e a fonte na santíssima Virgem Maria; distingue-a no testemunho autênctico dos que a vivem; descobre-a na tradição espiritual e na longa história dos santos que o precederam e que a Liturgia celebra no ritmo do Santoral.

Etimologicamente, esta palavra Igreja tem a sua origem no termo judaico QAHAL que significa uma Assembleia ou um Ajuntamento, e foi usado no Antigo Testamento para significar a Assembleia do Povo Escolhido por Deus.

O grego traduziu por Ekklesia daí passou para o latim como Ecclesia e chegou até nós como Igreja.

A palavra grega Ekklesia, no grego clássico significava a Assembleia dos cidadãos de uma cidade no sentido legislativo e deliberativo.

Esta Assembleia incluía apenas os cidadãos que gozavam de plenos direitos, e assim, ficava identificada a dignidade dos membros e a legalidade da Assembleia.

Não tinha ainda um significado religioso.

No Novo Testamento já engloba os dois sentidos : a Assembleia religiosa de Deus e a Assembleia local.

Ekklesia foi o termo aplicado pela primeira vez à Igreja de Jerusalém que era uma comunidade local.

Era ao mesmo tempo a Assembleia ou comunidade dos que acreditavam em Jesus Cristo, e era a legítima comunidade sucessora da Assembleia Israelita de Javé.

As relações entre a Igreja de Jerusalém e o Judaísmo não se tornaram agudas senão desde que os gentios foram admitidos como membros e formaram várias comunidades noutras cidades, das quais, a mais importante foi Antioquia.

Então foi necessário que a Igreja se identificasse como uma comunidade distinta do Judaísmo, na qual o Gentios podiam ser admitidos sem se tornarem judeus e sem as obrigações das leis judaicas.

Esta questão foi discutida no primeiro concílio de Jerusalém de que nos fala o capítulo XV dos Actos dos Apóstolos.

O êxito de Paulo entre os pagãos, tornou a pôr em carne viva o problema fundamental da Igreja Apostólica : devem os pagãos observar a lei mosaica, isto é, as prescrições do Pentateuco (especialmente Levítico e Deuteronómio) ?

Os cristãos de facção hebraica, que predominavam em Jerusalém, afirmavam que sim; os helenistas, sobretudo de Antioquia, diziam que não.

Mais tarde Paulo responderia :

- “Mas nem o próprio Tito que estava comigo, sendo gentio, foi obrigado a circuncidar-se”. (Gal.2,3).(cf. Ef.2,11-22).

O Evangelho de S. Mateus diz-nos que Jesus falou em fundar uma Igreja, a Sua Igreja :

- “Também Eu te digo: Tu es Pedro e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do Inferno nada poderão contra ela”.(Mt.l6,18).

Portanto a Igreja é a Assembleia daqueles que Deus chamou para serem o Seu Povo e fazerem a Sua vontade.

São aqueles que acreditam que Jesus é o verdadeiro Messias, o Filho de Deus e que foi posto por Deus no meio do Seu Povo como modelo de vida.

A Igreja foi fundada e fortificada para difundir a Boa Nova de Jesus até ao fim do mundo.

No Novo Testamento é usada a palavra Igreja com dois sentidos :

* Como Igreja Universal, de todos os que acreditam em Jesus Cristo, em toda a parte e em todos os tempos.

* Como Igreja específica de uma determinada região, tal como Igreja de Roma, de Corinto, etc.

Todavia, estes grupos não são Igrejas independentes, mas membros da Igreja Universal.

Assim o entende para os tempos de hoje, o Catecismo da Igreja Católica, citando o Concílio Vaticano II :

832. - "A Igreja de Cristo está verdadeiramente presente em todas as legítimas comunidades locais de fiéis que, unidas aos seus pastores recebem também elas, no Novo Testamento, o nome de Igrejas(...). Nelas, os fiéis são reunidos pela pregação do Evangelho de Cristo, e é celebrado o mistério da Ceia do Senhor (...). Nestas comunidades, muitas vezes pequenas e pobres ou dispersas, está presente Cristo, por cujo poder se constitui a Igreja una, santa, católica e apostólica". (LG.26).

Tendo professado a nossa fé no Espírito Santo, nós continuamos a professar também a nossa fé na Igreja de que o Espírito Santo é a alma e a fonte da sua vida comunitária.

Num certo sentido a Igreja começou com a origem da raça humana.

Deus quer salvar o povo, não apenas como indivíduos, mas também como membros de uma sociedade.

Consequentemente a Igreja corresponde, no nível da graça, à nossa existência social no nível da natureza.

A prefiguração da Igreja recua até aos tempos em que Deus chamou Abraão para ser o pai de todos os crentes.

Mas na presente economia da vida da fé a Igreja começou com a Encarnação do Filho de Deus.

Aqui nós podemos encontrar três fases do estabelecimento da Igreja no mundo :

* Cristo começou por formar o Seu Corpo Místico, que é a Igreja, quando, pela Sua pregação durante a Sua vida pública, deu a conhecer a Sua doutrina ao Mundo.

* Cristo completou a Igreja quando morreu na cruz.

* Cristo proclamou a Igreja quando enviou o Espírito Santo prometido sobre os Apóstolos no dia de Pentecostes.

Assim quando dizemos que a Igreja nasceu no Calvário, devemos entender que Cristo, pela Sua morte mereceu as graças que o mundo pecador necessitava para ficar completamente reconciliado com um Deus ofendido.

Todavia, isso foi apenas o princípio.

Verdadeiramente, Cristo ganhou para nós todas as graças de que nós necessitávamos para sermos santificados e salvos.

Mas estas graças, desde então e para sempre, deveriam ser comunicadas a todo o mundo...

E é através da Igreja, que começou a sua existência em Sexta-Feira Santa, que o Salvador está a comunicar e a canalizar a Sua graça para toda a família humana.

Fundando a Sua Igreja, Cristo assegurou que ela havia de cumprir a sua missão até ao fim do mundo, prometendo :

- “Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo”. (Mt.28,20).

Logo no princípio da Idade Apostólica, os chefes da Igreja começaram a organizar-se para saberem quem é que pertencia à Igreja, e assentar ideias sobre o que deviam acreditar.

Por isso apareceram dissidências entre os primeiros chefes e houve oposições vindas do exterior.

Começou desde logo a formar-se o Magistério da Igreja que assenta na Sucessão Apostólica.

Todo o Concílio Vaticano II foi um esforço de actualização da Igreja, nas suas múltiplas actividades e na defesa e esclarecimento das verdades em que devemos crer, mas debruçou-se especialmente numa Constituição Dogmática sobre a Santa Igreja - Lumen Gentium, e numa Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Actual - Gaudium et Spes.

Nesta Constituição Pastoral, podemos ler sobre a Natureza da Igreja :

- As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristeza e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história.

E a mesma Constituição Pastoral continua ainda :

- Po isso, o Concílio Vaticano II, tendo investigado mais profundamente o mistério da Igreja, não hesita agora em dirigir a sua palavra, não já apenas aos filhos da Igreja e a quantos invocam o nome de Cristo, mas a todos os homens. Deseja expor-lhes o seu modo de conceber a presença e a actividade da Igreja no mundo de hoje.

Cristo fundou a Sua Igreja para a continuação do cumprimento do plano da História da Salvação.
Fonte: Exsurge Domini

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Igreja



Queridos irmãos e irmãs: ...tentamos compreender o desígnio originário da Igreja querida pelo Senhor para compreender melhor nossa participação, nossa vida cristã, na grande comunhão da Igreja. Até agora, compreendemos que a comunhão eclesial é suscitada e sustentada pelo Espírito Santo, custodiada e promovida pelo ministério apostólico. E esta comunhão, a qual chamamos de Igreja, não se estende só a todos os crentes de um certo momento histórico, mas abraça também os de todos os tempos e de todas as gerações. Portanto, encontramo-nos perante uma dupla universalidade: a universalidade sincrônica - estamos unidos com os crentes em todas as partes do mundo - e a universalidade chamada diacrônica, ou seja, pertencem a nós todos os tempos: os crentes do passado e os crentes do futuro formam conosco uma única e grande comunhão.
O Espírito apresenta-se como a garantia da presença ativa do Mistério no curso da história, assegurando sua realização através dos séculos. Graças ao Paráclito, a experiência do Ressuscitado, feita pela comunidade apostólica nas origens da Igreja, poderá ser vivida sempre pelas gerações sucessivas, na medida em que é transmitida e atualizada na fé, no culto e na comunhão do Povo de Deus, peregrino no tempo. E, deste modo, nós, agora, no tempo pascal, vivemos o encontro com o Ressuscitado não só como algo do passado, mas na comunhão presente da fé, da liturgia, da vida da Igreja. A Tradição apostólica da Igreja consiste nesta transmissão dos bens da salvação, que faz da comunidade cristã a atualização permanente da comunhão originária, com a força do Espírito. É chamada deste modo (Tradição apostólica) porque nasceu do testemunho dos apóstolos e da comunidade dos discípulos no tempo das origens, foi entregue sob a guia do Espírito Santo nos escritos do Novo Testamento e na vida sacramental, na vida da fé, e a Igreja faz referência continuamente a ela - a esta Tradição que é a realidade sempre atual do dom de Jesus - como seu fundamento e sua norma através da sucessão sem interrupção do ministério apostólico.
Em sua vida histórica, Jesus limitava sua missão à casa de Israel, mas já dava a entender que o dom estava destinado não só ao povo de Israel, mas a todo o mundo e a todos os tempos. O Ressuscitado confia depois explicitamente aos apóstolos (cf. Lc 6,13) a tarefa de fazer discípulos todas as nações, garantindo sua presença e sua ajuda até o final dos tempos (cf. Mt 28,19ss). A universidade da salvação exige, entre outras coisas, que o memorial da Páscoa seja celebrado sem interrupção na história até o regresso glorioso de Cristo (cf. 1Cor 11,26). Quem atualizará a presença salvífica do Senhor Jesus, mediante o ministério dos apóstolos - chefes do Israel escatológico (cf. Mt 19,28) - e de toda a vida do povo da nova aliança? A resposta está clara: o Espírito Santo. Os Atos dos Apóstolos - continuando com o desígnio do Evangelho de Lucas - apresentam ao vivo a compenetração entre o Espírito, os enviados de Cristo e a comunidade por eles reunida. Graças à ação do Paráclito, os apóstolos e seus sucessores podem realizar no tempo a missão recebida do Ressuscitado: «Vós sois testemunhas disso. Eis que eu vos enviarei o que meu Pai prometeu...» (Lc 24,48 ss). «Recebereis a força do Espírito Santo, que virá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra» (At 1,8). E esta promessa, ao início incrível, já se realizou no tempo dos apóstolos: «Nós somos testemunhas destas coisas, e também o Espírito Santo que deu Deus aos que lhe obedecem» (At 5,32).
Portanto, é o próprio Espírito que, por meio da imposição das mãos e da oração dos apóstolos, consagra e envia os novos missionários do Evangelho (p. ex. At 13,3ss; 1Tm 4,14). É interessante observar que, enquanto em algumas passagens diz-se que Paulo estabelece os presbíteros nas Igrejas (cf. At 14,23), em outras se afirma que é o Espírito Santo quem constitui os pastores do rebanho (cf. At 20,28). A ação do Espírito e a de Paulo estão deste modo profundamente compenetradas. Na hora das decisões solenes para a vida da Igreja, o Espírito está presente para guiá-la. Esta presença-guia do Espírito Santo experimenta-se particularmente no Concílio de Jerusalém, em cujas palavras conclusivas ressoa a afirmação: «decidimos o Espírito Santo e nós...» (At 15,28); a Igreja cresce e caminha «no temor do Senhor e estava cheia da consolação do Espírito Santo» (At 9,31). Esta permanente atualização da presença ativa do Senhor Jesus em seu povo, realizada pelo Espírito Santo e expressada na Igreja por meio do ministério apostólico e da comunhão fraterna, é o que em sentido teológico entende-se com o termo Tradição: não é a mera transmissão material do que foi entregue ao início aos apóstolos, mas a presença eficaz do Senhor Jesus, crucificado e ressuscitado, que acompanha e guia no Espírito a comunidade reunida por ele.
A Tradição é a comunhão dos fiéis ao redor dos legítimos pastores no transcurso da história, uma comunhão que o Espírito Santo alimenta assegurando o nexo entre a experiência da fé apostólica, vivida na comunidade originária dos discípulos e a experiência atual de Cristo em sua Igreja. Em outras palavras, a Tradição é a continuidade orgânica da Igreja, Templo santo de Deus Pai, edificado sobre o fundamento do Espírito: «Assim, pois, já não sois estranhos nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e familiares de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo a pedra angular o próprio Cristo, em quem toda a edificação bem travada eleva-se até formar um templo santo no Senhor, em quem também vós estais sendo juntamente edificados, até ser morada de Deus no Espírito» (Ef 2,19-22). Graças à Tradição, garantida pelo ministério dos apóstolos e seus sucessores, a água da vida surgida do lado de Cristo e seu sangue salvador chega às mulheres e aos homens de todos os tempos. Deste modo, a Tradição é a presença permanente do Salvador que nos sai ao encontro, redime-nos e santifica no Espírito por meio do ministério de sua Igreja para glória do Pai.
Concluindo e resumindo, podemos, portanto, dizer que a Tradição não é a transmissão de coisas ou de palavras, uma coleção de coisas mortas. A Tradição é o rio vivo que nos une às origens, o rio vivo no qual as origens sempre estão presentes. O grande rio que nos leva à porta da eternidade. Neste rio vivo realiza-se sempre de novo a palavra do Senhor, que escutamos ao início dos lábios do leitor: «Eis aqui que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo» (Mt 28,20).

Bento XVI
Fonte: Dom Dirceu Vegini

domingo, 22 de janeiro de 2012

Unidade: Ideal de Cristo

Unidade: Ideal de Cristo

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora (MG)

Um dos mais fervorosos pedidos de Cristo na oração foi que todos encontrem meios para superar as diferenças e promovam a unidade. A união é expressão do amor, enquanto a desunião é fruto do mal. No evangelho de João, Jesus repete por três vezes o mesmo pedido: “Pai que todos sejam um, como eu e Tu!” (cf. Jo.17, 21 ss). Em Pentecostes, quando veio o Espírito Santo sobre os discípulos, reunidos em Jerusalém, 50 dias após a ressurreição do Senhor, estavam presentes os Apóstolos, a Mãe de Jesus, e um bom número de outros, conforme a Sagrada Escritura ( cf. Atos dos Apóstolos, 1, 1 ss). A manifestação extraordinária do Espírito Santo era esperada, mesmo porque sua ordinária presença é uma realidade para aqueles que crêem. O Espírito Santo é força de unificação como expressa Paulo aos Coríntios: Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. (ICor.12,3). Após a extraordinária experiência mística daquela manhã, os Apóstolos saíram anunciando Jesus Cristo como Filho de Deus feito homem que fora morto pelo poder constituído, ressuscitara, estava vivo e não podia mais morrer. A informação bíblica diz que a pregação era tão convincente que cada um, mesmo estrangeiro, os entedia em sua própria língua. É a linguagem unificadora do amor autêntico, aquele que vem de Deus. Com o Pentecostes, nasce propriamente a Igreja fundada por Cristo. O Senhor já havia previsto isto aos discípulos quando, ressuscitado, sentou-se com eles à mesa mais uma vez e disse: recebereis o Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judéia e na Samaria e até as extremidades da terra. (At.1,8)

Hoje, após dois mil anos, contudo, os cristãos experimentam dolorosa desunião, organizados em várias igrejas e seitas. A realidade provoca preocupação a todos. Porém, há um consolo. Atualmente, os esforços em busca da unidade perdida são fortes; o diálogo entre os grupos abertos à compreensão é um fato. Na Europa e em outras partes do mundo, nesta semana de janeiro, se celebra a jornada de orações pela união dos cristãos. No Brasil, tal movimento é realizado, todos os anos, na semana que precede a festa de Pentecostes. Com orações pessoais, com a oração litúrgica são realizados encontros em igrejas de diferentes tradições por católicos e não católicos. O Conselho Mundial das Igrejas Cristãs e os Conselhos Nacionais, fundados por não católicos, conta com a participação efetiva da Igreja Católica e de várias outras Igrejas, num clima de serena e sincera fraternidade. Movimentos como o dos Focolares, a Comunidade de Tezé, Mofic e outros espalham o ideal da unidade desejada por Cristo, sempre com a humildade de reconhecer falhas humanas, mas muito mais voltados para aspectos comuns que mantém, ao menos parcialmente unidos, os atuais discípulos do Senhor.

A força do Espírito também garante aos cristãos que as adversidades provocadas pela iniqüidade não serão capazes de ameaçar a Igreja e muito menos a pessoa de Cristo, Filho de Deus, vencedor da morte. Ele já havia dito ao chefe dos Apóstolos: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt.16,18) Infelizmente, vez por outra, surgem na história vozes contrárias com objetivo de agredir, desvirtuar, confundir e não raro com o desejo de desconstruir o ideal do amor projetado pelo Pai, comunicado por Jesus. Não tenhamos medo. Um dos títulos do Espírito Santo é iluminador das mentes, luz dos corações. Seja Ele a claridade para todos, a fim que unidos propaguemos o bem e seja o mal vencido para sempre.

Fonte: CNBB

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Não duvidar daquilo que a Igreja ensina

Não duvidar daquilo que a Igreja ensina
Pois o Espírito Santo 'ensinar-vos-á todas as coisas'

"O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordará tudo o que vos tenho dito" (João 14,25).

Antes de Jesus sofrer a Sua Paixão, na noite da despedida, naquela última Santa Ceia memorável, deixou bem claro aos apóstolos que eles teriam a assistência permanente do Espírito Santo. Sinta-se um instante naquela Ceia e ouça-O falar naquela noite memorável da despedida: "Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito (Defensor), para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós" (João 14, 15-17).

Ora, como poderia a Igreja Católica se desviar do caminho de Deus se o Espírito da Verdade está nela e, com ela, desde o começo, e nela “permanece” sempre? Será que essa Promessa de Jesus não se cumpriu? Será que o Senhor mentiu naquela noite memorável? Não! Jesus foi enfático, o Espírito Santo não só “permanecerá convosco”, mais ainda: “estará em vós”, eternamente.

Na mesma noite da despedida, Jesus ainda disse aos apóstolos: "Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordará tudo o que vos tenho dito" (João 14,25).

Ora, como pode a Igreja se enganar na sua missão de levar os homens a Deus se o Senhor lhe prometeu na última noite: o Espírito Santo "ensinar-vos-á todas as coisas"? Observe que Cristo colocou o verbo no futuro: “ensinar-vos-á”; quer dizer: todos os dias daquele dia em diante, até Ele voltar. Ele continua a ensinar a Igreja, e a Igreja aos homens.

Nem tudo que a Igreja acredita está na Bíblia, muitas coisas o Espírito Santo ensinou para ela [Igreja] no decorrer dos séculos: é a Sagrada Tradição. É por isso que cremos nos dogmas ensinados pela Igreja hoje e sempre.

Aqueles homens simples da Galileia não tinham condições de assimilar todas as verdades da fé, toda a teologia que hoje a Igreja conhece (dogmática, cristologia, liturgia, mariologia, pneumatologia, escatologia, exegese bíblica...), depois de muito estudo e reflexão. Jesus, então, lhes explicou que o Espírito Santo de Deus, o Espírito da Verdade, os guiaria à verdade no futuro. Como poderá, então, a Igreja errar se o Senhor lhe prometeu que o Seu Santo Espírito da Verdade “ensinar-vos-á toda a verdade”, desde o começo? Note que o verbo está no futuro.

Uma grande prova de que a Igreja Católica não erra, no essencial, é que, em toda a sua longa história de 2 mil anos, nunca um Papa revogou um ensinamento sobre a fé ou a moral de um antecessor seu. O mesmo aconteceu com os 21 Concílios ecumênicos (universais) que a Igreja já realizou; nunca um Concílio revogou um ensinamento de fé de outro anterior. Esta é a marca do Espírito Santo na Igreja: não há contradição.

"Fora da Igreja não há salvação", diziam os Santos Padres dos primeiros séculos da Igreja. E o Catecismo da Igreja Católica (CIC) explica o que isso significa: "Toda salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu Corpo" (CIC § 846). Logo, sem a Igreja não pode haver salvação. Mesmo os não cristãos, sem culpa, podem se salvar se viverem de acordo com sua consciência, são salvos por meio da graça concedida à Igreja. Aqueles que, conscientemente, rejeitarem a Igreja, rejeitarão também a salvação. Jesus afirmou aos apóstolos, hoje nossos bispos: "Quem vos ouve, a Mim ouve, quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que Me enviou" (Lc 10,16).

Só a eles o Senhor confiou o encargo de ensinar, sem erro, com a assistência do Espírito Santo. Por isso a Igreja é essencial.

A Igreja que Jesus fundou é a que “subsiste na Igreja Católica”, que tem 2 mil anos e nunca ficou sem um chefe, Sucessor de Pedro, que o Senhor escolheu.

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Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Perseguição hoje: China – Candidato a ordenação episcopal detido

Perseguição hoje: China – Candidato a ordenação episcopal detido

2 julho, 2011 por David

China: candidato a ordenação episcopal legítima é detido
E sacerdote fiel a Pequim é ordenado bispo sem aprovação do Papa

HONG KONG, sexta-feira, 1º de julho de 2011 (ZENIT.org) – A detenção de um sacerdote fiel a Roma, neste domingo, 26 de junho, impediu sua ordenação episcopal, acordada pelo Vaticano e por Pequim para o dia 29 de junho – dia em que precisamente foi ordenado um bispo fiel à Associação Católica Patriótica Chinesa, sem a aprovação da Santa Sé.

O sacerdote detido, que ainda se encontra em paradeiro desconhecido, Joseph Sun Jigen, se tornaria, nesta quarta-feira, bispo coadjutor de Handan (Hebei), no norte da China.

Mas este bispo eleito, de 43 anos, foi detido pela polícia três dias antes da sua consagração episcopal, justamente quando havia finalizado um retiro espiritual de cinco dias, segundo informou a agência AsiaNews.

Sua ordenação episcopal havia sido aprovada pela Santa Sé e reconhecida pelo governo chinês.

Nos últimos dias, representantes diocesanos haviam estado negociando com oficiais das autoridades locais e provinciais sobre a organização da ordenação episcopal, mas não conseguiram chegar a um acordo.

Neste difícil contexto, o bispo de Handan, que ordenaria o sacerdote detido e que já tem 89 anos, sofreu um ataque ao coração e teve de ser hospitalizado em Weixian, em Hebei.

Enquanto isso, no mesmo dia em que se celebraria esta cerimônia, foi realizada, na igreja de Nossa Senhora do Rosário, da cidade de Emeishan (província de Sichuan), a ordenação do bispo de Leshan, Paul Lei Shiyin.

A consagração episcopal foi celebrada por decisão da Associação Católica Patriótica Chinesa e sem a aprovação da Santa Sé.

Segundo o Vatican Insider, o bispo Lei é vice-presidente da associação chinesa de católicos patriotas e deputado da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, um importante órgão assessor do governo. Tem um filho, fruto da relação com uma mulher.

Na mesma quarta-feira, 29 de junho, à noite, cerca de 100 católicos, encabeçados pelo bispo emérito de Hong Kong, cardeal Joseph Zen, levaram a cabo um protesto no exterior do escritório do governo central da China na cidade.

Condenavam o trato inumano do regime comunista ao clero e pediam a libertação dos membros da Igreja que foram detidos.

Os manifestantes carregavam cartazes, faixas, uma grande cruz e cantavam hinos. Também colocaram faixas amarelas – cada uma delas com o nome de um clérigo desaparecido ou detido – e depositaram uma carta na porta do escritório.

Instaram o governo a investigar os casos de sacerdotes torturados e exigiram desculpas e compensações.

Um porta-voz deste grupo, Patrick Poon, declarou que os católicos de Hong Kong se viram “forçados a sair às ruas” porque “os direitos humanos, em concreto a liberdade religiosa dos católicos chineses, foram gravemente violados, chegando-se a uma situação intolerável”.

Poon se referiu à “triste e lamentável ordenação ilícita” realizada em Leshan e mencionou a ordenação legítima cuja celebração estava prevista em Handan, mas que teve de ser cancelada.

“A obstinação do governo chinês de continuar as ordenações ilícitas é uma grave mostra de falta de respeito à Igreja e cria divisão e dor”, acrescentou.

Os manifestantes católicos celebraram depois uma Missa presidida pelo cardeal Zen, em uma capela próxima, com a liturgia da solenidade dos santos Pedro e Paulo e orações pelos que sofrem e são perseguidos na China.

Repressão socialista mata dúzias de cristãos no Vietnam

Repressão socialista mata dúzias de cristãos no Vietnam
24, julho, 2011

Luis Dufaur

Pelo menos 49 cristãos vietnamitas da etnia Hmong foram mortos, centenas ficaram feridos e um número inverificável deles foram presos ou estão desaparecidos.

Esse é o balanço da sanguinária repressão desencadeada pelos Exércitos do Povo do Vietnam e do Laos numa região de fronteira, noticiouAsiaNews.

Em 30 de abril, em Muong Nhe, província de Dien Bien, 8.500 Hmong se reuniram para rezar, pedir a devolução das terras e liberdade religiosa. Naquele momento sofreram o ataque militar. Segundo Christy Lee, diretor executivo de Hmong Advance Inc. (HAI), de Washington, D.C., os presos “poderão ser torturados ou assassinados, ou simplesmente desaparecer”. A energia elétrica e as comunicações foram interrompidas na região.

Entre os presos há alguns ministros extraordinários da Eucaristia que atendem quatro comunidades católicas da região.

Na região os fiéis católicos praticam a religião na clandestinidade porque a violação da liberdade religiosa é a mais violenta do país.

Os últimos sacerdotes católicos só conseguiram entrar em Muong Nhe se apresentando como turistas. Mas, ficaram sob vigilância ininterrupta sendo acompanhados por policiais que os vigiavam para impedir qualquer tentativo de evangelização.

Os Hmong são perto de 790 mil e durante as guerras lutaram do lado anticomunista. Entre eles há muitas conversões ao catolicismo.
Lar Hmong católico

Segundo Philip Smith, diretor executivo doCenter for Public Policy Analysis (CPPA), Washington, D.C., a repressão socialista utilizou até “helicópteros de ataque ao solo para caçar, prender e matar aqueles que tentavam fugir da região do conflito”, informou a agencia VietCatholic News.

Também foram utilizados blindados numa repressão “horrorosa”. Alguns fugitivos conseguiram atravessar a fronteira da Tailândia fugindo pela selva.

Mùa A Sơn, governador da província de Dien Bien justificou o massacre porque “forças hostis se infiltraram para pregar ilegalmente e incitar o povo a aderir a um movimento independentista que visa criar um reino separado de Hmongs”. O linguajar parece repetir alguma cartilha chinesa ou alguma ainda mais antiga soviética.

O porta-voz do ministério de Relações Exteriores, Nguyen Phuong Nga, deu uma explicação diversa poucos dias depois, apontando como causa das mortes a “procura ilusória da religião” e “condições anti-higiênicas de vida”.

Fontes católicas informaram que o incidente foi provocado por uma série de violações da propriedade da terra e de atentados contra a liberdade religiosa.

O governo quer forçar a população a trabalhar no domingo e lhe impede assistir a Missa ou a serviços religiosos para obrigá-la a renunciar à fé.

O governo socialista proíbe a presença de jornalistas estrangeiros na região. O porta-voz atribuiu a interdição ao mau clima e ao mal estado das estradas.

Por sua vez, o chefe do Exército do Povo do Laos foi acusado por ONGs humanitárias por atrocidades contra civis que incluem violação, assassinato e mutilação de crianças e mulheres Hmong, acrescentou VietCatholicNews.

Entretanto, otimistas empresários ocidentais e dialogantes clérigos vaticanos são recebidos amistosamente pelos carrascos de Hanói e retornam esperançosos nas promessas dos carrascos e insensíveis ao morticínio dos fiéis da Igreja.

Fonte: Suma Teológica

Violência não impede crescimento da Igreja Católica na Índia

Violência não impede crescimento da Igreja Católica na Índia

Luis Dufaur

·A igreja de Nossa Senhora de Vailankanni, no estado de Kerala, sul da Índia, foi invadida e depredada por fanáticos anti-católicos, informou a agência Zenit.

Os vândalos destruíram o altar, ornamentos sagrados e confessionários, além de ameaçarem os fiéis que acudiram em grande número quando ouviram o tumulto.

Os fanáticos hinduístas e islâmicos estão perdendo a cabeça vendo o progresso do catolicismo. 20% da população do estado de Kerala já é católica.

O bispo diocesano D. Stanley Roman explicou que “há uma comunidade católica muito viva e numerosa. Por isso, tínhamos a intenção de construir uma igreja maior. O projeto alarmou os grupos extremistas hinduístas”, além dos islâmicos.

O bispo precisou tranqüilizar o povo católico que estava prestes a dar o troco aos agressores e o convidou a suportar com paciência as violências. “Agiremos segundo a lei”, sublinhou.

Foi essa a conduta dos primeiros católicos no tempo das perseguições romanas. No fim, o império pagão caiu de podre e a Igreja Católica emergiu triunfante das catacumbas.

Essa perspectiva apavora os pagãos e os falsos “ecumenistas cristãos”.

Fonte: Intituto Plínio Corrêa de Oliveira