De onde veio o Diabo?
Categoria: Demonologia
Segunda, 07 Novembro 2011 03:15
Rafael Rodrigues
Desde sempre, o homem se pergunta: mas como é possível que num mundo tão maravilhoso, criado por um Deus tão bom, poderia existir o diabo? Estragando o universo com a sua maldade?
São três as possíveis respostas.
A primeira resposta é aquela dada pelo mundo da crítica, ao sustentar que a história do diabo nada mais é que um conto mitológico criado pelo homem para explicar o mal, a doença e a morte que nos rodeiam. Portanto, de acordo com os que assim pensam, o diabo não é existe como um ser pessoal, mas apenas na mente dos ignorantes.
Outros pensam que o diabo sempre existiu como um princípio oposto a Deus. Existem dois deuses: um Bom e outro Mau. Ambos estão sempre se opondo um contra o outro, como se fossem o Governo e a Oposição no Parlamento. Muitas religiões antigas sustentam esta teoria, mas está teoria é contrária àquela que encontramos na bíblia, onde é excluído qualquer dualismo. Tudo o que foi criado está sob o domínio de um único Deus.
A terceira possibilidade – que de fato é a doutrina baseada na Bíblia e no Ensinamento da Igreja – é que Deus criou todo o universo, tanto aquilo que é espiritual ( os anjos ), como aquilo que é material ( entre eles, o mundo e os homens ).
No principio tudo era bom, pois nenhum mal jamais pode vir de Deus.
O Diabo, que era um anjo repleto de dons e beleza, mais tarde encheu-se de arrogância e de rebeldia e voltou-se contra Deus. Por isso o mal começou a existir… foi criado o inferno… começou a destruição…
Acertadamente Isaías diz:
“… a fim de que se saiba, do levante ao poente, que nada há fora de mim. Eu sou o Senhor, sem rival; formei a luz e criei as trevas, busco a felicidade e suscito a infelicidade. Sou eu o Senhor, que faço todas essas coisas.” (Is 45, 6-7).
Está é uma descrição que mostra que somente Javé é o Senhor de tudo, e não existe ninguém competindo com Ele(Cf. Amós 3,6).
Não é tão fácil sabermos como os anjos bons se tornaram maus, ou melhor, se tornaram demônios.
Um dos textos mais claros talvez seja aquele de Lucas 10, 18 , no qual Jesus exclama e diz: “Vi satanás cair do céu como um raio”. O que significa isto?
Significa que Jesus estava se referindo à queda do diabo, quando no céu ele se encheu de orgulho e revoltou-se contra Deus?
Ou aqui Ele está dizendo aos Seus discípulos, que retornavam felizes por que até os diabos os obedecia, que por isso deveriam permanecer firmes na fé e se alegrarem, por que Ele via o diabo sendo derrotado por aqueles a quem Ele havia dado o poder?
Como pode ver, é difícil interpretarmos com certeza e exclamação de Jesus, se Ele está se referindo mais ao passado (a queda do diabo) ou ao presente e ao futuro (à derrota dele).
Uma coisa é Fato: que certa época, a moradia de Satanás foi o céu e, num estágio posterior, ele caiu de um estado de alegria para um estado de sofrimento.
Um texto muito importante com certeza é aquele dado por João no livro do apocalipse, onde temos um resultado da batalha entre São Miguel e Lúcifer:
E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. (Ap 12, 7-9)
Ou seja sua origem é o céu e depois foi precipitado para a terra!
Outro texto que é apresentado para com freqüência provar a origem de Satanás, é aquele que encontramos em Ezequiel. Porém temos que tomar cuidado assim como no livro do apocalipse para não focarmos o texto a dizer o que ele não diz, apesar de fazer menção a satanás os textos se referem diretamente no apocalipse a os reinos políticos e em Ezequiel ao Rei e ao Príncipe de Tiro que estão sob o domínio do maligno.
Eis como o texto se refere ao Rei de Tiro:
“ A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: filho do homem, entoa um cântico fúnebre sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Eis o que diz o Senhor Javé: Eras um selo de perfeição, cheio de sabedoria, de uma beleza acabada. Estavas no Éden, jardim de Deus, estavas coberto de gemas diversas: sardônica, topázio e diamante, crisólito, ônix e jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda; trabalhados em ouro. Tamborins e flautas, estavam a teu serviço, prontos desde o dia em que foste criado. Eras um querubim protetor colocado sobre a montanha santa de Deus; passeavas entre as pedras de fogo. Foste irrepreensível em teu proceder desde o dia em que foste criado, até que a iniqüidade apareceu em ti. No desenvolvimento do teu comércio, encheram-se as tuas entranhas de violência e pecado; por isso eu te bani da montanha de Deus, e te fiz perecer, ó querubim protetor, em meio às pedras de fogo. Teu coração se inflou de orgulho devido à tua beleza, arruinaste a tua sabedoria, por causa do teu esplendor; precipitei-te em terra, e dei com isso um espetáculo aos reis.” (Ez 28, 11-17).
Mesmo o texto se referindo ao Rei a alusão a queda de Satanás é clara!
A alusão à queda de Satanás, sendo um anjo formoso e se transformando num diabo orgulhoso, lançado no abismo do inferno, é algo claro.
Por exemplo, alguns pais da Igreja, como Tertuliano, acreditam que as palavras de Jesus sobre a queda de Satanás do céu são uma alusão clara a Isaías 14, 12, que assim como Ezequiel faz alusão ao Diabo falando a respeito do imperador. Parece que também São Judas se refere a este texto:
“…Os anjos que não tinham guardado a dignidade de sua classe, mas abandonado os seus tronos, ele os guardou com laços eternos nas trevas para o julgamento do Grande Dia.” (Jd 6)
Assim como São Paulo:
“Não pode ser um recém-convertido, para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demônio.” ( I Timóteo 3, 6).
Estes textos bíblicos mostram que estão se referindo ao texto de Isaías.
E para terminar sobre as origens do diabo coloco o que Origenes afirma:
“Com relação ao diabo e seus anjos e os inimigos poderosos, o ensinamento da Igreja atesta que estes seres realmente existem; mas, como eles são, não sabemos claramente. A opinião comum, no entanto, é a de que o diabo era um anjo; e devido ao fato de haver se rebelado, atraiu atrás de si um grande número que o seguiram e estes, mesmo hoje, são chamados de seus anjos.”.
In Cord Jesu, Semper,
Rafael Rodrigues.
Fonte: Apologistas Católicos
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Análise Bíblica sobre os Demônios.
Sábado, 03 Dezembro 2011 09:25
Um dos grandes mistérios da teologia judaico-cristã é a existência do mal, porque Deus permitiu o seu surgimento, existência e os detalhes sobre a sua origem. Dois fatos, porém, são claros: ele existe e ele será derrotado.
Textos como os de Ez. 28,12 - 15 e Lc.10,18 indicam que houve uma rebelião liderada por um anjo de luz (lúcifer), que, exercendo o seu livre arbítrio, optou pelo não-bem e pela ruptura de comunhão contra o Criador. Deus cria um lugar-estado (inferno) e para lá os lança (II Pe. 2,4).
O chefe desses anjos caídos é denominado de lúcifer ou satanás (hebraico = adversário), recebendo outros, como: belzebu, belial, o maligno, o príncipe deste mundo, diabo (grego = instigador, acusador).
Satanás lidera os demônios que:
1. São seres espirituais com personalidade e inteligência. Como súditos de satanás, inimigos de Deus e dos seres humanos (Mt.12,43 - 45);
2. São malignos, destrutivos e estão sob a autoridade de Satanás.
3. São numerosos (Mc. 5,9; Ap. 12,41).
Eles mantêm a forma angélica, com a natureza voltada para o mal. Têm inteligência e conhecimento, mas não podem conhecer os pensamentos íntimos das pessoas e nem obrigá-los a pecar.
Há autoridade e organização no mundo inferior (Mt. 25,41), mas por não ser Satanás onipresente, onipotente e onisciente (atributos exclusivos de Deus), ele age por delegação a seus inúmeros demônios (Mt. 8,28; Ap.16,1 - 14).
A teologia cristã tem percebido, a partir da Bíblia e da experiência, os seguintes ministérios demoníacos:
a) indução à desobediência a Deus e aos seus mandamentos;
b) propagação do erro e da falsa doutrina;
c) indução à mentira (“pai da mentira”) e à corrupção;
d) provocação de rebeldia nas pessoas que sofrem provações;
e) influência negativa sobre o corpo, os sentidos e a imaginação;
f) influência sobre os bens materiais (apego vs. perda);
g) realização de efeitos extraordinários, com aparência de milagres;
h) indução a sentimentos negativos, como o temor, a angústia e o ódio;
i) promoção da idolatria, da superstição, da necromancia, da magia, do sacrilégio e do culto satânico.
O mal esteve agindo no Pecado Original (queda), e exerce continuamente a sua obra perversa até o fim dos tempos, como tentador (Gn. 3,1 - 5), caluniador (Jó.1,9 - 11), causador de enfermidades (Jó. 2,7) e arquienganador (Mt. 4,6).
Ele mantém permanente luta contra Deus e o seu povo, procura desviar os fiéis de sua lealdade a Cristo (II Co. 11,3), induzindo-os a pecar e a viver segundo os sistemas elaborados pela natureza corrompida ou “carne” (I Jo. 5,19).
Os cristãos devem conhecer, pelo estudo da Bíblia e da teologia, a natureza e o ministério do mal, para se conscientizarem e se precaverem.
O apóstolo Paulo nos exorta a nos fortalecer em Deus e no seu poder, resistindo firmes pois “a nossa luta não é contra os seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores desse mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef.6:12).
A disciplina devocional, com a leitura da Bíblia, a oração, os sacramentos, a busca de santidade, o desenvolvimento dos dons, a comunhão do Corpo, são antídotos contra o mal.
O ministério demoníaco contra as pessoas pode se dar de três maneiras:
a) tentação: apoio a opções negativas e atinge todos os seres humanos;
b) indução: (também chamada obsessão), uma ação mais íntima e contínua de “assessoria” à maldade, que atinge os descrentes e os crentes carnais;
c) possessão: quando os demônios se apoderam de corpos, controlando-os. Para a teologia evangélica clássica isso não pode acontecer a um convertido, cujo corpo é habitado pelo Espírito Santo.
Satanás e os demônios têm poder sobre os perdidos nesta vida e após a morte, que se destinam ao inferno.
Devemos estar advertidos para não cair em um dualismo de fundo zoroastrista. Satanás não é um ente contrário comparável a Deus.
Quem combate contra ele é o chefe dos anjos bons, e são os anjos bons que combatem os anjos maus.
Não devemos nem minimizar, nem maximizar o ministério do maligno.
Ele já foi derrotado na cruz, e o sangue de Cristo já tem poder, a obra da expiação já foi realizada, Cristo já ressuscitou e o Espírito Santo já foi enviado. O resgate já se deu, é oferecido pela Graça e recebido pela fé. O Senhor já reina sobre o universo, a História e a sua Igreja.
A perfeição da Ordem Criada (Éden) será revivida na Ordem Restaurada (Nova Jerusalém).
O mal terá um fim, quando satanás e os demônios forem todos lançados no lago do fogo (Mt. 25,41), também chamado de “segunda morte” (Ap. 20,14).
Devemos evitar cair na irresponsabilidade moral atribuindo aos demônios os males que são fruto de nossa opção, com natureza caída e pecadores. Não sejamos, portanto, ”caluniadores de satanás”.
O racionalismo e o liberalismo teológico haviam negado a existência de Satanás e dos demônios.
A teologia conservadora clássica (como fizera com os anjos bons), afirmava a sua existência, mas pouco elabora na prática do cotidiano dos fiéis. O pós-pentecostalismo e a teologia da “batalha espiritual” os vulgarizou e hipertrofiou o seu poder, além de, em uma atitude irracional, anti-científica e anti-bíblica, atribuir tudo aos mesmos. Nem indiferenças, nem irresponsabilidade, nem angústia opressiva.
Devemos rejeitar as representações pictóricas aterradoras (fruto da imaginação dos artistas), pois o mal não é incompetente em “marketing” ou em “relações públicas”, podendo aparentar beleza, bondade e prodígio.
O mal, que ele nos tenta, pode estar em nosso caráter, em nosso temperamento, e em nossa ética.
Devemos evitar o dualismo de fundo bramânico, entre “alma” (boa) e “corpo” (ruim). O ser humano foi criado integrado, caiu integrado e é restaurado integrado. “Carne” na Bíblia não é igual a Corpo (muito menos a sexualidade) mas a natureza caída (integrada). Lutero disse: “Jesus veio em carne e não pecou; Satanás não tem carne e peca todo o tempo”.
A Palavra e o Espírito vão nos libertando dos condicionamentos culturais e nos forjando como “novas criaturas”. A presente ordem, e o poder do mal, são transitórias. A nossa esperança é escatológica, “pois a antiga ordem já passou” (Ap. 21,4b).
Conclusões
Com o ocaso da modernidade vão-se os seus mitos: a bondade natural, o progresso, a razão (ciência) e as utopias globais. Volta a ambigüidade moral (e o pecado), os avanços e as decadências, a sensação de limitação nos empreendimentos e instituições humanas, e a redescoberta do além-razão no ser humano: o místico, o estético, o erótico, o lúdico, o intuitivo etc.
Há uma redescoberta do antes desvalorizado. A construção do futuro, porém, não se faz com um mero retorno ao passado (e aos seus males). O angélico e o demoníaco voltam como temas e realidades, vencendo-se, porém, os “sincretismos protestantes” e as “superstições evangélicas”, estranhas ao espírito e a proposta da Reforma.
Nem o reducionismo psicanalítico, nem o reducionismo dos “cultos de descarrego”.
A consciência do místico, do transcendente e do espiritual, não nos leva à alienação da História e das nossas responsabilidades como cidadãos e pessoas plenas.
Pois o bem e o mal, e suas potestades, se relacionam com os poderes políticos históricos, como procurou demonstrar Agostinho de Hipona em sua “Cidade de Deus”.
Que os Anjos do Senhor acampem ao redor de nós.
Fonte: Padre Félix, Uma demonologia bíblica. Disponível em:
Fonte: Apologistas Católicos
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